Ovo registra forte valorização no Sudeste e lidera altas na cesta básica em março
O mercado de postura segue em evidência no varejo brasileiro após o fechamento dos indicadores de março. O ovo foi o principal destaque de alta entre os itens essenciais, especialmente no Sudeste, onde o índice de aumento superou o dobro da média registrada no restante do país. Enquanto o cenário nacional apontou um crescimento de 7,1% nos preços, o consumidor do Sudeste enfrentou uma escalada de 14,6%.
O movimento coloca a proteína à frente de outros itens de peso na dieta nacional, como o feijão (14,2%) e o leite UHT (12,9%), evidenciando um cenário de pressão acentuada no maior polo consumidor do Brasil.
Efeito substituição e o acumulado de 2026
A valorização do ovo ocorre em um momento de alta generalizada nas proteínas. Com a carne bovina acumulando uma alta de 6,9% entre dezembro de 2025 e março de 2026, o ovo reafirma seu papel estratégico na mesa do brasileiro. No entanto, o repasse de custos e a dinâmica de oferta e demanda elevaram o preço da proteína em 12,9% apenas no primeiro trimestre deste ano.
Analistas do setor de inteligência de consumo indicam que o cenário atual reflete uma inflação “regionalizada”, o que altera diretamente a estratégia de compra das famílias. Com o orçamento apertado por altas em outras categorias — como os legumes, que já subiram 22,9% no ano —, o consumidor tem se tornado mais seletivo, comparando preços de forma mais rigorosa e ajustando o volume das embalagens adquiridas.
Destaques Regionais no Sudeste
A variação de preços em março no Sudeste mostrou uma forte concentração em itens básicos de origem animal e vegetal:
- Ovos: +14,6%
- Feijão: +14,2%
- Leite UHT: +12,9%
- Legumes: +9,5%
Em contrapartida, houve alívio em categorias de produtos processados e bebidas, como o café (-5,5%) e a cerveja (-4,7%), o que ajudou a mitigar parcialmente o impacto no ticket médio total, mas não anulou o peso da alta nas proteínas básicas.
Perspectivas para o setor
A tendência para o próximo trimestre aponta para a manutenção de um panorama atento aos fatores sazonais. Enquanto itens industrializados mostram maior estabilidade, as proteínas animais e o setor de hortifruti seguem sensíveis ao clima e aos custos de produção. Para o setor avícola, o desafio permanece em equilibrar o repasse necessário de custos com o poder de compra do consumidor, que segue priorizando a eficiência nas gôndolas.
Fonte: Variações de Preços: Brasil & Regiões, realizado pela Neogrid.
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