Taxas futuras de juros caem após inflação dos EUA reduzir apostas em mais aperto monetário
![]()
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO (Reuters) - As taxas dos contratos futuros de juros terminaram o dia em baixa no Brasil, em especial na ponta longa, com a curva a termo reagindo aos dados sobre a inflação dos Estados Unidos, que reduziram apostas de que o Federal Reserve poderá subir novamente os juros no curto prazo.
Pela manhã, o Departamento do Trabalho informou que o índice de preços ao consumidor (CPI, na sigla em inglês) aumentou 0,6% em agosto, no maior ganho desde junho de 2022, depois de duas altas mensais consecutivas de 0,2%. Economistas ouvidos pela Reuters projetavam exatamente alta de 0,6%.
Excluindo os componentes voláteis de alimentos e energia, os preços ao consumidor aumentaram 0,3%.
Depois das reações iniciais aos dados -- que vieram dentro do esperado -- os rendimentos dos Treasuries se firmaram em baixa, inclusive na ponta curta da curva, em meio à percepção de que no encontro da próxima semana o Federal Reserve manterá os juros na faixa de 5,25% a 5,50% e de que aumentos nas reuniões seguintes não estão garantidos.
No Brasil, isso se traduziu na leve queda das taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros), no recuo firme do dólar ante o real e no viés de alta para o Ibovespa.
“Juros futuros caem hoje (quarta-feira) após CPI dos EUA não vir tão elevado como esperado por algumas projeções pessimistas, como a do Fed de Cleveland, que pelo 3º mês seguido errou pelo lado mais pessimista. Destaque para a queda das taxas mais longas”, disse o diretor da consultoria Wagner Investimentos, José Faria Júnior, em comentário enviado a clientes.
Com o movimento do dia, perto do fechamento a curva a termo precificava zero chance de o corte da Selic pelo Banco Central na próxima semana ser de 0,75 ponto percentual. Já as chances de corte de 0,50 ponto percentual eram precificadas em 100%. Atualmente, a Selic está em 13,25% ao ano.
No fim da tarde a taxa do DI para janeiro de 2024 estava em 12,295%, ante 12,294% do ajuste anterior, enquanto a taxa do DI para janeiro de 2025 estava em 10,37%, ante 10,42% do ajuste anterior. A taxa para janeiro de 2026 estava em 10%, ante 10,049%.
Entre os contratos mais longos, a taxa para janeiro de 2027 estava em 10,245%, ante 10,293%, enquanto a taxa para janeiro de 2028 estava em 10,575%, ante 10,624%.
No exterior, os rendimentos dos Treasuries seguiam em baixa no fim da tarde.
Às 16:38 (de Brasília), o rendimento do Treasury de dois anos --que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- caía 2,10 pontos-base, a 4,984%.O rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 1,00 ponto-base, a 4,2544%.
0 comentário
Wall Street fecha em alta com impulso do setor de tecnologia; investidores ficam de olho em Pequim
Dólar tem correção técnica e fecha abaixo de R$5,00 com cenário político ainda no foco
Ibovespa fecha em alta em dia de recuperação
Taxas dos DIs caem em sessão de ajustes após disparada na véspera por laços de Flávio com Vorcaro
Xi diz a Trump que desentedimento sobre Taiwan pode levar a uma situação "perigosa"
Banco do Brasil aposta em pessoa física para melhorar rentabilidade, com agro ainda pressionado