Trigo fecha próximo da estabilidade em Chicago, mas mercado segue atento ao clima no Sul do Brasil
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O mercado futuro do trigo encerrou a terça-feira (24) com leves perdas na Bolsa de Chicago (CBOT). Após a volatilidade observada nas últimas semanas, os contratos fecharam praticamente estáveis, refletindo o equilíbrio entre a pressão da oferta global e as preocupações com questões climáticas que podem impactar importantes regiões produtoras.
No Brasil, o foco permanece voltado para o desenvolvimento da nova safra, especialmente no Sul do país, onde o avanço do fenômeno El Niño aumenta os riscos de excesso de chuvas durante fases decisivas da cultura.
Fechamento dos contratos
Julho/26: US$ 5,85/bushel, com baixa de 1,00 ponto.
Setembro/26: US$ 5,96/bushel, com baixa de 1,00 ponto.
Dezembro/26: US$ 6,12/bushel, com baixa de 1,00 ponto.
O contrato julho/26 encerrou a sessão cotado a 585,6 centavos de dólar por bushel. O setembro/26 fechou em 596 centavos e o dezembro/26 terminou o dia em 612,6 centavos por bushel.
Clima ganha importância para a safra brasileira
As atenções do setor continuam concentradas no comportamento climático para os próximos meses. Segundo análises divulgadas pelo setor tritícola, a possível consolidação do El Niño pode trazer chuvas acima da média para a Região Sul durante o inverno e a primavera, período crucial para a definição da produtividade e da qualidade dos grãos.
A preocupação não está apenas no potencial produtivo, mas principalmente na qualidade industrial do trigo. O excesso de umidade durante o desenvolvimento e a colheita pode favorecer doenças, elevar custos de manejo e comprometer características exigidas pela indústria moageira.
Oferta restrita mantém sustentação no mercado interno
Mesmo com a acomodação dos contratos em Chicago, os preços seguem sustentados no mercado brasileiro. Levantamentos citados pela Abitrigo mostram que a oferta disponível continua limitada, enquanto produtores permanecem cautelosos nas negociações, aguardando melhores oportunidades de comercialização.
Segundo dados da Conab, a semeadura avança nas principais regiões produtoras do país. Até meados de junho, cerca de 59,5% da área prevista para a safra já havia sido plantada, com os trabalhos praticamente concluídos em estados como São Paulo, Minas Gerais e Mato Grosso do Sul.
Rio Grande do Sul deve colher menos trigo em 2026
Outro fator que permanece no radar do mercado é a redução da área cultivada no Rio Grande do Sul. A Emater estima uma queda expressiva na produção gaúcha em 2026, reflexo da diminuição da área plantada, das dificuldades financeiras enfrentadas pelos produtores e das preocupações relacionadas ao clima. A expectativa é de uma safra significativamente menor que a registrada em 2025.
A combinação entre menor oferta potencial, incertezas climáticas e estoques apertados ajuda a explicar por que os preços domésticos continuam relativamente firmes, mesmo diante da recente acomodação observada na Bolsa de Chicago.
O mercado encerra o dia praticamente estável nas bolsas internacionais, mas mantendo elevada atenção às condições climáticas e ao desenvolvimento da safra brasileira, fatores que devem continuar determinando o comportamento dos preços ao longo do segundo semestre.
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