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A democracia deles – “Acossado”, último canal crítico ao chavismo será vendido

Publicado em 06/03/2013 11:27 e atualizado em 19/08/2013 13:26 2676 exibições
por Reinaldo Azevedo, de veja.com.br

A democracia deles – “Acossado”, último canal crítico ao chavismo será vendido; homem de Maduro anuncia que a TV passará a ser “vermelho-vermelhinha”

Na VEJA.com. Volto depois.
“Estamos acossados”. Assim o presidente e acionista majoritário do canal privado venezuelano Globovisión, a única emissora do país que ainda mantém uma linha crítica ao governo “bolivariano” iniciado com Hugo Chávez, resumiu a situação da empresa nesta segunda-feira. Em carta aos funcionários, Guillermo Zuloaga declarou que está negociando a venda do canal, confirmando rumores dos últimos dias, embora tenha negado que o veículo já foi vendido. A razão da venda, segundo ele, é a “inviabilidade” da Globovisión diante da pressão chavista e do combalido mercado de anunciantes na Venezuela.

“Somos inviáveis economicamente, porque nossa receita já não cobre nossas necessidades de caixa. Somos inviáveis politicamente porque estamos em um país totalmente polarizado e do lado oposto a um governo todo-poderoso que quer nos ver fracassar. Somos inviáveis juridicamente porque temos uma concessão que termina (em dois anos), e não há intenção (do governo) de renová-la. Pelo contrário, estamos acossados pelas instituições do estado, apoiadas por um TSJ (Tribunal Superior de Justiça) cúmplice que as ajuda e colabora em tudo aquilo que possa nos prejudicar”, explica Zuloaga no comunicado.

A derrota da oposição nas eleições de outubro, quando a Globovisión apoiou Henrique Capriles, explicou Guillermo Zuloaga, pôs a emissora “em uma situação muito precária como canal e como empresa, somando-se a isso o acúmulo de processos judiciais movidos pelo governo”.

A carta aberta de Zuloaga – que vive exilado nos Estados Unidos – foi enviada depois que seu filho e vice-presidente do canal, Carlos Zuloaga, afirmou. em um breve transmissão. que havia “uma oferta de compra formal” e “uma intenção de venda”. A negociação, segundo o dono da Globovisón, estava pronta para ser fechada nesta semana, mas ele pediu que só fosse concretizada depois das eleições presidenciais de 14 de abril, convocadas após a morte de Hugo Chávez. O provável comprador é o empresário do setor financeiro Juan Domingo Cordero, ex-proprietário de uma corretora de ações fechada após a intervenção do governo chavista no mercado de capitais que, com autorização do governo, abriu recentemente uma seguradora – sinal de que possui a aprovação oficial.

Opinião pública
Especializada em notícias, a Globovisión só transmite com sinal aberto em Caracas e na cidade de Valencia, a oeste da capital, mas chega ao resto do país como TV por assinatura e pela internet. Apesar de ser um canal relativamente pequeno, influencia a formação da opinião pública ao oferecer uma linha diferente da oficialista. Isso pode acabar com a eleição de Nicolás Maduro, o candidato governista à sucessão de Chávez, ficando a Venezuela com seis canais estatais permanentemente a serviço do governo e nenhum onde ele seja criticado abertamente.

Os outros dois principais canais privados de alcance nacional, Venevisión e Televen, reduziram ao máximo o espaço do jornalismo para não entrar em choque com o governo, que usa contra a Globovisión o apoio do canal à tentativa de golpe de 2002, que tirou Chávez do poder por dois dias. Cerca de 80% da Globovisión pertencem a duas famílias – a Zuloaga tem a maior parte, que está sendo vendida. Os 20% restantes foram confiscado pelo governo três anos atrás, e o antigo dono desse percentual luta na Justiça contra o estado para recuperá-lo.

Voltei
Andrés Izarra, ex-ministro das Comunicações e um dos homens de confiança de Maduro, comemorou a notícia e disse que, em breve, a emissora será “roja-rojita” — “vermelho-vermelhinha”.

O vermelho é a cor oficial do chavismo.

Por Reinaldo Azevedo

 

Que tal uma petição para isto? Gurgel cobra rapidez na prisão de mensaleiros

 

Na VEJA.com:
O procurador-geral da República, Roberto Gurgel, cobrou nesta segunda-feira rapidez na execução das condenações do mensalão, incluindo a decretação de prisões e perdas de mandatos de condenados. De acordo com Gurgel, o processo do mensalão só existiu por causa do trabalho investigatório do Ministério Público que, segundo ele, não está subordinado ao Poder Executivo.

“É preciso que aquelas pessoas condenadas a penas privativas de liberdade tenham mandados de prisão expedidos e sejam recolhidas à prisão”, afirmou. “Enquanto isso não ocorrer, haverá dúvida e preocupação com relação à efetividade da decisão”.

