Ibovespa fecha em queda com apreensão sobre guerra no Oriente Médio
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Por Paula Arend Laier
SÃO PAULO, 12 Mar (Reuters) - O sinal negativo prevaleceu na bolsa paulista nesta quinta-feira, com o Ibovespa fechando abaixo de 180 mil pontos, pressionado principalmente pelas preocupações relacionadas ao conflito no Oriente Médio, depois que o preço do barril de petróleo superou US$100.
Uma bateria de balanços corporativos e teleconferências com empresas também ocupou as atenções dos investidores no mercado brasileiro, assim como o IPCA de fevereiro acima das previsões, além do anúncio pelo governo de medidas para amenizar o efeito da disparada do petróleo nos preços do diesel no país.
Índice de referência do mercado acionário brasileiro, o Ibovespa caiu 2,55%, a 179.284,49 pontos, anulando as altas dos últimos três pregões, após marcar 178.494,99 na mínima e 183.991,88 na máxima do dia. O volume financeiro somou R$35,46 bilhões.
O barril do petróleo sob o contrato Brent fechou negociado a US$100,46, em alta de 9,22%, após o Irã intensificar ataques a navios no Golfo Pérsico, enquanto o líder supremo do país disse que o fechamento do Estreito de Ormuz deve continuar.
Após a repercussão positiva à sinalização do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no começo da semana, de que a guerra poderia acabar em breve, a apreensão sobre a duração do conflito e seu efeito no preço do petróleo voltou a prevalecer.
Em Nova York, o S&P 500, uma das referências do mercado acionário norte-americano, fechou em queda de 1,52%.
No Brasil, para amortecer o impacto da alta do petróleo, o governo zerou a cobrança de Pis/Cofins sobre importação e comercialização do diesel e anunciou subvenção ao diesel a produtores e importadores, condicionada a repasse ao consumidor. Também está prevista uma cobrança de imposto sobre a exportação de petróleo.
Poucas horas antes, o IBGE divulgou que o IPCA subiu 0,70% em fevereiro, acima das previsões em pesquisa da Reuters (+0,65%). O dado marcou a taxa mais alta desde fevereiro de 2025. Em 12 meses, o IPCA subiu 3,81%, contra previsão de 3,77%.
Os números ainda não refletem o movimento mais recente das cotações do petróleo, uma vez que os primeiros ataques dos EUA e Israel contra Irã ocorreram em 28 de fevereiro, o que reforça a atenção para a decisão do Banco Central na próxima semana.
No comunicado da sua última reunião de política monetária, no final de janeiro, a autarquia havia indicado o início em março de um ciclo de corte na taxa básica de juros Selic, atualmente em 15% ao ano.
DESTAQUES
- PETROBRAS PN fechou em alta de 0,45%, apoiada pela nova disparada do petróleo, com analistas também calculando potenciais efeitos na petrolíferas das medidas anunciadas pelo governo. BRAVA ON, que também divulgou balanço na véspera, recuou 6,72%.
- EMBRAER ON desabou 11,01%, contaminada pelo cenário externo desfavorável para companhias aéreas em meio ao salto dos preços do petróleo. Em março, os papéis da fabricante de aviões acumulam uma queda de mais de 19%.
- ITAÚ UNIBANCO PN perdeu 2,73%, em dia de correção negativa expressiva no setor. BRADESCO PN caiu 2,76%, BANCO DO BRASIL ON recuou 4,38%, SANTANDER BRASIL UNIT cedeu 4,44% e BTG PACTUAL UNIT fechou negociada em baixa de 3,64%.
- VALE ON caiu 0,76%, apesar da alta dos futuros do minério de ferro na China, onde o contrato mais negociado na Bolsa de Mercadorias de Dalian (DCE) avançou 1,34%, a 795,5 iuans (US$115,68) a tonelada. CSN MINERAÇÃO ON perdeu 3,85%, com balanço também no radar.
- CSN ON despencou 14,45%, em meio a preocupações com o endividamento da companhia, após o resultado do quarto trimestre mostrar prejuízo de R$721,2 milhões. Executivos da companhia afirmaram que a CSN deve assinar em breve financiamento que terá a operação de cimentos do grupo como garantia.
- YDUQS ON afundou 14,83%, após resultado trimestral, que trouxe também prévia de captação do primeiro semestre de 2026, mostrando que a companhia registrou uma redução de 7% nas matrículas em relação ao mesmo período 2025, após cerca de 80% do ciclo já concluído.
- COGNA ON caiu 6,92%, com os holofotes também voltados para o balanço do quarto trimestre, notadamente o fraco desempenho da receita líquida (+1,9% ano a ano), afetado pelo adiamento do cronograma do Programa Nacional do Livro Didático, além de queda em margem Ebitda.
- VIBRA ON recuou 7,48%, mesmo após reportar Ebitda ajustado de R$2,6 bilhões no quarto trimestre, 101% acima do registrado no mesmo período do ano anterior.
- AZZAS 2154 ON sucumbiu à aversão a risco e cedeu 1,58%, um dia após mostrar Ebitda recorrente de R$501 milhões no último trimestre de 2025, em período com geração de caixa operacional R$838,1 milhões. O presidente da companhia afirmou que as vendas mesmas lojas em março têm sido as melhores dos últimos 12 meses.
- SLC AGRÍCOLA ON avançou 4,34%, entre as poucas altas da sessão, com o balanço do final do ano também no radar, enquanto o presidente da empresa destacou que a área plantada com soja no Brasil em 2026/27, com plantio a partir de setembro, não deve cair apesar de margens menores de produtores.
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