Impedir o avanço da cana pode ser a maior burrada ambiental das ONGs e ambientalistas.

Publicado em 03/08/2009 12:23 e atualizado em 20/10/2009 14:39
Uma coisa é falar e escrever movido por paixões pessoais, e ambientais, outra é cometer burradas ao desamparo de verdades cientificas, como poderá ser impedir o avanço da cana no Brasil (previsto para acontecer proximamente, segundo o zoneamento agroecológico). Isto se assemelha muito aos ideólogos nazistas que, movidos por paixões loucas e de raças dominantes, promoviam e incentivavam a destruição de livros e de conhecimentos.

 Inicialmente, são necessárias respostas racionais para as seguintes questões ambientais importantes: a) quem, realmente, seqüestra mais carbono quando vivo: uma árvore adulta da floresta densa e inerte ou cerca de 350 pés de cana mais milhares de folhas (equivalentes a 60.000 colmos/ha), ocupando igual área da copa de 01 árvore (60 m2) e renováveis anualmente? b) após o abate ou morte, quem mais contribuirá para reduzir as emissões de Co2: a arvore - que poderá pegar fogo pelos raios e/ou pelas chuvas ácidas e/ou incêndios acidentais/criminosos, ou seja, novamente expulsando rapidamente o carbono acumulado em anos - ou os colmos de cana que se transformarão anualmente em etanol combustível e biomassa para o solo, substituindo, plenamente, os altamente poluentes derivados de petróleo? c) quem impede, realmente, a criação de doenças exóticas pavorosas para o ser humano, como o ebola na África: as florestas adultas densas e sombreadas ou as lavouras e as pastagens abertas, plenamente à luz do sol e renováveis anualmente?

Sabe-se que a chuva ácida gerada nas grandes cidades pelos veículos de transporte e pelas fábricas é retida pelas nuvens e pode viajar até 500 km por dia, dependendo da direção e da força do vento. São Paulo, segundo o Banco Mundial, é a cidade campeã mundial de liberação de dióxido de nitrogênio, o gás maior gerador de chuvas ácidas. Os maiores danos são a acidificação dos lagos, rios e fontes de água, mas as chuvas ácidas fazem imensas clareiras nas florestas, sobretudo na Amazônica, matando 2 a 3 árvores por hectare/ano, o que pode, progressivamente, destruir toda a floresta e sem participação direta dos humanos. Boa parte dos incêndios atuais da Floresta ocorre pela queima de troncos - que ficam ressequidos pela chuva ácida – e são atingidos por raios.

Diversos estudos científicos provam que a quantidade de clorofila produzida pelas folhas e galhos verdes é cerca de 30 vezes superior as pelo tronco e raízes, ou seja, manter árvores adultas e que quase já encerraram seu ciclo biológico, como todo ser vivo, é um grande erro. Muito melhor seria abatê-la de forma a permitir que as arvores do segundo e do terceiro andar cresçam e absorvam muito mais carbono (como prevê as regras do Manejo Florestal Sustentado). Enquanto a árvore adulta lá estiver, as de baixo não crescem, pois nelas não chegam água suficiente das chuvas e, principalmente, a luz multiplicadora e seqüestradora real. NA VERDADE, ONGS E AMBIENTALISTAS VERDADEIROS DEVERIAM PREGAR O ABATE CONTROLADO DAS ÁRVORES ADULTAS EM PELO MENOS 5,0% DA ÁREA AO ANO (não os 2,5% liberados), DE FORMA A PERMITIR O CRESCIMENTO DAS ÁRVORES MENORES E A SEQÜESTRAR, PELO MENOS, O QUÍNTUPLO DE GÁS CARBÔNICO, ANTE O DAS FLORESTAS DENSAS.

Por outro lado, conforme estudo de Marcos H. Vital, divulgado na Revista BNDES em dezembro de 2007, “quanto maior a fotossíntese e a evapotranspiração de uma árvore maior será o seu consumo de água, o que também restringe as funções nas florestas densas da Amazônia e de outras regiões, pois a maior parte das chuvas recebidas é devolvida a atmosfera na mesma área”.

