Dilma para Veja: "não há crise nenhuma"....

Publicado em 25/03/2012 07:52 e atualizado em 25/03/2012 17:19 656 exibições

Dilma para Veja: "não há crise nenhuma". 

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Na véspera da viagem para a Índia, que começa na noite deste sábado, ameaçada de perder na votação do novo Código Florestal e com uma base de apoio no Congresso cercada pela desobediência, a presidente Dilma Rousseff acha que não há crise nenhuma no governo, segundo entrevista que concedeu à revista Veja desta semana. "Não há crise nenhuma. Perder ou ganhar votações faz parte do processo democrático e deve ser respeitado. Crise existe quando se perde a legitimidade. Você não tem de ganhar todas. O Parlamento não pode ser visto assim. Em alguma circunstância sempre vai emergir uma posição de consenso do Congresso que não necessariamente será a do Executivo", disse a presidente.

A rebelião na base aliada deve-se, principalmente, ao corte de R$ 18 bilhões nas emendas dos parlamentares ao Orçamento da União no ano em que serão renovadas as prefeituras e as câmaras municipais. Os aliados reclamam ainda, como sempre, de que não conseguem nomear afilhados para cargos no governo e nas estatais. Na entrevista, Dilma disse que não é do "toma lá dá cá" que vem sendo praticado no País, a partir do governo de José Sarney (1985/1990). "Não gosto e não vou deixar que isso aconteça no meu governo", disse a presidente à Veja. Segundo ela, isso não teve nada a ver com a troca de líderes do governo no Congresso. Ela tirou o senador Romero Jucá (PMDB-RR) e o substituiu por Eduardo Braga (PMDB-AM) e também trocou o deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP) pelo ex-presidente da Câmara Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Dilma disse na entrevista que é "facílimo" substituir Lula (o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva). Lembrou que foi ministra da Casa Civil por cinco anos e que aprendeu muito com Lula despachando com ele "dezenas de vezes por dia". Para ela, Lula é o responsável por uma nova ordem mundial. "Lula teve momentos de gênio na política e um carisma que nunca vi em outra pessoa". Nem por isso, os dois sempre concordam, segundo disse a presidente na entrevista à revista Veja.

Perguntada se tem dificuldades em discordar do ex-presidente, ela disse que não tem "nem um pouco". E lembrou que os dois já divergiram muito no passado, mas que no essencial sempre concordaram. "Eu tenho uma profunda admiração por ele e uma profunda amizade nos une". Dilma afirmou que Lula "é uma pessoa divertidíssima, com uma capacidade de afeto descomunal".

No auge da crise com a base aliada, o ex-presidente Fernando Collor fez um discurso no Senado no qual alertou Dilma de que perdera o cargo em 1992 por falta de sustentação no Congresso. A presidente disse à Veja que não leu o discurso. "É preciso ter em mente que as grandes crises institucionais no Brasil ocorreram não por questiúnculas, pequenas discordâncias entre o Executivo e o Legislativo. As grandes crises institucionais se originaram da perda de legitimidade do governante".

Rio+20, um evento sob medida para brecar o desenvolvimento do Brasil.

A Rio+20 vai trazer os maiores inimigos do Brasil para dentro do Brasil. Se o governo brasileiro não der um basta a tudo que está sendo armado, o nosso país poderá ter o seu crescimento barrado pelo terrorismo ambientalista. É sinistrose? Não. Abaixo, noticia publicada em O Globo.

A ativista social e ambiental Bianca Jagger criticou duramente a construção da usina hidrelétrica de Belo Monte, no Pará, e pediu que a presidente Dilma Russeff desista do projeto. Para ela Belo Monte terá efeitos “catastróficos” para as comunidades locais do rio Xingu e causará “danos irreversíveis” ao meio ambiente. Bianca, que mantém uma fundação de defesa dos direitos humanos e é embaixadora da boa vontade do Conselho Europeu, palestrou hoje no último dia do 3º Fórum Mundial de Sustentabilidade. Para ela o governo vem ignorando os impactos ambientais e sociais da construção da hidrelétrica.

