Café: Projeções da safra brasileira 2016/17 comprovam que o quadro de oferta é apertado para atender a demanda

Publicado em 25/11/2016 17:35 e atualizado em 26/11/2016 06:55
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Escritorio Carvalhaes (Santos)
O USDA, o Departamento de Agricultura dos EUA, revisou para cima sua projeção para a safra brasileira de café 2016/17, de 55,95 milhões para 56,1 milhões de sacas, crescimento de 1%, mas as manchetes foram na direção “USDA prevê safra maior de café no Brasil” e contribuíram para a queda das cotações em Nova Iorque esta semana. 

Para o USDA, a produção de arábica no Brasil deverá atingir 45,6 milhões de sacas, aumento de 4% em relação à estimativa de maio, e a de conilon deve ficar em 10,5 milhões de sacas, 13% menos do que o previsto em maio último. A estimativa da Conab – Companhia Nacional de Abastecimento, de setembro último, é de 49,64 milhões de sacas, sendo 41,29 milhões de sacas de arábica e 8,35 milhões de sacas de conilon. Já considerávamos alto o volume estimado pelo USDA em maio e o atual (13% acima da última estimativa da CONAB) também nos parece acima da realidade. 

Esses números comprovam como o quadro é apertado. O mercado prevê que o Brasil deverá exportar neste ano-safra 2016/2017 (julho de 2016 a junho de 2017) entre 33 e 34 milhões de sacas de café e consumir no mercado interno entre 20,5 e 21 milhões de sacas. Portanto, para atender nossos compromissos na exportação e no consumo interno precisaremos de 53, 5 milhões a 55 milhões de sacas de café. Para ajudar o abastecimento de nosso consumo interno, o ministério da Agricultura vai leiloar no início de 2017 as 700 mil sacas restantes nos estoques públicos brasileiros, e a safra brasileira 2017, de ciclo baixo, será menor que a atual. No ano-safra 2017/2018 (julho de 2017 a junho de 2018) não teremos estoques públicos de café. 

Esta semana os contratos de café na ICE Futures US trabalharam em baixa e a crise política brasileira fez com que a cotação do dólar frente ao real oscilasse bastante. Os negócios no mercado físico brasileiro diminuíram de ritmo com a queda em Nova Iorque e com o feriado nacional do dia de ação de graças ontem nos EUA, quando a ICE, principal termômetro dos preços, não trabalhou. O volume de negócios fechados foi menor em relação à semana anterior. 

Representantes do CNC - Conselho Nacional do Café e da CNA - Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil preparam um documento, que deve ser entregue ao Ministério da Agricultura ainda esta semana, manifestando-se de forma veemente contra a proposta de importação de café conilon que está sendo capitaneada pela indústria de solúvel (fonte: VALOR On Line – Agronegócios em 24/11/16). 

Até dia 24, os embarques de novembro estavam em 1.633.653 sacas de café arábica, 13.448 sacas de café conilon, mais 177.436 sacas de café solúvel, totalizando 1.824.537 sacas embarcadas, contra 1.828.156 sacas no mesmo dia de outubro. Até o mesmo dia 24, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em novembro totalizavam 2.561.413 sacas, contra 2.574.415 sacas no mesmo dia do mês anterior. 

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 18, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 25, caiu nos contratos para entrega em março próximo 670 pontos ou US$ 8,86 (R$ 30,20) por saca. Em reais, as cotações para entrega em março próximo na ICE fecharam no dia 18 a R$ 725,19 por saca, e hoje dia 25, a R$ 700,76 por saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em março a bolsa de Nova Iorque fechou com baixa de 230 pontos.
Fonte: Escritório Carvalhaes

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