Etanol de soja em escala industrial reforça o protagonismo brasileiro em biocombustíveis avançados
A CJ Selecta, produtora brasileira de Concentrado Proteico de Soja (SPC), óleo de soja, lecitina, etanol de soja e fertilizantes organominerais, reforça seu papel pioneiro na transição energética ao avançar no processo de certificação do RenovaBio com a primeira planta de etanol de soja em escala industrial do mundo. O projeto, iniciado em 2018, une inovação tecnológica, eficiência produtiva e redução comprovada de emissões de gases de efeito estufa, posicionando a companhia como referência global em soluções alinhadas à agenda ESG.
O desenvolvimento do etanol de soja surgiu a partir da necessidade de agregar valor ao melaço de soja, um coproduto que apresentava baixa rentabilidade e forte sazonalidade de demanda. “Desde o início, o projeto nasceu com uma visão estratégica de sustentabilidade, buscando fechar nossa cadeia produtiva e reduzir a pegada de carbono dos nossos produtos, já que o etanol é um insumo essencial para a produção do SPC, nosso principal produto”, explica a CEO da CJ Selecta, Alessandro Reis.
O pioneirismo representou um dos maiores desafios do projeto, uma vez que não existiam referências de produção de etanol de soja em escala industrial. Para superar essa barreira, a empresa estabeleceu parceria com um fornecedor estratégico especializado em fermentação alcoólica e conduziu extensos estudos laboratoriais e em escala piloto. Esses testes permitiram identificar leveduras capazes de converter os principais oligossacarídeos da soja — rafinose e estaquiose — em etanol com rendimento tecnicamente viável. “Foi um processo longo, baseado em ciência e validação técnica, que nos deu segurança para avançar com um modelo produtivo inédito no mundo”, destaca Alessandro.
Com a definição do balanço de massa, a CJ Selecta estimou uma capacidade teórica de produção de até 10 milhões de litros de etanol hidratado por ano. Desse total, cerca de 3 milhões de litros são consumidos internamente no processo de produção de SPC, enquanto aproximadamente 7 milhões de litros têm potencial de comercialização para postos de combustíveis das regiões de Araguari e Uberlândia. As obras da planta tiveram início em 2020 e, após dez meses de instalação e mais três meses dedicados à aprovação da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP), a produção começou em março de 2021, marcando um momento histórico para o setor.
O avanço mais recente do projeto está diretamente ligado ao RenovaBio, a Política Nacional de Biocombustíveis, que reconhece e remunera a redução de emissões por meio dos Créditos de Descarbonização (CBios). Em 2023, a CJ Selecta solicitou oficialmente o ingresso no programa. Por se tratar de uma rota tecnológica inédita, a ANP iniciou um processo de validação envolvendo outros órgãos federais, como a Embrapa. “Esse trabalho conjunto é fundamental para assegurar que a rota do etanol de soja seja corretamente reconhecida pelo seu real potencial de descarbonização”, afirma o profissional.
Os resultados da RenovaCalc, ferramenta oficial do programa, já validaram o desempenho ambiental do etanol de soja da CJ Selecta, que apresenta emissões 47,05% menores que as da gasolina — 46,28 gCO₂eq/MJ contra 87,40 gCO₂eq/MJ. Com esses números, a empresa estima uma redução anual entre 7 mil e 8 mil toneladas de CO₂ equivalente, o que poderá gerar o mesmo volume de CBios por ano. “Estamos na fase final do processo de certificação e aguardamos a atualização regulatória que inclui oficialmente a rota da soja. A expectativa é iniciar a geração e comercialização dos CBios até meados de 2026”, projeta Alessandro.
Para a CJ Selecta, o projeto representa mais do que um novo produto, mas de um marco estratégico. “Ser a primeira planta de etanol de soja em escala industrial do mundo reforça nosso compromisso com inovação responsável e consolida o grupo como uma referência global em soluções industriais alinhadas aos princípios ESG”, ressalta o CEO.
Próximos passos
Atenta ao futuro da iniciativa, a companhia realizou o estudo da pegada de carbono da soja e, desde 2021, vem colaborando com a Embrapa e a ANP na construção de uma nova rota de biocombustível. A expectativa é que essa nova rota seja incluída no cálculo do RenovaBio o mais breve possível.
“A mensuração da pegada de carbono da soja e a colaboração com instituições de referência refletem o compromisso da CJ Selecta com o avanço científico e com o desenvolvimento de soluções sustentáveis para a matriz energética brasileira. A inclusão dessa nova rota no RenovaBio representará um passo relevante para o reconhecimento dos ganhos ambientais e para o fortalecimento dos biocombustíveis como vetor da transição energética”, comemora Alessandro.
Devido a importância das iniciativas, a Associação Brasileira das Indústrias de Óleos Vegetais – ABIOVE, manifestou apoio à companhia e destacou o avanço para a agregação de valor e a diversificação da cadeia da soja no Brasil. Para a entidade, a planta reforça o papel estratégico da soja no desenvolvimento de biocombustíveis sustentáveis e contribui para o fortalecimento da indústria nacional.
“A iniciativa se insere em um contexto de crescimento do setor, com elevada produção e processamento, e evidencia um modelo industrial eficiente, alinhado à sustentabilidade, ao ampliar a participação da soja na matriz energética e consolidar o protagonismo do Brasil na oferta de produtos com maior valor agregado”, frisa o diretor de Economia e Assuntos Regulatórios da associação, Daniel Furlan Amaral.
0 comentário
Etanol de soja em escala industrial reforça o protagonismo brasileiro em biocombustíveis avançados
Etanol/Cepea: Indicadores caem mais de 7% em SP
Biocombustíveis ficam mais barato que o petróleo pela 1ª vez e atraem Ásia
Mercado vê prêmios mais baixos para etanol anidro no Brasil prevendo volumes recordes, diz Argus
Preço do etanol aprofunda queda nas usinas de SP no início da nova safra, aponta Cepea
Biodiesel ganha espaço no debate energético, mas setor descarta solução imediata