“A evapotranspiração e o fenômeno de interceptação das copas das árvores na floresta densa devolvem juntos para a atmosfera cerca de 65% a 80% da água das chuvas recebidas. Sobram então entre 20% e 35% para infiltração aos lençóis e deflúvios. Se as chuvas forem poucas, em regiões de baixa precipitação, sobrará pouca água para abastecer os rios e as águas subterrâneas.É por essa razão que não se deve cultivar florestas produtivas de eucaliptos para fins econômicos em regiões com menos de 700 mm de chuvas por ano, onde os efeitos hidrológicos certamente deverão ocorrer, tanto para o solo, como para os recursos hídricos e para a própria floresta plantada. Em situações como estas de baixíssimas chuvas, só podemos pensar em plantações de eucaliptos para efeitos de proteção do solo contra a erosão das encostas e da conservação natural sem fins econômicos.“

Ainda segundo Vital, do total de chuvas que cai sobre a mata atlântica rala cerca de 24% são interceptados pelas folhas e evaporam-se de volta para a atmosfera, enquanto esse volume foi próximo de 11% da precipitação em florestas de eucalipto. Isso ocorre porque o índice de área foliar da mata atlântica é o dobro do observado em florestas de eucalipto. Então, em florestas de eucalipto mais água de chuva alcança o solo, acarretando, por sua vez, outros dois efeitos: por um lado, mais água de chuva pode estar disponível nas reservas do solo bem como maior volume de água atingirá os lençóis freáticos; por outro lado, mais água de chuva escorrerá sobre o solo, possivelmente aumentando a erosão.

 “Também há nas florestas produtivas pequeno consumo a maior de água, devido à ação fotossintética intensa. A maioria dos trabalhos científicos mais recentes mostra que a soma dessas duas condições (interceptação das copas e intensidade fotossintética) colabora para uma diminuição da recarga das águas subterrâneas e do deflúvio superficial, que somados representam cerca de 150 a 250 mm das chuvas do ano. Esse volume é conhecido como "efeito plantação". Ou seja, os benefícios que a floresta plantada traz - gerando mais oxigênio, seqüestrando mais gás carbônico, evitando as enxurradas, regulando os fluxos hídricos, melhorando a qualidade das águas dos rios, minimizando a erosão dos solos, fornecendo madeira para a sociedade - se contrabalançam com um "consumo anual" um pouco maior de água das chuvas entre 150 e 250 mm, em relação a uma pastagem ou a uma área de cerrado.“

Estima-se que a Floresta Amazônica brasileira tenha hoje cerca de 350,0 milhões de ha, quase a metade da área total de 851,0 milhões de hectares do Brasil (EMBRAPA). Contudo, cerca de 50% da Floresta é mata adulta e densa - portanto 175,0 milhões de ha - e os demais 50% cerrados e campos naturais. Outros entendem que a área de árvores densas chega a 251,0 milhões de hectares. Por outro lado, cerca de 88% dos solos da Amazônia são de baixa fertilidade e apenas 12% de alta fertilidade.

Assim, por causa do elevado fechamento das copas nas florestas densas, 3 fatores levam a redução do crescimento pleno das árvores jovens e que demoram até 50 anos para se tornarem adultas (e depois serem abatidas ou morrerem, isto é, para estocarem carbono nos troncos, galhos, raízes etc.). Estes fatores são: 1) a baixa fertilidade dos solos na maior parte da Floresta; 2) o reduzido acesso de luz solar até as árvores dos chamados segundo e terceiros andares; 3) o reduzido volume de chuvas que alcança a raiz da árvore-mãe e das plantas do segundo e terceiros andares.

Por outro lado, quanto maior o nível de Co2 mais rapidamente as plantas crescem pelo seu efeito fertilizante, também indicando que o Co2 e o aquecimento global - em níveis adequados – são fundamentais para a vida no Planeta. Estudos científicos de Kimball (1983) e Idso (1992) mostraram que com um aumento de 300 ppm no teor de Co2 na atmosfera local ampliava-se em 33% a produtividade da maioria das plantas herbáceas.

Em média, 01 hectare de floresta densa tem cerca de 170 árvores adultas e que, segundo pesquisas recentes do IMPA - Instituto de Pesquisas da Amazônia, seqüestram apenas 1,0 tonelada/hectare/ano de Co2, reduzindo para ¼ em anos com poucas chuvas. Outros citam apenas 0,6 tonelada/ha/ano de seqüestro total por florestas da América do Sul (Universidade de Leeds - Reino Unido). Já em florestas cultivadas com média 1.600 árvores/ha seqüestra-se entre 6,9 e 7,2 ton.C/ha/ano, sendo que existem locais de florestas nativas da mata atlântica no sul da Bahia com elevada biomassa e capacidade de seqüestro superior à 36,0 ton.C/ha/ano. Em 2004, segundo Maestri et all, o eucalipto cultivado com alta tecnologia em locais com chuvas de 2.300 mm/ano conseguia seqüestrar, incrivelmente, 104,3 ton.C/ha/ano e, em locais com 800 mm/ano, cerca de 66,0 ton.C/ha/ano.

