Números de exportações acendem "sinal amarelo" para fundamento da taxa de câmbio, diz FGV

Os fundamentos da taxa de câmbio viram um "sinal amarelo" acender depois de mais um ano de exportações mais fracas em 2020, quando o desalinhamento cambial negativo ficou perto de recordes, mostrou estudo da FGV encaminhado à Reuters.
E segundo Emerson Marçal --coordenador do Centro de Macroeconomia Aplicada da Escola de Economia de São Paulo da FGV (FGV EESP) e um dos autores do estudo, de divulgação trimestral--, curiosamente a piora na variável exportações pode ajudar a reduzir a divergência entre as taxas de câmbio do modelo e efetivas, mas não pela valorização do real, e sim pela deterioração dos fundamentos.
"Se a queda nas exportações continuar, o resultado de conta corrente vai piorar, uma vez que, com a perspectiva de retomada da economia, as importações devem crescer", disse Marçal. "Se isso se confirmar, vai atrapalhar o mercado de câmbio. É um sinal amarelo que se acende. Talvez os fundamentos externos da economia tenham começado a piorar", completou.
Em dólares, as exportações brasileiras caíram 6,88% em 2020, depois de recuo de 5,80% em 2019, de acordo com o Ministério da Economia.
Por outro lado, ponderou o estudioso, os termos de troca do Brasil --razão entre os preços das exportações e importações-- subiram no ano passado. Pelos dados da Fundação Centro de Estudos do Comércio Exterior (Funcex), a medida encerrou setembro no maior patamar desde 2014.
"No curto prazo, no geral, o câmbio deve continuar pressionado, operando em 5 reais e alguma coisa, e o desalinhamento não deve reverter tão rápido. Porém, há risco de reversão do desalinhamento pela piora dos fundamentos." O dólar era cotado em torno de 5,36 reais às 15h41 desta segunda feira.
Em dezembro de 2020, o desalinhamento cambial médio ficou negativo em 22,2%, uma forte reversão ante o desalinhamento cambial positivo de 3,0% de 2019. Entre os modelos listados, o desalinhamento variou de -32,8% a -5,4%.
Em dezembro, o "gap" entre a taxa de câmbio efetiva real média sugerida pelos modelos e a taxa realizada ficou em -18,4%, ante -22,5% em novembro.
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