CAFÉ: CNC analisa o mercado e conclui: Brasil deverá registrar um curtíssimo estoque de passagem

Publicado em 25/02/2012 03:49 883 exibições
Com informações do CNC (+ artigo da Reuters)

A cotação do café apresentou leve recuperação nesta semana. Até o fechamento deste informativo, no final da manhã desta sexta-feira (24), o contrato maio/12 da Bolsa de Nova York operava a 203,85 centavos de dólar por libra peso. Se compararmos com o preço médio praticado no pregão de NY durante o ano de 2011, que foi de 227,50 centavos – de acordo com dados da OIC –, a cotação atual do contrato maio/12 está 11% abaixo da média praticada no ano anterior.

 

O Departamento do Café do Ministério da Agricultura divulgou, nesta quinta-feira (23), o Informe Estatístico do Café referente a janeiro de 2012. O documento comunica que as exportações totais atingiram 2.170.044 sacas no primeiro mês deste ano, representando queda de quase 1 milhão de sacas — ou 28,66% — em relação ao volume apurado em dezembro de 2011, quando foram exportadas 3.041.702, e de 21,76% na comparação com o montante embarcado no primeiro mês de 2011 (2.773.503 sacas). 


Estes números confirmam as informações de nossa análise de mercado da semana passada, demonstrando que realmente o volume disponível para exportação até a entrada da próxima safra é escasso, e que o Brasil deverá registrar um curtíssimo estoque de passagem.

 

Outro dado interessante é que os produtores aproveitaram muito bem os bons preços praticados pelo mercado no ano passado, tendo comercializado, até o final de dezembro, aproximadamente 80% da safra 2011. Por outro lado e como consequência do bom aproveitamento das condições de mercado pelos produtores, as indústrias aumentaram seus estoques no segundo semestre.

 

Duas interrogações fundamentais irão ditar o ritmo dos preços nos próximos meses:

 

- Em quanto as grandes indústrias irão reduzir suas compras e diminuir seus estoques até a entrada da safra brasileira (sabendo do risco sempre presente do frio intenso na entrada do inverno nas regiões de montanhas, que produzem os cafés que estão mais escassos no mercado)?

 

- Qual a disposição e a necessidade dos produtores, que já comercializaram cerca de 80% de sua safra, em ceder aos níveis atuais praticados nas bolsas?

 

A queda do volume comercializado neste início do ano mostra, aparentemente, uma resistência dos cafeicultores brasileiros em colocar no mercado o saldo de sua safra nos preços atuais.


Na Reuters: Fãs de café na China vão sorver os estoques globais? 

A China, tradicionalmente uma nação de fãs do chá, aumentou o seu consumo de café em cerca de 20 por cento ao ano nos últimos anos, provocando especulação sobre o possível impacto do país nos estoques globais.


    A China é um produtor e consumidor marginal de café, com a produção e o consumo razoavelmente equilibrados em cerca de 50.000 toneladas, comparados com a produção global de cerca de 9 milhões de toneladas, segundo fontes da indústria.

    Previsões agressivas de consumo feitas pela província de Yunnan, a principal região de cultivo, sugerem que a China possa precisar importar um total líquido de 300.000 toneladas de café por ano até 2020, mas outros números da indústria esperam que o consumo e a produção fiquem ainda mais equilibrados.

    No entanto, as importações ainda devem crescer. A maior parte da produção da China é exportada para a mistura com grãos de qualidade superior, enquanto o país produz apenas uma única variedade, um grão híbrido de arábica e robusta, e precisa importar todas as outras variedades.

 

    QUAL É A ATUAL PRODUÇÃO DE CAFÉ DA CHINA?

    A China atualmente produz cerca de 50.000 toneladas de café por ano, quase tudo na província de Yunnan, responsável por 99 por cento das áreas do país. Isso em comparação com cerca de 1,3 milhão de toneladas no vizinho Vietnã, o segundo maior produtor do mundo depois do Brasil.

    Os cafeicultores em Yunnan plantaram 670.000 mu (ou 44.600 hectares) no ano passado, quase 30 por cento a mais do que em 2010, segundo dados da Federação de Cafeicultores de Yunnan.

    Mas a produção total caiu para 41.000 toneladas em 2011 apesar da expansão da área plantada por causa de uma seca e também porque é preciso três anos para que um pé de café recém-plantado se torne produtivo.

    A produção deve alcançar as 55.000 toneladas em 2012, disse Dong Zhihua, o secretário-geral da federação.

 

    QUAL É O CONSUMO ATUAL DA CHINA?

    A estimativa de consumo varia bastante dentro da indústria, de 30.000 toneladas até 80.000 toneladas, segundo diferentes fontes.

    A China importou 39.000 toneladas de grãos de café verde no ano passado, 25 por cento a mais do que em 2010.

 

    QUAL É O CENÁRIO PARA A PRODUÇÃO DE CAFÉ A LONGO PRAZO?

    A província de Yunnan tem por objetivo impulsionar a cessão de terras para a plantação de café para 66.660 hectares até 2015 e 100.000 hectares até 2020, segundo o Plano de Desenvolvimento da Indústria do Café 2010-2020, divulgado em conjunto pela seção de Yunnan da Comissão de Reforma e Desenvolvimento Nacional e pelo departamento agrícola local no ano passado.

    A área expandida para o café viria em sua maior parte de regiões montanhosas atualmente estéreis e de terras usadas para outras plantações, como de árvores frutíferas, milho, noz e chá.

    Mas mesmo no melhor cenário a China iria produzir apenas cerca de 100.000 toneladas de grãos até 2015 e 200.000 toneladas até 2020, dizia o plano.

    "(Nós) vamos enfrentar algumas dificuldades em cumprir os objetivos de 2015/2020. Mas a possibilidade de alcançar os objetivos é alta se os preços (do café) permanecerem relativamente estáveis", disse um funcionário sênior da Associação da Indústria do Café.

    Outros participantes da indústria disseram que os objetivos de Yunnan eram otimistas demais, já que a topografia da China significa que as colheitas dos grãos só poderiam ser feitas manualmente, o que aumentaria os custos.

 

    COMO O CONSUMO VAI MUDAR NA CHINA?

    Previsões agressivas da província de Yunnan colocaram a demanda em 200.000 toneladas até 2015 e em 500.000 toneladas até 2020, com base na expectativa de melhora no padrão de vida e de uma maior adoção da cultura ocidental.

    Isso faria com que a demanda superasse em muito a oferta, o que levaria a um enorme aumento nas importações de café.

    Se o crescimento se mantiver na taxa atual de 20 por cento ao ano, registrada nos últimos anos, o consumo atingirá uma quantia mais modesta de 80.000 toneladas em 2015 e de 200.000 toneladas em 2020.

    "O consumo médio de café na China é de três xícaras por pessoa ao ano, enquanto a média mundial é de 240 xícaras, então há muito espaço para melhorar", disse Ji Ming, presidente da Associação da Indústria de Café de Pequim.

    Embora as redes de café mundiais como a Starbucks Corp. estejam se expandindo de forma agressiva na China, os participantes da indústria dizem que o crescimento real vai precisar vir da indústria local e de uma cultura local de café.

    (Reportagem de Zheng Xiaolu e Ken Wills)

    ((Tradução Redação São Paulo 55 11 56447751))

    REUTERS RS

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Fonte:
CNC / Reuters

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