Notem, a titulo comparativo que, enquanto uma floresta densa comporta apenas 170 árvores adultas por hectare, possivelmente abatidas entre 40 e 50 anos (ou estarão apodrecidas, sendo queimadas pelos raios e/ou chuvas ácidas e/ou incêndios acidentais/criminosos); uma floresta cultivada comporta cerca de 1.600 árvores/ha a serem abatidas entre 6 e 8 anos e o cultivo de cana comporta cerca de 60.000 colmos (pés) por hectare, colhidos a cada 01 ano.

Assim, o seqüestro de carbono pela floresta Amazônica densa (1,0 tonelada) é ínfimo e significa menos de 15,0% do arresto pela floresta cultivada (7,0 toneladas) e ainda 0,2% da captura pelo eucalipto cultivado com alta tecnologia (média de 85,0 ton.C/ha/ano. É importante não se confundir seqüestro de carbono (que é a retirada de carbono da atmosfera e a sua fixação nas folhas, galhos, troncos e raízes) com a estocagem de carbono (que é o volume total guardado anteriormente pelas florestas, solos e oceanos). Aliás, sabe-se hoje que o carbono estocado pelos oceanos que ocupam 2/3 da terra - e seus poderosos fitos-plânctons que também dependem inteiramente de luz plena – representa 20,0 vezes mais do que o carbono estocado nas florestas do planeta. Já os solos estocam 3,5 vezes mais do que tais florestas.

Com isto, para o IMPA, a Floresta Amazônica somente está seqüestrando 250,0 milhões de toneladas de gás carbônico por ano (Revista Science no 282). Já outros estudos do Prof. Dr. Baldicero Molion da UFAL apontam para seqüestro de 850,0 milhões de ton.C/ano. Contudo, considerando-se a média de 550,0 milhões de t C/ano, este volume de seqüestro pela Floresta Amazônica só representa 7,6% das 6,7 bilhões de t. C de emissões anuais.
 
A titulo comparativo - segundo a Universidade de Princeton (EUA) descrito na revista Science - as florestas dos EUA e do Canadá, a maior parte cultivadas, estariam seqüestrando cerca de 1,7 bilhão de ton.C/ano, iguais a 90% da emissões anuais somadas dos dois países e a 25,4% das emissões anuais pelo Planeta.

Restam somar os seqüestros pelas demais florestas do Planeta e os, pelo menos, 1,5 bilhão de ton.C/ano de seqüestro pelos oceanos.

Para a Universidade de Aberdeen - citados por Assad e Pinto do INPE/CPTEC -, exceto as florestas nativas, todos os cultivos do Mundo (florestas cultivadas, pastagens, cana, grãos etc..) têm potencial para seqüestrar 6,0 bilhões de ton.C/ano, ou seja, volumes quase iguais às emissões atuais admitidas de 6,7 bilhões de ton.C/ano.

Assim, além da alta significância ambiental - pelo elevado seqüestro de carbono e pelos bons resultados socioeconômicos obtidos - é muito importante ambientalmente dinamizar-se no Brasil: a) o Manejo Florestal Sustentado nas áreas das matas densas; b) os reflorestamentos das áreas degradadas com árvores nobres e lentas para a produção de madeiras (mogno e outras); c) o cultivo de árvores rápidas como o eucalipto para produção de madeiras, celuloses e, principalmente, carvão, também nas áreas degradadas, mas com chuvas mínimas de 700 m.m./ano; c) a implantação de palmáceas e de outros cultivos para biodiesel, da mesma forma e d) plantios de cana para produção de etanol ou açúcar nas novas áreas e nas áreas degradadas. No caso do carvão vegetal, é urgente proibir-se a produção a partir da queima de florestas, de cerrados e das caatingas - principalmente em fornos desumanos e anti-sociais como os “iglus” – e só liberar-se as produções de carvão a partir de florestas cultivadas. Pode-se utilizar o eucalipto ou outras espécies rápidas como teca, guanandi, paricá, atriplex, bracatinga etc., seja utilizando a árvore completa em regiões com chuvas de 700 a 900 m.m. ou os galhos e a serrapilheira nas áreas com chuvas acima de 900 m.m., ficando neste caso o tronco para a produção de celulose, chips para aquecimento e produção de gases raros etc..

