Com estreito de Ormuz bloqueado, logística global sofre risco de colapso

Publicado em 10/03/2026 15:53 e atualizado em 10/03/2026 17:29
Andrew Lorimer - CEO da Datamar
Tamanho do impacto para as economias vai depender do tempo de duração do conflito
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Com estreito de Ormuz bloqueado, logística global sofre risco de colapso

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A escalada do conflito no Oriente Médio e o risco iminente de interrupção da navegação no Estreito de Ormuz têm potencial para desencadear um choque logístico severo em escala mundial. O alerta é de Andrew Lorimer, CEO da Datamar, que, em entrevista ao portal Notícias Agrícolas, destacou como o travamento desse gargalo estratégico pode desorganizar os fluxos de transporte e impactar diretamente os mercados de energia, fretes e as cadeias de suprimento. Segundo o executivo, como a área concentra grande parte do fluxo global de petróleo e fertilizantes, qualquer restrição pressiona os preços e eleva drasticamente os custos com seguro e frete. Para evitar a zona de conflito, armadores são obrigados a redesenhar rotas longas, o que reduz a disponibilidade de embarcações, aumenta o tempo de viagem e gera um efeito dominó que culmina na alta da inflação global.

O agronegócio, fortemente dependente dessa engrenagem logística, encontra-se na linha de frente dos setores ameaçados. Lorimer explicou que o impacto no campo ocorre em duas frentes principais: no custo dos insumos e na logística de exportação. O Golfo Pérsico é um polo fornecedor crucial de adubos e combustíveis essenciais para a lavoura. Um encarecimento ou interrupção no envio desses produtos eleva os custos de produção em diversos países. Na outra ponta, as próprias nações do Oriente Médio são grandes importadoras de alimentos e dependem do tráfego marítimo regular para receber cargas agrícolas, o que afeta diretamente o escoamento de parceiros comerciais de peso, como o Brasil.

Para o CEO da Datamar, o cenário atual escancara a vulnerabilidade estrutural do comércio internacional. A combinação de instabilidade geopolítica, mudanças forçadas nas rotas e restrições operacionais coloca o abastecimento em xeque, mostrando a dependência de poucos corredores marítimos estratégicos. “Hoje, o sistema logístico global funciona com pouca margem de folga. Quando um ponto crítico como Ormuz entra em risco, toda a rede sente os efeitos”, diz.

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Por:
Ericson Cunha
Fonte:
Notícias Agrícolas

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