União Europeia firma consenso e apoia acordo com o Mercosul em meio a crescente onda mundial de protecionismo
![]()
Fontes do Conselho Europeu ouvidas por agências internacionais, como adiantado mais cedo pelo Notícias Agrícolas, confirmaram o sinal verde dado pela instituição à aprovação do acordo com o Mercosul, após 25 anos de negociações e discussões. A decisão precisa ser confirmada até às 13h (horário de Brasília), porém, os sinais parecem ser bastante claros de que, enfim, os dois blocos econômicos chegaram a um consenso e deverão firmar um dos maiores acordos comerciais da história recente.
Leia mais:
8h15 (Brasília): + Embaixadores da UE apoiam acordo comercial com o Mercosul, dizem fontes da UE
De acordo com informações da agência de notícias Bloomberg, embaixadores da UE apoiaram o acordo em uma reunião em Bruxelas nesta sexta-feira (9), apesar da oposição da França e de vários outros países. A aprovação exigia apenas uma maioria qualificada dos Estados-membros. Com isso, as informações dão conta ainda de que a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, provavelmente assine o acordo no Paraguai em 12 de janeiro.
+ Oposição tenta derrubar governo na França por possível acordo UE-Mercosul
+ Países da UE devem aprovar assinatura de acordo comercial com Mercosul
+ UE pode reduzir impostos sobre fertilizantes para promover acordo com Mercosul
“A conclusão do acordo comercial entre a UE e o Mercosul é uma ótima notícia para a influência geopolítica e econômica global da Europa. Para os europeus, a finalização de acordos de livre comércio com novos parceiros está entre as melhores respostas às tarifas americanas, ao crescente protecionismo e às tensões comerciais com a China”, disse Agathe Demarais, pesquisadora sênior do Conselho Europeu de Relações Exteriores, em um comunicado.
No entanto, a aprovação do acordo no conselho ainda acontece sob forte oposição e protestos pela Europa. As manifestações são o retrato evidente da crescente onda de protecionismo que se intensifica no mundo todo.
"A União Europeia deu o aval político para o acordo com o Mercosul. Isso é importante, mas precisa ficar claro: o acordo ainda não está valendo. O que aconteceu agora foi a autorização para a Comissão Europeia assinar o tratado. É um passo grande, mas ainda no meio do caminho", afirma o diretor da Royal Rural, Ronaldo Fernandes. "Não tem efeito imediato no comércio, não muda tarifa amanhã e não destrava exportação automaticamente. O mercado leu como avanço institucional, não como execução".
A França, maior produtor agrícola do continente, já anunciou que vota contra o acordo, porém, ainda vive dias de ruas bloqueadas por tratores e manifestantes na capital Paris.
"A França é favorável ao comércio internacional, mas o acordo UE-Mercosul é um acordo de outra época, negociado por muito tempo com base em princípios já ultrapassados. Não se justifica expor setores agrícolas sensíveis e essenciais a riscos para a nossa soberania alimentar", afirmou o presidente Emmanuel Macron em sua conta na rede social X.
![]()
Leia mais:
+ França votará contra acordo UE-Mercosul, diz Macron
+ França não está pronta para assinar acordo com o Mercosul, reafirma Macron
Manifestações também foram registradas na Polônia, em Varsóvia, e na Itália, em Milão. A Itália foi, inclusive, uma peça decisiva na costura do acordo. Sua posição inicial era contrária, mas mudou depois de alguns de seus pleitos terem sido aceitos.
"Roma apoiou a proposta na reunião de sexta-feira, em parte devido ao dinheiro extra oferecido pela Comissão no início desta semana aos agricultores no próximo orçamento de longo prazo da UE. As medidas de salvaguarda oferecidas aos agricultores também ajudaram a influenciar a Itália. Entre elas, o compromisso de abrir uma investigação sobre a possível suspensão das tarifas preferenciais caso haja um aumento no volume de importações da América do Sul ou uma queda nos preços em comparação com a média dos últimos três anos. O limite a partir do qual esta investigação seria iniciada foi fixado em 5%, abaixo da proposta mais recente de 8%, após pressão de países como Itália e França, bem como do Parlamento Europeu", afirma a Bloomberg.
