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Safra de café do Brasil deve crescer 17% e ter recorde em 2026, prevê Conab

Publicado em 05/02/2026 10:17 e atualizado em 05/02/2026 11:13

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Por Leticia Fucuchima e Roberto Samora

SÃO PAULO, 5 Fev (Reuters) - A produção de café do Brasil em 2026 deve atingir 66,2 milhões de sacas de 60 kg, um aumento de 17,1% em relação a 2025 e marcando um novo recorde, projetou nesta quinta-feira a Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), em seu primeiro levantamento para a safra.

Além do ciclo de bienalidade positiva, a safra no maior produtor e exportador global de café deve ser impulsionada por aumentos de área em produção e da produtividade, afirmou o órgão.

A Conab estima que a área em produção de café no Brasil crescerá 4,1%, para 1,93 milhão de hectares, enquanto a produtividade média nacional deverá atingir 34,2 sacas por hectare, 12,4% acima da safra anterior.

Para a Conab, "as condições climáticas mais favoráveis registradas ao longo do ciclo da cultura e a adoção de tecnologias e boas práticas de manejo nas lavouras", em meio a preços recordes no ano passado, influenciam uma melhora na produtividade.

A produção de café arábica, espécie cuja produtividade é mais influenciada pela bienalidade, está estimada em 44,09 milhões de sacas, aumento de 23,3% sobre a safra anterior. Para as variedades canéforas (conilon/robusta), é esperado um crescimento de 6,4%, a 22,09 milhões de sacas, aumento que pode ter surpreendido o mercado, que tem sinalizado com uma redução após recorde na temporada passada.

O crescimento da safra total de café brasileira, cuja colheita geralmente começa por volta de abril, pelos canéforas, era esperado com maior impulso dos arábicas. Na véspera, o Itaú BBA projetou um aumento de 10% na produção do país, para um patamar próximo do recorde, para 69,3 milhões de sacas.

Analistas privados veem tradicionalmente uma produção em nível acima da Conab, esperando pelo menos 70 milhões de sacas, o que colaborou para uma pressão recente na bolsa de Nova York, para uma mínima de cinco meses e meio estabelecida na véspera.

No início de 2025, o café arábica em Nova York atingiu valores próximos de US$4,40/libra-peso, versus pouco mais de US$3/libra-peso recentemente, à medida que as indicações apontaram uma melhora na produção brasileira após as floradas ao final do ano passado.

Com o impulso dos preços ao longo do ano passado, a área total de café, incluindo lavouras em formação, aumentou 3,4% no comparativo anual, para 2,33 milhões de hectares.

Na avaliação da Conab, os preços devem seguir em níveis historicamente elevados mesmo com a safra recorde brasileira, uma vez que os estoques globais no início da temporada 2025/26 estavam nos patamares mais baixos dos últimos 25 anos, com a alta no consumo global influenciada principalmente pelo mercado asiático.

POR REGIÕES

Minas Gerais, principal produtor de café no país e Estado que registra a maior área destinada para o arábica, deverá produzir 32,4 milhões de sacas, alta de quase 26% no comparativo anual.

"O bom resultado é justificado pela melhor distribuição das chuvas, principalmente nos meses precedentes à floração, além das questões fisiológicas da planta", disse a Conab.

Em São Paulo, outro importante produtor de arábica, a expectativa é de uma safra de 5,5 milhões de sacas, impulsionada pela bienalidade positiva e pela recuperação de áreas afetadas no ciclo anterior, segundo o relatório.

Na Bahia, o crescimento previsto pela estatal na produção total do grão é de 4%, para 4,6 milhões de sacas.

Já no Espírito Santo, a produção de café está estimada em 19 milhões de sacas, alta de 9% em relação a 2025. A maior parte deste volume se refere à colheita de conilon, com 14,9 milhões de sacas, crescimento de 5% em relação à safra anterior, o que mantém o Estado o principal produtor da variedade no país.

"Esse resultado positivo advém das boas precipitações verificadas no norte do Estado, que beneficiaram as lavouras", explicou a Conab.

(Por Letícia Fucuchima e Roberto Samora)

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Fonte:
Reuters

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