CAFÉ: Mercado se apresenta calmo e desinteressado neste final de ano

Publicado em 21/12/2012 16:48 1148 exibições
Em ritmo de final de ano, o mercado de café apresenta-se calmo e desinteressado. Vendedores e
compradores já olham para 2013 tentando enxergar como se desenvolverão os negócios no novo ano.
Ontem, dia 20, a Companhia Nacional de Abastecimento (CONAB) divulgou a quarta estimativa da safra brasileira de café 2012. O levantamento, apresentado em um detalhado relatório de quinze páginas, indica que em 2012 o país colheu uma safra recorde de 50,83 milhões de sacas de 60 quilogramas de café beneficiado. É um relatório consistente, que em sua introdução apresenta as instituições envolvidas em sua realização e a metodologia empregada para chegar aos números finais.
Como é de rotina, imediatamente após a divulgação dos números oficiais do Ministério da Agricultura muitos operadores e analistas se dedicaram a desacreditar o trabalho de centenas de técnicos, falando em números mais altos, sem apresentar como chegaram a eles. Muitos números foram lançados no mercado, alguns chegando a falar (não são apresentados por escrito) em produção de 60 milhões de sacas!
São grandes os interesses envolvidos na divulgação da safra de café do Brasil, maior produtor, maior exportador e segundo maior consumidor do mundo. Algumas centenas de pontos de variação nas bolsas de futuro fazem com que muitos milhões de dólares mudem de mãos em segundos. É fácil portanto entender esta “guerra” diária de informações, maior quando se tratam de números referentes ao Brasil, mas que acontece com dados de consumo e produção de todos os países envolvidos nos negócios de café. A disputa entre produtores e compradores sempre existiu, mas se agravou de modo dramático com a globalização e o extraordinário desenvolvimento da tecnologia da informação.
Como o Brasil não tem estoque remanescente de café e conta apenas com a safra anual para atender suas necessidades de exportação e consumo interno, uma safra de quase 51 milhões de sacas, apesar de recorde, significa que chegaremos ao final deste ano-safra, em junho de 2013, praticamente sem estoques e colhendo uma safra 2013 de ciclo baixo.
Este quadro é altista e não interessa aos compradores. Quem precisa comprar fala em safras maiores, consumo interno menor e fim da bianualidade (safras de ciclo alto e de ciclo baixo) na produção de café no Brasil, tentando não deixar que as cotações escapem de suas faixas “históricas”. A verdade é que em pleno século 21, o comércio de café continua atuando como atuava na primeira metade do século 20. Continuamos exportando o café verde a preço de custo e deixando para outros países a enorme agregação de valor que acontece neste mercado. Algumas poucas vezes os preços escapam do controle dos compradores, mas rapidamente eles retomam as rédeas do mercado. Está mais do que na hora do Brasil rever seu papel no comércio internacional de café.
Até o dia 20 os embarques de dezembro estavam em 1.541.468 sacas de café arábica e 39.796 sacas de café conillon, somando 1.581.264 sacas de café verde, mais 94.587 sacas de café solúvel, contra 1.530.228 sacas no mesmo dia de novembro. Até o dia 20, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em dezembro totalizavam 2.249.410 sacas, contra 2.001.240 sacas no mesmo dia do mês anterior.
A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 14, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 21, subiu nos contratos para entrega em março próximo, 345 pontos ou US$ 4,57 (R$ 9,48) por saca. Em reais por saca, as cotações para entrega em março próximo na ICE fecharam no dia 14 a R$ 395,38/saca e hoje, dia 21 a R$ 402,00/saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em março, a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 365 pontos. No mercado semi-paralisado de hoje, são as seguintes cotações nominais por saca, para os cafés
verdes, do tipo 6 para melhor, safra 2012/2013, condição porta de armazém:

R$360/370,00 - CEREJA DESCASCADO – (CD), BEM PREPARADO.
R$340/350,00 - FINOS A EXTRAFINOS – MOGIANA E MINAS.
R$330/340,00 - BOA QUALIDADE – DUROS, BEM PREPARADOS.
R$320/330,00 - DUROS COM XÍCARAS MAIS FRACAS.
R$310/320,00 - RIADOS.
R$300/310,00 - RIO.
R$300/310,00 - P.BATIDA P/O CONSUMO INT.: DURA.
R$290/300,00 - P.BATIDA P/O CONSUMO INT.: RIADAS.
DÓLAR COMERCIAL DE SEXTA-FEIRA: R$ 2,073 PARA COMPRA.

Fonte:
Escritório Carvalhaes

1 comentário

  • victor angelo p ferreira victorvapf nepomuceno - MG

    Na próxima reencarnação eu quero vir como especulador, mas especulador inteligente e com dinheiro para comprar café adoidado a preços baixos, como agora...E ter cabeça pra pensar e raciocinar: Não tem café de bebida fina no mercado, ele esteve beirando 600 reais e está a 340.Ano que vem vai ser de pouca safra...Vou comprar adoidado e esperar subir o preço, porque quero me arrumar na vida, conhecer a Europa a custa dos trouxas dos produtores rurais...

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