Bombacha justa – Ao vivo, Olívio Dutra, um dos fundadores do PT, cobra a renúncia de Genoino...

Publicado em 08/01/2013 16:27 e atualizado em 30/08/2013 14:17
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por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

Bombacha justa – Ao vivo, Olívio Dutra, um dos fundadores do PT, cobra a renúncia de Genoino e diz que o agora deputado e José Dirceu permitiram que “dinheiro público fosse usado para negociatas”

Pois é…

Olívio Dutra, ex-governador do Rio Grande do Sul (PT), parece andar com saudade do tempo em que os petistas podiam falar em nome da ética na política. Ainda que não houvesse verdade naquilo — não é mesmo, Caso Lubeca (pesquisem a respeito!)? —, tratava-se de um discurso ao menos verossímil. Hoje em dia, quando alguém do partido se sai com essa, todos caem na gargalhada. Adiante. Numa entrevista à Rádio Guaíba, Dutra cobrou a renúncia do agora deputado José Genoino (SP). Acusou ainda o ex-presidente do PT e José Dirceu de terem permitido negociatas com dinheiro público.

Tivesse a fala saído da boca de algum oposicionista, Rui Falcão, Dirceu e a rede suja na Internet, financiada por estatais, se encarregariam de satanizar o vivente, como se diz lá nos pagos do Sul. Vamos ver como reagirão a Olívio Dutra. Leiam o que informa O Globo. Volto em seguida.

Ex-governador do Rio Grande do Sul, o petista Olívio Dutra disse, nesta segunda-feira, durante programa ao vivo da “Rádio Guaíba”, que o deputado José Genoino (PT-SP) não deveria ter assumido o cargo após ter sido condenado a 6 anos e 11 meses pela participação no esquema do mensalão. Sem saber que seria confrontado, no ar, com Genoino, Dutra teve que repetir o que havia dito. O ex-governador criticou ainda o que considerou as “más companhias” do PT e o aparelhamento do Ministério das Cidades.

“Eu acho que tu deverias pensar na sua biografia, na trajetória que tem dentro do partido. Eu acho que tu deverias renunciar. Mas é a minha opinião pessoal, a decisão é tua. Não tenho por que furungar nisso”,  disse ele a Genoino, que negou durante entrevista ter cometido algum crime.

“Não contrariei norma sobre a conceituação do que é crime. Fiz escolhas políticas. Não podemos misturar isso com crime. Não fiz prática criminosa enquanto fui presidente do PT. Os dois empréstimos que avalizei estavam registrados no TRE e foram respondidos judicialmente pelo partido. Em relação ao julgamento do STF eu respeito, mas não tem nada definitivo. Quando elas forem, eu as cumprirei, mesmo que eu discorde. Isto faz parte da democracia.”

Olívio Dutra disse ainda que José Dirceu e Genoino possibilitaram “negociatas” com dinheiro público. Ele defendeu a possibilidade de o PT explicar os erros cometidos. “Nem (José) Genoino nem (José) Dirceu tiraram dinheiro pra si, mas possibilitaram que outras figuras usassem o dinheiro público para negociatas e outras práticas que mancham a atividade política. O PT está tendo que se explicar sobre práticas que os inimigos costumavam se explicar.”

Ele afirmou na entrevista que avisou sobre as más companhias: “Eu avisei em uma ocasião que íamos sofrer com as más companhias. Más companhias que não são somente aquelas de fora para dentro, mas também de dentro do partido à medida que vão chegando pessoas. Na medida que tu tens cargos para oferecer, há pessoas no partido que não conhecem nada da história nem da razão de ser. O PT falha nisso e deixa de ser uma escola política e passa a agregar pessoas por conta dos cargos.”

Voltei
Depois de tudo o que sabemos sobre os tais “empréstimos”, é impressionante que o deputado José Genoino continue a afirmar a sua regularidade. Os autos deixaram mais do que claro que tudo não passava de operação de fachada. Não sou eu quem diz isso, mas os dados objetivos do processo. Para Genoino, como a gente nota, era tudo uma questão de “escolha política”.

Aqui e ali, vejo até gente de boa-fé tentando livrar a cara de Genoino: “Ah, ele é pessoalmente honesto…”. A resposta que deu a seu “companheiro” de partido define uma moralidade, não é mesmo? Em nome de uma “escolha política”, parece que tudo vale a pena. O deputado, que agora deu para falar com jornalistas com o dedo em riste, explica, mais uma vez, por que foi condenado a quase 7 anos de prisão.

PS – Vamos ver quanto tempo vai demorar para que seja considerado gagá, carta fora do baralho, ressentido etc… A “máquina”, como se sabe, não perdoa, mata — de um jeito ou de outro.

Por Reinaldo Azevedo

 

“E ocê, que tá andano de bicicreta!?”

Há uma piada caipira que tem lá a sua graça se você é, como sou, um caipira de fato. Também os linguistas poderão se divertir com ela; quem sabe até renda um pequeno tratado “jackobsoniano” (refiro-me a Roman Jakobson) sobre a função fática da linguagem. É assim.

O Zé resolveu dar um passeio de bicicleta. Ao passar pela margem do rio, viu que seu amigo Chico estava pescando. Naquela linguagem muito característica do caipirismo, que inventou o gerúndio em “ano”, “eno” e “ino”, exclamou:
— Aí, hein, Chico! Pescano…
O outro responde:
— E ocê, que tá andano de bicicreta!?

A piada acabou. É só isso. Tá bom, leitor, você nem é caipira nem está disposto a evoluções “jackobsonianas”… Não tem importância. Há piadas mais explícitas em curso no país, mais arreganhadas.

A imprensa brasileira dá grande visibilidade à lua de mel de Carlinhos Cachoeira, vivida, como direi?, em “grande estilo” — no possível ao menos. Faz sentido. O homem foi condenado a quase 40 anos de prisão. Está em liberdade de acordo com a lei. Pode viajar pelo território nacional desde que comunique seus passos à Justiça, o que ele fez, segundo seus advogados. Dada a exposição pública, deve ser verdade.

