Consumo de café entre os brasileiros sobe para 4,88 kg/per capita

Publicado em 24/01/2012 17:55 896 exibições

O mercado interno de café continuou crescendo em 2011, conforme revela o estudo “Indicadores da Indústria de Café no Brasil – Desempenho da Produção e Consumo Interno – 2011”, realizado pela área de Pesquisa e Informações da ABIC – Associação Brasileira da Indústria de Café. No período compreendido entre Novembro/2010 a Outubro/2011, a entidade registrou o consumo de 19,72 milhões de sacas, o que representou um acréscimo de 3,11% em relação ao período anterior (Novembro/2009 a Outubro/2010), que havia sido de 19,13 milhões de sacas. Foram industrializadas 590 mil sacas a mais neste período de 12 meses. 


De acordo com o Américo Sato, presidente da ABIC, as empresas associadas que participam deste levantamento, informando os volumes produzidos mensalmente, mostraram uma evolução mais significativa do que o restante do mercado: de 6,32% em relação a 2010. “Este resultado, que mostra que as empresas associadas da ABIC cresceram mais do que o valor total do mercado, indica que elas estão oferecendo produtos mais diferenciados, de melhor qualidade, e muitas trazem os símbolos de certificação ABIC, como o Selo de Pureza ou o Selo de Qualidade PQC – Programa de Qualidade do Café, o que parece atrair mais os consumidores, fazendo com que o seu desempenho seja melhor”.

Já as empresas não-associadas à ABIC, segundo Marcio Reis Maia, diretor da área de Pesquisas e Informações, tiveram pior desempenho. “As estimativas colhidas no mercado mostram que essas empresas, que não possuem as certificações da ABIC, não cresceram seus volumes, ao contrário, diminuíram em cerca de 0,5% no total, o que levamos em consideração neste estudo sobre o consumo interno”.

Mais café, novos preparos – “Os brasileiros estão consumindo mais xícaras de café por dia e diversificando as formas da bebida durante o dia, adicionando ao café filtrado consumido nos lares, também os cafés expressos, cappuccinos e outras combinações com leite”, diz Américo Sato. É o que mostra o levantamento da ABIC: o consumo per capita foi de 6,10 kg de café em grão cru ou 4,88 kg de café torrado, quase 82 litros para cada brasileiro por ano, registrando uma evolução de 1,45% em relação ao período anterior.

Esse consumo de 4,88 kg/ano também supera o recorde de 1965, que foi de 4,72 kg/hab./ano, tornando-se o maior já registrado no Brasil. Continua sendo igualmente maior que o consumo da Itália, da França e dos Estados Unidos. Os campeões, entretanto, ainda são os países nórdicos – Finlândia, Noruega e Dinamarca – com um volume próximo dos 13 kg por habitante/ano.

Em 2011, pesquisa do IBGE (POF), também indicou que o café é o alimento mais consumido diariamente por 78% da população acima de 10 anos, com o consumo per capita igual ao apurado pela ABIC, e maior na região Nordeste, seguido do Sudeste (255 ml/dia ou 93 litros/habitante/ano).

Concorrência – O crescimento de 3,11%, apesar de positivo, foi menor do que o esperado pela ABIC em suas previsões iniciais, que era a taxa média em torno de 4% a 5% ao ano. “As razões desta redução devem ser mais pesquisadas, mas podem estar relacionadas com o crescimento do consumo de produtos concorrentes no café da manha no lar”, avalia Márcio Reis Maia. Enquanto a penetração do café no consumo doméstico permaneceu elevada (95%), mas estável, os outros produtos ou categorias novas cresceram acima de 20%, como foi o caso do suco pronto (24%) e as bebidas à base de soja (29%), segundo pesquisas complementares da Kantar Worldpanel.

Com isso, os consumidores diminuíram seus gastos de 87%, em 2005, para 80%, em 2010, na compra dos produtos básicos do café da manha (pão, margarina, biscoito, café com leite), enquanto nas novas categorias (suco pronto, bebida soja, cereal matinal) esses gastos cresceram de 13% para 20% no mesmo período (fonte: Kantar Worldpanel). “Essas categorias de maior valor agregado desafiam a indústria de café para a inovação e para a retomada de índices de crescimento maiores, o que pode ocorrer com a oferta de cafés de melhor qualidade, diferenciados e certificados”, afirma Américo Sato.

