Tom positivo será colocado à prova em Santos, por Rodrigo Costa

Publicado em 07/05/2018 09:48

O banco central americano, na reunião do comitê do FOMC, manteve os juros inalterados como esperado e reforçou o pensamento de eventualmente deixar a inflação do país romper moderadamente o target de 2% da autoridade monetária.

O índice do dólar inicialmente cedeu, entretanto, a divulgação da taxa de desemprego em 4.9%, a menor desde 2000, empurrou as bolsas americanas para a melhor performance semanal em quase um mês.

O CRB, índice de commodities, começou o mês de maio próximo das máximas recentes, liderado pelos ganhos do trigo, do suco de laranja, do açúcar, do milho e do petróleo, que subiram entre 2% e 6.5%.

A bolsa do café em Nova Iorque rompeu médias-móveis importantes, atraindo mais liquidação dos fundos que estão vendidos e levando as cotações acima de US$ 125.00 centavos por libra-peso.

Nem mesmo a fraqueza do Real impediu o movimento, que recuou um pouco na sexta-feira, mas ainda deixou uma ponta de esperança da renovação das altas.

Aos produtores brasileiros o resultado foi o contrato “C” negociar nos níveis de setembro do ano passado, quando o arábica estava a US$ 143.25 centavos por libra e o real a R$ 3.12, mas era de se esperar uma movimentação maior no físico.

Os altistas dizem que o fluxo mais fraco é reflexo dos estoques baixos nas mãos dos produtores, enquanto os baixistas argumentam que os exportadores já estão com seus livros bem cobertos.

Como de costume os diferenciais alargaram com a firmeza do terminal, tanto na reposição como nas ofertas aos mercados internacionais. Compradores ficaram um pouco mais animados, mas nada que tenha gerado tantos negócios assim.

Um ou outro participante tentou aventar as faltas de chuvas no Brasil como sendo o motivo da alta, mas o clima não poderia estar mais favorável para a preparação da colheita, e duvido que alguém tenha comprado a bolsa em cima disto.

Os estoques no destino, do pico da entressafra brasileira, caíram 97,567 sacas no Japão em março, para 2.87 milhões de sacas e na Europa subiram 158,150 sacas, totalizando 10.85 milhões de sacas.

As exportações de Vietnã em abril, 2,698,333 sacas, foram bem acimas das 1,95 milhões do Brasil (divulgadas pela SECEX), assim como das 929 mil sacas embarcadas pela Colômbia e ainda mais as 69 mil sacas de Indonésia – o último exportando 70% a menos do que no mesmo mês de 2017.

Nesta semana grande parte do setor vai se encontrar no Seminário de Café de Santos para trocar suas impressões sobre o mercado. Resta saber se este tom mais positivo que foi acordado pelo movimento recente da bolsa vai ser compartilhado pela maioria, ou se todos sairão do encontro com a mesma conversa baixista que eram compartilhadas na NCA (New Orleans) e na SCAA (em Seattle).

Tecnicamente uma queda abaixo de US$ 122.00 centavos por libra deve voltar a atrair venda dos fundos, que liquidaram em duas semanas 24 mil lotes de suas posições vendidas - resultando em um rally de US$ 9.95 centavos.

Os comerciais aproveitaram para vender 12,510 contratos entre os dias 25 de abril e 1 de maio, 3.5 milhões de sacas, e mais deve ter negociado entre quarta e sexta-feira.

Boa viagem a todos e espero encontra-los no Guarujá ou em Santos.

Uma ótima semana e muito bons negócios a todos.

Rodrigo Costa*

*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting

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Fonte:
Archer Consulting

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