Trump ameaça aplicar tarifas sobre vinhos franceses para convencer Macron a aderir ao conselho de paz
![]()
PARIS, 19 Jan (Reuters) - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçou impor tarifas de 200% aos vinhos e champanhes franceses, em um aparente esforço para convencer o presidente francês Emmanuel Macron a aderir à sua iniciativa do "Conselho de Paz", que visa resolver conflitos globais.
A iniciativa de Trump, que começaria tratando de Gaza e depois se expandiria para lidar com outros conflitos, levanta questões sobre o papel das Nações Unidas e uma fonte próxima a Macron disse que o presidente francês pretendia recusar o convite para participar.
Quando perguntado sobre a posição de Macron, Trump disse: "Ele disse isso? Bem, ninguém o quer porque ele sairá do cargo muito em breve."
"Vou impor uma tarifa de 200% sobre seus vinhos e champanhes, e ele vai aderir, mas não precisa aderir", disse Trump.
AMEAÇA DE TARIFA SOBRE VINHO FAZ PARTE DE OFENSIVA MAIS AMPLA CONTRA UE
Macron deve passar o dia em Davos nesta terça-feira. Os assessores do Eliseu disseram que não há planos de estender sua estadia até quarta-feira, quando Trump chegará à cidade turística montanhosa suíça.
Em outra investida contra o líder francês, Trump publicou uma mensagem privada de Macron na qual ele dizia não entender as ações de Trump em relação à Groenlândia. A França realizará uma eleição para substituir Macron em 2027.
Os vinhos e bebidas alcoólicas exportados da União Europeia para os EUA atualmente estão sujeitos a uma tarifa de 15% - uma taxa que os franceses têm feito pressão para reduzir a zero desde que Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, fecharam um acordo comercial entre os EUA e a UE na Escócia no verão passado.
Os EUA são o maior mercado para vinhos e destilados franceses, com remessas para os EUA de 3,8 bilhões de euros em 2024.
Gabriel Picard, presidente da associação de exportação de vinhos e destilados da França, FEVS, disse à Reuters na segunda-feira, antes da nova ameaça, que o setor havia visto um impacto de 20% a 25% na atividade dos EUA no segundo semestre do ano passado devido a medidas comerciais anteriores.
Um assessor de Macron disse que o Eliseu tomou nota das falas de Trump e enfatizou que as ameaças de tarifas para influenciar a política externa de terceiros são inaceitáveis.
AMEAÇAS DE TRUMP SÃO "BRUTAIS", DIZ MINISTRA DA AGRICULTURA
Os europeus estão avaliando sua própria resposta tarifária de 93 bilhões de euros e até mesmo o uso do "instrumento anti-coerção" do bloco para retaliar uma ameaça separada de aumento de tarifas contra um grupo de estados europeus por causa da Groenlândia.
"É brutal, foi projetado para nos quebrar, é uma ferramenta de chantagem. Tudo isso é ultrajante", disse a ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, ao canal de notícias TF1.
"Nós temos as ferramentas; os europeus devem assumir a responsabilidade. Não podemos permitir tal escalada."
Trump já ameaçou impor uma tarifa de 200% sobre o vinho e outras bebidas alcoólicas importadas da UE anteriormente, inclusive em março do ano passado, quando as tensões comerciais transatlânticas aumentaram.
Os governos reagiram com cautela ao convite de Trump para o "Conselho de Paz", um plano que, segundo diplomatas, poderia prejudicar o trabalho das Nações Unidas.
Uma minuta de estatuto enviada a cerca de 60 países pelo governo dos EUA exige que os membros contribuam com US$1 bilhão em dinheiro se quiserem que sua associação dure mais de três anos, de acordo com o documento visto pela Reuters.
(Reportagem de Nandita Bose e Bo Erickson em Washington; reportagem adicional de Sybille de La Hamaide)
0 comentário
Ibovespa recua com aversão a risco no exterior
Minério de ferro cai com preocupações sobre demanda após acidente em usina siderúrgica chinesa
Dólar sobe na abertura no Brasil em meio à busca global por segurança
UE está próxima de acordo comercial histórico com Índia, diz presidente da Comissão Europeia
China planeja novas medidas para estimular consumo nos próximos cinco anos
Empresas dos EUA estão otimistas com a China, diz relatório