Inmet: Queda acentuada das temperaturas amplia a vulnerabilidade das lavouras de segunda safra em áreas do centro-sul do país

Publicado em 08/05/2026 16:36
Estresse térmico pode comprometer o desenvolvimento do milho e feijão no Paraná e Mato Grosso do Sul

As condições climáticas adversas vêm impactando de forma significativa o andamento da segunda safra de grãos nos estados do Paraná e Mato Grosso do Sul. Em algumas regiões, o atraso na colheita comprometeu a janela ideal de semeadura das culturas subsequentes, ampliando os riscos associados à redução das chuvas e à maior probabilidade de incursões de massas de ar frio, que normalmente avançam sobre a região ao longo do mês de maio.

Durante a implantação das lavouras de milho e feijão, observou-se redução nos volumes de chuva, causando problemas iniciais no desenvolvimento das culturas, principalmente no oeste paranaense e sul do Mato Grosso do Sul. Ambas as culturas entraram em fases críticas de desenvolvimento ao longo de abril e início de maio, dependendo da região de cultivo, sendo fortemente impactadas pela escassez hídrica justamente no período de maior demanda de água pelas plantas. Essa condição já resultou em perdas significativas, mesmo com a melhora das chuvas observada entre o final de abril e o início de maio.

No momento, as previsões meteorológicas indicam o avanço de uma intensa massa de ar polar sobre a Região Sul, sul de São Paulo e Mato Grosso do Sul. O cenário aponta para um declínio acentuado das temperaturas, favorecendo a ocorrência de geadas em grande parte da Região Sul do Brasil. Esse quadro representa elevado risco para culturas de verão, como o milho e o feijão, que se encontram em fases críticas de desenvolvimento nos estados do Paraná, Mato Grosso do Sul e São Paulo.

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Figura 1. Precipitação e temperatura mínima para o período de 20 de fevereiro a 12 de maio em Ponta Grossa (PR). Fonte: SISDAGRO.

Nesse contexto, destaca-se a importância econômica do núcleo regional de Ponta Grossa (PR), que possui cerca de 33 mil hectares cultivados com milho de segunda safra. De acordo com o Departamento de Economia Rural do Paraná (DERAL), aproximadamente 95% dessa área encontra-se em fases mais sensíveis ao estresse térmico, sendo 25% em floração e 70% em frutificação. Diante desse cenário, a previsão de queda das temperaturas mínimas nos próximos dias, com valor em torno de 3,6 °C na terça-feira (12), aumenta a preocupação com possíveis impactos sobre a floração e o enchimento de grãos. Essas condições podem provocar falhas na polinização, redução na formação dos grãos e, consequentemente, queda da produtividade. Além disso, o período prolongado de estiagem entre os dias 10 e 26 de abril, evidenciado na Figura 1, contribuiu para elevar a vulnerabilidade das plantas ao estresse térmico.

A combinação de déficit hídrico antecipado e queda brusca de temperatura intensifica o risco de danos severos às lavouras, especialmente em áreas mais suscetíveis à formação de geada. Para a cultura do feijão que apresenta sensibilidade ainda maior às baixas temperaturas, pode ocorrer abortamento floral e a redução na formação de vagens. Durante o enchimento de grãos, a geada pode causar enrugamento, além de redução do tamanho e peso dos grãos. Por outro lado, culturas de inverno em fase de implantação ou em desenvolvimento inicial, como trigo, aveia, canola e pastagens, não devem apresentar impactos negativos significativos neste momento.

Previsão do Tempo

A previsão para os próximos dias indica a passagem de uma frente fria sobre a Região Sul, favorecendo a ocorrência de chuvas intensas e condições de tempo severo em áreas do sudoeste e centro-sul do Paraná, além do norte de Santa Catarina, com acumulados que podem superar 80 mm.

As temperaturas deverão permanecer baixas em grande parte da Região Sul, especialmente no sul do Rio Grande do Sul, oeste de Santa Catarina e do Paraná, além do extremo sul do Mato Grosso do Sul. A massa de ar frio continuará atuando ao longo do final da semana, com destaque para áreas do centro-sul do Paraná e da região serrana de Santa Catarina, onde as temperaturas mínimas podem ficar abaixo de 8 °C, com valores inferiores a 2 °C em áreas mais elevadas. Esse cenário de frio intenso, associado à possibilidade de geada em áreas de maior altitude do Paraná e de Santa Catarina, aumenta o risco de impactos sobre as lavouras que se encontram em fases mais sensíveis de desenvolvimento.

Esse quadro reforça a necessidade de atenção no planejamento das atividades agrícolas na região, recomendando-se o acompanhamento contínuo das atualizações meteorológicas a fim de subsidiar a tomada de decisão no manejo das lavouras, reduzir riscos operacionais e otimizar o planejamento das operações de campo.

 

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Fonte:
Inmet

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