Mercado de açúcar: QUANDO OS BAIXISTAS SAÍREM DE FÉRIAS

Publicado em 16/09/2012 21:54 304 exibições
por Arnaldo Luiz Corrêa

QUANDO OS BAIXISTAS SAÍREM DE FÉRIAS

O mercado de açúcar em NY fechou a semana com o vencimento outubro/2012 cotado a 19,91 centavos de dólar por libra-peso, uma alta de 53 pontos ou quase 12 dólares por tonelada. Os demais meses de negociação fecharam com altas entre 37 e 70 pontos, ou de 8 a 20 dólares por tonelada de variação positiva. Foi uma semana em que os baixistas parecem ter saído de férias.

Pesou na variação positiva da semana a expressiva melhora no cenário macro com o estímulo à economia americana conduzido pelo FED (Banco Central americano) fazendo com que o dólar desvalorizasse e as commodities e os ativos financeiros de forma geral subissem forte. O açúcar aproveitou a toada e foi junto, apesar de as notícias vindas do outro lado do planeta não terem sido das mais alvissareiras. Na semana, café, açúcar, suco de laranja e petróleo subiram bem. Só algodão e milho experimentaram quedas.

Muitos analistas, aqui e acolá, apontam para preços de açúcar mais baixos do que os que estão aí na tela. Dois analistas gráficos me deram pareceres diferentes esta semana: um disse que o mercado vai buscar os 16 centavos de dólar por libra-peso e outro me disse que 19 centavos de dólar por libra-peso era um excelente ponto de compra. 

O Rabobank apresentou suas perspectivas anuais em seminário no começo da semana para um público que contava com as principais lideranças do setor. O banco holandês acredita que o preço médio do açúcar para esta safra deverá ficar em 19 centavos de dólar por libra-peso, não considerado pelo modelo um eventual reajuste de preço nos combustíveis. Tampouco a variação do dólar.

Em tempo: o preço médio da safra até o momento, pegando os fechamentos de NY de 1º de abril para cá, é de 21,21 centavos de dólar por libra-peso; para atingirmos a média prevista pelo banco, num exercício puramente matemático da Archer Consulting, a curva precisaria cair uniformemente cerca de 20 % no restante dos fechamentos diários até o final da safra, ou algo como 17 centavos de dólar por libra-peso.

As previsões da safra indiana 2012/2013 estão mais baixas, agora 24 milhões de toneladas comparando contra previsões anteriores de 25-26, mas ainda acima do consumo estimado de 22 milhões de toneladas. As regiões produtores receberam muitas chuvas na última semana, segundo a Associação das Usinas de Açúcar da Índia.

A MB Associados, a pedido da Archer Consulting, calculou o aumento máximo possível no preço da gasolina, sem impacto inflacionário, considerando para isso a queda nos preços da energia elétrica. Resposta: 10% de aumento. Segundo a MB, “a queda no preço de energia será responsável por uma queda de no mínimo 0,5 ponto percentual na inflação, que poderá se estender até 0,75 ponto percentual contabilizando efeitos de repasse no comércio e na indústria.”

A posição em aberto dos contratos futuros de açúcar em NY apresentou acréscimo nos últimos 40 pregões (quase dois meses) saindo de 660.000 contratos para 730.000. 

O contrato de etanol na BM&F Bovespa está com uma posição em aberto de 4.806 lotes em futuros mais 100 lotes em opções. Uma queda de 14% em relação comparada ao inicio de agosto. Acredito que os preços na BM&F Bovespa estão muito abaixo da realidade do mercado e podem ser uma excelente oportunidade de compra especulativa. Dezembro a R$ 1172,50 por metro cúbico liquida exatamente o custo de produção apurado pela Archer Consulting.

A volatilidade do mercado nos últimos 20 dias caiu para 25,40% comparativamente aos 27,58%% do período anterior; volatilidade de 50 dias derreteu para 24,41% (há um mês era 31,74% %) e a de 100 e 200 dias 27,82% e 27,93% (há um mês 28,98% e 28,13%), respectivamente. Talvez agora os vendedores de volatilidade respirem um pouco aliviados com os níveis retornando a padrões mais civilizados e menos estressante.

Falamos há umas 5-6 semanas que uma boa alternativa especulativa seria a venda de puts (opções de venda) de preço de exercício 22 centavos de dólar por libra-peso para os dois vencimentos seguintes (março e maio de 2013). A justificativa dada foi que os preços dificilmente cairiam abaixo de 22 centavos de dólar por libra-peso e a volatilidade parecia estar muito alta. Bem, os preços caíram, mas a volatilidade também. Quem tivesse vendido 10 lotes de cada teria colocado US$ 35.600 no bolso em 6 de agosto. Sexta o valor de mercado era de US$ 49.600. Vamos acompanhar.

Tenham todos uma excelente semana com muitos negócios.

Arnaldo Luiz Corrêa

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Archer Consulting

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