Restrição da UE a produtos animais brasileiros expõe falha de coordenação, aponta Farsul
A decisão da União Europeia de restringir a importação de produtos de origem animal do Brasil, com início em 3 de setembro de 2026, é o resultado de uma falha de "coordenação, comprovação ou resposta tempestiva" por parte do governo brasileiro, segundo nota técnica divulgada pela Farsul (Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul).
Em Nota Técnica, a Federação afirma que a proibição, motivada pelas regras europeias sobre o uso de antimicrobianos, não pegou o mercado de surpresa. De acordo com o documento, a exigência de demonstrar conformidade com as normas sanitárias europeias - que proíbem o uso desses medicamentos como promotores de crescimento - foi estabelecida em outubro de 2024, conferindo ao Brasil prazo e previsibilidade para se adaptar. "O episódio sugere menos uma mudança súbita de regra e mais uma falha de coordenação do Brasil diante de uma exigência europeia já conhecida", aponta a análise da Assessoria Econômica da Farsul.
Impacto nas cadeias produtivas
O impacto não é generalizado, mas concentra-se em setores específicos: aves (frango e peru), bovinos, equídeos, tripas, mel, ovos e pescados. Em 2025, os produtos potencialmente proibidos representaram US$ 1,848 bilhão das exportações brasileiras para o bloco europeu. A fatia mais expressiva do valor absoluto está na carne bovina, com US$ 1,008 bilhão, seguida pelo frango, com US$ 763 milhões.
No Rio Grande do Sul, a exposição é proporcionalmente menor, mas ainda relevante. Em 2025, os itens afetados somaram US$ 133,8 milhões, equivalente a 6,2% de toda a pauta do agronegócio gaúcho enviada à UE.
Aceleração de embarques
A nota técnica identifica um movimento de antecipação de embarques em maio de 2026, com "indícios fortes" de aceleração em frango, peru e mel, tanto no âmbito nacional quanto no estadual.
Contudo, a equipe econômica da Farsul alerta para uma leitura cautelosa: o mês de maio marcou a entrada em vigor provisória do acordo Mercosul-UE. "A coincidência impede atribuir o aumento das vendas exclusivamente à antecipação do veto", pondera o texto, destacando que o movimento reflete também uma possível recomposição comercial e o uso de preferências tarifárias do acordo.
O governo brasileiro afirmou ter recebido a medida com surpresa e busca, por vias diplomáticas e técnicas, a reversão ou esclarecimento da decisão europeia.
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