Açúcar recua nas bolsas após recuperação; mercado monitora Índia, El Niño e safra brasileira
Os preços do açúcar operam em queda nas principais bolsas internacionais nesta quinta-feira (18), após a forte valorização registrada na sessão anterior. O mercado continua atento aos riscos climáticos na Índia e aos possíveis impactos do El Niño sobre a produção global, mas o movimento de realização de lucros limita novos avanços das cotações.
Por volta das 10h30 (horário de Brasília), em Nova York, o contrato julho recuava 8 pontos, negociado a 13,77 cents por libra-peso. O vencimento outubro caía 6 pontos, para 14,31 cents por libra-peso.
Na Bolsa de Londres, o contrato agosto do açúcar branco era negociado a US$ 451,20 por tonelada, queda de 100 pontos. O vencimento outubro recuava 90 pontos, para US$ 442,90 por tonelada.
Na véspera, os preços encerraram o pregão em alta, sustentados pelas preocupações com a safra indiana e pelos riscos climáticos que podem afetar importantes regiões produtoras ao redor do mundo.
Índia mantém mercado em alerta
O principal fator de suporte para o mercado continua vindo da Índia, segundo maior produtor mundial de açúcar.
Dados do Departamento Meteorológico indiano mostram que o acumulado de chuvas da estação chuvosa estava 32% abaixo da média histórica até o dia 15 de junho. O período de chuvas, fundamental para o desenvolvimento da cana-de-açúcar no país, ocorre entre junho e setembro.
O cenário aumenta as preocupações sobre o potencial produtivo da próxima safra e reforça os temores de uma oferta global mais apertada nos próximos meses.
El Niño amplia incertezas para a produção mundial
As preocupações climáticas ganharam ainda mais força após a confirmação oficial do fenômeno El Niño.
Historicamente, o evento está associado à redução das chuvas em importantes regiões produtoras de açúcar, como Brasil, Índia e Tailândia, elevando os riscos para a produtividade das lavouras.
Embora os fundamentos climáticos ofereçam sustentação ao mercado, os investidores também seguem atentos ao comportamento do petróleo. Recentemente, a forte queda da commodity energética pressionou os preços do etanol, aumentando a expectativa de que parte das usinas possa direcionar mais cana para a fabricação de açúcar, o que elevaria a oferta global.
Produção brasileira abaixo das expectativas
No Brasil, os números mais recentes da safra também seguem no radar dos investidores.
Dados do Ministério da Agricultura mostram que a moagem de cana-de-açúcar no Centro-Sul totalizou 41,23 milhões de toneladas na segunda quinzena de maio, volume 12,9% inferior ao registrado no mesmo período do ciclo anterior.
A produção de açúcar somou 2,19 milhões de toneladas, queda de 24,8% na comparação anual e resultado abaixo das expectativas do mercado. Levantamento da S&P Global Energy apontava produção próxima de 2,4 milhões de toneladas no período.
Entre os fatores que contribuíram para o desempenho mais fraco estão as chuvas acima da média em áreas produtoras de São Paulo e Mato Grosso do Sul, que dificultaram os trabalhos de colheita e processamento da cana.
Ao mesmo tempo, as usinas continuam ampliando a produção de etanol. Na segunda metade de maio, a fabricação total do biocombustível avançou 1,8%, alcançando 2,1 bilhões de litros. O destaque ficou para o etanol hidratado, cuja produção cresceu 5,7%, enquanto o volume de etanol anidro recuou 4,4%.
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