O agronegócio e a geração de empregos, por Flávio França Jr.

Publicado em 12/06/2015 17:54
Flávio Roberto de França Junior é Analista de Mercado, Consultor em Agribusiness e Diretor da França Junior Consultoria

Caros amigos. Já disse isso anteriormente, mas acho que vale a pena repetir: toda vez que viajo pelo interior do Brasil, me salta os olhos o dinamismo e a pujança do agronegócio brasileiro. E mesmo em tempos de grave crise econômica no país, onde o desânimo, o pessimismo e a falta de perspectivas predominam em toda a sociedade, é fácil perceber que também desta vez será através desse setor que iniciaremos o processo de recuperação da economia brasileira. Desta vez, ao viajar pelo lado mato-grossense do Vale do Araguaia, outro tema relacionado ao nosso segmento me chamou a atenção nesta semana, o qual eu gostaria de compartilhar com vocês: a enorme necessidade de mão de obra especializada para viabilizar o crescimento do agro.

E não é de hoje que esse processo está em andamento. Em 2014 o Brasil se consolidou como um dos 10 maiores produtores e exportadores de produtos agropecuários do planeta. E a tendência é que continue a avançar em 2015, e que naturalmente vá se encaminhando para o topo dessa lista. No ano passado, o PIB brasileiro permaneceu estagnado, mais o PIB do agronegócio avançou cerca de 2%. Em 2015, enquanto as projeções apontam para retrocesso de 1,5 a 2,0% no PIB do país, o agro deve crescer algo entre 1,0 e 2,0%. Estamos falando de uma participação próxima de 25% do tamanho da economia brasileira. A balança comercial amplamente superavitária do agro impediu que balança brasileira deficitária obtivesse resultados ainda mais medíocres no ano passado, o que irá se repetir este ano. E enquanto o país amarga o aumento gradativo do desemprego, o agronegócio não para de produzir novas oportunidades de colocação. Neste caso estamos falando de algo próximo a 35% do total dos empregos do país.

A explicação é mais ou menos óbvia. O agro vem aumentando de tamanho de forma consistente nos últimos anos, e com os problemas nos demais segmentos, especialmente no setor industrial, vem aumentando a sua participação na economia brasileira. E para complementar, vem observando um espetacular avanço tecnológico. Em função de sua elevada capacidade de empreendedorismo e criatividade, vem se mostrando parcialmente imune ao desgoverno que impera no país nesses últimos anos. Temos clima, áreas, tecnologia e povo trabalhador. O que nos falta basicamente são três coisas: infraestrutura, política de renda para os produtores e planejamento de longo prazo.

O resultado como não poderia deixar de ser é a criação de empregos. Muitos empregos. Não é a toa que qualquer análise ou pesquisa realizada por especialistas na área de recursos humanos aponta o agronegócio com um dos setores mais pujantes no oferecimento de oportunidades de trabalho. Para citar apenas alguns dos exemplos mais óbvios, profissionais nas áreas de tecnologia agrícola, gestão ambiental, zootecnia, agronomia, engenharia de alimentos, etc, não ficam desempregados se quiserem.

Para quem não é exatamente do ramo, pode parecer que empregos no agronegócio estão apenas relacionados com a produção agrícola ou pecuária. Mas essa é apenas uma parte da história. Na verdade, uma terça parte. Quando falamos em agronegócio precisamos lembrar e entender que existe todo um complexo segmento produtivo e de serviços à montante e à jusante da produção primária. Ou seja, à montante, existe um formidável universo de empresas que atuam de forma direta ou indireta na produção de insumos, implementos e máquinas agrícolas. E à jusante, temos também outra impressionante gama de atividades, que envolvem o armazenamento, escoamento, beneficiamento, industrialização, distribuição, exportação, etc. Em resumo, há empregos de toda a sorte, para quase todas as categorias profissionais, baseados nos seguintes alicerces: gestão x produção x industrialização x distribuição.