Pesquisas complementares, por sua vez, mostraram aumento do consumo de café extra-forte: de 15% em 2007, para 19,6% em 2010. “Nesse tipo de café o rendimento é maior, isto é, usa-se menos pó para preparar o café filtrado. Isto pode também ser uma das razoes para o crescimento menor em volume de café em 2011”, pondera Márcio Reis Maia.

“A melhora da qualidade é o motor do consumo”, frisa Sato, lembrando que essa é a bandeira da ABIC desde 1989, quando a entidade lançou o Programa do Selo de Pureza anunciando que pretendia reverter a queda no consumo de café que havia à época, por meio da oferta de melhor qualidade ao consumidor. “O Selo de Pureza foi o primeiro programa setorial de certificação de qualidade em alimentos no Brasil. Atualmente ele certifica 1.082 marcas de café e já realizou mais de 52.000 análises laboratoriais nesses 22 anos de existência e desde seu lançamento o consumo vem crescendo”. Em 2004, a ABIC criou o PQC - Programa de Qualidade do Café, que hoje é o maior e mais abrangente sistema de qualidade e certificação para café torrado e moído, em todo o mundo. O PQC certifica e monitora 434 marcas de café, sendo que 100 são de cafés Gourmet, de alta qualidade.

Meta 2012 – Para 2012, a ABIC projeta um crescimento de 3,5% em volume, o que elevaria o consumo para 20,41 milhões de sacas. “A perda de produção de cafés arábicas em países importantes como Colômbia e Guatemala, com redução de estoques mundiais e no Brasil, junto com consumo mundial crescente, irá pressionar os preços da matéria-prima, especialmente no primeiro trimestre do ano”, diz Américo Sato. Em 2011, os preços do café nas prateleiras de supermercados de São Paulo, iniciaram Janeiro com o valor médio de R$ 11,12/kg e encerraram Dezembro com R$ 13,26/kg, numa evolução de 19,2%, depois de ficarem estáveis por quatro anos. Neste mesmo período, o café em grão cru subiu mais de 70%, nos tipos mais usuais para a indústria. Para Sato,  “o café, entretanto, continua sendo um produto muito acessível aos consumidores, mesmo nas categorias de mais qualidade e maior valor agregado, como os cafés Superiores e Gourmet”.

Na avaliação da ABIC, as vendas do setor em 2011 podem ter atingido R$ 7,0 bilhões e a entidade espera que cheguem a R$ 7,7 bilhões em 2012. “Este ano, vamos continuar a estimular o aumento do consumo geral e a oferta de cafés diferenciados, ampliando a adesão das empresas aos diversos programas de qualidade e certificação da entidade”.

A meta da ABIC para o consumo interno atingir 21 milhões de sacas, proposta em 2004, deverá ser atingida somente em 2013. “Com a economia brasileira sendo impulsionada em 2012 e as previsões que se fazem para o crescimento do PIB, do consumo das classes C, D e E, mais a previsão de que as classes A e B poderão crescer 50% ate 2015, é natural que o consumo do café siga crescendo”.


Oeste da Bahia deverá produzir 567,5 mil sacas de café em 2012

Durante o mês de janeiro foi realizado levantamento junto ao setor produtivo de café. Através de contatos telefônicos ou e-mail, foram consultados os responsáveis, gerentes ou técnicos das fazendas dos 36 cafeicultores da região Oeste da Bahia.

Com uma área total de 15.330 hectares de café arábica sendo cultivado, poderá chegar a 15.530 até março, a depender de algumas definições de cafeicultores. Para este levantamento foram computados 1.057 hectares em formação e 1.259 hectares em processo de renovação via poda ou recepa.

Desta forma, para a safra 2012 estarão em produção 13.014 hectares, o que resultará numa produção de 567.503 sacas, permitindo elevar a média regional para 43,6 sc/ha. Esta produção, comercializada sob patamares médios de R$ 430,00 /sc, movimentará aproximadamente R$ 244.026.290,00, equivalente ao Valor Bruto da Produção do café.

Em relação aos municípios produtores, os números estão apresentados nos gráficos abaixo.

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ABIC/Abacafé

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