Café: Fundamentos sólidos dão sustentação aos preços em meio à crise econômica europeia

Publicado em 20/01/2012 18:17 1127 exibições
Foi difícil fechar negócios no mercado físico de café esta semana. A forte queda das cotações do café na ICE Futures US, na tarde de sexta-feira passada, acompanhando o pânico dos mercados ao redor do mundo, com a informação do rebaixamento do rating de vários países da zona do euro, levou os compradores a diminuírem o valor de suas ofertas e os vendedores a se retraírem não aceitando as bases oferecidas. Foram poucos os negócios concretizados, mas quem precisou comprar café arábica de boa qualidade, precisou pagar preços acima dos quinhentos reais por saca.

Os sólidos fundamentos do mercado de café são confirmados a cada nova notícia que chega aos operadores, dando sustentação aos preços em meio à crise econômica na zona do euro, que continua sendo a variável a ser acompanhada com atenção.

Em 2011 o Brasil gastou US$ 40,6 milhões importando café industrializado. É uma quantia pequena quando comparada com os US$ 8,7 bilhões de nossas exportações totais de café, mas significativa frente aos US$ 26,4 milhões de nossas exportações de café torrado. A Suíça (Nespresso) foi a grande exportadora de café para o Brasil, vendendo 83% (aproximadamente US$ 33,7 milhões) do total importado. O segundo maior fornecedor foi o Reino Unido com US$ 2,5 milhões, superando a Itália, tradicional fornecedora do mercado brasileiro, com várias empresas atuando nesta área. Dez países exportaram café industrializado para o Brasil em 2011 (fonte – Folha de São Paulo).

Também foi noticiado esta semana que a receita da Suíça com exportação de café supera seus ganhos com exportação de chocolate e queijo, dois tradicionais produtos suíços de exportação.

Com o crescimento da economia brasileira e de sua importância no cenário mundial, o Brasil acumulou musculatura para rever sua política de exportação de café. Precisamos trabalhar para derrubar barreiras alfandegárias e não alfandegárias que dificultam nossas exportações com maior valor agregado.

Em nossa opinião, o Brasil, um país de dimensões continentais, com climas, latitudes e altitudes variadas e um conhecimento acumulado em mais de duas centenas de anos, produz cafés com variedade suficiente para conseguir elaborar a maioria dos blends consumidos no mundo. Temos condições de desenvolver qualquer variedade que venha a ser necessária para a elaboração de um blend.

A "Green Coffee Association" divulgou que os estoques americanos de café verde totalizaram 4.295.067 em 31 de dezembro de 2011. Uma alta de 87.176 sacas em relação às 4.207.891 sacas existentes em 30 de novembro de 2011.

Até o dia 19, os embarques de janeiro estavam em 805.509 sacas de café arábica, 7.045 sacas de café conillon, somando 812.554 sacas de café verde, mais 65.202 sacas de solúvel, contra 1.341.165 sacas no mesmo dia de dezembro. Até o dia 19, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em janeiro totalizavam 1.406.095 sacas, contra 1.923.556 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 6, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 20, subiu nos contratos para entrega em março próximo, 15 pontos ou US$ 0,15 (R$ 0,19) por saca. Em reais por saca, as cotações para entrega em março próximo na ICE fecharam no dia 13 a R$ 534,24/saca e hoje, dia 20, a R$ 524,46/saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em março, a bolsa de Nova Iorque fechou com baixa de 125 pontos.

Fonte:
Escritório Carvalhaes

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