Cachoeira é condenado em primeira instância. Dado o que se sabe, é provável que a sentença seja confirmada nas demais. Com a turma do mensalão, a coisa é bem diferente: é condenação em última instância. Na maioria dos casos, cabem, no máximo, embargos de declaração, que vão apenas esclarecer eventuais dúvidas, sem qualquer chance de alterar as penas. E os embargos infringentes? O STF ainda terá de decidir se são cabíveis ou não — e em poquíssimos casos.

Há uma certa e compreensível indignação quando se vê Cachoeira como turista. A maioria dos brasileiros está com o saco cheio da impunidade. E é evidente que chegou a hora de discutir algumas leis que temos. Como frequência, o “garantismo” brasileiro mais protege o criminoso contra a ação punitiva do estado do que o homem de bem contra a ação nefasta do criminoso.Essa não é mera impressão, dessas que a gente debate com o motorista de táxi. É fato.

Assim, junto-me àqueles que ficam um tanto indignados quando veem Cachoeira pra cima e pra baixo, embora a lei lhe garanta tal direito. Como garante que os mensaleiros condenados à prisão, por enquanto, fiquem soltos, podendo igualmente circular por aí, desde que em território nacional.

“E aquela porcaria daquela piada, Reinaldo Azevedo?” Assim:

— Aí, Cachoeira, se divertino, hein…?
— E o Genoino, que virou deputado federal!?

Pois é… Qualquer que seja a decisão da Justiça, o criminoso Cachoeira terá de se submeter às leis. Já o criminoso Genoino  poderá FAZER leis.

Por Reinaldo Azevedo

 

08/01/2013 às 13:51

Governo tenta acobertar risco de racionamento

Por Benedito Sverberi, Gabriel Castro e Naiara Infante Bertão, na VEJA.com:
Enquanto o sistema elétrico nacional caminha para uma situação de incerteza que pode levar a um racionamento, o governo se apresenta dividido sobre o cenário real. De um lado, declarações oficiais tentam mostrar que o risco não existe – como garantiram o ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, e o secretário-executivo da pasta, Márcio Zimmermann, nestas segunda e terça-feiras. De outro, as avaliações técnicas apontando para um cenário de insegurança, que agora depende mais das chuvas do que da ação do governo. O tema desencadeou preocupação no Executivo, especialmente no Planalto – fazendo, inclusive, com que a presidente Dilma Rousseff antecipasse o fim de suas férias e voltasse a Brasília para uma reunião de emergência na quarta-feira.

A presidente, que também foi ministra de Minas e Energia no governo Lula, costuma demonstrar irritação quando questionada sobre o risco de apagão. Na sua avaliação, ‘apagão’ é um racionamento generalizado, como o adotado em 2001 pelo governo Fernando Henrique Cardoso. Ela não admite que o termo seja aplicado a sua gestão da mesma forma que não pronuncia a palavra privatização para nomear os inúmeros pacotes que divulgou ao longo do ano, concedendo à iniciativa privada a operação de diversos projetos de infraestrutura. Adriano Pires, sócio e diretor do Centro Brasileiro de Infra Estrutura (CBIE), acredita que o jogo de palavras não passa de uma forma de maquiar o problema. ”Estamos pendurados em variáveis imponderáveis, graças à falta de planejamento do governo”, diz o consultor. Segundo Pires, a situação de dependência das chuvas, pleno funcionamento das usinas térmicas, abastecimento constante das usinas e controle do consumo é insustentável. “Estamos na antessala do racionamento”, resume.

Níveis críticos
No Sudeste, que responde por 70% da capacidade de armazenamento do país, os reservatórios estão em 29% da capacidade – isso equivale a 72% da média histórica para janeiro. No Nordeste, os reservatórios estão com 33% da capacidade preenchida, o que significa apenas 31% da média histórica, de acordo com dados do Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

O nível dos reservatórios das hidrelétricas está abaixo do patamar de segurança estabelecido pelo governo para evitar o racionamento, todas as térmicas estão acionadas – e, mesmo assim, os níveis dos reservatórios continuam caindo. Com isso, os olhos se voltam agora para duas soluções: as chuvas ou a diminuição do consumo.

Do lado das chuvas, as estimativas tampouco são otimistas, conforme mostram dados do próprio ONS no índice ENA (Energia Natural Afluente), que mede a expectativa de chuvas a caírem nas cabeceiras dos reservatórios, com base na média histórica. No relatório desta semana, o ENA esperado para o Sudeste em janeiro está em 72% da média (ou seja, abaixo da média histórica, que seria o 100%); para o Nordeste, está em 31%; para o Norte, 57%; e para o Sul (127%). “A previsão no Sul é a melhor, mas ele só contribui com 7% da capacidade de armazenamento do sistema hidrelétrico nacional. Chegamos a isso mesmo tendo um crescimento muito pequeno comparado em previsões oficiais”, comentou Claudio Sales, presidente do Instituto Acende Brasil. 

Férias frustradas - A situação alarmante fez a presidente Dilma, que está no litoral da Bahia, planejar sua volta a Brasília nesta quarta-feira, quando o Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) se reunirá para tratar do assunto. Nos últimos meses, os encontros do CMSE já apontavam para o nível alarmante dos reservatórios das hidrelétricas. Como o cenário não se alterou, a expectativa é de que o encontro desta quarta resulte em medida mais concretas.

O governo agora depende do imponderável, na avaliação de Adriano Pires: “A situação é preocupante, com certeza. O nível dos reservatórios hoje está muito baixo e, se não chover suficientemente em janeiro e fevereiro, e no lugar certo (as cabeceiras dos rios), pode piorar ainda mais”, diz ele.

Governo evita comparações - Nesta terça-feira, Márcio Zimmermann disse que há um “equilíbrio natural” nos reservatórios e descartou comparações com a situação de 2001, quando o governo Fernando Henrique Cardoso recorreu ao racionamento de energia. Para Zimmermann, os problemas da época eram “conjunturais”, o que não ocorreria hoje.

