Dólar fecha abaixo de R$5,20 pela 1ª vez em cinco meses e mercado se protege contra risco de alta à frente
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Por José de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar renovou nesta terça-feira a mínima de fechamento em cerca de cinco meses, encerrando abaixo do piso psicológico de Dólar fecha abaixo de R$5,20 pela 1ª vez em cinco meses, mas queda atrai compras no mercado de opções5,20 reais, em um dia de apetite geral por ativos de risco em meio a uma trégua nas tensões geopolíticas globais.
Investidores reagiram bem a notícias de que a Rússia está retornando grupos de soldados a suas bases, afastando-os da fronteira próxima da Ucrânia, o que amenizou temores de uma iminente invasão de Moscou sobre o território do país vizinho. Esse receio vinha chacoalhando os mercados globais nos últimos dias.
O bom humor externo, porém, apenas reforçou o bom momento do real, que mesmo com os sobressaltos geopolíticos recentes se manteve em rota de apreciação.
O dólar à vista caiu 0,75%, a 5,1805 reais, menor valor desde 6 de setembro do ano passado (5,1764 reais). Na mínima intradiária, a cotação tocou 5,1661 reais.
Em fevereiro, o dólar já cai 2,36%, aprofundando as perdas no ano para 7,05%. Isso faz do real a moeda com melhor desempenho entre as principais desde o começo de 2022.
O Bank of America chamou a melhora das expectativas para a divisa brasileira de "conto do carry trade" --em referência ao aumento da taxa de retorno embutida em contratos de real na esteira da elevação da Selic a dois dígitos.
Pesquisa do banco norte-americano mostrou que gestores de fundos na América Latina melhoraram de forma sensível em fevereiro as visões acerca da moeda brasileira. A maioria (60%) dos respondentes da sondagem deste mês agora vê o dólar entre 5,11 reais e 5,40 reais ao fim do ano. Em janeiro, cerca de 55% dos entrevistados previam que a divisa ficaria 5,41 reais e 5,70 reais.
Mas com o dólar rompendo sucessivamente importantes suportes, alguns agentes começam a achar interessante recompor posições.
Os não residentes, por exemplo, compraram na segunda-feira cerca de 484 milhões de dólares (em termos líquidos) no somatório de contratos de dólar futuro, swap cambial e cupom cambial registrados na B3.
A movimentação no mercado de opções também mostra operadores comprando mais "calls" de dólar --contratos de opção que dão ao comprador direito de comprar a moeda a um preço pré-estabelecido. Assim, o comprador pode recorrer ao direito de exercer a opção num cenário em que o dólar recupera terreno.
Essa dinâmica é evidenciada pela oscilação de "risk reversal", que contrapõe opções de compra ("calls") e venda ("puts"). O risk reversal 25% Delta para um mês bateu nesta sessão e também na véspera o maior patamar desde setembro. Quanto mais alto, mais demanda por compra de dólar o mercado mostra.
Ao mesmo tempo, o índice de força relativa de 14 dias --uma medida de quão fora do padrão se mostram as oscilações de preço de um ativo-- está pouco abaixo de 28. Valores aquém de 30 indicam que um ativo --no caso, o dólar-- está excessivamente fraco, o que poderia estimular alguma correção para cima.
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