Governo Bolsonaro indica Ilan Goldfajn para concorrer à presidência do BID
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Por Bernardo Caram
BRASÍLIA (Reuters) - O Ministério da Economia anunciou nesta segunda-feira a indicação oficial do ex-presidente do Banco Central Ilan Goldfajn como candidato do Brasil ao cargo de presidente do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).
“Em nota pública, (o ministro da Economia, Paulo) Guedes afirma que o candidato concilia ampla e bem-sucedida experiência profissional no setor público, em organismos multilaterais e no setor privado, além de sólida formação acadêmica, que o qualificam para o exercício do cargo de presidente da instituição”, informou a pasta.
Goldfajn é atualmente diretor do Departamento do Hemisfério Ocidental do Fundo Monetário Internacional (FMI). Ele foi presidente do Banco Central brasileiro entre 2016 e 2019, durante o governo de Michel Temer, e diretor de Política Econômica do órgão entre 2000 e 2003.
A indicação ocorre mesmo após atritos tornados públicos por Guedes. Em dezembro do ano passado, o ministro criticou diretamente Goldfajn, que havia sido recentemente nomeado diretor do FMI, organismo com o qual Guedes tem apresentado desavenças.
“(Ilan) é um ótimo brasileiro, boa pessoa, tudo isso. Ontem criticou a gente pesado, então estou devolvendo hoje. Já que vamos ter um brasileiro que conhece bastante o Brasil e critica bem a gente no FMI, não precisamos ter mais aqui dentro”, afirmou o ministro na ocasião, no mesmo dia em que anunciou ter dispensado a missão do FMI no Brasil.
Como mostrou a Reuters na semana passada, a indicação de Ilan ao BID pelo governo Jair Bolsonaro (PL) pode enfrentar, além de um cenário geopolítico espinhoso, resistências domésticas no caso de eventual eleição de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que aparece à frente na corrida para o segundo turno.
Uma vitória do ex-presidente Lula nas urnas tornaria o cenário mais adverso para a indicação do atual governo, num momento em que mais países da região estão alinhados à esquerda, o que pode gerar resistências a um nome apresentado por Bolsonaro.
Conselheiros próximos a Lula disseram à Reuters na última semana preferir que as eleições para o banco, que investe em projetos na América Latina e o Caribe, ocorram apenas no ano que vem, de modo que a indicação brasileira possa refletir escolhas de um governo recém-eleito.
A votação para o comando do banco está atualmente prevista para o dia 20 de novembro. A eleição foi agendada depois que o então presidente do BID Maurice Claver-Carone foi destituído do cargo após um escândalo envolvendo investigação sobre um relacionamento dele com uma subordinada.
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