Um dia antes, em entrevista ao Jornal Nacional, o ministro Edison Lobão também afirmou que o racionamento não é necessário – mas reconheceu que o custo de acionamento das termelétricas será repassado ao consumidor: “Há um acréscimo de algo em torno de 400 milhões de reais durante os meses em que as térmicas a diesel e a óleo estão sendo despachadas. Essa pequena diferença será repassada ao consumidor. Não chega a ser 1%”, afirmou ele.

Preço
Ainda que o governo afirme incansavelmente que os problemas no setor elétrico não afetarão o preço da energia, o discurso não é compartilhado pelo setor privado. “Enquanto a energia das hidrelétricas custa cerca de 100,00 reais por MWh (MegaWatt-hora), o custo da energia gerada por usinas térmicas que queimam óleo diesel pode chegar até 800,00 reais por MWh”, afirma Nelson Leite, da Associação Brasileira de Distribuidores de Energia Elétrica (Abradee). Segundo ele, o aumento do preço será inevitável.

A discussão sobre o impacto da falta de chuvas sobre o custo da energia se dá em meio a um cenário de atrito entre o governo e as companhias do setor elétrico. A comunicação entre as elétricas e o governo enfrenta dificuldades desde que o pacote do setor elétrico foi anunciado, prevendo reduções importantes no preço da energia para as concessionárias que renovarem seus contratos com o governo, cujo vencimento está previsto para 2015. “As elétricas estão pressionando o governo por meio desse alerta de apagão. E a presidente quer resolver principalmente essa crise de comunicação com as elétricas – mais até do que qualquer risco racionamento”, afirma uma fonte do setor elétrico próxima do governo. 

Politização
A advogada e economista Elena Landau, especialista no setor elétrico, disse ainda ao site de VEJA que a negação do governo sobre o risco de racionamento se fundamenta em medo político. Para ela, a “confiança” apenas nas térmicas e na meteorologia está indo além do necessário. “Estamos vivendo um dos piores cenários, com alta do consumo, ligamento das térmicas que geram muitos poluentes, falta de chuvas e falta de uma política ampla e direta de diminuição do consumo. Isso tudo para evitar o uso da palavra racionamento, que o próprio governo petista politizou para usar nas campanhas de 2002”, disse. Elena comandou as privatizações do governo de Fernando Henrique Cardoso durante o período em que foi diretora do Bando Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), entre 1994 e 1996.

A economista acredita que o racionamento é uma questão puramente técnica – e que, se for necessário para preservar nosso sistema energético, o governo precisa fazer. “O governo anunciou a diminuição da conta de energia, a custo da sobrevivência do sistema Eletrobras, não pediu que não aumentássemos o consumo e ainda nos passa a impressão que não estamos com problemas”, afirma. 

Por Reinaldo Azevedo

 

Segundo Marco Aurélio Garcia, o incorrigível, Dilma apoia solução golpista na Venezuela

Caro leitor,
sempre que você sentir falta, assim, de uma leitura desavergonhada do mundo, nem que seja só para secretar alguma bile, conte com Marco Aurélio Garcia, que era assessor especial para assuntos internacionais do governo Lula e se manteve na função no governo Dilma. Não há ideia estúpida que ele não abrace, não há absurdo que não diga, não há lógica que não fraude. E ele o faz de maneira sistemática, organizada, metódica mesmo. Sozinho e por sua conta, não é ninguém. Quando se expressa, quem fala é a chefia — antes Lula, agora Dilma. Ainda lembrarei neste texto algumas das suas. Vamos à questão da hora.

Garcia esteve em Cuba, informa o Estadão Online, para se inteirar sobre o estado de saúde do ditador da Venezuela, Hugo Chávez: “A informação que eu tive é que o estado dele é grave e que, portanto, qualquer previsão é impossível de ser feita, neste momento”. Sei. O brasileiro não esteve com Chávez, que estaria lúcido. Falou apenas com os dois carniceiros que tiranizam a ilha: Raúl e Fidel Castro.

Na reportagem do Estadão, leio o que segue:
“Em suas declarações, Garcia deixou claro que o governo brasileiro apoia a ideia de prorrogar por até 180 dias o prazo para a posse de Hugo Chávez. Garcia citou o artigo 234 da Constituição da Venezuela para explicar que, se Chávez não assumir no dia 10 de janeiro, novas eleições serão convocadas daí a 30 dias se o impedimento do atual presidente for definitivo. Mas, caso o impedimento seja temporário, essa situação poderá se estender por seis meses, 90 dias, prorrogáveis por mais 90 dias. Ele lembra que há uma lacuna na interpretação na lei, mas a avaliação é de que, neste caso, quem assume é o vice-presidente Maduro.”

Por que estamos diante de uma escandalosa mentira? Vamos ver o que diz o Artigo 234 da Constituição da Venezuela:
“A ausência temporária do presidente ou da presidenta da República será preenchida pelo vice-presidente ou pela vice-presidenta por 90 dias, prorrogáveis por mais 90, por decisão da Assembleia Nacional.
Se uma ausência temporária se prolonga por mais de 90 dias consecutivos, a Assembleia Nacional decidirá por maioria de seus integrantes se há ausência permanente.”

Por que a situação não se aplica? Pela simples e óbvia razão de que, para se chegar ao conteúdo do Artigo 234, é preciso passar pelo crivo do Artigo 231. Relembro:
“O candidato eleito ou candidata eleita tomará posse do cargo de presidente ou presidente da República no dia dez de janeiro do primeiro ano de seu período constitucional, mediante juramento diante da Assembleia Nacional. Se, por qualquer motivo, o presidente ou presidente da República não puder tomar posse diante da Assembleia Nacional, ele o fará diante do Tribunal Supremo de Justiça”.

Não haverá como declarar a ausência temporária de um presidente que nem tomou posse, ora bolas! Sem que Chávez faça, na quinta-feira, o juramento diante da Assembleia ou do Tribunal Supremo de Justiça (caso houvesse algum impedimento do Legislativo), chega ao fim o mandato velho, e o novo não terá começado.