Leia mais:
+ Itália deve votar a favor de acordo comercial com Mercosul, diz fonte da UE
+ Itália quer gatilho de salvaguarda de 5% em acordo com Mercosul, afirma ministro
“Nunca me opus ideologicamente ao Mercosul. Sou a favor de acordos de livre comércio. Mas também da regulamentação”, declarou a primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, a jornalistas nesta sexta-feira.
OS NÚMEROS DO ACORDO
Os números do acordo dão conta de que um ambiente de 780 milhões de consumidores se estabelece com o pacto entre União Europeia e Mercosul. Dois dos maiores apoiadores do avanço no bloco europeu foram a Alemanha e a Espanha, já que conhecem a força das oportunidades de exportação que se abrem diante do acordo.
"Este é um um marco na política comercial europeia e um importante sinal da nossa soberania estratégica e capacidade de ação. Estamos fortalecendo nossa economia e relações comerciais com nossos parceiros na América do Sul – o que é bom para a Alemanha e para a Europa", afirmou o chanceler alemão Friedrich Merz.
![]()
Para o Brasil, os setores beneficiados no agronegócio são os mais diversos. No entanto, destacam-se soja - com a União Europeia sendo a maior importadora de farelo derivado - café, carne bovina e frutas.
"Para a fruticultura brasileira, esse acordo abre portas para ampliar o acesso a mercados estratégicos e fortalecer a competitividade das nossas frutas nos países europeus. A redução de barreiras tarifárias faz justiça a competitividade brasileira no cenário global, visto que alguns países não têm barreiras tarifarias para enviar suas frutas para Europa. Os exportadores de frutas brasileiras atendem as rigorosas exigências internacionais relacionadas a critérios sociais, ambientais e de governança. Esse avanço consolida ainda mais a fruticultura como um pilar fundamental nas exportações do agronegócio brasileiro”, afirmou ao Notícias Agrícolas, já no final de dezembro, o presidente da Abrafrutas (Associação Brasileira dos Produtores e Exportadores de Frutas e Derivados), Guilherme Coelho.
Açúcar, etanol e suco de laranja são mais produtos com enorme destaque e com bons mercados já consolidados, além da celulose.
Ainda segundo Ronaldo Fernandes, esta é uma oportunidade estrutural para o agronegócio brasileiro e não imediata. "Há mais espaço para carnes, açúcar, etanol e produtos com maior valor agregado. Mas, o acesso será gradual, com cotas, fases e salvaguardas, além de exigências ambientais, sanitárias e de rastreabilidade viram ponto central", diz. "Ou seja, não é porteira aberta. A UE deixou claro que vai proteger seu setor agrícola. O Brasil ganha mercado no papel, mas só transforma isso em exportação se cumprir regra, prazo e exigência".
Há ainda outros mercados que têm espaço para que o Brasil amplie sua atuação, com o de feijões. "Sem dúvida que os europeus estão aumentando o consumo e nós somos competitivos. O projeto de Feijão Regenerativo se escaixa como uma luva para lá", afirma o presidente do Ibrafe (Instituto Brasileiro do Feijão), Marcelo Lüders. Além disso, ele destaca os investimentos do IAC (Instituto Agronômico de Campinas) em sementes que são consumidas na europa como o Navy Beans e Alubia. "Mas, isso não acontecerá sem investimento. Precisamos nos comunicar com o consumidor europeu e isso é um grande desafio. Precisamos aumentar o investimento, por exemplo, da APEX e tambem das agências de promoção dos estados", complementa Lüders.
0 comentário
Ibovespa fecha em alta após dados de emprego abaixo do esperado nos EUA
S&P 500 marca recorde de fechamento com impulso da Broadcom e outras fabricantes de chips
Bostic, do Fed, diz que inflação alta ainda é principal desafio do banco central
Dólar cai ante real após dados de emprego dos EUA e acordo Mercosul-UE
Acordo Mercosul-UE estreita discussões ambientais e favorece agro mais sustentável
Taxas de DIs sobem com IPCA ainda pressionado e mercado reduz apostas em corte da Selic em janeiro