No entanto, existem alguns requisitos básicos para que se esteja apto a entrar para o mundo do agronegócio. Um deles é disposição para morar em cidades médias e pequenas do interior, especialmente nas regiões que detém o maior potencial de crescimento na produção agropecuária, como é o caso do Centro-Oeste, do Nordeste e a região Norte. Apenas uma pequena parte dos empregos do agro está localizada nas grandes cidades. E mesmo assim, predominantemente na área de tecnologia e serviços. Além disso, da mesma forma que os demais segmentos da economia brasileira, o agro precisa de especialização, de todas as naturezas e de todos os tipos, seja a nível técnico, a nível de graduação ou de pós-graduação. Com esses dois elementos básicos, mais uma boa dose de interesse e iniciativa, as oportunidades se multiplicam, os salários estão em expansão e a rapidez de crescimento nas carreiras é impressionante. E será com essa mentalidade e essa dinâmica, que o agro brasileiro buscará no futuro a liderança mundial. Mesmo que a nossa incapacidade na área de administração pública desses últimos anos esteja trabalhando mais no sentido de atrasar esse processo.

Um “AgroAbraço” a todos!!!

www.francajunior.com.br e [email protected]

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Fonte:
França Junior Consultoria

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1 comentário

  • Carlos Massayuki Sekine Ubiratã - PR

    Parabéns Sr. França Junior pelo seu texto. Enche-nos de orgulho a pujança do agronegócio, apesar dos problemas citados. Sou agricultor e funcionário de cooperativa em Ubiratã, região centro ocidental do Paraná e sou testemunha da evolução do agronegócio nos últimos anos, apesar de toda a ineficiência da porteira para fora. Após uma safra de soja muito boa, estamos colhendo a melhor safrinha de milho da história, com produtividades superando os 7.500 kg/ha e ainda estamos plantando trigo como opção de uma terceira safra.

    Cada hectare de terra no município produziu em 2014, somadas as três safras, algo em torno de 10.000 kg de grãos, cerca de 2,7 vezes a média nacional. Esse número certamente vai ser superado esse ano. As cooperativas estão investindo em estruturas de secagem, limpeza e armazenamento para atender a essa demanda e também estão construindo e ampliando os sistemas avícolas, desde fábricas de rações até abatedouros e câmaras frias, como forma de agregar valor aos grãos produzidos na região. Tudo isso está gerando milhares de empregos e alavancando a economia da região, que depois de décadas de estagnação está voltando a crescer e com isso atraindo pessoas e investimentos. Tenho plena convicção de que isto não está acontecendo só por aqui. Por todo o interior do Brasil o agronegócio está puxando o desenvolvimento e o progresso, mesmo que carregando nas costas o peso da ineficiência do Estado.

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    • Dalzir Vitoria Uberlândia - MG

      Caro Carlos..esta condição de 3 safras na mesma área vai de encontro a qualquer empresa EFICAZ..ou seja os custos fixos se diluem nas 3 safras...falo da terra...das máquinas...na correção do solo...armazém..e até a mão de obra de operador de máquinas se dilue nas 3 safras..este é o futuro da agropecuária em qualquer lugar do mundo....com o caixa recebendo a ano todo e fazendo pagamentos o ano todo....por isto que o norte e oeste e parte do sudoeste do Paraná continua a crescer e desemvolver...otimização e o caminho...para reduzir custos e ter lucro na atividade...já imaginou soja e milho com altos preços e descartelização e feudalismo do trigo...qual seria a situação do produtor do Paraná!!!!!

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    • Guilherme Frederico Lamb Assis - SP

      Caro Dalzir, o "problema" é quando a necessidade de se fazer duas ou três safras se torna uma obrigação para se manter nos negócios em meio a custos fixos exorbitantes como ocorre no Brasil (custo trabalhista, custo de funcionamento, burocracia, impostos). Muito produtor hoje se ve obrigado a trabalhar com 200% da capacidade instalada para sobreviver aos custos fixos, e isso gera distorções no mercado, pois o produtor não tem muita opção de "fechar a torneira" em um segunda safra de milho em caso de desequilíbrio nas leis de oferta e demanda. Ele vai ter que produzir de qualquer jeito para manter a empresa rodando, mesmo que isso gere algum prejuízo... O mercado de milho é o principal exemplo disso, pessoal planta a "qualquer custo" e sem sequer uma cultura alternativa economicamente viável que poderia ser o trigo, que foi destruído pelo feudalismo brasileiro.

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    • Dalzir Vitoria Uberlândia - MG

      Guilherme...suas colocações foram perfeitas...mas um dos caminhos seria o uso de milho e soja em uma terceira ou quarta atividade na propriedade como por exemplo..aves..suinos..bovinos..onde agregaria valor que hoje a industria agrega aos cereais...ou seja em vez de vender ao mercado milho a 25 e soja a 60..venderia na atividade pecuária milho a 40 e soja a 100 o saco...além disto venderia menos ao mercado que el algum momento provocaria alta no preço..

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