Juros futuros disparam com IPCA pressionado e petróleo em US$100
![]()
Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 12 Mar (Reuters) - As taxas dos DIs fecharam a quinta-feira com ganhos firmes, superiores a 30 pontos-base em vários vencimentos, com investidores reagindo à escalada da guerra no Irã, que colocou o petróleo acima dos US$100 o barril, e à inflação pelo IPCA pior que o esperado pelo mercado no Brasil.
Com o avanço, a curva a termo passou a refletir chances ainda maiores de o Banco Central cortar a Selic em apenas 25 pontos-base na próxima semana, e não em 50 pontos-base, como vinha sendo precificado antes da guerra. Além disso, a curva já precifica um ciclo total menor de cortes da Selic, hoje em 15%.
Em sintonia com o avanço firme do dólar ante o real, a taxa do DI (Depósito Interfinanceiro) para janeiro de 2028 estava em 13,97% no fim da tarde, com alta de 31 pontos-base ante o ajuste de 13,131% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,855%, com elevação de 20 pontos-base ante 13,654%.
No início da sessão, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informou que a inflação ao consumidor medida pelo IPCA subiu 0,70% em fevereiro, acelerando ante o avanço de 0,33% de janeiro e superando a projeção de 0,65% de economistas em pesquisa da Reuters. Em 12 meses até fevereiro, o índice subiu 3,81%, contra 3,77% projetados.
A abertura do índice também não foi favorável. A alta dos serviços acelerou de 0,10% em janeiro para 1,51% em fevereiro, enquanto a taxa de serviços subjacentes passou de 0,57% para 0,64%, conforme cálculos do banco Bmg. Os serviços intensivos em mão de obra aceleraram de 0,64% para 0,68%.
A taxa da média dos núcleos de inflação do Banco Central, de acordo com o Bmg, foi de 0,42% em janeiro para 0,62% em fevereiro.
Os dados do IPCA deram força às taxas dos DIs, que também foram sustentadas pelo avanço do petróleo no exterior.
Nesta quinta-feira, o novo líder supremo do Irã, Mojtaba Khamenei, disse que o país manterá o Estreito de Ormuz -- por onde passam 20% do petróleo mundial -- fechado e atacará as bases norte-americanas.
Além disso, dois petroleiros foram incendiados em águas do Iraque por barcos iranianos, horas depois de outros três navios terem sido atacados na região.
A escalada da guerra que colocou EUA e Israel contra o Irã fez o petróleo tipo Brent superar os US$100 o barril em diferentes momentos desta quinta-feira, mantendo as preocupações de que a alta da commodity possa espalhar inflação pelos países, incluindo o Brasil.
Neste cenário, a taxa do DI para janeiro de 2028 marcou a cotação máxima do dia de 13,465% (+33 pontos-base) às 12h12, enquanto o DI para janeiro de 2035 atingiu o pico de 13,900% (+25 pontos-base).
“A parte mais curta da curva, que é impactada pela questão mais local, de atividade e inflação, subiu, mas a curva como um todo teve aumento (de taxas) em função da incerteza com a guerra”, comentou durante a tarde o chefe da mesa de operações do C6 Bank, Felipe Garcia.
Com os impactos vistos desde o início da guerra, a curva a termo precificava na tarde desta quinta-feira, conforme o estrategista-chefe e sócio da EPS Investimentos, Luciano Rostagno, cerca de 84% de probabilidade de corte de 25 pontos-base da Selic na próxima semana, contra 16% de chance de redução de 50 pontos-base. Antes da guerra, as apostas no corte de 50 pontos-base eram majoritárias.
“O mercado, por conta dessa alta do preço do petróleo e da alta do dólar, está reduzindo as apostas de um corte de 50 pontos na semana que vem. E para o final do ano, a Selic está precificada em 13%”, acrescentou Rostagno.
Na prática, isso significa que a curva já precifica uma Selic mais elevada no fim de 2026, de 13%, do que a projeção mediana dos economistas no relatório Focus do Banco Central, que aponta 12,13%. Em outras palavras, o mercado neste momento precifica não apenas um começo mais lento para o ciclo de cortes como também um ciclo menor, com Selic terminal mais elevada.
Para tentar reduzir o impacto inflacionário da alta do petróleo no Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou uma medida para zerar a cobrança de Pis/Cofins que incide sobre importação e comercialização do óleo diesel. Além disso, assinou medida provisória com subvenção ao óleo diesel para produtores e importadores. Em outra medida, o governo cobrará de forma temporária 12% sobre as exportações de petróleo.
Segundo o Palácio do Planalto, o corte de Pis/Cofins representa uma redução de R$0,32 por litro do diesel nas refinarias, enquanto a subvenção representará outros R$0,32 por litro.
No exterior, os rendimentos dos Treasuries também sustentavam ganhos fortes, em meio aos receios dos impactos do petróleo sobre a inflação norte-americana. Às 16h54, o rendimento do Treasury de dois anos--que reflete apostas para os rumos das taxas de juros de curto prazo-- tinha alta de 10 pontos-base, a 3,732%.
0 comentário
Navios devem se coordenar com marinha do Irã para passar pelo Estreito de Ormuz, diz ministério iraniano
Petróleo sobe 9% com promessa do Irã de manter Estreito de Ormuz fechado
Ibovespa fecha em queda com apreensão sobre guerra no Oriente Médio
Dólar sobe para perto dos R$5,25 com escalada da guerra no Oriente Médio
Juros futuros disparam com IPCA pressionado e petróleo em US$100
Wall St tomba conforme escalada do conflito no Irã e salto do petróleo provocam liquidação