Café: Mercado físico brasileiro calmo com os cafeicultores rejeitando os atuais níveis de preço

Publicado em 01/08/2016 11:12
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O mercado físico brasileiro permaneceu calmo esta semana. Os cafeicultores não mostram interesse em vender nas bases oferecidas pelos compradores e voltam suas atenções para os trabalhos de colheita e benefício da nova safra, que agora avançam em boa velocidade. Muitos produtores venderam antecipadamente parte de sua safra (comercializam 10 a 20% do que produzem) e agora estão preparando e entregando esses lotes, em sua maioria vendidos a preços melhores do que os oferecidos agora pelo mercado. 

As exportações brasileiras em julho, primeiro mês do novo ano-safra, deverão ficar abaixo do total embarcado em junho e certamente serão bem menores do que as de julho de 2015. Reflexo dos baixíssimos estoques brasileiros de passagem e da severa quebra de nossa safra de conilon 2016. Nosso consumo interno e os embarques brasileiros dos próximos meses terão de ser cobertos por nossa nova safra. Grande parte dessas vendas para o exterior foi feita muitos meses atrás quando os operadores imaginavam que a safra 2016 seria maior e que teríamos um bom volume de arábicas finos. Portanto preços mais baixos no mercado físico brasileiro. 

A seca nas regiões produtoras de conilon, chuvas no início da colheita de nossos arábicas e estoques de passagem insignificantes mudaram o cenário e os cafeicultores se recusam a vender nas bases pretendidas pelos compradores. 

As torrefações brasileiras estão encontrando dificuldades para se abastecerem em pleno início de safra, o que é inédito. Ligas para consumo são vendidas até a R$ 450 e ontem circulou a informação que uma cooperativa vendeu um grande volume dessas ligas para uma torrefação brasileira a R$ 440. Preocupado com o abastecimento e com os elevados preços do café no mercado interno, o governo anunciou que vai leiloar 693,3 mil sacas de produto de seus estoques até dezembro deste ano. O primeiro leilão foi sexta-feira. Foram vendidas todas as 67 mil sacas postas a venda e o preço médio de venda ficou acima de R$ 450 por saca. 

Os estoques governamentais são de apenas 1,49 milhão de sacas, insuficientes para abastecer nosso consumo por apenas um mês! Os estoques governamentais entraram no “volume morto” e não têm condições de influenciar nos preços praticados pelo mercado. 

As cotações no mercado futuro, na ICE Futures US em Nova Iorque, oscilaram bastante com compradores e vendedores se degladiando entre linhas de suporte e resistência. Essas cotações não refletem mais o que acontece no mercado fisico, servindo apenas aos interesses de curtissimo prazo de comprados e vendidos. Os preços dos arábicas lavados no mercado físico estão bem acima das cotações da ICE, que supostamente cota esses cafés. Os fundamentos não influenciam, ou influenciam muito pouco o dia a dia das cotações na ICE. Os cafeicultores começam a perceber essa desconexão e não recuam seus preços quando Nova Iorque cai. Os analistas já começam a falar em fundos de algoritmos.

Até dia 28, os embarques de julho estavam em 1.364.996 sacas de café arábica, 37.359 sacas de café conilon, mais 177.356 sacas de café solúvel, totalizando 1.579.711 sacas embarcadas, contra 1.720.555 sacas no mesmo dia junho. Até o mesmo dia 28, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em julho totalizavam 1.949.223 sacas, contra 2.186.506 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 22, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 29, subiu nos contratos para entrega em setembro próximo 430 pontos ou US$ 5,69 (R$ 18,42) por saca. Em reais, as cotações para entrega em setembro próximo na ICE fecharam no dia 22 a R$ 616,80 por saca, e hoje dia 29, a R$ 626,21 por saca. Sexta-feira, nos contratos para entrega setembro a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 405 pontos.
Fonte Escritório Carvalhaes

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