No caso da cana, para o Prof. MS Celso Foelkel - agrônomo e mestre em ciências pela New York University e Siracuse University - “quanto mais folhas uma planta possui, maior é sua capacidade de realizar a fotossíntese e as evapotranspirações. Existe um indicador de área de folhas para as culturas vegetais que é o Índice de Área Foliar IAF. O IAF consiste na relação entre a área total de folhas da cultura dividida pela área de terra ocupada por ela. É expresso em m² de folhas por m² de área de solo. No caso dos eucaliptos, ele varia de 1,5 a 4,0 (média de 2,7). Para pastagens vigorosas e cana de açúcar varia entre 3,0 e 8,0 (média de 5,5), portanto o dobro do eucalipto. Uma pastagem bem degradada tem poucas folhas e muito solo exposto e por isso seu IAF varia de 0,5 a 1,0 (média de 0,7)”.

Assim, o cultivo de cana sem queimadas e com produção de 100,0 a 200 toneladas de massa bruta por hectare/ano (cana + folhas + raízes) tem capacidade de fotossíntese pelo menos 5 vezes maior do que a floresta densa. A cana é retirada para a produção de etanol e açúcar e o bagaço segue para queima total e substituição da energia elétrica produzida pela queima de derivados de petróleo. Já as folhas e raízes são reincorporadas ao solo, reduzindo o uso com fertilizantes, e a vinhaça – rejeito do processo industrial - é tratada e aspergida sobre as plantas, novamente reduzindo o consumo de fertilizantes.

Considerando todo o ciclo de seqüestro de carbono pela lavoura de cana e soja, estudos da COCAMAR apontaram que haveriam retiradas de 5,7 milhões de t de Co2/ano da atmosfera.

Entre 1988 e 2003, a cana muito contribuiu para a retirada de carbono da atmosfera de 118 municípios da região nordeste de São Paulo, conforme estudos da EMBRAPA em 2008. Na área avaliada de 51,7 mil quilômetros quadrados houve aumento de 60% do Co2 retirado da atmosfera e incorporado na fitomassa, passando de 170 milhões para 270 milhões de toneladas de carbono/ano somente naquela Região. As áreas com cana elevaram em 11% a quantidade de carbono retirado da atmosfera na Região. Segundo o Prof. Dr  Evaristo Eduardo de Miranda, da Embrapa Monitoramento por Satélite, “a franca expansão do cultivo da cana pelos produtores atuais já estava recuperando quase 1/4 do carbono emitido por seus antepassados”.

Então, a cana em crescimento, além de consumir muito mais Co2 por ha - do que a floresta adulta e densa - reduz, significativamente, os problemas ambientais no Mundo sob 3 formas: a) ao produzir etanol, que tanto serve para consumo direto nos veículos como para adição à gasolina, em substituição aos altamente poluidores MTBE - derivado de chumbo - e o dióxido de enxofre, ambos necessários à mistura combustível como “detonantes”; b) ao gerar energia elétrica pela queima do bagaço e com substancial potencial de crescimento e substituição das termoelétricas, movidas por derivados de petróleo; c) ao liberar restos culturais e “vinhaça concentrada” para incorporação aos solos, reduzindo o uso de fertilizantes, boa parte oriundos do petróleo.

Em julho de 2009, estudo divulgado pela OCDE constatou que - comparativamente aos outros cultivos energéticos mais utilizados em outros países - o etanol brasileiro foi o que mais reduziu Co2 e os outros gases do “efeito estufa”. Segundo tal estudo, o etanol de cana permitiu uma diminuição entre 70% e 90% das emissões de Co2 em comparação com os usos dos combustíveis derivados de petróleo. Já no biodiesel - mais utilizado na U.E. - a diminuição possível ficou entre 40% e 55%. O pior foi o etanol de milho – muito fabricado nos EUA – e que reduziu entre 20% e 50% das emissões, com média de 35%.

Estima-se que com uma produtividade média de 6,0 mil litros de etanol por hectare de cana poder-se-ia produzir em 14,0 milhões de ha cerca de 50,0 bilhões de litros/ano (o dobro da produção atual) equivalentes a 880 mil barris de petróleo por dia e com apenas 1,7% do nosso território (851,0 milhões de ha). Atualmente, a safra de etanol chega a 25,0 bilhões de litros/ano, representando cerca de 57% do resultado do cultivo atual de 7,9 milhões de ha de cana, ficando o restante para o açúcar.

