Dólar sobe frente ao real com mercado à espera de Fed, equipe econômica e PEC da Transição
![]()
Por Luana Maria Benedito
SÃO PAULO (Reuters) - O dólar avançava frente ao real nesta segunda-feira, com operadores elevando a cautela antes da reunião de política monetária do Federal Reserve desta semana, enquanto, na cena doméstica, o mercado aguardava a tramitação da PEC da Transição na Câmara e o anúncio de mais integrantes da equipe econômica do governo eleito.
Às 10:30 (de Brasília), o dólar à vista avançava 0,23%, a 5,2581 reais na venda.
Na B3, às 10:30 (de Brasília), o contrato de dólar futuro de primeiro vencimento subia 0,33%, a 5,2790 reais.
Essa alta estava em linha com a valorização do dólar frente a várias divisas emergentes ou sensíveis às commodities nesta manhã, como rand sul-africano, peso mexicano e dólar australiano.
Parte desse movimento foi atribuída por investidores a temores sobre o aumento de casos de Covid-19 da China, enquanto outros citaram maior cautela antes da reunião de política monetária do banco central dos Estados Unidos, que começa na terça-feira e se encerra na quarta.
"Sem dúvidas, o foco da semana está na decisão do Fed na quarta-feira e nos esperados 50 pontos-base que devem levar a taxa de juros para 4,25-4,50%", disse o Banco Inter em nota.
"Apesar de esperado, mercados vão atentar para fala de Jerome Powell (chair do Fed) e demais dirigentes da instituição em busca de melhor compreensão sobre próximos passos da política monetária no país."
Quanto mais agressivo é o Fed na conduta de seu aperto monetário, mais o dólar tende a se beneficiar globalmente, conforme investidores redirecionam recursos para o mercado de renda fixa norte-americano. Mas o oposto também vale, e posicionamentos mais brandos do banco central dos EUA geralmente abrem espaço para a valorização de divisas consideradas arriscadas.
Já no Brasil, desde que o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad foi confirmado como o próximo ministro da Fazenda o foco de investidores passou para qual será a configuração de sua equipe, bem como para quais serão os chefes das outras pastas econômicas do governo eleito, como o Planejamento.
A expectativa de anúncio de novos integrantes da equipe econômica ajudava a "amplificar a volatilidade em um mercado sem tendência definida", disse a Levante Investimentos em nota a clientes.
"Ao confirmar Fernando Haddad no Ministério da Fazenda, o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva não surpreendeu. Agora, o mercado espera por aqueles que irão compor outros cargos importantes, os quais darão o tom de ortodoxia no governo."
A Levante também chamou a atenção para a tramitação da PEC da Transição, que deve ser analisada nesta semana na Câmara dos Deputados. A proposta expande por dois anos o teto de gastos em 145 bilhões de reais para o pagamento do Bolsa Família de 600 reais, entre outros pontos.
Alguns participantes do mercado esperam que o texto da PEC, que já foi reduzido durante sua passagem pelo Senado, possa ser ainda mais enxugado após as negociações com a Câmara.
Investidores também ficavam de olho na diplomação do presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), prevista para as 14h (de Brasília) desta segunda-feira.
A moeda norte-americana à vista fechou a última sessão em alta de 0,58%, a 5,2458 reais na venda.
0 comentário
Trump concorda com cessar-fogo de duas semanas com o Irã e deixa de lado ameaça de destruir "toda uma civilização"
Irã interromperá os ataques se os ataques contra ele cessarem, diz chanceler
Irã diz que negociações com EUA começarão na sexta-feira em Islamabad
Jefferson, do Fed, vê riscos tanto para emprego quanto para inflação
Dólar fecha quase estável no Brasil enquanto EUA avaliam extensão de prazo ao Irã
Distribuidoras de gás estimam aumento de 20% em contratos com Petrobras e pedem medidas