O procurador criticou uma proposta em tramitação no Congresso que retira os poderes de investigação do MP. “Retirar o poder de investigação do Ministério Público é podar a instituição, é mutilar a instituição”, afirmou. “Na verdade, essa PEC (Proposta de Emenda à Constituição) já tramita há muito tempo no Congresso Nacional, mas ela renasceu logo após o julgamento da AP 470 (processo do mensalão)”, disse. “Não afirmo que seja uma retaliação, mas não posso descartar essa hipótese”.

Para Gurgel, a ação do mensalão existiu graças ao trabalho independente de investigação do Ministério Público. “Posso dizer com absoluta segurança que não haveria a AP 470″, declarou. “Simplesmente isso. A investigação não teria se transformado em ação penal e não teria havido o julgamento realizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no ano passado tal a importância das investigações desenvolvidas pelo MP naquele caso”.

Indagado se a Polícia Federal não tinha independência para investigar o mensalão, Gurgel respondeu que os integrantes do Ministério Público detêm garantias que não são asseguradas aos policiais. O procurador acrescentou que a polícia está submetida hierarquicamente ao Executivo, o que não ocorre com o MP. No caso da investigação do mensalão, Gurgel disse que a apuração era extremamente complexa do ponto de vista político porque envolvia o partido do governo e algumas “figuras proeminentes” do governo.

Por Reinaldo Azevedo

 

Presidente do PT pede saída de pastor de comissão. Em março do ano que vem, petistas voltam a puxar o saco dos “crentes”. Ou: Promessa de Gilberto Carvalho de PT disputar espaço com evangélicos está sendo cumprida

 

Em 2010, o PT buscou desesperadamente o voto dos evangélicos. O deputado Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos e Minorias da Câmara, conforme ele mesmo revela em vídeo, foi uma das lideranças evangélicas que negociaram com os petistas. Já expus detalhes dessa relação.

Muito bem! Nesta segunda, chegou para a festa quem faltava: o presidente nacional do PT, Rui Falcão. Agora ele também quer a saída de Feliciano da Comissão, segundo informa a Folha. Expressou-se nestes termos: “Foi uma péssima indicação; não esperávamos que o PSC fosse indicar um fundamentalista”. O presidente do  diz esperar que o Congresso “possa reconsiderar” a decisão e “convencer o PSC a fazer outra escolha”. Outro chefão petista, Paulo Vannuchi, ex-ministro dos Direitos Humanos e diretor do Instituto Lula, também pediu a saída do deputado pastor: “As coisas são reversíveis. É preciso insistir na linha das manifestações deste sábado e dialogar com o presidente da Câmara, para sensibilizar que é ruim esse ambiente”.

O deputado enfrentou um novo protesto nesta segunda, desta vez em frente à unidade de Ribeirão Preto da Igreja do Avivamento. Cerca de 200 pessoas cobraram a sua saída da comissão, portando cartazes com acusações de homofobia e racismo. Ele seria homofóbico porque se opõe ao casamento gay e racista por conta de uma frase escrita no Twitter. Já expliquei por que tanto o tuíte como a a acusação são ridículas. O nome disso é, sim, intolerância. Mas intolerância de quem mesmo?

A suposição de que só alguém “que pensa o que a gente pensa” pode presidir uma comissão fala por si mesma. Desde o começo, os petitas davam apoio de bastidores ao movimento contra Feiciano. Agora que veio a público o entendimento eleitoral entre o deputado e o partido, revelado no vídeo aqui divulgado, Falcão resolveu tirar o corpo fora.

Eis aí. Está sendo ministrada uma importante lição às correntes evangélicas que começaram a chamar os petistas de “companheiros”. Têm a solidariedade do partido só até a página 13. Dali para diante, se preciso, o partido entrega os aliados aos leões sem pestanejar.

Falta um ano e sete meses para a eleição. Ali por volta de março do ano que vem, os petistas mandam, de novo, seus emissários procurar as lideranças evangélicas com promessas e primícias. Esses líderes até podem ser “abençoados” com prebendas, mas o eleitorado, é certo, estará sendo enganado.

Tudo está saindo conforme o planejado. Gilberto Carvalho avisou em janeiro de 2012que a próxima tarefa do PT seria disputar influência com os evangélicos. É o que o partido está fazendo. Lideranças petistas estão procurando representantes dessas correntes religiosas para desqualificar Feliciano e para demonstrar que ele não tem o apoio nem dos fiéis de denominações similares à sua.

Escrevo pela enésima vez: não tenho a menor simpatia pela prática política (e, até onde vi, nem pela religiosa) de Feliciano. Mas as duas acusações são absurdas, muito próprias de um tempo em que esses movimentos militantes decidem quem vai e quem não vai ser demonizado, quem pode e quem não pode dizer o que pensa. São verdadeiros tribunais de linchamento público. Não basta ser contra o casamento gay para ser homofóbico. A acusação de racismo, então, avança a linha do mau-caratismo. Segundo os critérios daqueles mesmos que estão nas ruas, Feliciano é filho de uma negra. O que ele falou sobre a  descendente de Noé e a África é só uma bobagem, não racismo.