Também, a queima do bagaço de cana de todos os produtores para açúcar e álcool no Estado de São Paulo permitiria gerar o equivalente a 50% da potência de Itaipu – ou cerca de 100% com turbinas de alta eficiência - e sem a necessidade das onerosas linhas de transmissão ou de gasodutos. Além disso, atualmente, o bagaço da cana está sendo usado apenas para produzir energia elétrica, mas, em no máximo 2 anos, ele também poderá ser usado na produção de elevados volumes de etanol pela nova tecnologia de “hidrolise do bagaço”, praticamente dobrando a quantidade de etanol produzido por tonelada de cana (obviamente, sem gerar energia elétrica).

Assim, não há lógica socioeconômica e ambiental em proibir-se a expansão do cultivo de cana mecanizada, e sem queimadas, na Amazônia e outras Regiões e a pretexto do noticiado e “propagandeado” Zoneamento Econômico-Ecológico. Suspeita-se até que isto se deva à elevada pressão das ONGs estrangeiras e de ambientalistas “fariseus”, boa parte “mau informados“ e/ou “falsos nacionalistas”. Também, a cana mecanizada, além de quase não poluir, gera muitos empregos diretos nas usinas, destilarias, cultivos e ainda indiretos nos fornecedores, agentes etc. e, muito mais, pelo efeito renda nas cidades vizinhas.

Interessante é que, em 2008, o químico Dr. Nate Lewis do Instituto de Tecnologia da Califórnia apontou que se poderiam criar materiais capazes de realizar uma fotossíntese alternativa, produzindo hidrogênio a partir de água e de luz solar, isto é, sem plantas. Em julho/2009, segundo a BBC, cientistas da Universidade de Colúmbia (EUA) criaram uma árvore artificial que pode armazenar quase 1.000 vezes mais dióxido de carbono do que as árvores reais. Os galhos da nova invenção são semelhantes aos dos pinheiros, mas com uma estrutura de plástico especial capaz de capturar Co2. As árvores normais armazenam o gás em seus tecidos, mas a invenção armazena num filtro que depois o comprime, transformando-o em líquido. Cada “árvore” armazena em torno de 01 tonelada de dióxido por dia e que pode ser enterrado posteriormente. Resta levantar qual o custo e, sobretudo, o montante e o nível de retorno dos investimentos necessários. Se for verdade como tudo indica, e viável economicamente, não haveria mais pressões ambientais sobre as florestas, restando ótimos componentes socioeconômicos e aí o que seria das ONGS?

Contudo, o Mundo continuará necessitando de muito mais energia e se possível renovável como é caso do etanol de cana e do biodiesel.

Concluindo, a outra desculpa para se proibir a expansão do cultivo de cana - que é a não invasão de terras para a produção futura de alimentos - também não cola, ou é outra burrada. Hoje, nossa área total de cana comercial só atinge 7,8 milhões de hectares (ante 47,6 milhões de ha dos grãos atuais) e ainda há 206,0 milhões de ha de áreas disponíveis para plantios, sendo 100,0 de pastagens degradadas e 106,0 milhões ainda sem cultivos. Mesmo se quintuplicarmos a área atual de cana - chegando a 40,0 milhões de hectares de cana, abastecendo o Mundo de etanol e gerando boa parte da energia elétrica interna - isto nada interferiria na produção de grãos e alimentos pelo Brasil, vez que ainda sobrariam 186,0 milhões de ha para os grãos e outros cultivos. Por outro lado, as produtividades médias alcançadas pelos grãos ainda são baixas - exceto em soja – e a produção poderá crescer muito e somente pelos ganhos de rendimentos.

Em julho/2009, estudo da própria WWF Brasil apontou que “a crescente procura por produtos derivados da cana de açúcar, como o etanol, não deve implicar em maiores desmatamentos. O trabalho também indicou que a Região Centro-Sul é fundamental neste processo, pois a expansão da cana de açúcar deverá acontecer principalmente naquela Região e que já dispõe de infra-estrutura logística para o escoamento, tanto da produção de açúcar como de etanol. Os principais responsáveis pela expansão da cultura no Centro-Sul seriam Goiás e Mato Grosso do Sul".

O estudo mostra ainda que naqueles Estados não há necessidade de expansão da cana sobre a vegetação nativa, mesmo se considerando uma eventual procura explosiva por etanol no mundo. "A existência de muitas áreas de pastagens degradadas será suficiente para suportar a expansão projetada para a agricultura naquelas regiões", diz a WWF.