Nessa situação, aplica-se o Artigo 233: “(…) se procederá uma nova eleição universal, direta e secreta, dentro dos trinta dias consecutivos seguintes”. Enquanto não se tem o novo presidente, “se encarregará da Presidência da República o presidente ou presidente da Assembleia Nacional”.

Se o que disse Garcia corresponder à posição de Dilma, então o governo brasileiro está apoiando um… golpe na Constituição!

Garcia, o incorrigível
Tanto Chávez como Rafael Correa, presidente do Equador, abrigavam — abrigam ainda? — narcoterroristas das Farc. Em 2008, o Exército da Colômbia atacou um acampamento que ficava no lado equatoriano. Na operação, morreu Raúl Reyes, um dos chefões do grupo. O governo Lula, claro!, não censurou Correa por acoitar narcoterroristas. Ao contrário: mobilizou-se para tentar condenar o governo democrático da Colômbia!

As Farc, numa ofensiva de propaganda, anunciaram, naquele ano, a disposição de libertar alguns dos reféns que mantêm em campos de concentração na floresta amazônica. Quem se apresentou para ser o “interlocutor” da bandidagem? Hugo Chávez! Faz sentido. E quem resolveu ajudá-lo nessa tarefa? Marco Aurélio Garcia, que meteu na cabeça um chapéu panamá e partiu para o coração das trevas. Também faz sentido.

Quando Reyes morreu, Garcia concedeu uma entrevista ao jornal francês Le Figaro. Traduzi e puliquei aqui. Relembro um trecho. Volto depois.
Le Figaro – Que impacto terá a morte de Raúl Reyes para a libertação dos reféns ?
Garcia -
 De imediato, fiquei bastante apreensivo, mas as Farc disseram que sua morte não criará obstáculos à busca de um acordo humanitário. Tecnicamente, ela [a morte] pode criar alguns problemas: eu mesmo estava no terreno [de batalha], no fim de dezembro, quando as Farc retardaram a primeira libertação de reféns por causa da operação militar das Forças Armadas colombianas. Eu lhes lembro que o Brasil tem uma posição neutra sobre as Farc: nós não as qualificamos nem de grupo terrorista nem de força beligerante. Acusá-las de terrorismo não serve pra nada quando a gente quer negociar. A Colômbia expressa o desejo de não querer internacionalizar seu conflito com as Farc, mas, de fato, ele já tem repercussão internacional.
(…)

Retomo
É isso aí. Como se vê, o governo brasileiro se dizia “neutro” sobre o caráter narcoterrorista das Farc… Agora, apoia uma solução na Venezuela que viola, de maneira insofismável, a Constituição. Não obstante, em passado recente, puniu dois países — Honduras e Paraguai — por terem cumprido suas respectivas disposições constitucionais.

É com essa política externa que o governo brasileiro reivindica um assento permanente no Conselho de Segurança de ONU. Não há causa ruim na América Latina a que os petistas não tenham dado o seu apoio nos últimos dez anos.

O país colecionou vários atrasos nesse período, mas é na política externa que a estupidez chegou mais longe. O estupefaciente é que cedo ou cedo a Venezuela terá de realizar novas eleições (ver post de ontem). Os trogloditas que disputam o espólio chavista tentam retardá-las ao máximo porque ainda não chegaram a um entendimento sobre a divisão do butim.

Ao governo brasileiro, com suas aspirações de liderança regional, só caberia uma posição: a fiel observância do que vai na Constituição do país. Dilma, como se nota pelas palavras de Garcia, decidiu fazer o contrário e dar apoio à solução discricionária.

É um vexame sem fim.

Texto publicado originalmente às 4h13

Por Reinaldo Azevedo

 

08/01/2013 às 6:33

Fascistas de skate

Ah, mas era batata! Escrevi ontem um texto sobre o quiproquó havido no dia 4, na Praça Roosevelt, em São Paulo, entre membros da Guarda Civil Metropolitana e skatistas, e um bando de analfabetos éticos e morais, incapazes de ler o que está escrito, resolveu atacar. Já enfrentei em passado nem tão distante ciclistas que decidiram parar a Avenida Paulista e, em nome da sua “democracia”, impedir, por exemplo, o acesso de doentes aos 14 hospitais do entorno… O que mais me fascina nesses casos é a horda de cretinos que nem mesmo se ocupa de ler o texto. Não! nem todo mundo que discorda de mim é cretino. Há os que se manifestaram de forma educada e razoável.

Dizem que chamei os skatistas de “vagabundos”. É mentira! Vi aquele monte de indivíduos que deveriam integrar a chamada PEA (População Economicamente Ativa) sem ocupação numa sexta-feira gorda e invejei a sua condição. E, claro!, sugeri que, sem arrecadar dinheiro ao Estado, eles poderiam ao menos se abster de depredar os bancos que foram feitos para toda a população.

Acusam-me de ter justificado a violência dos guardas municipais. Mentira também! O texto é público. Ao contrário: eu os censurei pelos excessos e disse que eram visivelmente despreparados. Escrevi que não vi razão — não naquele filme ao menos — para o uso do spray de pimenta e para a imobilização de um dos rapazes. E até tirei um sarrinho: a indignação só não foi maior porque a gestão municipal é petista.

Reclamam porque pus aspas na palavra “esporte” para me referir ao skate. Eu reproduzia palavras de terceiros, que assim denominam essa atividade de lazer. Não recorri às aspas para tentar mudar ou inverter o sentido da palavra. Não gosto desse expediente. Mas, se querem saber, acho que se trata disto: uma atividade de lazer.

