Açúcar cai 3,75% na semana em NY após governo prorrogar impostos dos combustíveis
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Os contratos futuros do açúcar fecharam a sessão desta sexta-feira (06) com queda expressiva nas bolsas de Nova York e Londres – contribuindo para perdas semanais. A pressão acompanha o cenário de combustíveis no Brasil, além da safra nas origens.
O vencimento mais negociado do açúcar bruto na Bolsa de Nova York caiu 1,96% no dia, cotado a 18,96 cents/lb, com máxima de 19,38 cents/lb e mínima de 18,94 cents/lb. Em Londres, o primeiro contrato teve perdas de 1,40%, a US$ 527,20 a tonelada.
Na semana, o principal vencimento do adoçante no terminal norte-americano acumulou baixa de 3,75%.
Os fundamentos pesaram bem mais aos preços do açúcar nesta semana do que qualquer outro indicador. No Brasil, as expectativas são amplas com a safra atual e a próxima, que pode ficar próxima das 600 milhões de toneladas somente no Centro-Sul.
Além disso, pesa a recente desoneração por mais 60 dias dos impostos federais sobre os combustíveis. O setor sucroenergético tem criticado duramente a decisão, já que o etanol sai penalizado ante a gasolina, pois não há uma garantia de competitividade.
A União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia (Unica) e o Fórum Nacional Sucroenergético (FNS) soltaram nota no início desta semana sobre a decisão do governo, dizendo que representava um atentado econômico, ambiental, social e jurídico.
"Ao manter a isenção de tributos federais sobre a gasolina, inaugurada pelo governo Bolsonaro, o governo Lula se torna cúmplice de um atentado econômico, ambiental, social e jurídico, especialmente depois de ter se comprometido com um novo padrão de combate às mudanças climáticas há poucas semanas na COP27", disseram as entidades.
Também há atenção para as informações que partem das origens asiáticas.
"Os negociantes disseram que alguns fundos estavam liquidando posições compradas, com a produção na Índia e na Tailândia superando algumas previsões, enquanto mudanças na política de combustível do governo brasileiro devem encorajar as usinas de cana a favorecer o açúcar em vez do etanol", disse a Reuters.
Acompanhando o mercado financeiro nesta sexta, as perdas são amenizadas. O petróleo tinha alta próxima dos 2% nesta tarde e o dólar caía mais de 1% sobre o real, o que tende a desencorajar as exportações das commodities, como é o caso do açúcar.
MERCADO INTERNO
Os preços no mercado interno do açúcar têm recuado ou ficado estáveis nos últimos dias após se aproximar de R$ 140 a saca. No último dia de negociação, o Indicador CEPEA/ESALQ do açúcar, cor Icumsa de 130 a 180, mercado paulista, negociado a R$ 135,64 a saca de 50 kg com valorização de 0,38%.
Já nas regiões Norte e Nordeste do Brasil, o açúcar ficou cotado a R$ 140,17 a saca - estável segundo dados da consultoria Datagro. O açúcar VHP, em Santos (SP), tinha no último dia de apuração o preço FOB a US$ 20,75 c/lb e queda de 0,99%.
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