Dólar recua ante real, mas temores sobre PEC da Transição limitam perdas
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Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar recuou frente ao real nesta terça-feira, mas encerrou um pregão volátil bem acima dos menores patamares do dia, uma vez que o desconforto de investidores com o desenho que está tomando a PEC da Transição compensou o otimismo sobre a reabertura da China, bem como movimentos técnicos de ajuste após salto recente.
A moeda norte-americana à vista caiu 0,25%, a 5,2712 reais na venda, fechando a sessão muito distante da mínima intradiária de 5,2195 reais, quando cedeu 1,23%.
Investidores disseram que as perdas do dólar foram desencadeadas por ajustes de posição na esteira do salto da véspera, quando a divisa norte-americana havia subido mais de 1%.
Fabrizio Velloni, economista-chefe da Frente Corretora de câmbio, disse que os momentos de forte queda do dólar frente ao real também refletiram o bom desempenho dos mercados chineses, cujos ativos têm reagido bem a esperanças de relaxamento de restrições de combate à Covid-19.
No entanto, ponderou o especialista, incertezas sobre qual será o ritmo de altas de juros do Federal Reserve limitaram as perdas da moeda norte-americana, assim como os desdobramentos envolvendo a PEC da Transição.
O relator da PEC, senador Alexandre Silveira (PSD-MG), apresentou parecer à Comissão de Constituição e Justiça do Senado propondo expandir o teto de gastos em 175 bilhões de reais em 2023 e 2024 para abarcar dentro da regra fiscal as despesas com o Bolsa Família, em vez de excetuar os gastos sociais da regra como o governo eleito havia proposto.
"Causou surpresa", disse Leonel Mattos, analista de inteligência de mercado da StoneX, sobre a notícia, chamando a atenção para a volatilidade dos negócios nesta terça-feira.
"A maior parte dos analistas de mercado acreditava que o texto reduziria o valor autorizado para o aumento das despesas... mas o valor foi mantido para a discussão com os congressistas. O texto segue em análise, porém a recepção não é das mais amistosas por parte dos investidores nacionais."
Já na parte da tarde, o senador Jaques Wagner (PT-BA) disse que, após conversa com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva, concordava com proposta de alguns integrantes da CCJ de reduzir a expansão do teto de gastos na PEC da transição em 30 bilhões de reais, mas a notícia não conseguiu ajudar o real a se recuperar para os patamares mais fortes da sessão.
Colaborou para a volatilidade das negociações desta terça-feira a permanência de incertezas sobre quem será o ministro da Fazenda de Lula, disse Velloni, da Frente Corretora.
Lula já disse que só deve anunciar os nomes de seus ministros após a diplomação presidencial, no dia 12 de dezembro. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad é atualmente visto como o favorito a assumir o Ministério da Fazenda.
Investidores ficam de olho agora na reunião de dois dias do Comitê de Política Monetária do BC, que se encerrará na quarta-feira.
Embora haja consenso no mercado de que a taxa Selic será mantida nos atuais 13,75%, "o resultado (do Copom) deve trazer mais pistas dos desdobramentos do aperto monetário em meio a incertezas na economia brasileira", comentou Leandro De Checchi, analista da Clear Corretora.
Diante da perspectiva de amplos gastos pelo governo eleito, a curva de juros brasileira chegou a precificar novos aumentos da Selic em 2023, enquanto a mais recente pesquisa semanal Focus do Banco Central sugere um afrouxamento monetário menos intenso ao longo do ano que vem.
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