As ofensas são as mais despropositadas e grosseiras, evidenciando o entendimento prejudicado que essa gente tem da democracia. Há também os pensadores… Um rapaz chamado Bernardo Franco resolveu fazer especulações sobre a minha vida privada e enveredou pela sociologia barata:
“Ora,me parece que esse Reinaldo Azevedo não teve filhos e/ou não têm filhos que praticam esporte (Sim,esporte sem o uso de aspas pois o skate é um esporte). Partidarismo e falso moralismo estão ficando para trás, colunista. Hoje a verdade é escancarada na internet. Só resta as pessoas adquirirem e melhorarem seu senso crítico, e nunca mais teremos que aturar colunas e colunistas malas como você. Assimilar o skate ao vandalismo é o mesmo que assimilar a política com a corrupção. Vamos parar de generalizar as coisas e criticar mais aquilo que lemos, pessoal. Errado ou não, aquele “guarda” (guarda com aspas, pois nem uniformizado estava no momento) nao está bem preparado e talvez nao estaria exercendo a função adequada. Em momento algum nota-se violência na reação dos garotos. Vá viver a vida,Reinaldo. Talvez seja um pouco tarde, mas ao menos tente entendê-la. São garotos praticando esporte, não são bandidos com arma na mão ou de paletó roubando milhões como se sabe.”

Aprenda a ler, rapaz! Eu não associei o skate ao vandalismo porcaria nenhuma! Apontei um fato óbvio: os skatistas privatizaram a praça, que é de todos, e estão usando de modo inadequado um equipamento urbano. Sim, estão depredando os bancos, que não foram planejados para tal atividade. Sim, estão pondo em risco a segurança dos não skatistas. Sim, estão impondo aos outros a sua vontade. O YouTube está coalhado de vídeos com os “esportistas” no melhor da sua forma. Dá para constatar o respeito (ou “respeito”?) que têm pelos outros… Resolveram que a Praça Roosevelt, que pertence à comunidade, é propriedade de sua tribo.

Vamos a um argumento que creio compreensível até para os autores das intervenções mais bucéfalas: tiro ao alvo, arco e flecha, aeromodelismo, bocha, malha, bicicleta, futebol, voleibol, handebol, queimada… Tudo isso é esporte. Imaginem se cada tribo decidir tomar a parte que acha lhe caber na praça para o exercício do seu gosto.

O QUE HÁ COM ESSES IDIOTAS MIMADOS, INCAPAZES DE COMPREENDER QUE O BEM PÚBLICO, POR SER COLETIVO, A TODOS PERTENCE? E se jogadores de vôlei decidirem cercar um pedaço da praça? E se os jogadores de futebol de salão decidirem delimitar as suas próprias quadras?

O Bernardo Franco acha que, quando “as pessoas adquirirem e melhorarem seu senso crítico, nunca mais terão de aturar colunas e colunistas malas”como eu. Que alma generosa! Até parece que o meu blog invadiu o seu computador ou a sua casa. Ele, que ESCOLHEU acessar esta página, acredita que é “obrigado a me aturar”. Mas fica indignado com o meu protesto em defesa daqueles que estão tendo violado o seu direito de usar  um bem público.

O Daniel Frauches, apelando ao melhor da tolerância e do pensamento, escreve (vai como veio):
“você é gay ou vc é homosexual ?? pra fazer um comentario desses vc deve ser um velho mt escroto por sinal , se vc n intende a praia de skatista , não fala , não critica e fica na sua . Skate n é coisa de vagabundo , até porque oque vc acha que o skate é , custa pelomenos 300 pilas do seu lindo bolso , mas é claro , pra um filho da puta rico que nem vc , 300 reais n é nada.”

Dizer o quê? Entendi, dado o seu comentário, que a) skate não é para gays (que, segundo ele, é coisa distinta de “homosexual” (com um “s”  só, é claro…); b) que só skatistas podem falar de skatistas, ainda que a gente seja atropelado por um deles; c) que não é coisa de vagabundo (nunca escrevi isso) porque o instrumento custa “pelomenos 300 pilas”; d) que escrevi aquele post porque sou rico, o que me faz supor, segundo seu juízo, que o skate seja coisa de pobre, embora custe “pelomenos 300 pilas”… Não vou perguntar se ele andou batendo a cabeça no cimento numa manobra mais radical porque sou uma pessoa educada. Os demais praticantes do esporte fiquem tranquilos que não tomarei o Daniel como um representante médio da categoria.

Todo militante é chato. Vê o mundo com os olhos de sua causa — ou seja, não vê. O meu “esporte”, digamos assim, é escrever. A mim me bastaria que respondessem ao que escrevi. Cometi o crime, ora vejam!, de cobrar que o poder público devolva a Praça Roosevelt ao povo, “como o céu é do condor” (Castro Alves) ou “do avião” (Caetano Veloso).

Os skatistas que se reúnam lá em frente à Prefeitura e cobrem de Fernando Gugu Haddad uma pista para a prática do seu lazer. É um direito sagrado na democracia encaminhar petições ao poder público. E é um dever sagrado na democracia respeitar o direito dos outros.

No próximo texto, compro briga com aqueles zés-manés que ficam jogando frescobol na praia ou que ficam contando aos berros as peripécias de sua vida privada. Não me digam que também há a comunidade dos fanáticos por frescobol e das pessoas que falam berrando…

Não custa encerrar assim: este texto critica os fascistas de skate. Não significa que praticantes de skate sejam fascistas. Se fanáticos por Chicabon obrigassem os outros a consumir o sorvete, o texto se chamaria “Fascistas do Chicabon”, ainda que houvesse milhares de consumidores de Chicabon não fascistas. Escrevo para quem tem os dois pés, mas não as duas mãos, no chão. Os pés podem até estar sobre uma prancha com rodas. Mas a condição é que o vivente seja bípede e não tenha o corpo coberto de pelos ou penas…

Por Reinaldo Azevedo

 

PSDB quer que Mantega e Miriam Belchior expliquem maquiagem nas contas

Se o governo fosse uma empresa privada, estaria sem crédito no mercado. Motivo: maquiagem no balanço. Não é a primeira vez que os petistas tentam esconder a realidade manipulando a contabilidade. Desta feita, no entanto, Guido Mantega, ministro da Fazenda, foi menos sutil.