ASSIM, ESQUECENDO O LADO SOCIOECONOMICO MAS AMBIENTALMENTE FALANDO, SERIA UMA IMENSA BURRADA CIENTIFICA IMPEDIR A AMPLIAÇÃO DAS ÁREAS DE CANA NO PAÍS.

Prof. Clímaco Cézar
AGROVISION – Brasília (DF) – agosto de 2009
[email protected].

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Fonte:
Prof. Clímaco Cézar de Souza

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4 comentários

  • Enito Molinari Vila Velha - ES

    Em parte concordo, mas tb. discordo,de algumas exposições a respeito. Primeiro: falta preparo e seriedade no País, isto é: jeitinhos e magematicas se tornarão corriqueiras, inclua-se as explicações politicas confundidas como soluções. Segundo; Não vi uma ampla sustentabilidade da biodiversidade, um tesouro cientifico bastante desconhecido, precisa estar integrado. Vamos falar tb dos pequenos e medios produtores, eternamente sacrificados sem garantia de preços minimos e cobertura securitária dos riscos naturais. Some-se a isso a baixa produtividade, motivo de controversia na lei ambiental. Deve o poder publico remunerá-los pela preservação, além de transferir tecnologias permanentes para ganhos de produtividade, passivel de ser superior as discutidas perdas dos 20%. O caminho não deixa duvidas: PRODUÇÃO COM SUSTENTABILIDADE. O grande esbarro está na disponibilidade intelectual da sociedade, em conhecimentos gerais e especificos para lidar com tais problemas a antecipar-se aos fatos.

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  • Roque Luiz Rhoden Sinop - MT

    Prof. Climaco, otima explançao e parabens. Gostaria que enviassem essa materia a Globo, dona da WWF (ong) e socia nao sei de qtas ONGs, para que a Comentarista Miria Leitao pudesse ter um conhecimento REAL da Amazonia e ter um conhecimento mais CINETIFICO nao só emocional que ela tem.

    Asisti recentemente ao Video sobre essa matéria. Nao estou mais achando/encontrando esse video.

    Parabens Prof. pela sua audácia e estudo sobre o meio ambiente. continue assim.

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  • Climaco Cézar de Souza Taguatinga - DF

    Muito obrigado Paulo e parabéns pelo conhecimento cientifico e debate racional. A ignorância e paixoes ambientais estão regredindo alg. pessoas. Nesta semana, respondi 3 ongueiros sobre o artigo/questão ambiental: 1)os bois bebem muita água e colaboram para esgotar recursos hidricos e gerar muito metano! Mostrei que o boi urina/sua 100% da água que bebe e que vai para o lençol freático/ar ureia para o solo; um adubo; alem disso, do metano total emitido, bois só expelem 3% e os homens e suas ações, 97%; 2) as florestas densas têm animais e biomas, ou seja, vida e, assim, não se pode derrubar arvores adultas ! Respondi que pelo baixo nivel de luz, muito calor e altissima umidade, os animais da floresta densa tem poucos cios/ovos e inferteis e as reproduçoes ocorrem hoje em zoologicos e parques. Além disto, os animais estão mais livres nos campos, enquanto homens migram para cidades. Também, nas cidades proximas a matas, muitos homens morrem por doenças exoticas vindas daqueles animais.

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  • Paulo Luís Gonçalves Campelo Belo Horizonte - MG

    Professor Clímaco, infelizmente, essa seria apenas mais uma burrada entre tantas outras que as nossas autoridades vêem cometendo. Na minha opinião, a pior coisa para um País é a concentração de poderes nas mãos de pessoas desinformadas. Um exemplo é a polêmica informação de que a atividade agropecuária do Brasil contribui para o acréscimo da emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera, é difícil dormir com um barulho desse, o gás que o boi solta, seja lá de que forma for, um dia foi capim, que para se desenvolver, a exemplo das árvores e dos canaviais, precisou retirar moléculas de Carbono da atmosfera para a constituição das paredes celulares dos seus tecidos, está muito claro que o que ocorre aí é um ciclo que se fecha. Definitivamente, a única forma de reduzir efetivamente a emissão de gases de efeito estufa para a atmosfera é promovendo a redução gradativa até a nossa total independência de utilização de combustíveis fósseis.

    Um forte abraço, ótimo artigo.

    Paulo Campelo.

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