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Excesso de chuvas em partes de MT eleva níveis de soja avariada e tira ainda mais da margem do produtor

Publicado em 04/02/2026 05:10 e atualizado em 04/02/2026 08:52
Veja fotos e vídeos da soja comprometida no norte do estado; mapas mostram continuidade das precipitações

Soja 25-26 Avariada - Destacão

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A qualidade da soja que está sendo colhida nas lavouras de Mato Grosso, em especial na parte norte do estado, preocupa produtores rurais, compromete a produtividade média e estreita ainda mais suas margens, já muito apertadas. O excesso de chuvas na região vem atrapalhando há semanas os trabalhos de campo e, em muitos casos, chega a paralisar as atividades de colheita. O resultado se dá com lotes inteiros com elevado percentual de grãos ardidos, avariados e, consequentemente,  mais desconto no preço pago ao sojicultor no momento da entrega do grão. 

Os produtores da região de Matupá, Daniel Sperandio Letieri e Daniela Campestrini, relatam que já têm trabalhado com um baixo fluxo de caixa em função dos valores pagos pela oleaginosa, com custos de, aproximadamente, 55 sacas por hectare. E assim, "colocando uma boa média hoje seriam 70 sacas por hectare. Para sobrar, tiramos os 30% de avariado, que está dando pra todo mundo, e é a média", detalham. "Estamos trabalhando seis sacas no negativo. Para quem paga arrendamento é ainda pior. O arrendamento está perto de 10 sacas por hectare, em média, para eles seriam 16 sacas no negativo". 

As imagens abaixo mostram a oleaginosa bastante deteriorada pela umidade excessiva e, como explicam não só o produtor, mas também os agente do mercado, o desafio será agora encontrar um comprador para esta soja e ajudar na composição do caixa. 

Soja Avariada - MT - Fevereiro  (5)

Soja Avariada - MT - Fevereiro  (9)

Soja Avariada - MT - Fevereiro  (2)

O vídeo abaixo mostra uma moega na região de Guarantã do Norte, que traz não só o relato, mas também os questionamentos de como o mercado deverá atuar daqui em diante. "A gente se obriga a jogar na moega até achar comprador para a soja avariada, porque não tem como colocarmos uma soja dessa em um silo armazenador, com esse padrão de qualidade. Essa soja está dando 30% de avariado, se mandar isso pra armazéns gerais vai haver um desconto de 22%, já que 8% é a tolerância", diz Igor Zanon, produtor da região. 

Considerando que não só o percentual de soja avariada, mas também os níveis altos de umidade e impureza são descontados, o que sobra para o produtor destes lotes, em termos financeiros, é quase nada. O impacto é direto sobre as margens, portanto, que vinham sendo formadas - com esforço - pela expectativa de rendimento médio elevado, já que os preços estão bastante pressionados. A soja de "menos de R$ 100,00" já é uma realidade mais espalhada pelo estado e cada vez mais latente para a sojicultura do Mato Grosso.

ARMAZÉNS TAMBÉM ESTÃO PREOCUPADOS

E a preocupação não para nos produtores. Os armazéns também estão tendo que revisar suas estratégias e seu planejamento diante do atual cenário. 

"Com esse problema de muita chuva, muita umidade, muito avariado, perde-se muito da produtividade. Realmente seria uma super safra se estivéssemos com um tempo bacana. Para nós do armazém é complicado, porque quando a empresa quiser embarcar aqui, ela vai querer soja com 8 (8% de avariado). A gente torce para que o restante da safra venha soja padrão, pra podermos ajudar todo mundo, tanto o produtor - na média dele, no ganho - quanto para o armazém, para sairmos com essa soja que a gente recebeu durante esses dias", explica Walter José de Paula, gerente do Armazém Espaço Grão. 

Soja Avariada - MT - Fevereiro  (6)

Soja Avariada - MT - Fevereiro  (8)

Soja Avariada - MT - Fevereiro  (1)

DA EXPORTAÇÃO PARA O ESMAGAMENTO

Do armazém em diante, como detalhou De Paula, a situação também se agrava, já que a originação fica comprometida e a oportunidade de negócios cada vez mais limitada pelo produtor. "Para a exportação começa a inviabilizar porque não se tem qualidade, já que nos portos do Arco Norte, por exemplo, não se consegue segregar, eles são bem restritivos. A parte de hidrovias é bem restritiva com índice de avariado permitido. E os descontos variam de trading para trading e são progressivos, o que acaba inviabilizando também o embarque para exportação, impactando, principalmente, na margem do produtor", detalha o head de commodities da Granel Corretora, Gilberto Leal.