O PSDB decidiu cumprir seu papel e cobrar explicações. É o mínimo que se espera de um partido eleito para vigiar o poder. Sim, meus caros, nas democracias, é esse o papel das oposições. Como, por vontade da maioria, não podem ser governo, tornam-se fiscais de quem governa por decisão de todos os eleitores — inclusive e muito especialmente daqueles que se alinharam com os vitoriosos. Leiam trecho de reportagem publicada na Folha Online, que reproduz texto do Valor:
*
O PSDB na Câmara vai protocolar um requerimento de convocação dos ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Miriam Belchior, para que eles expliquem o uso de “manobras contábeis” para o cumprimento da meta fiscal em 2012 na Comissão Representativa do Congresso.

Segundo a assessoria da sigla, o documento deve ser apresentado na terça ou na quarta-feira. Os tucanos querem que os ministros prestem informações sobre as medidas adotadas para aumentar receitas e cumprir a meta de superavit, como a antecipação de dividendos para a União por parte do BNDES (Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social) e da Caixa Econômica Federal e a compra de títulos pelo BNDES.

O partido aponta que as despesas que não foram pagas no exercício anterior e que são transferidas para o ano seguinte, os chamados restos a pagar, são estimadas em R$ 200 bilhões neste ano. Segundo o PSDB, esse valor é dez vezes maior do que em relação a 2002.

O líder da sigla na Câmara, deputado Bruno Araújo (PE), afirmou que o assunto é urgente já que se configura como uma “alteração na política econômica com graves riscos para o país”. “Essas manobras podem ter reflexos altamente nocivos para o país e, além disso, revelam que as contas públicas estão se deteriorando. O governo precisa ser mais transparente e dar explicações ao Congresso sobre o que está ocorrendo”, disse em nota divulgada nesta segunda-feira.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Mercado reduz estimativa de expansão do PIB em 2013

Na VEJA.com:
Bastou um mês para que os principais economistas do Brasil revisassem a projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2013.  No início de dezembro de 2012, a expectativa era de um crescimento de 3,5% no ano. Agora, o PIB do Brasil deve crescer 3,26%, revelou a primeira pesquisa semanal Focus do ano, divulgada pelo Banco Central nesta segunda-feira. A queda de 0,24 ponto porcentual não é uma catástrofe, mas demonstra uma rápida deterioração da expectativa dos especialistas e insegurança com a situação econômica atual. Pelos dados divulgados hoje, a estimativa é de que a economia tenha crescodp 0,98% no ano passado – a projeção era de um PIB de 4% no início de 2012.

Em relação à inflação em 2013, os analistas consultados elevaram a projeção para 5,49%, frente a expectativa anterior de 5,47%, afastando-a ainda mais do centro da meta do BC, de 4,5%. A pesquisa mostra que agora os analistas preveem que a taxa medida pelo Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) tenha chegado a 5,73% em 2012, ante 5,71% anteriormente – a quinta semana seguida em que a projeção foi elevada.

A pesquisa Focus desta segunda-feira mostrou ainda que os analistas mantiveram a previsão de que a Selic encerrará 2013 nos atuais 7,25%. O mercado reduziu ligeiramente sua previsão para o dólar para o fim deste ano a 2,08 reais, ante 2,09 reais na semana anterior. Por fim, para o setor industrial, os economistas reduziram suas estimativas, apesar de ainda esperarem recuperação: a expectativa para 2013 passou de alta de 3,5% para 3% agora.

A economia brasileira ainda mostrava dificuldade em deslanchar no fim de 2012. A produção industrial recuou 0,6% em novembro, em meio a uma desaceleração na fabricação de automóveis e da indústria extrativa. Segundo analistas, isso deixa para 2013 a esperada retomada da atividade de forma mais efetiva.

Por Reinaldo Azevedo

 

07/01/2013 às 14:08

Risco de racionamento prejudica ações do setor elétrico

Na VEJA.com:
A preocupação com um possível racionamento de energia motivava a queda de ações de empresas de energia elétrica nesta segunda-feira na BM&FBovespa. Durante todo o dia os papéis do setor lideravam as perdas do Ibovespa (o índice de referência da bolsa paulista). Às 14h, as maiores baixas eram registradas pelas ações preferenciais do tipo de B (PNB) da Eletrobras, da Cesp e da Copel, com desvalorizações de, respectivamente, 4,19%, 3,56% e 3,51%. Já o índice de ações de elétricas na bolsa, o IEE, tinha desvalorização de 2,49%. ”Existe especulação no mercado com a possibilidade de racionamento de energia e isso está pesando nas ações do setor”, disse o estrategista da Futura Corretora, Luis Gustavo Pereira.

Reunião
Na sexta-feira passada, veio a publico a informação de que uma reunião do Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) tinha sido marcada para esta quarta-feira. O objetivo do encontro seria justamente a necessidade de avaliar medidas alternativas que possam evitar a adoção de um racionamento compulsório de energia no país, segundo fontes do setor. Entre as possibilidades em estudo estariam a “premiação” a consumidores que reduzissem seu consumo de eletricidade e o aumento da transmissão de energia do sistema Norte para as regiões Nordeste e Sudeste. O CMSE é formado pelo Ministério de Minas e Energia (MME), a Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), a Agência Nacional do Petróleo (ANP), a Câmara de Comercialização de Energia Elétrica (CCEE), a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) e o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS).

BTG
Em relatório enviado a clientes nesta segunda-feira, analistas do BTG Pactual destacaram que a situação dos reservatórios das hidrelétricas parece mais “delicada” que no início de 2000 – um ano antes de o governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (FHC) declarar o racionamento de energia. Naquela ocasião, os reservatórios estavam a 35% de sua capacidade, ou o equivalente a dois meses de demanda. Hoje, as usinas possuem armazenamento de 30%, ou 1,46 mês de demanda.

Fontes do setor destacaram na última semana que o mercado já começa a se preocupar com a possibilidade de o Brasil passar por um racionamento em 2013. Além do baixo nível dos reservatórios, eles destacaram ainda chuvas insuficientes para recompor os estoques e com um sistema de termelétricas quase totalmente acionado.

