Preço do etanol aprofunda queda nas usinas de SP no início da nova safra, aponta Cepea

Publicado em 13/04/2026 15:45 e atualizado em 13/04/2026 17:16

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SÃO PAULO, 13 Abr (Reuters) - Os preços do etanol cotados nas usinas do Estado de São Paulo, principal produtor e consumidor do Brasil, caíram 3,5% em média na última semana, com vendedores elevando a oferta no início da safra 2026/27 do centro-sul, enquanto os compradores atuam com cautela na expectativa de um aumento da produção, apontou nesta segunda-feira análise do centro de estudos Cepea.

Entre 6 e 10 de abril, o indicador Cepea/Esalq do etanol hidratado para o Estado de São Paulo fechou a R$2,7873/litro (sem impostos), recuo de 3,47% em relação ao período anterior. Para o etanol anidro, a cotação média foi de R$3,1948/litro, registrando a mesma variação percentual negativa.

"O volume ofertado de etanol hidratado cresceu no mercado paulista na última semana. Muitos vendedores elevaram a disponibilidade porque temem quedas de preços mais fortes nos próximos dias, diante do avanço da moagem da cana-de-açúcar da safra 2026/27 em algumas usinas e do início das atividades em outras", afirmou o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).

Desde meados de março, quando algumas usinas já se preparavam para iniciar a moagem da nova safra, os preços do etanol hidratado caíram 5,3%.

As quedas de preços nas usinas, contudo, ainda não foram repassadas aos consumidores. Em São Paulo, segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), o preço do etanol hidratado seguiu praticamente estável nas últimas semanas, em torno de R$4,50 por litro.

O Cepea citou ainda a possibilidade de um "mix" mais alcooleiro ao longo da temporada 2026/27, o que elevaria ainda mais a oferta do derivado de cana, já que o preço do açúcar em queda e do dólar em patamares mais baixos favorecem a produção do biocombustível.

Além disso, com uma recuperação da safra de cana-de-açúcar do centro-sul e a expansão da oferta de etanol de milho, o mercado considera a possibilidade de uma produção recorde do combustível no Brasil em 2026/27.

ECONOMIA PARA CONSUMIDOR

A queda dos preços do etanol, em um contexto de combustíveis fósseis mais caros por conta da guerra no Irã, foi destacada pela União da Indústria de Cana-de-açúcar (Unica), nesta segunda-feira.

"Em meio à volatilidade do petróleo no mercado internacional, o etanol atuou como um importante amortecedor de preços no Brasil em março. Enquanto a gasolina subiu nas bombas, o biocombustível se manteve estável, protegendo o consumidor e gerando uma economia estimada superior a R$2,5 bilhões no período", afirmou.

"O etanol permaneceu ancorado na safra doméstica e na expectativa de produção recorde em 2026", acrescentou a Unica, explicando que o valor estimado de economia considera importações evitadas.

"O consumidor brasileiro foi protegido em março porque há décadas o país faz escolhas estratégicas em sua política energética", opinou o presidente-executivo da Unica, Evandro Gussi, em nota.

O Cepea, centro de estudos da USP, destacou que recuos de preços do etanol foram diários na última semana e vistos em todas as regiões produtoras do Estado.

Mesmo as interrupções nas atividades de moagem por conta de chuvas na semana passada não limitaram o movimento de queda nos preços no mercado de São Paulo, enquanto para os próximos dias as previsões indicam tempo seco, facilitando as atividades produtoras, notou o Cepea.

"Do lado comprador, alguns chegaram a adquirir mais volumes por conta das pequenas aquisições das últimas semanas, mas, ainda assim, o ritmo de negócios envolvendo o hidratado seguiu fraco. Distribuidoras continuam agindo com cautela e fechando algumas oportunidades de negócios", apontou o Cepea.

(Por Roberto Samora; edição de Letícia Fucuchima)

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Fonte:
Reuters

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