Ibovespa avança com NY com esperanças de alívio em quarentenas e medicamento contra coronavírus

O Ibovespa voltava a se aproximar dos 80 mil pontos nesta sexta-feira com fortes ganhos, embalado pelo viés de alta nas praças acionárias no exterior, em meio a esperanças relacionadas a alívio nas medidas de confinamento em razão do Covid-19, bem como de avanço no desenvolvimento de medicamento contra o vírus.
Às 12:00, o Ibovespa subia 0,89 %, a 78.502,19 pontos, caminhando para mais um desempenho semanal positivo. Na máxima, chegou a 79.846,43 pontos. O volume financeiro somava 6 bilhões de reais.
O presidente dos EUA, Donald Trump, apresentou na véspera planos para reabrir a economia após bloqueios para conter a disseminação do Covid-19, que já matou mais de 32,6 mil norte-americanos. Ele argumentou que uma paralisação prolongada pode ser profundamente prejudicial à economia.
Investidores também repercutem notícia publicada na véspera detalhando dados encorajadores sobre um medicamento para potencialmente tratar o Covid-19. O futuro do S&P 500 avançava 2,5%.
Ainda na cena externa, o PIB chinês recuou 6,8% entre janeiro e março na comparação com o ano anterior, mostraram dados oficiais nesta sexta-feira, contra expectativa de analistas de queda de 6,5%, na primeira contração da segunda maior economia do mundo desde ao menos 1992.
Mas o lado bom foi uma queda muito menor do que a esperada na produção industrial de março - recuou 1,1% na comparação com o ano anterior, contra expectativa de contração de 7,3%.
"Apesar do pior resultado trimestral do PIB chinês desde 1992, o otimismo volta ao mercado com estudo da Gilead apontando para um tratamento promissor para o Covid-19 e reabertura gradual da economia", ressaltou a equipe da XP Investimentos, em nota a clientes.
Na véspera, o Ibovespa caiu 1,29%, a 77.811,85 pontos.
Para a equipe do BTG Pactual, contudo, apesar de toda a recuperação vista nos últimos dias, a palavra de ordem continua sendo de cautela, já que em breve haverá notícias mais apuradas do lado econômico, incluindo a piora do quadro fiscal.
"Quanto à renda variável, o cenário ainda está muito incerto", afirma nota enviada pela área de gestão do banco, citando dificuldade de analistas projetarem qualquer expectativa de lucros, geração de caixa e endividamento das empresas (dentre diversas outras métricas).
"O julgamento de barato ou caro do Ibovespa fica mais difícil, por falta de fundamentos."
DESTAQUES
- VALE ON subia 1,6%, após dados um pouco melhores do que o esperado sobre produção industrial em março na China, além de promessa de novas medidas para estimular a segunda maior economia do mundo.
- MULTIPLAN ON tinha alta de 7,55%, com o setor de shopping entre as maiores altas do Ibovespa. IGUATEMI ON ganhava 4,9% e BRMALLS ON subia 2,56%.
- ITAÚ UNIBANCO PN e BRADESCO PN avançavam 0,6% e 0,8%, respectivamente, após perdas nos últimos dois pregões, endossando a melhora. BANCO DO BRASIL ON valorizava-se 2,6%.
- PETROBRAS PN tinha variação negativa de 0,5%, enquanto PETROBRAS ON caía 0,4%, tendo de pano de fundo alta dos preços do petróleo Brent no exterior, enquanto o contrato de WTI recuava.
- GPA ON e CARREFOUR BRASIL ON cediam 1,2% e 1%, em sessão mista no setor de varejo, com empresas como VIA VAREJO ON e LOJAS RENNER ON em alta, mas B2W ON em queda.
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