Posso detestar tudo o que Feliciano pensa, mas não me venham pedir para silenciar diante desse espetáculo grotesco de intolerância. Menos ainda para participar do linchamento a que aderiram setores “progressistas” da imprensa, que não cumprem o mínimo da nossa profissão: explicar por que as duas acusações não fazem sentido. E nem por isso precisam defender que Feliciano fique lá. No debate público, é perfeitamente possível escolher uma coisa ou seu contrário sendo honesto intelectualmente tanto num caso como noutro. O que está em curso é de uma desonestidade intelectual assombrosa.

Por Reinaldo Azevedo

 

A morte de Chorão, a condescendência com as drogas, a cultura da morte e a coragem de uma mulher

 

Eu sempre fico muito encantado — aquele encantamento da estupefação — com esses grupos ditos “progressistas” que se querem donos de novas verdades reveladas. Sabe-se lá reveladas por quem… De qualquer modo, estão por aí, com aquele ar de quem “viu a coisa”.

Desculpo-me pela brutal ignorância, mesmo! Fico quase envergonhado. Mas eu não sabia da existência de um senhor chamado “Chorão”, um artista, até onde entendi, do rap (ou coisa assim; não me peçam dados, digamos técnicos).  Quando ele morreu, também fiquei sabendo que havia um grupo chamado “Charlie Brown Jr.”. Não os estou tratando com menoscabo, não! Tampouco estou me apresentando aqui como um ser refinado, capaz de fazer digressões sobre as particularidades de Rachmaninoff… Ainda que possa, isso também não quer dizer nada. Já de música caipira, de viola, dessa eu até que entendo um pouquinho e falo com alguma desenvoltura. Dia desses ainda convido o professor Marco Antonio Villa para escrevermos a quatro mãos a “economia política da música caipira”. A ocupação do norte do Paraná e de parte do Centro-Oeste por paulistas, a migração de mineiros para São Paulo, tudo isso está reportado nesse gênero. Uma de suas derivações — teratológica talvez — é esse sertanejo universitário, ou coisa assim, que mobiliza multidões mesmo nas cidades. O Brasil que progride é virtuosamente caipira… Mas já derivei, já me distraí, já me perdi em digressões.

Volto ao ponto. Eu nunca tinha ouvido falar de Chorão, sinal da minha ignorância e paspalhice e da minha inatualidade. A comoção gerada em alguns círculos por sua morte chamou a minha atenção. E agora vem o motivo deste post.

Analisando o tom das reportagens, de alguns testemunhos e de algumas homenagens, fiquei com a impressão de que Chorão morreu porque tinha um grande coração, porque tinha uma grande alma, porque era talentoso demais, porque estreitava no peito mais humanidades do que Cristo, como diria Fernando Pessoa. Alguém, em algum momento, lamentou, então, que tantas virtudes tivessem se perdido por causa das drogas? Não!

Ao contrário até: uma análise dos signos postos para circular com o objetivo de exaltar os seus ditos múltiplos talentos fazem, indiretamente, a apologia dessa suposta visão alternativa de mundo, que não se encaixaria, sei lá como chamar, na ordem burguesa. De algum modo, parece que Chorão morreu porque o mundo não o compreendeu, não lhe pagou devidamente por seu grande coração. Até que veio a público o testemunho de sua mulher.

Graziela Gonçalves é o nome desta brasileira corajosa. Não! Chorão não morreu porque era talentoso demais, ainda que fosse. Não morreu porque tinha uma grande alma, ainda que a tivesse. Não morreu porque era dotado de múltiplos talentos, que fosse. Morreu mesmo por causa da cocaína, das drogas. Drogas que, ela deixou claro, ele não tinha dificuldade nenhuma de conseguir. Ficou no ar a suspeita, é evidente, de que estava preso numa espécie de círculo, em que a dita-cuja era coisa corriqueira.

“Ah, mas o testemunho dela foi ao ar, Reinaldo, e na imprensa!” É verdade. Porque ela teve a coragem de dar a cara ao tapa. Não fosse isso, a morte deste senhor, que era ídolo de gente muito mais jovem, segundo entendi, passaria como mais um caso de martírio do herói. E não! Definitivamente, ainda que Chorão fosse o Schopenhauer do rap (não sei se era porque desconheço e não falarei a respeito), ele não é mártir de nada. Ele foi vítima de sua própria concepção equivocada de mundo e de suas escolhas comprovadamente erradas.

Em certa medida, todo homem é também vítima de si mesmo: eu, você que me lê, todo mundo. Apenas repudio essa cortina de silêncio sobre a causa da morte e a óbvia distorção em curso. Se tivesse morrido, sei lá, de câncer, emprestar-lhe-iam certamente um tom menos épico — ou menos dramático, a depender do caso.

O tratamento jornalístico dispensado ao caso é uma das muitas inversões morais em curso no nosso tempo. Que fique o testemunho de Graziela que vi no Fantástico. Ela tentou de tudo. Perdeu o marido para o vício, mas o perdeu também para uma das faces mais escuras da cultura da morte: a tolerância dos supostamente progressistas com as drogas.

