Tabelamento de Fretes: Consequências de uma intervenção equivocada, por Prof. Dr. Marcos Fava Neves
Em maio tivemos uma das mais danosas agressões que a sociedade brasileira costuma de vez em quando fazer contra ela mesma, desta vez foi a greve do transporte, espalhando bilhões de reais de perdas para todos os lados nas cadeias produtivas integradas, prejudicando a recuperação econômica e espalhando pânico na sociedade. Uma greve sem vencedores, como escrevi em artigo de análise ainda em maio, explicando suas causas e possíveis consequências.
No auge da greve, para resolver os problemas e normalizar a situação, surge uma proposta dos anos 70, o tabelamento de fretes, que vai contra qualquer modernidade econômica, contra a liberdade econômica, leis de mercado e até contra a Constituição brasileira.
A greve dos transportes já foi amplamente debatida, mas chamo a atenção neste texto apenas para um fato que previ no artigo sobre a greve e a proposta de tabelamento: uma possível verticalização da função transporte, ou seja, empresas e produtores começariam a investir em frotas próprias, internalizando a função transporte, para fugir da interferência do tabelamento.
Dito e feito. Vendo a um telejornal no início da manhã de hoje, números foram apresentados e as vendas de caminhões no primeiro semestre de 2018 cresceram simplesmente 50% em relação ao mesmo período do ano anterior, em sua maioria, investimentos feitos por produtores rurais e industriais, numa função que não é seu negócio principal, o seu negócio foco (transporte).
Um setor que já tinha ociosidade (mais oferta que demanda) devido a uma interferência equivocada (tabelamento) caminha para mais ineficiência ainda. Ou seja, mais caminhões, mais ativos, mais depreciação, mais ociosidade, mais ineficiência, menor ocupação de ativos... traduzindo em... menores margens. Isto tudo em tempos de Uber e de racionalização do uso de ativos na sociedade mundial. Retrocesso puro.
0 comentário
Agro, equinócio e São José, por Prof. Dr. Evaristo de Miranda
O impacto do Oriente Médio sob o risco logístico e o alento ao etanol
Da nutrição ao controle de doenças: o que fazer no manejo do conilon em reta final para a safra
Pontos fundamentais na gestão da água em bacias hidrográficas, por Prof. Afonso Peche Filho
A vida invisível do solo e o futuro da agricultura tropical
Bioinsumos em 2026: o desafio não será escolher o microrganismo, mas produzir com escala, qualidade e conformidade