Por Reinaldo Azevedo

 

O verdadeiro ministro das Minas e Energia no Brasil ainda é São Pedro

Sim, o governo FHC pisou no tomate no setor elétrico. A primeira capa tratando do assunto e anunciando que haveria racionamento de energia em 2001, quando quase ninguém tocava no assunto, foi publicada pela revista República-Primeira Leitura, dirigida por este escriba. Eu já pensava sobre o PT e os petistas o que penso hoje. Eu já pensava sobre o PSDB e os tucanos o que penso hoje. A vitória de Lula na eleição presidencial de 2002 se deve a uma penca de fatores. Qualquer que seja o elenco escolhido pelo analista, o que se chamou “apagão” tem de estar entre os centrais. Racionamento de energia desmoraliza governos, derruba o crescimento, impede investimentos etc. Essas coisas acabam virando voto.

Muito bem! A falta de planejamento nesse setor fez com que o país ficasse dependente das chuvas, que não faltaram ao longo de nove anos de governos petistas. São Pedro, como ironiza uma amigo que conhece bastante a área, resolveu pôr um freio na arrogância do petismo só no 10º ano. Pois bem: onze anos depois do tal “apagão” e da suposta revolução promovida pelo petismo no setor — sob o comando unipessoal de Dilma Rousseff —, descobre-se que o Brasil continua… dependente das chuvas.

Reportagem da própria Agência Brasil, que é estatal, demonstra que quase 25% da energia consumida no país está vindo de termelétricas. Mesmo assim, ainda que o governo negue, a esmagadora maioria dos especialistas vê, sim, no horizonte, o risco de racionamento (ler post anterior).

Atenção, meus caros! O Brasil está nessa situação crescendo pouco mais de 1% em 2012. Ainda que houvesse condições econômicas de voltar a crescer 5%, não haveria energia. “Ah, mas, agora, ao menos temos termelétricas para garantir o abastecimento…” Bem, só faltava não haver nem isso depois do trauma de 2001…

O caso da energia é mais uma evidência de que algumas das “conquistas” do petismo, nesses anos, dependeram menos do planejamento e da visão estratégica do que de um conjunto de fatores que jamais foram da escolha de Lula, Dilma ou de qualquer outro.

Dado o cenário, chega a ser patético que o governo tenha feito da energia barata um dos pilares de uma nova e suposta arrancada do crescimento econômico. Não é só o conteúdo que espanta: também a forma. No modelo imaginado pelos sábios de Dilma, a Cesp, a Cemig e a Copel iriam à falência. O plano foi posto em marcha sem margem para negociação. Afinal, sabem como é… A presidente é uma suposta especialista na área.

Não, leitor! Investimento em energia não é coisa que se resolva em um ou dois anos. Mas já é possível saber que resposta se deu depois de 10. Está aí: o verdadeiro ministro das Minas e Energia no Brasil ainda é São Pedro — no Nordeste, reza-se para São José… E como o santo tem evocado! Por incrível que pareça, a região assiste ao renascimento da indústria da seca, com todo o seu show de horrores e sua deprimente paisagem humana…

Mas, como não cansam de lembrar os petralhas, faço parte daqueles 3% ou 4% que acham o governo ruim — vocês sabem: a minoria reacionária… A maioria, consta, exibe um Índice de Felicidade (este novo critério a unir idiotas de esquerda e de direita) quase tão elevado quanto o da população do Butão, onde as pessoas são miseráveis, desdentadas, analfabetas e felizes.  Pena Platão não ter vivido para conhecer o ditador do Butão. Com sabedoria,  a gente já sabe que não se faz um Tirano de Siracusa. Quem sabe com a ignorância…

Por Reinaldo Azevedo

 

08/01/2013 às 18:52

Quase um quarto da energia consumida no país vem de termelétricas

Leiam o que vai na VEJA.com. Comento no próximo post.
O nível abaixo do normal na maioria dos reservatórios do país faz com que quase um quarto da energia distribuída pelo Sistema Interligado Nacional (SIN) e consumida em todo o país seja proveniente de usinas termelétricas, de acordo com reportagem da Agência Brasil. Segundo o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), pelo menos 60 usinas termelétricas estão despachando energia, por meio do SIN, de todas os tipos de fontes: eólica, a carvão, a óleo diesel e combustível, nuclear e a gás natural.

De acordo com o ONS, o despacho térmico atualmente chega a 12,9 mil megawatts (MW), o equivalente a 24% da demanda total do país. A Eletronuclear informou à Agência Brasil que, das duas usinas nucleares operadas pela subsidiária da Eletrobras, a única que está operando no momento é a de Angra 2, que está despachando para o SIN 1.356 MW, 6 MW acima da sua capacidade – que é gerar 1.350 MW.

Angra 1, a primeira das nucleares produzidas no país, e que tem capacidade de geração de 640 MW, deixou de fornecer energia ao Sistema Interligado Nacional nesse sábado, quando foi desligada para a troca da tampa do reator – componente importante do circuito primário de uma usina nuclear – e o reabastecimento de combustível.

O ONS admitiu que os níveis dos reservatórios estão abaixo do normal e que no subsistema Sudeste/Centro Oeste o nível dos reservatórios das hidrelétricas é hoje de 28,9 – o mais baixo para os meses de janeiro dos últimos 12 anos – menor do que o verificado no mesmo mês de 2001, quando houve o último racionamento de energia elétrica no país.

Em todos os subsistemas, o nível dos reservatórios está abaixo ou próximo da Curva de Aversão ao Risco (CAR). No Nordeste, o nível dos reservatórios está em 30,96%; na Região Norte, em 40,48%; e no Sul, em 40,39%.

