No Estadao: Dilma esvazia Incra para estruturar assentamentos

Publicado em 01/01/2013 07:20 1170 exibições
Sem alarde, governo inicia uma das mudanças mais profundas no órgão criado nos anos 197)0 (Por Roldão Arruda, de O Estado de S. Paulo


Aos poucos, sem alarde e mesmo enfrentando resistência no meio do funcionalismo e dos movimentos de sem-terra, o governo está levando adiante um extenso projeto de reforma na estrutura do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra). Se concretizada, será a mudança mais profunda na instituição desde sua criação, em 1970, em pleno regime militar.

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Uma das principais características da mudança é a descentralização das atividades. As prefeituras, que sempre foram postas à margem da reforma agrária e, por isso mesmo, sempre tenderam a tratar os assentamentos federais como enclaves em seus territórios, estão sendo mobilizadas pela primeira vez.


Por meio do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) - Equipamentos, municípios com até 50 mil habitantes vão receber motoniveladoras, retroescavadeiras e outras máquinas destinadas à melhoria das vias de acesso aos assentamentos da reforma. No caso das prefeituras que fecharem parcerias como Incra, comprometendo-se também a comprar parte da produção das famílias assentadas, o governo federal vai retribuir com o fornecimento de combustível.


Em entrevista ao Estado, o presidente do Incra, Carlos Guedes, observou que a medida vai permitir respostas mais rápidas às demandas dos assentamentos, além de garantir uma redução de quase 70% dos gastos.


O Incra também está transferindo para outras instituições públicas as tarefas de construir casas e levar água e energia elétrica às famílias assentadas. Em 2013, o Programa Minha Casa, Minha Vida, gerido pelo Ministério das Cidades, passará a ser operado dentro dos assentamentos, com um volume de crédito maior do que o ofertado pelo Incra. A meta é financiar a construção de 70 mil novas moradias e a reforma de outras 118 mil em dois anos.


O Ministério do Desenvolvimento Agrário, ao qual está subordinado o Incra, também fechou há pouco um acordo com o Ministério da Integração Nacional, que permitirá levar água a 30 mil famílias assentadas no semiárido nordestino. Quanto à extensão da rede de energia elétrica, a tarefa agora cabe ao Ministério de Minas e Energia, por meio do Programa Luz para Todos.


Uma das atividades mais politizadas e polêmicas do Incra, que é a seleção das famílias a serem beneficiadas pelo programa de reforma agrária, também será transferida. De acordo com um documento de três páginas que circula em Brasília, com um sucinto perfil do que deverá ser o Incra, as famílias serão selecionadas pelo Ministério do Desenvolvimento Social, de acordo com dados do Cadastro Único - o mesmo utilizado para os programas federais de transferência de renda, como o Bolsa Família.


Polêmica


Do conjunto de mudanças já iniciadas e que ainda virão, a mais polêmica refere-se à mudança do foco principal de ação. Mesmo não admitindo abertamente, para evitar atritos com o Movimento dos Sem-Terra (MST), o governo da presidente Dilma Rousseff irá se preocupar cada vez mais com a melhoria dos assentamentos existentes do que com a criação de novos.


Os dados acumulados até aqui já sinalizam claramente a mudança. O governo atual foi o que menos assentou famílias nos últimos 16 anos, segundo números do próprio Incra, apresentados recentemente em reportagem do Estado. Um outro levantamento, produzido pelo Núcleo Agrário do PT e divulgado pelo MST, revela que Dilma só ganha do presidente Fernando Collor de Mello em números de decretos de desapropriação de terras para a reforma.


Esses números não causam comoção no governo. Confrontado com as tabelas, Guedes tem dito que a meta não é criar assentamentos, mas sim assentamentos com qualidade, integrados a diferentes políticas de governo, com as famílias bem instaladas e capazes de produzir alimentos. A meta é por abaixo a ideia de que assentamento seria sinônimo de favela rural.


Com a descentralização de algumas atividades, a direção do Incra acredita que pode se concentrar em atividades voltadas para a produção. Planeja reduzir a burocracia para acesso ao microcrédito, melhorar o nível de assistência técnica e favorecer a compra da produção. Segundo Guedes, o número de famílias vinculadas ao Programa de Aquisição de Alimentos deve triplicar na próxima safra, passando de 15 mil para 45 mil famílias.

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Fonte:
O Estado de S. Paulo

2 comentários

  • Rogério Lima do Valle Mococa - SP

    Presidenta Dilma .

    O importante na Reforma Agrária , é fazer com que o produtor receba condicões de prosperar , ou seja não somente "sobreviver" . Espero e desejo sucesso nestas acões , pois são desumanas as condicões atuais da enorme maioria dos assentados . Att Rogério

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  • NAVES JOSE BISPO Goiânia - GO

    Bom Dia

    Depois dos sucessivos escandalos, ve se que as denuncias que o plano ordenado e aprovado pelo judiciario de fato nao existe. Vemos acontecer a expulsao compulsoria, brutal,vergonhosa. Ver brasileiros tratados e relegados propria soirte. a sentenca teratologoca e irresponsavel, pwelo visto sera cumprida simplesmente jugando na sargeta , mulheres ,criancas, velhos doentes e trabalhadores, alguma coisa entre 5000 e 7000 pessoas, a propaganda oficial reduziu os, a um grupo de baderneiros, assaltantes de banco e estupradores,meros invasores, simples assim, mesmo sabendo, ser o posto da mata uma comunidade pacifica , melhor e alinha-los a estes , talvez assim , durmam melhor. cometem aqui varios crimes serios e nao estao na garnde midia chapa branca, quando vao e para denegrir, a verdade dos fatos , a fraude, a brutalidade, o alijamento aos direitos humanos, isso e nao relevante. o esbulho oficial nao e relevante. o grilo de dona rousself, este nao tratado. o rasgar da ordem judicial emanada do TORRENS, isso pode, mas ordem do DEUS Julier nao pode, do DEUS Marlom , ha, isso pode!!!!!

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