Por Reinaldo Azevedo

 

Você é só um humano? Pois trate também de ser um militante gay, negro, feminista, um cicloativista, sei lá eu. Quem é apenas um humano não é porcaria nenhuma!

 

Você é apenas um humano? Então chegou a hora de acrescentar a essa condição vulgar algo que vá distingui-lo.

Quem é você, leitor?
Ou melhor: o que é você?
Você é alguma coisa?
Você tem algum grupo?
Você pertence a alguma categoria acima dos humanos?

Você é gay?
Você é cicloativista?
Você é negro (militante?)
Você é mulher (militante)?

Trate de ser alguma coisa “enquanto coisa”. E isso, que é uma parte de você, é que lhe conferirá identidade e lhe permitirá dizer, diante do “outro” e dos outros: “Me respeite!”.

Estamos na era em que é preciso pertencer a um grupo para ter direitos — se for o caso, até mesmo para cassar direitos alheios: o direito que o “outro” tem de ter uma opinião, por exemplo. Nem pensar! Se eu, “enquanto membro de um grupo”, me sentir ofendido, que se dane! Quero que se cale!

A estupidez desses tempos vai ganhando contornos assustadores até mesmo diante do horror — ou especialmente em face dele. Vejam o caso do rapaz que transitava numa bicicleta na Avenida Paulista e teve um braço arrancado por outro, que conduzia um automóvel. O motorista não prestou socorro ao ciclista, correu alguns alguns quilômetros com o membro do outro pendurado no veículo e depois o jogou no rio. 

Na imprensa, o que teve o braço decepado virou “o ciclista” — e não apenas porque transitava numa bicicleta. É que o “ser ciclista” é a mais recente “categoria” que define o “ser humano”.

Só no primeiro semestre do ano passado, MORRERAM ATROPELADAS EM SÃO PAULO 268 pessoas. E, segundo a CET, isso havia representado uma queda de 17% em comparação com igual período do ano anterior.  E, no entanto, essas mortes não são notícia porque aqueles que morreram não “eram alguma coisa”; eram apenas expressões daquele humano que já quisemos um dia, em tempos talvez menos obscuros, o “ser universal”.

É claro que é um absurdo o que aconteceu na Paulista. Não estou tentando minimizar nada, não! Ao contrário. Estou apenas fazendo um esforço para explicar que o “ser ciclista” não confere gravidade especial ao ocorrido. Já é grave o bastante. Um braço humano foi arrancado e jogado no esgoto. Duzentas e sessenta e oito vidas foram cassadas no primeiro semestre do ano passado!

Em que reside o absurdo, por exemplo, do tal PLC 122, a que diz “criminalizar” homofobia? Agredir ou matar um gay passa a ser considerado, na prática, um crime mais grave do que se a mesma agressão fosse praticada contra um não gay. Qual é a justificativa moral de fundo para isso? “Ah, precisamos desestimular as ocorrências contra esse grupo em particular…” E então se recorre ao agravamento da pena. Mas esperem: nós precisamos desestimular a violência de maneira geral; há 50 mil homicídios dolosos por ano no país. O curioso é que os mesmos que defendem a PLC — às vezes, para não ter de enfrentar o protesto dos grupos militantes — tendem a afirmar que penas mais pesadas não coíbem crimes.

O ser simplesmente “humano” vai perdendo prestígio. À era das expressões das identidades corresponde um evidente rebaixamento do que, no fim das contas, define o homem, aquele animal singular que um dia mereceu distinção por ser dotado de pensamento, de consciência de si, de individualidade — mesmo em situações potenciais. É preciso que ele deixe de ser o simplesmente humano, com a sua gigantesca variedade, para ser reduzido a uma categoria influente se pretende ser respeitado.

Aqui e ali me perguntam: “Mas como você consegue ser católico?”. Não acho que os elementos de fé devam se prestar a proselitismo, e entendo que a gente não captura a crença; costuma acontecer o contrário. Os meus amigos sabem que não torro a paciência de ninguém com isso. Mas respondo: ainda que eu não fosse católico, ainda que não cresse, eu o seria, eu daria um jeito de crer. A Igreja Católica é hoje a única instituição de alcance universal — as igrejas protestantes, como se sabe, são bastante fragmentadas, embora a maioria comungue dos mesmos valores a que me refiro — que faz a defesa incondicional da VIDA HUMANA em qualquer um de seus estágios, em qualquer condição. Não fossem os elementos de fé, E ELES BASTARIAM, a me levar a defender o cristianismo (no meu caso, o católico), haveria as minhas convicções humanistas a determinar a escolha.

E não! Não acho que é preciso “ser cristão” para que se possa fazer essa defesa incondicional da vida. Conheço muitos agnósticos que pensam a mesma coisa.

Essa era do “identitarismo”, do “só sou porque sou alguma coisa” reduz a dimensão do humano e torna, de fato, o mundo muito mais intolerante.