A necessidade, por exemplo, de um redirecionamento da soja que iria para exportação para o esmagamento, a conta logística pode ser cara, onerar ainda mais todas as partes da cadeia, e o produtor chegar a perder os níveis de paridade de exportação, que hoje são mais atrativos do que a demanda interna, em algumas localidades. E na operação do esmagamento, caso os originadores absorvam este produto para compor seus blends, terão ainda que ampliar seus custos com a garantia que os produtos finais - farelo e óleo - alcancem também os padrões requeridos pelo mercado, como as corretas coloração do farelo e acidez do óleo. 

PREÇOS CHEGARAM AO FUNDO DO POÇO?

Mais uma vez, um cenário como este, causa reações em cadeia, que é o que menos o produtor brasileiro de soja precisa agora, em que os preços seguem pressionados e sem espaço para uma retomada. Para o analista de mercado Rafael Silveira, da Safras & Mercado, as cotações da oleaginosa ainda não alcançaram o fundo do poço no mercado brasileiro. 

"Temos uma situação de pouca soja nova comercializada, então, querendo ou não, essa soja começa a bater no mercado. Temos oferta e os preços da soja estão abaixo dos R$ 100,00 hoje, essa já é uma realidade no Mato Grosso, e isso não traz uma margem interessante para o produtor, dá até margens negativas em alguns casos", detalha o especialista em entrevista ao Notícias Agrícolas. E os próximos dois meses ainda serão de pressão sobre os indicativos, reafirma Silveira. "Eu não espero grandes altas expressivas. Se fossemos olhar para um cenário, eu diria que não chegamos ainda a um fundo de preço da soja no ano, podendo ter preços um pouco mais negativos nos próximos meses. O que vai determinar isso são os fluxos e o fluxo da logística também que, neste momento, segue bem complicada". 

E embora esta realidade das perdas por qualidade e característica da soja que está sendo sendo colhida tira duramente das margens do sojicultor, a mesma não é forte o bastante para mudar o quadro de oferta e, tampouco, dos preços. 

IMEA ELEVA PRODUÇÃO E PRODUTIVIDADE DA SOJA

Nesta semana, o Imea (Instituto Mato-Grossense de Economia Agropecuária) elevou sua projeção para a safra de soja do estado para 50,52 milhões de toneladas, com uma produtividade média estimada de 64,73 sacas por hectare, 7,06% maior do que o número trazido em dezembro de 2025. Em seu relatório semanal de mercado, apontou ainda que a colheita da soja 2025/26 chegou a 24,97 da área estimada para o ciclo, avançando significativamente. 

Colheita MT - Imea

"Apesar das chuvas pontuais ao longo do período, a retirada da oleaginosa das lavouras no estado segue em ritmo acelerado, com avanço de 12,77 p.p. frente à safra 24/25 e 12,40 p.p. acima da média dos últimos cinco anos. Esse cenário é pautado pelas janelas de tempo mais firme e maior presença de sol em algumas localidades do estado, o que permitiu o avanço das máquinas nas áreas prontas", informam os especialistas do Imea.

MAIS CHUVAS PARA O MATO GROSSO

E as previsões não apontam para uma tréguas das chuvas no Brasil Central, em especial Mato Grosso e Goiás, nestes primeiros 10 dias de fevereiro, pelo menos. Os mapas ainda trazem acumulados intensos, com frequência e constância das chuvas, em especial na região norte do estado. "Para a próxima semana, as projeções do NOAA indicam acumulados entre 65 mm e 75 mm na maior parte do estado, o que, se confirmado, pode limitar o avanço da colheita em algumas regiões", complementa o Imea.

E os principais institutos de meteorologia aqui no Brasil também têm trazido, em destaque, esse excesso de chuvas que o estado tende a continuar recebendo. 

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"Nesta semana a chuvas fortes e duradouras que devem atingir áreas produtoras do Sudeste  e do Centro-Oeste vão fazer paralisações nas atividades de colheita da soja e podem prejudicar a qualidade dos grãos nas lavouras em fase final de desenvolvimento", informou a Climatempo. O Inmet (Instituto Nacional de Meteorologia) também mantém alertas de chuvas fortes para o estado. Nesta semana, chuvas fortes e duradouras que devem atingir áreas produtoras do Sudeste  e do Centro-Oeste vão fazer paralisações nas atividades de colheita da soja e podem prejudicar a qualidade dos grãos nas lavouras em fase final de desenvolvimento.

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Por:
Carla Mendes | Instagram @jornalistacarlamendes
Fonte:
Notícias Agrícolas

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