Café: Não houve mudanças nos fundamentos que justificassem a forte queda dos preços

Publicado em 18/08/2017 22:13 e atualizado em 21/08/2017 12:25
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Operadores em Nova Iorque aproveitaram a valorização do dólar e a rolagem para dezembro dos contratos de café com vencimento em setembro próximo na ICE Futures US para, auxiliados por análises com algoritmos alimentadas por informações de safra mundial recorde e estoques americanos de café verde em alta, derrubar com força as cotações do mercado futuro de arábica. Os contratos com vencimento em setembro acumularam na semana 1225 pontos de baixa.

O patamar mais alto de preços do robusta e as informações sobre quebra de safra ainda mais severa no Brasil, responsável por mais de 35% do abastecimento mundial de café (que em paralelo enfrenta sérios problemas com broca), não neutralizaram as notícias baixistas em uma bolsa completamente dominada pelos interesses de curto prazo de grandes fundos de investimentos e especuladores, ávidos para realizar os lucros com as altas acumuladas na ICE até o último dia 8. Nesse dia os contratos com vencimento em setembro fecharam a US$ 1,4275 por libra peso, e hoje, dia 18, fecharam a US$ 1,2805. Queda de 1470 pontos em dez dias.

Em dez dias não aconteceram mudanças importantes nos fundamentos de mercado que justificassem a forte queda nas cotações do café em Nova Iorque. Está claro que com os avanços tecnológicos e a grande concentração de capitais em mãos de fundos de investimentos com interesses de curto prazo, não é mais possível formar preços no físico a partir dos rápidos movimentos das bolsas de futuro. Produtores e consumidores precisam olhar bem mais à frente.

Em um mercado forte e em ascensão como o do consumo mundial de café, os produtores acabam ficando com os maiores riscos e a menor fatia das receitas geradas por este negócio bilionário. Transferem renda para os operadores em bolsas de futuro e para os mercados consumidores.

A produção de café na região de atuação da Cooxupé, maior cooperativa de café do mundo e maior exportadora de café do Brasil, deverá ser 30 por cento menor neste ano em razão das chuvas abaixo do ideal durante a fase de granação e também por causa da infestação por broca, que afetaram a produtividade média.

O consumo de café continua em alta na Ásia. A China já é o maior mercado internacional da Starbucks. A rede anunciou recentemente que estava assumindo a gestão das 1.300 lojas Starbucks distribuídas em 25 cidades das três províncias.

Anteriormente pertenciam a Uni-President Enterprises Corporation e a President Chain Store Corporation. Agora, o portfólio da empresa chega a 2.800 lojas em toda a China Continental. A Starbucks informou ainda que está abrindo mais de 500 lojas por ano no país.

A "Green Coffee Association" divulgou que os estoques americanos de café verde totalizaram 7.413.312 em 31 de julho de 2017. Uma alta de 118.367 sacas em relação às 7.294.945 sacas existentes em 30 de junho de 2017.

Até dia 18, os embarques de agosto estavam em 792.327 sacas de café arábica, 8.453 sacas de café conilon, mais 77.342 sacas de café solúvel, totalizando 878.122 sacas embarcadas, contra 817.285 sacas no mesmo dia de julho. Até o mesmo dia 17, os pedidos de emissão de certificados de origem para embarque em agosto totalizavam 1.507.958 sacas, contra 1.104.283 sacas no mesmo dia do mês anterior.

A bolsa de Nova Iorque – ICE, do fechamento do dia 11, sexta-feira, até o fechamento de hoje, sexta-feira, dia 17, caiu nos contratos para entrega em setembro próximo 1225 pontos ou US$ 16,20 (R$50,93) por saca. Em reais, as cotações para entrega em setembro próximo na ICE fecharam no dia 11 a R$ 587,02 por saca, e hoje dia 17, a R$ 532,54 por saca. Hoje, sexta-feira, nos contratos para entrega em setembro a bolsa de Nova Iorque fechou com baixa de 40 pontos.
Fonte: Escritório Carvalhaes

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