Dólar tem alta firme no Brasil após ataques dos EUA ao Irã
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 2 Mar (Reuters) - O dólar iniciou esta segunda-feira em alta firme ante o real, acompanhando o avanço da moeda norte-americana ante boa parte das demais divisas no exterior, após Estados Unidos e Israel lançarem ataques contra o Irã no fim de semana.
Às 9h26, o dólar à vista subia 0,85%, aos R$5,1782 na venda.
Na B3, o contrato de dólar futuro para abril -- atualmente o mais líquido no Brasil -- avançava 0,93%, aos R$5,2185.
Os ataques de Estados Unidos e Israel contra o Irã provocaram a morte do aiatolá Ali Khamenei, mas também uma reação dos iranianos, que dispararam mísseis contra alvos em uma série de países árabes, como Kuwait, Catar, Emirados Árabes Unidos e Jordânia.
A escalada do conflito no Oriente Médio impulsionava a alta de mais de 8% dos preços do petróleo nesta manhã de segunda-feira e a queda firme das ações na Europa. Nos mercados de moedas, o dólar tem ganhos ante a maior parte das demais divisas, em meio à busca dos investidores por ativos de proteção.
No Brasil, embora o real em tese seja favorecido pela elevação do petróleo -- um produto importante da pauta de exportação do país --, o dólar iniciou a sessão em alta.
“O sinal claro é de aversão ao risco, de aumentar a busca por ativos de maior proteção, por exemplo o ouro, mais líquidos, e o dólar ganha força, não só perante a moeda brasileira, mas perante todo o mundo”, pontuou Rafael Costa, fundador da Cash Wise Investimentos, em comentário distribuído nesta manhã.
No boletim Focus divulgado mais cedo pelo Banco Central, a mediana das projeções dos economistas do mercado para o dólar no fim de 2026 passou de R$5,45 para R$5,42. As projeções, no entanto, foram incorporadas ao sistema do Focus até a sexta-feira -- antes do acirramento do conflito no Oriente Médio.
Já a expectativa no Focus para a taxa básica Selic no fim do ano foi de 12,13% para 12% e no encerramento de 2027 seguiu em 10,50%. Atualmente a Selic está em 15% ao ano.
O diferencial de juros entre Brasil e Estados Unidos -- cuja taxa hoje está na faixa de 3,50% a 3,75% -- vem sendo apontado como um dos fatores para atração de investimentos ao país, conduzindo as cotações do dólar a patamares mais baixos ante o real nos últimos meses.
Na sexta-feira o dólar à vista encerrou em baixa de 0,09%, aos R$5,1344.
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