Consumidores da zona do euro têm visão benigna sobre aumento da inflação, mostra pesquisa do BCE
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FRANKFURT, 1 Jun (Reuters) - Os consumidores da zona do euro mantiveram suas expectativas de inflação estáveis ou reduziram-nas em abril, um sinal para as autoridades de que as apostas de preços no médio prazo não estão sinalizando nenhum desvio muito grande da meta, mostrou uma pesquisa do BCE nesta segunda-feira.
A inflação disparou para 3% em abril devido ao aumento dos preços do petróleo, bem acima da meta de 2% do BCE, e algumas autoridades expressaram preocupação de que as opiniões das famílias estavam começando a se afastar demais da meta, sinalizando potencialmente uma falta de ancoragem das expectativas relevantes para a política monetária.
Entretanto, a edição de abril da pesquisa mensal do consumidor do BCE mostrou uma tendência mais benigna, já que as expectativas para o ano à frente se mantiveram estáveis em 4,0%, enquanto que, para três anos, diminuíram de 3,0% para 2,9%.
A pesquisa, um importante insumo para as deliberações de política monetária na reunião de 11 de junho do BCE, também mostrou que as expectativas para cinco anos à frente permaneceram em 2,4%.
"Os entrevistados dos quintis de renda mais baixa continuaram a relatar, em média, percepções e expectativas de inflação ligeiramente mais altas", disse o BCE. "Os entrevistados mais jovens continuaram a relatar percepções e expectativas de inflação mais baixas do que os entrevistados mais velhos."
A pesquisa não deve mexer com as expectativas do mercado no curto prazo, já que as autoridades telegrafaram amplamente um aumento de 25 pontos-base na taxa de depósito de 2% do banco em junho.
No entanto, os dados podem atenuar as apostas em movimentos posteriores, já que sugerem que não há necessidade de um aperto rápido da política monetária como em 2022, quando os preços dispararam, chegando a atingir o território de dois dígitos.
Isso se deve, em parte, ao fato de que as expectativas de crescimento econômico se tornaram mais negativas, segundo a pesquisa, com os consumidores prevendo uma contração econômica de 2,2% no próximo ano e também reduziram suas apostas de crescimento da renda de 1,2% para 0,8%.
Novos dados sobre a inflação da zona do euro serão divulgados na terça-feira, e os economistas consultados pela Reuters veem a taxa subindo para 3,2%. O aumento dos preços pode continuar a acelerar nos próximos meses e atingir um pico próximo a 4%.
(Reportagem de Balazs Koranyi)
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