O ONS informou também que o assunto será discutido amanhã (9) na reunião do Conselho de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) No encontro também será analisada a situação energética do país. Presidida pelo ministro de Minas e Energia, Edison Lobão, a reunião contará com representantes do próprio ONS, da Agência Nacional do Petróleo, Gás natural e Biocombustíveis (ANP), da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel); da Empresa de Pesquisa Energética (EPE), da Câmara de Compensação de Energia Elétrica (CCEE), da Agência Nacional de Águas (ANA) e do Centro de Pesquisa de Energia Elétrica (Cepel).

Procurada pela Agência Brasil, a Petrobras informou, em nota, que, do total do despacho termelétrico do Sistema Interligado Nacional, previsto para esta semana, cerca de 8,1 gigawatts (GW) serão produzidos em usinas a gás natural, dos quais 5,3 GW em usinas sob controle da estatal.

Por Reinaldo Azevedo

 

08/01/2013 às 18:10

Direitos de alguns, direitos de todos e uma questão ao secretário de Segurança de Haddad. Ou: Se você não é minoria organizada, é só o primo pobre de um cachorro

Escrevi dois posts sobre o quiproquó com os skatistas na Praça Roosevelt, em São Paulo. Querem alguns que é assunto irrelevante. Não é, não. Trata-se de uma questão de civilidade e respeito, de que o país anda carente — no escritório da Presidência da República ou na praça. Os outros textos estão aqui e aqui. Inútil achar que a patrulha me intimida. Não dou a mínima. O caso, parece, também ilustra o modo como Haddad pretende governar a cidade. Se estamos diante de uma amostra ou de uma tendência, a maioria dos paulistanos será refém das minorias organizadas.

A praça, financiada com o dinheiro de todos os paulistanos, foi privatizada pelos skatistas. O fato de homens da Guarda Civil Metropolitana terem se comportado mal não torna certas as pessoas que estão erradas. É simples assim.

Roberto Porto, nomeado por Fernando Haddad para comandar a recém-criada Secretaria Municipal de Segurança Urbana, pasta a que está subordinada a GSM, afastou os policiais envolvidos, mandou abrir sindicância, emitiu nota de repúdio à atitude dos guardas e fez questão de deixar claro que não tolera ações como aquela. Que bom! Ele está certo! Só precisa tomar cuidado para não confundir o respeito legal que é devido por homens fardados — E É MESMO! — com um vício. Ele faz muito bem em se preocupar com os direitos humanos dos skatistas. Mas tenho uma pergunta ao doutor Porto: e os direitos humanos dos não skatistas?

Sei. Ele vai dizer: “Ah, essa pergunta é manjada!”. É, sim, mas segue sem resposta. Os skatistas continuam lá, passando como raio ao lado de crianças, a expulsar as pessoas comuns dos bancos — já que precisam realizar suas performances —, privatizando um equipamento público que pertence a todos os paulistanos.

Jader Junior, presidente da Ação Local, que defende os interesses dos usuários da praça que moram nas imediações, afirmou ao Estadão Online que, no sábado, um dia depois da confusão, um skate atingiu a cabeça de uma criança, que teve de ser levada para o hospital. Passei por lá hoje disfarçado de mim mesmo. A deterioração da área, entregue aos moradores há menos de quatro meses, em razão do uso inadequado é visível.

Pergunto ao doutor Porto: a Guarda Municipal que o senhor comanda é ou não capaz de conciliar o respeito aos direitos humanos dos skatistas com o respeito aos direitos, não menos humanos, dos demais usuários da praça? O senhor acredita ser possível assegurar os direitos da maioria sem agredir direitos da minoria?

Um método
Leio no Estadão:
“De acordo com o subprefeito da Sé, Marcos Barreto, uma reunião será marcada nos próximos dias com a GCM e os secretários da Segurança Urbana e do Verde e Meio Ambiente para discutir com a comunidade e o Conselho Gestor as regras que eles querem para o lugar. ‘É uma questão de ajuste’, garante.”

Huuummm… Posso ter entendido errado, mas acho que não. Até que não se faça, então, a reunião, os skatistas continuarão a ocupar toda a extensão da praça e a expulsar os seus frequentadores. Na cidade, sempre será parte legítima de uma demanda todo aquele que juntar uma turma e falar em nome de sua tribo, ainda que a despeito do direito de terceiros e de eventuais políticas públicas voltadas para a coletividade.

Aprenda, cidadão paulistano: se você não estiver ligado a alguma corporação — de ofício, esportiva, sindical, de lazer, escolha aí… —, você é um merda. Os direitos universais assegurados pela Constituição e eventualmente pelas leis não valem nada. Basta que um “representante” de alguma minoria se apresente como parte legítima de uma demanda, e só lhe resta calar a boca. Se o dito-cujo falar, então, em nome do “bem” (especialmente do bem futuro…), ele já ganhou.

Na madrugada de segunda, dois movimentos de sem-teto invadiram, sem prévio aviso ou qualquer outra tentativa de negociação com a Prefeitura, dois prédios na região central da cidade. Certo! Desde que o sujeito pertença a um “movimento”, de sem-alguma-coisa, de skatistas, de ciclistas, de defensor do planeta (escolham aí),  pode-se invadir o prédio, a praça, a avenida, a calçada, a propriedade de terceiros…

Cada vez mais, mau negócio no Brasil é pertencer à maioria dos “sem-organização”. Não aparece um doutor Porto para dizer: “Não admito que os direitos dessa maioria sejam desrespeitados…”.

Doutor Porto, tenha a bondade de pedir a seus subordinados que garantam os direitos dos usuários da Praça Roosevelt sem desrespeitar a lei. Que desafio ousado eu lhe faço, hein? Como cobrar que um governo petista arbitre em favor da prestigiada maioria desorganizada, né? Ninguém liga para um  sem-organização. É o primo pobre de um cachorro.

Por Reinaldo Azevedo

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Fonte: Blog Reinaldo Azevedo (VEJA)

1 comentário

  • Edison tarcisio holz Terra Roxa - PR

    OLIVIO DUTRA ESTOU COM VOCE MAS ELES TEM QUE DEVOLVER O DINHEIRO ROUBADO DOS BRASILEIROS

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