— Peço que os impactos dessas usinas sejam reconsiderados, pois trarão consequências irreversíveis para a vida dos povos indígenas e para o meio ambiente. Esse governo será conhecido como o governo que destruiu um patrimônio verde.

A ativista criticou duramente o governo brasileiro e disse que a sociedade está sendo enganada com relação aos verdadeiros impactos da construção da usina. — As famílias, os indígenas ao redor da área de construção da usina serão devastados. Eles falam que não vão afetar esses povos, mas eles mentem. Muitos indígenas serão afetados com a construção da usina. A ambientalista pediu que o governo de Dilma repense e considere outras alternativas de energia limpa e também criticou o posicionamento atual do governo brasileiro em consideração a Rio +20:

— Belo Monte deve sim ser parada mesmo que o processo de construção já tenha começado. Quando algo pode ter um impacto tão grande e tão negativo é preciso se repensar. Como o Brasil vai sediar um debate dentro da Rio +20 sem uma postura sustentável? Como vamos justificar e cobrar desenvolvimento sustentável se não praticamos? - questionou a ativista.

Congresso

Bancada "independente" na Câmara já supera oposição 

Partidos insatisfeitos deixam base sem aderir ao grupo oposicionista. Apesar dos números, o governo ainda parece subestimar a ameaça

Gabriel Castro

Uma nova força ameaça o governo Dilma Rousseff no Congresso: o bloco dos "independentes", que já soma mais deputados do que a oposição. PSD, PV, PTB, PR e PSC, nem aliados nem oposicionistas, somam 131 deputados. DEM, PSDB, PPS e PSOL, adversários do governo, apenas 94. Se a oposição não põe medo, o bloco da coluna do meio oferece mais perigo. À exceção do Partido Verde, que tem mantido a postura de forma coerente, as outras legendas do grupo preferem ficar em cima do muro apenas como forma de pressionar o governo e obter, entre outras benesses, a liberação de emendas parlamentares e a nomeação de aliados.

O florescimento desse terceiro bloco no Congresso não se deu por um único motivo, nem aconteceu da noite para o dia. Mas o governo parece ter subestimado o potencial de estrago do novo grupo. A aposta do Planalto de que legendas como o PR e o PTB não sobrevivem longe da base aliada até faz sentido. "Não sabemos fazer oposição", reconheceu na última semana o senador Magno Malta (PR-ES). A confissão é reveladora e mostra que grande parte dos partidos só conhece duas posturas: o apoio explícito e o apoio crítico. Esta segunda posição, entretanto, traz riscos para um Executivo acostumado a impor, sem grandes resistências, sua pauta ao Congresso. Foi o que se viu na última semana, durante a tentativa de votação da Lei Geral da Copa.

As regras do jogo - O debate parlamentar geralmente é maniqueísta: tudo o que não for a favor joga contra. Por isso, na prática, os independentes somam força com a oposição e podem derrotar o governo. Foi por esse motivo que a obstrução anunciada pela maior parte das legendas governistas na última quarta-feira foi suficiente para impor uma derrota ao Planalto. Parte das siglas se queixava da falta de diálogo do governo com o Parlamento. Outra parte exigia que o Executivo aceitasse o agendamento da votação do Código Florestal. O governo até tentou passar o trator por cima das insatisfações, mas a estratégia, que em outros tempos daria certo, teve como resultado uma derrota desmoralizante.