Prefiro a causa humana. Não me choca que um motorista arranque o braço de um ciclista. Não vivo num mundo de corporações disso ou daquilo. É uma forma primitiva de existência. O que me espanta é que pessoas possam fazer isso com pessoas.

Por Reinaldo Azevedo

 

O tribunal totalitário do sindicalismo gay. Ou ainda: Daqui a pouco, os políticos terão de se ajoelhar diante de Pedro Abramovay, o juiz supremo de um tribunal de exceção

 

Não vou desistir, não! Os fascistas — vistam vermelho, preto ou rosa — fazem linchamentos morais do lado de lá, eu continuarei, do lado de cá, a lembrar como funciona uma sociedade democrática e de direito. Grupos de pressão agora deram pra fazer das ONGs e das redes sociais verdadeiros tribunais de exceção. As pessoas são julgadas e condenadas sem nem mesmo direito de defesa. E têm contado, sim, com o apoio de amplos setores da imprensa. Raramente tantos foram tão intolerantes em nome da tolerância. Ora, defender a liberdade de expressão daqueles que pensam como a gente é coisa fácil. Stálin, Hitler, Mao Tsé-tung ou Kim Jong-Il não fariam melhor. Quero ver é a defesa da dita-cuja para os que pensam de modo diferente.

Ontem, li nos sites dos grandes portais que o Grupo Gay da Bahia, chefiado por Luiz Mott, resolveu conferir o troféu, atenção para o nome!, “Pau de Sebo” para o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, para o ex-governador José Serra e para o ministro da Educação Aloizio Mercadante. Eles foram considerados “inimigos dos homossexuais” porque teriam se oposto ao chamado kit gay nas escolas. É uma vigarice intelectual, uma trapaça, uma safadeza — ou os gays estariam imunes a esses males? Nenhum dos três, é evidente, é “inimigo dos homossexuais”. Haddad e Mercadante podem ter muitos defeitos — este, que se saiba, não! Incluir Serra na lista, então, evidencia mais uma vez o rigor intelectual com que opera o tal Mott, professor de antropologia da Universidade Federal da Bahia. Em outras circunstâncias, ele já teve a chance de demonstrar que, como intelectual, é um excelente candidato a animador de auditório… É uma vergonha!

Haddad, longe de ser “inimigo dos homossexuais”, poder ser considerado até mais do que um “amigo”: é um verdadeiro “gayzista”. Foi na sua gestão que se criaram os famigerados kits gays para ser distribuídos nas escolas — a crianças do Ensino Fundamental também. Entre as pérolas que lá estavam, vocês devem se lembrar, havia um filminho que declarava a superioridade da bissexualidade sobre a heterossexualidade porque a pessoa aumentaria em 50% a chance de ter com quem sair no fim de semana. Ainda que se desconte o erro de matemática, sobra a estupidez moral e pedagógica. Seria oferecido a crianças um pega-palavras para identificar o nome da pessoa que está insatisfeita com a sua genitália. Um outro filme defendia que os travestis usassem o banheiro das meninas e que fossem chamados pelos professores por seu nome feminino.  E isso era apenas parte da estupidez. Na gestão Haddad, esse material foi preparado por ONGs e custou dinheiro. Ninguém sabe quanto ao certo. Só não chegou às escolas porque houve uma forte mobilização de parlamentares — especialmente, sim, da bancada evangélica. A própria presidente Dilma Rousseff ordenou que o material não fosse distribuído, o que lhe rendeu o troféu “Pau de Sebo” de 2012. O fato de o Grupo Gay da Bahia ser estúpido também com petistas não o faz menos… estúpido!

Militância cega
O troféu conferido a Serra evidencia a cegueira dessa militância. O ex-ministro da Saúde merecia ser considerado, isto sim, quase um herói — não exatamente da causa gay, mas, se me permitem, de uma causa humanista de especial interesse para os gays. Quando o mundo praticamente não olhava para o problema, ele foi à luta, enfrentou resistências internas, a indústria farmacêutica, uma série de preconceitos e quebrou a patente de remédios que compõem o chamado “coquetel anti-AIDS”. Estruturou aquele que foi considerado pela ONU o maior e mais eficaz programa de prevenção e combate à doença. Milhares de gays — e também de héteros e de hemofílicos — se salvaram em razão desse programa, que, de outro modo, não teria essa extensão. Quando governador de São Paulo, Serra criou o Ambulatório de Saúde Integral para Travestis e Transexuais, um grupo que tem particularidade e que requer tratamento específico.

Por que ele seria, então, “inimigo dos homossexuais”? Ah, porque ele se opôs ao kit gay!  Aí se evidencia a essência totalitária disso que chamo “sindicalismo gay”. Para que alguém, então, possa ser considerado um “amigo” da turma, é preciso que se lhe conceda também o direito EXCLUSIVO de educar as nossas crianças. Ou nada feito! Notem: a essa fatia do sindicalismo gay, o que um governante efetivamente faz em defesa de homossexuais não tem a menor importância. Eles exigem é a comunhão de valores. Dado o seu tamanho, a entidade que mais atende homossexuais pobres vítimas da AIDS é a… Igreja Católica! Mas isso, para essa turma, é também irrelevante. Se a Igreja não amparasse um só doente, mas fosse favorável ao casamento entre pessoas do mesmo sexo, então ela seria considerada uma entidade “amiga dos homossexuais”.

