Taxas dos DIs seguem em baixa com exterior, IBC-Br e leilões do Tesouro no foco
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Por Fabricio de Castro
SÃO PAULO, 16 Mar (Reuters) - Após subirem na sessão anterior perto de 50 pontos-base em alguns vencimentos, as taxas dos DIs (Depósitos Interfinanceiros) se ajustam em baixa nesta segunda-feira, em meio ao recuo forte do dólar ante o real e ao avanço abaixo do esperado da atividade econômica no Brasil em janeiro.
O anúncio do Tesouro de cancelamento dos leilões de títulos indexados à inflação e prefixados nesta semana também ajuda a tirar força da curva brasileira, conforme operador ouvido pela Reuters.
No exterior, a manhã também é de recuo firme dos rendimentos dos Treasuries, em meio ao cenário de guerra no Oriente Médio.
Às 11h21, a taxa do DI para janeiro de 2027 estava em 14,085%, com recuo de 21 pontos-base ante o ajuste de 14,294% da sessão anterior. Na ponta longa da curva, a taxa do DI para janeiro de 2035 marcava 13,875%, em baixa de 28 pontos-base ante 14,155%.
O rendimento do Treasury de dez anos --referência global para decisões de investimento-- caía 5 pontos-base, a 4,236%.
Na sexta-feira as taxas futuras tiveram altas fortes no Brasil, com a curva passando a precificar alguma chance, ainda que minoritária, de o Banco Central manter a taxa básica Selic em 15% esta semana. As apostas de que a instituição cortará a Selic em apenas 25 pontos-base seguiam majoritárias, mas a curva apagou a probabilidade de uma redução maior, de 50 pontos-base, em função da disparada do petróleo e das preocupações em torno da guerra que opõe EUA e Israel ao Irã.
Conforme o boletim Focus do BC, publicado nesta manhã, os economistas do mercado passaram a ver um corte de 25 pontos-base na taxa básica esta semana, depois de 23 semanas apostando em redução de 50 pontos-base. A Selic projetada para o fim deste ano foi de 12,13% para 12,25% e a inflação calculada passou de 3,91% para 4,10%.
Nesta manhã de segunda-feira, porém, as taxas dos DIs se ajustam em baixa ao forte avanço da sexta-feira e reagem ao Índice de Atividade do Banco Central (IBC-Br), que avançou 0,80% em janeiro ante dezembro, na série com ajuste sazonal, menos do que a alta de 0,85% projetada por economistas ouvidos pela Reuters.
Considerado uma espécie de prévia do Produto Interno Bruto (PIB), o IBC-Br avançou 1,0% em janeiro ante o mesmo mês do ano anterior, na série sem ajuste.
Além disso, o Tesouro anunciou nesta segunda-feira o cancelamento dos leilões tradicionais de títulos públicos indexados a índices de preços (NTN-B) e títulos prefixados (LTN e NTN-F) programados para a terça e a quinta-feira desta semana, respectivamente. O leilão de títulos indexados à taxa básica Selic (LFT) programado para a terça-feira será mantido.
Em nota, o Tesouro também anunciou que realizará a partir desta segunda-feira leilões de compra e venda de papéis para "oferecer suporte ao mercado de títulos públicos assegurando seu bom funcionamento e o de mercados correlatos".
Na prática, ao entrar no mercado recomprando títulos, o Tesouro tentará reduzir a pressão de alta sobre as taxas.
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