Enquanto o PV mantém a independência desde o início do governo, o PSD nasceu enfraquecendo a oposição, mas sem aderir formalmente ao governo – e o Planalto nunca pode contar com o voto de todos os seus 47 deputados. O PR, entretanto, deixou a base aliada depois de perder o Ministério dos Transportes. Aquilo que no princípio era uma neutralidade cordial foi se transformando num sentimento cada vez maior de enfrentamento: no Senado, o partido já é oposição. Na Câmara, a maioria dos deputados quer seguir o mesmo caminho, mas o líder Lincoln Portela (MG) ainda consegue frear os ímpetos. PTB e PSC, que se uniram num bloco informal na semana passada, também querem demonstrar força. Ambos se dizem sub-representados no Executivo e estão dispostos a dar o recado de forma incisiva.

Rebeldes - O problema não para por aí. Há partidos que, mesmo aliados, têm ensaiado rebeliões. Na numerosa bancada do PMDB, a revolta é explícita e foi formalizada por um manifesto assinado pela maior parte dos deputados, que pede mais espaço no governo. Os senadores da legenda ajudaram a rejeitar a recondução de Bernardo Figueiredo à Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT).

Sem um representante no Ministério do Trabalho, o PDT também se sente mais livre para trair. Os deputados do partido participaram da obstrução à votação da Lei Geral da Copa na última semana. O governo encontra ainda a resistência de ruralistas e evangélicos, grupos majoritariamente integrantes de partidos que apoiaram a eleição de Dilma Rousseff. Neste caso, a desavença é ideológica: os primeiros pedem a aprovação rápida do Código Florestal. Os outros criticam o governo por iniciativas como o chamado "kit-gay".

Há ainda uma outra explicação para o mau tempo no Congresso: a proximidade das eleições municipais e a falta de perspectiva de liberação de emendas parlamentares e de novas nomeações. "Qualquer desembolso que o governo vai fazer tem que ser feito até junho”, observa David Fleischer, cientista político da Universidade de Brasília (UNB). “Então os deputados começam a ficar muito ansiosos para liberar verbas para os seus redutos". Se a tese for verdadeira, os partidos hoje neutros devem se reaproximar do governo depois do pleito municipal de outubro. Mas Lincoln Portela (MG), líder do PR na Câmara, não vê necessidade: "Sinceramente, acho muito mais confortável ficar na independência", diz.

Depois das últimas movimentações na Câmara, o PT vê seu núcleo duro novamente reduzido ao PCdoB e os PSB, como ocorreu durante os longos anos em que o partido esteve fora do governo federal. É uma reviravolta para a presidente Dilma Rousseff, eleita com uma das maiores alianças já formadas na história republicana. Apesar do cenário negativo, a presidente ainda tem o controle da situação graças aos inúmeros mecanismo dos quais o governo dispõe para legislar e forçar os partidos a cumprir seus desejos. "A presidente tem muita margem de manobra", diz o professor Fleischer. “O governo pode, por exemplo, aprovar a Lei Geral da Copa sem liberar o consumo de álcool nos estádios e firmar um compromisso com a Fifa de, em 2014, resolver isso por Medida Provisória”.

Ameaçar retirar dos partidos o comando de outros cargos ou cortar ainda mais as verbas das emendas parlamentares são outras armas que podem ser usadas pelo Executivo. Talvez seja por isso que, mesmo depois da derrota da última semana, o governo não dá sinais de que vai mudar a forma como lida com o Congresso.

\ Congresso

O recado de Dilma

Maia: ligação direto da presidência

Nesse entrevero do Código Florestal e da Lei Geral da Copa na Câmara, Dilma Rousseff resolveu atropelar Ideli Salvatti e assumir ela mesma a negociação com os deputados. Na terça-feira à noite, Dilma telefonou a Marco Maia para dar-lhe um recado curto: ninguém na base está autorizado a marcar a data de votação do código.

Depois de se entender com Maia, ela fez o mesmo com Arlindo Chinaglia. A ordem de Dilma obrigou Maia a uma verdadeira ginástica verbal ontem. Enquanto a imprensa reproduzia declaração suas desafiando o Planalto e anunciado que marcaria a data da votação do código, na reunião de líderes, o próprio Maia avisava que só Dilma marcaria a data.

Por Lauro Jardim
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Veja

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