Essa gente está mais empenhada numa guerra de valores do que propriamente em ajudar os que sofrem. E não veem problema nenhum em sair por aí enlameando reputações. O GGB explica por que o troféu se chama “Pau de Sebo”: “Para mostrar o ridículo de ser inimigo dos LGBT: por mais que queiram espezinhar os gays e destruir o movimento de libertação homossexual, nunca chegam a seu objetivo, caindo e se lambuzando no pau de sebo da intolerância”. É evidente que essa é a versão, digamos, “de família”. Não é preciso ser muito sagaz para desconfiar que, para a plateia de Mott, a graça do “pau” e do “sebo” do título está na ambiguidade… Asqueroso!

Reitero: se Serra jamais tivesse movido uma palha em favor da quebra de patentes e da distribuição do coquetel; se jamais tivesse criado qualquer centro de referência de tratamento de homossexuais, se jamais tivesse salvado uma vida, mas se dissesse favorável ao kit, então ele ganharia um “Triângulo Rosa”, que é o troféu que o grupo confere aos “amigos dos gays”.

Mott, o irresponsável
A irresponsabilidade intelectual de Mott, um “professor” (Deus meu!), não é recente. Ele elaborou uma lista de supostos 100 gays VIPs do Brasil. Este senhor não precisa de fonte, de pesquisas, de nada. Basta-lhe a afirmação desairosa de alguém sobre um desafeto e pronto! Uma carta gentil a um amigo ou uma amiga é o suficiente para que decrete: “É gay”. Até as primeiras décadas do século 20, era comum, em Portugal e no Brasil, que amigos se despedissem em missivas com um “Do teu… Fulano de Tal”. Mott veria coisa ali…  É assim que os poetas Olavo Bilac e Álvares de Azevedo entraram na lista. Também Dom João VI e Dona Leopoldina. Ou Zumbi do Palmares. O raciocínio que ele faz para concluir pela homossexualidade de alguém é mais uma evidência de seu refinamento teórico. Ele acha que Cristo, por exemplo, muito provavelmente era gay. E explica assim: “Ele era delicado com as crianças, sensível aos lírios do campo e nunca se casou. Parece até que tinha um caso com João Evangelista”. 

Esse cara dá aula! É doutor em antropologia! Mesmo com essa ignorância, como direi?, alastrante! 

De novo, Abramovay
Como é que se salta de Mott a Pedro Abramovay, o chefão no Brasil do site de petições Avaaz? Eu explico. Esse petista, ex-secretário nacional de Justiça, é hoje o comandante de uma organização que promove linchamentos online de quem lhe der — e a seu grupo — na telha. Concedeu ontem uma entrevista ao Estadão. Uma entrevista dos tempos modernos: fala o que bem quer, mesmo os maiores absurdos, e não precisa se explicar. Como comandou a petição contra Renan Calheiros, então pode se fingir de promotor do bem público.

O Avaaz recebeu petições, por exemplo, contra os pastores Silas Malafaia e Marco Feliciano, mas recusou as petições a favor de ambos. A organização tem bastante dinheiro — tanto que já encomenda pesquisa ao Ibope e conta com braços em Brasília. Ele não conta quanto isso custa. Diz não saber. Ele revelou como funciona a coisa. Leiam (em vermelho)

A Avaaz deleta alguns abaixo-assinados, como um proposto em defesa do pastor Silas Malafaia. Qual o critério para deletar ou bloquear algumas petições?
Abramovay -
 O critério mais utilizado, e foi o caso da petição do Malafaia, que se tornou um caso bastante conhecido, é quando alguém da comunidade reclama. Porque a gente vê a Avaaz como um movimento, não é uma rede social, não é um espaço neutro, ela é um movimento que tem princípios. Quando uma parte dessa comunidade diz que essa petição vai contra o princípios do movimento, a gente faz uma pesquisa entre os nossos membros, perguntando, para uma amostra aleatória e por critérios cientificos, se isso representa a vontade dos membros. A gente tem três milhões de membros no Brasil, e pergunta: Vocês acham que essa petição deve continuar ou deve ser retirada? No caso do Malafaia, 77% das pessoas disseram que ela deveria ser retirada, e foi por isso que ela foi retirada.

Mas se a maioria decidisse que a petição teria que ficar, ela ficaria?
Fica.

O Malafaia, assim como o pastor Marco Feliciano (PSC-SP), atual presidente da Comissão de Direitos da Câmara, disseram que vão processar vocês por terem apagado a petição deles.
Isso mostra que de fato essas manifestações têm tido um efeito político grande, isso é positivo. Mas acho que qualquer tentativa de se reprimir, judicialmente ou não, movimentos políticos, acho que é muito complicado para a democracia. De qualquer maneira, a Avaaz está muito tranquila, existem regras claras na política da publicação e retirada de petições que estão no site. Do ponto de vista do risco jurídico, a gente não vê nenhum risco nessa forma de conduzir esse movimento (…).

