Café: Semana de mercado físico calmo com os cafeicultores focando nos trabalhos de colheita da nova safra

Publicado em 06/08/2016 10:01
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Mais uma semana de mercado físico calmo. Ante os baixos valores oferecidos pelos compradores, os cafeicultores voltam suas atenções para os trabalhos de colheita e beneficio da nova safra. Estão preparando e entregando os lotes vendidos meses atrás para fornecimento agora no início do ano-safra. Esses lotes foram vendidos a preços bem superiores ao agora ofertado pelos compradores. 
Os compradores formam preço para compra no mercado interno a partir das cotações na ICE em Nova Iorque. Essas cotações estão descoladas da realidade do mercado físico. Para se ter uma ideia, hoje a cotação de fechamento para o mês de setembro na ICE, corresponde a R$ 597,35 por saca de 60 kgs. Esse contrato da ICE cota café despolpado colombiano preparado e posto em um porto americano. No mercado físico internacional os compradores só conseguem comprar lotes desse padrão, da safra corrente, pagando preços bem acima dos cotados pela bolsa de Nova Iorque. 
Com os estoques remanescentes brasileiros chegando ao fim, a realidade se impõe. Basta ver quanto vale hoje uma liga para consumo interno com 800 defeitos. Qual o preço que a indústria tem de pagar para conseguir um lote de conilon (a quebra de nossa safra de conilon pode ser comprovada pelas exportações brasileiras. As de julho último não chegaram a dez por cento das de julho de 2015). Os cafeicultores vendem hoje suas “escolhas” pelo dobro do preço praticado em agosto de 2015. Com a inflação e custos de produção em alta, não é de se estranhar o desinteresse dos produtores brasileiros de arábica pelas ofertas que recebem dos compradores. 
As cotações na ICE refletem o interesse de curto prazo de fundos e especuladores e não o mercado físico mundial, que apresenta um aumento de consumo anual por volta de 2% (três milhões de sacas por ano) e enfrenta problemas climáticos em todos os principais países produtores. 
Se o consumo mundial no ano-safra 2016/2017 crescer os mesmos 2% dos últimos quatro anos, significa que o Brasil precisará mais 1,1 milhão de sacas só para manter seu market share (consumo interno + exportação). A média de exportação do Brasil nos três últimos anos-safra (13/14, 14/15 e 15/16) foi de 35,38 milhões de sacas. Teríamos de exportar em 16/17, 36,1 milhões de sacas. 2% a mais, apenas para manter nossa participação no mercado. 
Até dia 2, os embarques de julho estavam em 1.458.862 sacas de café arábica, 37.359 sacas de café conilon, mais 231.301 sacas de café solúvel, totalizando 1.727.522 sacas embarcadas, contra 1.720.555 sacas no mesmo dia junho. Até o mesmo dia 2, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em julho totalizavam 2.125.650 sacas, contra 1.949.223 sacas no mesmo dia do mês anterior. 
Até dia 4, os embarques de agosto estavam em 108.954 sacas de café arábica, 2.240 sacas de café conilon, mais 10.082 sacas de café solúvel, totalizando 121.276 sacas embarcadas, contra 58.999 sacas no mesmo dia julho. Até o mesmo dia 04, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em julho totalizavam 435.579 sacas, contra 405.638 sacas no mesmo dia do mês anterior. 
A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 29, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 5, caiu nos contratos para entrega em setembro próximo 370 pontos ou US$ 4,89 (R$ 15,50) por saca. Em reais, as cotações para entrega em setembro próximo na ICE fecharam no dia 29 a R$ 626,21 por saca, e hoje dia 5, a R$ 597,35 por saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega setembro a bolsa de Nova Iorque fechou com alta de 40 pontos.
Fonte: Escritório Carvalhaes

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