Vítima de problemas cardíacos, falece ex-presidente da Cotrijal em Porto Alegre neste domingo (15)

Publicado em 16/07/2012 12:01 e atualizado em 03/03/2020 17:40 602 exibições
Schimiedt
Faleceu neste domingo (15/07), em Porto Alegre, vítima de problemas cardíacos, o ex-presidente da Cotrijal Irmfried Otto Ingbert Harry Schmiedt, mais conhecido por Schmitão. 

Nascido em Não-Me-Toque, em 17.10.1933, formado em Agronomia pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, ele foi um dos membros mais antigos do quadro associativo e funcional da Cotrijal. Começou a trabalhar na cooperativa em 1963, assumindo logo a presidência, função em que permaneceu por 28 anos - de 1963 a 1985 e de 1989 a 1995. Depois desse período, continuou prestando serviços à cooperativa como gerente Comercial Grãos e conselheiro de Administração.

Uma breve história

Setembro de 1957 - Frente as condições favoráveis de estímulo à modernização da agricultura e estrutura fundiária existente na época, 11 produtores rurais de Não-Me-Toque fundam a Cooperativa Tríticola de Não-Me-Toque.

Entre esses pioneiros está Irmfried Otto Ingbert Harry Schmiedt, personagem importantíssimo nesse movimento que deu origem ao cooperativismo de produção e comercialização agrícola no Brasil. Os objetivos expressos pelos fundadores da Cooperativa materializam a dimensão econômica e mercantil da entidade, correspondendo à dinâmica de modernização produtiva, que vinha se desenvolvendo na região através da triticultura no meio rural.

O cenário onde transcorre a primeira década de existência da Cotrijal é marcado pela absoluta carência. Tudo está por fazer. É um tempo de total desafio e absoluto pioneirismo. Demandas internas, necessidades dos agricultores, problemas de comercialização, de financiamento, o incentivo público, espírito empreender do agricultor, a política setorial do trigo, dentre outros, foram elementos que estiveram presentes na constituição e desenvolvimento da Cotrijal.

Nascido em 17 de outubro de 1933, em Não-Me-Toque, formado pela Universidade UFGRS - 1959, e Pós-Graduação no Texas nos Estados Unidos - 1961, em Avicultura, ainda jovem o Engenheiro Agrônomo Irmfried Otto Ingbert Harry Schmiedt, em 1963, assume a presidência da Cooperativa Tríticola de Não-Me-Toque (esse era o nome da época), deixando para traz uma promissora carreira pública na Secretaria Estadual de Educação. Não havia recursos sequer para pagar salários. Os diretores não tinham remuneração. Buscavam-se alternativas para alavancar a empresa.

Tudo estava para ser criado. Como não havia secadores, não era raro encontrar o presidente "Schmitão", como ficaria popularmente conhecido dali em diante, ombro a ombro com os funcionários, puxando trigo de enxada para evitar o empedramento dos grãos ainda úmidos. A missão principal da cooperativa era receber o produto, padronizar e conservar. Entretanto, desde o início, optou-se por investir em qualidade. O entendimento de que a armazenagem é questão de segurança e de futuro, desde aqueles tempos levou a cooperativa a concentrar investimento neste setor. Com Schmiedt no comando, a Cotrijal faz parte do grupo de cooperativas pioneiras na construção de células de concreto. A ousadia de erguer silos numa época tão remota, quando ninguém optava por essas construções, mostra a visão de futuro do então presidente.

A missão de "se livrar" de um estoque de trigo que estava dentro do armazém em condições críticas foi o primeiro grande desafio enfrentado por Schmiedt. A capacidade de secagem da época era pouco mais que zero. A cooperativa possuía apenas um secador, havia produto seco e úmido misturados e, principalmente, havia muito medo que tudo se estragasse.

Do período em que fez uma especialização no segmento de avicultura nos Estados Unidos, Schmiedt traz para a Cooperativa a ideia de comercializar aves e ovos, abrindo uma alternativa de ganhos à pequena propriedade, a partir de produtos que praticamente todo mundo tinha a disposição. O caminho natural foi encaminhar essa produção para Porto Alegre, o grande polo consumidor mais próximo. Inicialmente vendendo ovos para os atacadistas e posteriormente direto ao consumidor. Um período marcado por muito trabalho, não havia sigla nem classificação, os ovos eram carimbados manualmente, e o próprio Schmiedt muitas vezes arregaçava as mangas e entrava no "baile". Mas as coisas passaram a evoluir não na avicultura, mas no trigo e na soja, e o interesse do pessoal pela avicultura foi diminuindo.

A partir dos anos 60, quando a soja começou a ocupar espaço significativo entre suas atividades, a cooperativa já mostrava força, prestígio e credibilidade suficientes para obter altos empréstimos junto ao Banco do Brasil, com o intuito de adquirir adubos e repassar aos associados. A intermediação de grandes quantidades de insumos em troca de produtos, aliás, fazia parte de uma lógica mercantil da instituição, e do processo de introdução de insumos modernos nas lavouras de produtos agrícolas voltados para a exportação.

Na década de 70, ainda com Schmiedt na Presidência, a Cotrijal expande-se fisicamente e o produtor da região moderniza-se. Chegam as primeiras automotrizes e a intensificação do uso de insumos agrícolas nas lavouras. A cultura entra no contexto de modernização. O plantio direto provocou uma grande "revolução" no campo a partir dos anos 70, quando agricultores mais ousados decidiram não arrancar o mato nem arar a terra para o plantio.

A história da Cotrijal nos seus 54 anos de atuação é recheada de desafios e conquistas, fruto da união e visão de pessoas empreendedoras, entre eles Schmitão, que souberam olhar além de seu tempo.

Schmiedt foi mentor de Nei César Mânica, que está como presidente desde 1995. Depois de haver dirigido a cooperativa por 28 anos, ocupou até os últimos dias de sua vida o cargo de gerente Comercial Grãos da Cotrijal, e fez parte do Conselho de Administração da Cotrijal.

Schmitão foi uma das figuras mais respeitadas e uma referência para o cooperativismo e o agronegócio brasileiro. Natural de Não-Me-Toque, suas ações frente a Cooperativa contribuíram com o desenvolvimento da região. Homem sério e comprometido, fez de tudo na cooperativa, numa época em que todos faziam de tudo. Foi um trabalhador incansável, cruzou estradas e mais estradas, em busca de melhorias para a organização.

Com ele, a Cotrijal plantou raízes sólidas e deu passos importantes rumo ao seu desenvolvimento e também do agronegócio gaúcho.
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Cotrijal

1 comentário

  • Antonio orth Sertão - RS

    Tive o prazer de conhecer pessoalmente o Schimitão, perde muito o cooperativismo do RS com o seu desaparecimento.Grande homem que nunca mediu esforços , em defesa dos ideais cooperativistas, cumpriu sua missão de forma digna e deixa um grande exemplo a todos nós- Antonio Orth/ Presidente Sidc. Rural Sertão e Cochilia

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