Voltei
Mott é professor de antropologia, e Abramovay, de direito. Vejam que grande democrata é esse rapaz: a “maioria” que conta para saber se alguém será ou não demonizado sem chance de defesa é a maioria formada pela turma, entenderam? São os juízes. Juízes que, como ele revela, não são “neutros”.

Assim, Abramovay, que se quer a voz da sociedade — basta ler a entrevista para constatá-lo —, não quer saber, de fato, o que pensa a maioria, mas o que quer a maioria da minoria que ele representa. Com ela, ele mobiliza a imprensa (como se vê), o Congresso, as redes sociais… Quisesse mesmo ser um reflexo da sociedade, ele permitiria que as petições fluíssem sem censura. As pessoas fariam, então, suas escolhas livremente.

Não com ele! A “democracia” deles guarda incrível semelhança, embora sejam mais sofisticados, com a de Hugo Chávez: fazem o que quer a “maioria”, desde que estejam excluídos, em princípio, os adversários.

Ah, sim: vocês notaram que, até agora, não existem mobilizações contra a presença de João Paulo Cunha e José Genoino na Comissão de Constituição e Justiça da Câmara. Juntos, eles  somam 17 anos de cadeia…

Ao comentar, peço-lhes, por favor, moderação, equilíbrio, bom senso, tudo o que esses fascistas não têm.

Texto originalmente publicado às 5h14

Por Reinaldo Azevedo


Eles estão acima da lei, do estado de direito, da propriedade e até da honra alheia. E contam, na prática, com a proteção do Planalto

Vejam esta foto.

São militantes da Via Campesina, um braço do MST e da CPT (Comissão Pastoral da Terra) invadindo as instalações da usina Maravilha, na cidade de Goiana, a 70 quilômetros do Recife (foto de Hans von Manteuffel /O Globo).  O pretexto é a demora na desapropriação de terras para a reforma agrária. Eles também reclamavam que o governo de Pernambuco foi hábil em doar terrenos da região para a construção de uma unidade da Fiat — como se isso fosse um mal para a população local —, mas lento para atender aos sem-terra e coisa e tal. Essa ladainha, bovinamente veiculada pela imprensa, a gente já conhece. A empresa invadida também estaria devendo uma dinheirama em dívidas trabalhistas. Ainda que assim seja, é esse o método a que se deve recorrer? Cinicamente, a Via Campesina usou a depredação como a sua forma de marcar o Dia Internacional da Mulher. É a razão por que aquelas senhoras chegaram quebrando tudo, com porretes e facões. O que vai acontecer com elas? Nada! No Brasil, “movimento social” pode passar a mão no traseiro do guarda…

Anteontem, um grupo de mulheres da mesma Via Campesina depredou e ocupou por algumas horas uma fazenda que pertence aos filhos da senadora Kátia Abreu (PSD-TO). Destruíram nada menos de 500 mil mudas de eucalipto. Por quê? Pelo prazer de destruir. A turma de João Pedro Stedile é conta os eucaliptos… Vejam esta foto.

Acima, vocês veem as mudas arrancadas. O prejuízo, segundo os administradores da fazenda, é da ordem de R$ 500 mil. Uma certa Mariana Silva, coordenadora do MST em Tocantins, explicou assim o vandalismo:
“A ruralista e senadora Kátia Abreu é símbolo do agronegócio e dos interesses da elite agrária do Brasil, além de ser contra a reforma agrária e cometer crimes ambientais em suas fazendas. Por isso estamos realizando esse ato político e simbólico em sua propriedade. Nosso objetivo foi sabotar o modelo de monocultura e mostrar a essa senadora que, em vez de destruir o meio ambiente, o melhor caminho é diversificar a produção de alimentos para o povo”.

Digam-me cá: ela fala ou não fala como uma “mulher do povo”? Para o MST, uma plantação de eucaliptos é “monocultura”. Ela admite o crime. Ela assume a “sabotagem”, tudo em primeira pessoa. Kátia Abreu é “símbolo” do agronegócio? Ainda bem! Não fosse ele, o país estaria no buraco. Mariana, muito sabida, pretende decidir, como se vê, o que Kátia e sua família devem e não devem cultivar em suas terras. Agora vejam isto:

 

Quer dizer que Kátia mandou matar gente no Pará? Por quê? Ora, porque ela é uma “ruralista”. Considerando que dona Mariana resolveu ser porta-voz do grupo e que a senadora está impedida de acionar na Justiça o MST e a Via Campesina porque não têm existência legal, só resta a Kátia processar por calúnia aquela suposta “agricultora” que mal esconde o sotaque ideológico de suas formulações.  Os comandados do senhor João Pedro Stedile não reconhecem a existência de propriedade, de leis e de honra alheia.

