Café: Cafeicultores assistem os preços serem represados e sua renda ser transferida para o exterior

Publicado em 04/08/2017 19:04
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A cotação do café na ICE Futures US em Nova Iorque oscilou bastante com a disputa entre comprados e vendidos em torno do rompimento de uma linha de resistência. Entramos no mês de agosto e a partir da próxima semana os operadores vão acelerar a rolagem para dezembro dos contratos com vencimento em setembro próximo, que encerram a semana acumulando alta de 230 pontos. Chama a atenção como os operadores só focam a atenção nesses interesses de curto prazo, com cada lado, comprado ou vendido, jogando informações e criando factoides que ajudem a levar as cotações para onde lhes interessa. 

No mercado físico brasileiro, os preços melhoraram um pouco no decorrer da semana, principalmente ontem e hoje, mas o volume de negócios fechados continua pequeno para esta época de entrada de safra. Os produtores vendem apenas o necessário para fazer frente às despesas mais próximas. As informações que chegam do campo mostram que a colheita da nova safra, de ciclo baixo, se aproxima dos 70% e já é uma certeza que a produção final ficará abaixo do inicialmente estimado, com menor porcentagem de peneiras altas e maior incidência de grãos brocados. 

No meio dessas disputas nas bolsas de futuro, em plena entrada de uma safra de ciclo baixo, os produtores assistem, desanimados, os preços do café serem represados e o resultado de um ano de trabalho escoar entre os dedos. Continuamos transferindo renda dos cafeicultores brasileiros para o exterior. 

Em 2016, Portugal exportou 14 mil toneladas de café torrado (equivalente a 280 mil sacas de café verde), com uma receita de 79 milhões de euros (93,7 milhões de dólares). As exportações de café português duplicaram em valor entre 2008 e o ano passado e só entre 2015 e 2016, a evolução das exportações correspondeu a um aumento de 26% em valor e a um crescimento de 16% em volume. As cápsulas, que fizeram a revolução do café em todo o mundo, acabaram por impulsionar as vendas do produto português (fonte: site Dinheiro Vivo). 

O Brasil, maior produtor, maior exportador e segundo maior consumidor de café do mundo, exportou 29,6 mil sacas de café torrado em 2016, aproximadamente 10% do volume exportado por Portugal, com uma receita de 12 milhões de dólares. Desde 1990, o único ano em que o Brasil ultrapassou a marca de 100 mil sacas de café torrado exportadas foi 2008. Portugal exporta café em cápsulas também para o Brasil. 

Após três meses de muita negociação, na última terça-feira, 1º de agosto, o Diário Oficial da União publicou a Medida Provisória nº 793, que permite a renegociação dos passivos com o FUNRURAL - Fundo de Amparo ao Trabalhador Rural e reduz a alíquota da contribuição de 2,3% para 1,5% a partir de 1º de janeiro de 2018.

Até dia 2, os embarques de julho estavam em 1.421.777 sacas de café arábica, 16.346 sacas de café conilon, mais 221.327 sacas de café solúvel, totalizando 1.659.450 sacas embarcadas, contra 1.921.548 sacas no mesmo dia de junho. Até o mesmo dia 2, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em julho totalizavam 1.919.393 sacas, contra 2.257.735 sacas no mesmo dia do mês anterior. 

Até dia 3, os embarques de agosto estavam em 139.970 sacas de café arábica, mais 6.894 sacas de café solúvel, totalizando 146.864 sacas embarcadas, contra 109.041 sacas no mesmo dia de julho. Até o mesmo dia 3, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em agosto totalizavam 281.577 sacas, contra 310.684 sacas no mesmo dia do mês anterior. 

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 28, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 4, subiu nos contratos para entrega em setembro próximo 230 pontos ou US$ 3,04 (R$ 9,50) por saca. Em reais, as cotações para entrega em setembro próximo na ICE fecharam no dia 28 a R$ 572,76 por saca, e hoje dia 4, a R$ 579,53 por saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em setembro a bolsa de Nova Iorque fechou com baixa de 5 pontos. 
Fonte: Escritório Carvalhaes

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