Feijão carioca dispara e mantém mercado aquecido mesmo com avanço da segunda safra

Publicado em 27/04/2026 12:08 e atualizado em 27/04/2026 13:54
Oferta de grãos de melhor qualidade segue curta, sustenta preços firmes e abre espaço para negociações mais valorizadas no campo

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Mesmo com o avanço da segunda safra de feijão em importantes regiões produtoras do Brasil, o mercado do feijão carioca continua sustentado por preços firmes e valorização dos lotes de melhor qualidade. A combinação entre oferta ainda limitada desses grãos superiores e demanda ativa mantém o mercado aquecido e chama a atenção de produtores e compradores em todo o país.

Segundo levantamento do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o feijão carioca registrou reação nas últimas semanas impulsionada pela retomada das negociações por parte dos compradores, especialmente para lotes com nota 9 ou superior. A procura mais intensa por esse padrão de qualidade reforça a tentativa dos produtores de elevar os preços, embora ainda exista dificuldade de repasse ao varejo. 

No consumo, o impacto já aparece de forma clara. Dados do IPCA mostram que, em março, o feijão carioca avançou 15,40% no mês e acumula alta de 27,73% em 12 meses, evidenciando a força desse movimento ao longo de 2026. O feijão preto também teve valorização mensal de 7,12%, mas ainda apresenta comportamento mais fraco quando comparado ao carioca. 

A sustentação dos preços não é recente. Desde o início do ano, o mercado já vinha mostrando sinais de forte restrição de oferta. Em fevereiro, o Cepea apontou que a média parcial do feijão carioca já superava em mais de 20% os valores de janeiro, com algumas regiões registrando avanços acima de 30%. A principal explicação vinha das dificuldades de colheita e das restrições de área da primeira e da segunda safras.

A própria Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) reforçou esse cenário ao estimar a safra brasileira de feijão em 2,97 milhões de toneladas, a menor em quatro anos. Quando somados estoques iniciais e importações, a disponibilidade interna prevista chega a 3,09 milhões de toneladas, o menor volume em uma década, desde 2015/16.

Mesmo com a segunda safra já avançando em abril, a oferta de feijão carioca de melhor padrão ainda não é suficiente para pressionar fortemente as cotações. A coloração, a umidade e o padrão visual seguem sendo fatores decisivos nas negociações, já que compradores continuam mais seletivos e priorizam lotes superiores. Em muitos casos, produtores também aceleram vendas antes que o escurecimento dos grãos comprometa o valor de mercado. 

O comportamento do feijão preto segue diferente. Enquanto o carioca encontra sustentação na qualidade e na demanda mais firme, o preto ainda enfrenta pressão maior com a proximidade e entrada de volumes da segunda safra, o que limita uma reação mais forte nos preços. 

Para quem acompanha o mercado no campo, o momento exige atenção redobrada à estratégia comercial. O produtor que ainda possui feijão bem armazenado, com boa coloração e padrão superior, encontra melhor poder de barganha e maior liquidez. Em um ano de estoques apertados e disponibilidade interna mais curta, qualidade voltou a ser o principal diferencial para garantir melhor remuneração por saca.
 

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Por:
Priscila Alves I Instagram: @priscilaalvestv
Fonte:
Notícias Agrícolas

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