Dólar encerra semana em alta com pressão sazonal; temor fiscal segue no radar
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar fechou em leve alta ante o real nesta sexta-feira, mas longe das máximas, encerrando uma semana marcada por fluxos sazonais de saídas de recursos do mercado doméstico.
A moeda norte-americana à vista subiu 0,08%, a 5,6845 reais na venda. Na máxima, quando tocou 5,7173 reais (+0,65%).
Na B3, às 17:12 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento caía 0,13%, a 5,6975 reais.
Fernando Bergallo, diretor de operações da assessoria de câmbio FB Capital, disse que "sinais mistos" explicam a movimentação desta sexta-feira.
"O dólar lá fora está desde cedo operando em alta e, no cenário doméstico, temos a sazonalidade habitual de dezembro. Por outro lado, quando o dólar toca nos 5,70 reais, isso chama o exportador, que vende a moeda", afirmou o especialista.
Às 17:12 (de Brasília), o índice do dólar --que mede o desempenho da moeda norte-americana frente a uma cesta de seis divisas-- subia 0,63%, a 96,577.
O dólar teve no acumulado da semana alta de 1,26% sobre o real, o que muitos investidores atribuíram a movimento técnico de saída de dinheiro do país, comum no final do ano à medida que empresas fazem pagamentos de juros e dividendos.
O Banco Central fez quatro leilões de moeda à vista desde sexta-feira passada, injetando 3,37 bilhões de dólares no mercado spot, o que o próprio presidente da autarquia, Roberto Campos Neto, associou aos fluxos sazonais.
TEMOR FISCAL
À medida que o ano chega ao fim, investidores também começam a olhar com preocupação para as perspectivas fiscais de 2022 --que podem se mostrar um obstáculo ao desempenho do real-- após o Ministério da Economia enviar ao Congresso um ofício com a sugestão de que sejam remanejados quase 2,9 bilhões de reais no Orçamento de 2022 para pagar reajuste de salários de algumas carreiras de servidores públicos.
"Investidores já parecem ter precificado a aprovação de um orçamento que engloba maiores gastos, às vésperas de um ano eleitoral", disse a equipe de pesquisa da Levante Investimentos.
"A bem da verdade, esse desfecho já era esperado desde que se propôs realizar a mudança na regra do teto de gastos, sob a justificativa de comportar os dispêndios do Auxílio Brasil --mas, nas entrelinhas, aproveitar o espaço fiscal aberto para incluir outros gastos de interesse do Executivo e Congresso."
O governo conseguiu por meio da PEC dos Precatórios estabelecer mudança na correção do teto de gastos pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).
Embora haja no mercado a percepção de que opções mais prejudiciais às contas públicas para financiar o novo programa de transferência de renda do governo tenham sido evitadas, a PEC enfraquece a credibilidade da principal âncora fiscal do país.
(Edição de Isabel Versiani)
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