Mercado de café: FÍSICO CALMO E FUTURO INDEFINIDO

Publicado em 11/12/2011 19:50 304 exibições
*Rodrigo Corrêa da Costa escreve este relatório sobre café semanalmente como colaborador da Archer Consulting


As agências de classificação de risco, que tantas críticas sofreram por não terem avaliado propriamente a situação das instituições em 2008, têm se mostrado mais ativas neste ano. Uma delas nesta semana além de rebaixar notas de alguns bancos europeus, também ameaçou diversos países da União Européia em colocá-los em revisão-negativa.

Os mercados acionários entretanto se contentaram com as medidas do Banco Central Europeu em prover crédito ilimitado durante 36 meses para os bancos da zona do Euro, cortar o requerimento de reservas bancárias em 1% e incrementar o número de ativos aceitos como colateral para empréstimos cedidos pelo próprio BCE. 

Os índices das commodities por outro lado cederam nos últimos cinco dias, pesando com o desempenho negativo de 7.45% do gás-natural, 6.33% do trigo, 4.63% do cacau, e 4.31 do suco de laranja. Na verdade dos componentes do CRB só o níquel subiu na semana.

O café em Nova Iorque não saiu de dentro do intervalo entre US$ 225 e US$ 240 centavos, mais uma vez devolvendo ganhos de uma sessão para a outra, com volumes negociados relativamente baixos.

Com a proximidade das festas do final de ano, com diversos jantares e comemorações acontecendo, e uma movimentação fraca nas origens, nos dá a impressão de que as necessidades de compras e vendas no mercado físico estão equalizadas para as próximas semanas.

A divulgação das exportações brasileiras de 2,99 milhões de sacas em novembro, geraram mais uma rodada de discussões com relação ao tamanho da safra-corrente, e por consequência do potencial da seguinte. Os baixistas apontam para o fato dos embarques nos cinco primeiros meses do atual ano safra serem o 2º maior da história, acima inclusive de Jul-Nov de 2002. 

Os altistas contra argumentam que o volume alto exportado até agora, tornará ainda mais apertado o quadro na primeira metade de 2012, já que as exportações cairão muito. Apenas para referência, na safra 02/03 o país exportou 29.49 milhões de sacas, número que se repetido não causa sobras significativas.

Outro país que deve exportar bastante é o Vietnã, que em dezembro deve embarcar algo próximo de 2.5 milhões de sacas.

Do lado dos suaves os números absolutos de exportação ficam pequenos, ainda que percentualmente o incremento de um ano a outro seja grande, como por exemplo Honduras, que no mês passado embarcou 123 mil sacas, bem mais do que os 40 mil exportados no ano anterior. 

A Colômbia deve decepcionar mais uma vez, com a produção de 11/12 eventualmente nem chegando à casa dos 8 milhões de sacas. 

Como o amigo leitor pode notar, não há muito a ser falado de novo. Embora as commodities tenham aparentemente descolado um pouco do movimento de outros ativos de risco, creio que inevitavelmente o macro continuará influenciando.

Tecnicamente o mercado está vacilando demais para subir, mesmo com fundos montando uma pequena posição comprada, o que não é muito animador. Mesmo assim os US$ 220 centavos continuam intactos, e o Euro, sabe-se lá o porquê, tem se mantido firme. 

Portanto, ficar vendido não parece uma posição confortável.

Uma ótima semana e muito bons negócios para todos,
Rodrigo Costa* 

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Archer Consulting

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