No governo do PT, alguns grupos estão acima das regras do estado de direito. Têm licença para ameaçar, invadir, depredar. O ministro que faz a interlocução com os ditos “movimentos sociais” é Gilberto Carvalho, aquele que anunciou no ano passado: “Em 2013, o bicho vai pegar!”. Um funcionário seu foi à reunião na embaixada cubana que preparou os atos vis de hostilidade a Yoani Sánchez.

No fim das contas, Carvalho é a fachada moderada e legalista da turma que faz o “bicho pegar” nas cidades ou no campo.

Por Reinaldo Azevedo


Movimento dos Sem-Lei e dos Sem-Limite invade e depreda fazenda produtiva dos filhos de Kátia Abreu

E o Movimento do Sem-Terra — que também atende pelo nome de Movimento dos Sem-Limite, dos Sem-Freios, dos Sem-Polícia, dos Sem-Justiça, dos Sem-Constituição — voltou a praticar uma de suas costumeiras brutalidades. Agora invadiu uma fazenda que pertence aos filhos da senadora Kátia Abreu (PSD-TO). Orgulhoso, o MST fotografa a ação e a divulga. Leiam texto de Letícia Cislinschi, na VEJA.com. Volto em seguida.

*
Cerca de 500 mulheres do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) invadiram uma fazenda dos filhos da senadora Kátia Abreu (PSD-TO), no Tocantins, na manhã desta quinta-feira e destruíram viveiros de mudas de eucalipto. Segundo a senadora, 48 funcionários foram feitos reféns.

Em nota, Kátia Abreu repudiou o ato e avisou que a “invasão é um ato de retaliação contra sua atuação democrática como senadora e líder do setor produtivo rural”. Ela afirmou ainda que a invasão não vai impedi-la de continuar “mostrando ao Brasil as mentiras e as atrocidades cometidas por este movimento dos sem lei”. A senadora também informou que sua família está indo ao local para tomar as medidas judiciais e “prestar atendimento aos verdadeiros trabalhadores que lá foram feitos reféns”.

Violência
Em outubro de 2009, a Polícia Militar registrou em vídeo a ocupação pelo MST da fazenda Santo Henrique, da empresa Cutrale, no município de Borebi, a 290 km de São Paulo, na região de Bauru. Nas imagens, integrantes do movimento aparecem destruindo 12 mil pés de laranja com o uso de tratores. Além do pomar, os invasores depredaram máquinas, tratores e casas da fazenda. O prejuízo passou de 1 milhão de reais.

Voltei
Até quando o país viverá essa rotina? Até quando houver impunidade. Ate quando o MST decidir que pode fazer o que bem entende sem que lhe advenham consequências. Poucos se lembram, mas, na raiz desses atos violentos, de puro vandalismo, está o PT. Existe uma lei, uma MP devidamente aprovada, que criava uma espécie de cadastro de invasores e os mandava para o fim da fila de prioridades dos assentamentos. Os petistas passaram a ignorar a lei solenemente. Vejam uma foto da invasão, divulgada pelos próprios criminosos.

Lá nos primórdios, o MST se justificava moralmente dizendo que só invadia “terra improdutiva”. Com o tempo, isso foi mudando — nem poderia ser diferente: era mesmo mero pretexto. Os sem-lei passaram a invadir muito especialmente terras produtivas. O movimento passou a ser uma espécie de juiz do que pode e do que não ser produzido no pais.  Muito bem: eles sabem que não há a menor possibilidade de tomar a fazenda dos filhos de Kátia Abreu. A terra não se encaixa nos critérios que a tornariam passível de desapropriação porque produtiva. Então optam pela depredação, a exemplo do que já fizeram com instalações da Monsanto e da Cutrale.

E qual a consequência? Nenhuma! O governo ignora a lei que pune os invasores. O Ministério Público, quando atua, encontra na Justiça uma barreira porque se alega que não existe “crime coletivo”; para que possa haver uma punição, os juízes exigem a conduta individualizada. O filho de Kátia Abreu não tem como processar o MST porque o movimento não existe legalmente, entenderam? É uma rede, como a Al Qaeda, sem personalidade jurídica. Um grupo, uma cooperativa, um assentamento, uma associação, entes os mais variados são do MST sem que o MST seja alguma coisa acionável na Justiça.

Mulheres e crianças
A ação na fazenda, como viram, foi protagonizada por mulheres. É uma das táticas a que recorre o MST. Elas costumam praticar os atos mais violentos. É uma tática importada dos movimentos terroristas, que recorrem a mulheres e a crianças — ou as usam como escudos — para intimidar a reação dos agredidos.

Vejam lá a foto. Há ao menos uma criança no meio da bagunça. Deve haver outras. Só isso exporia os adultos ali presentes ao braço da lei. Sabem o que vai acontecer? Nada!

Reféns
Nada menos de 48 funcionários foram feitos reféns pelo movimento. É prática semelhante ao terrorismo. Só para arrematar: aquela comissão que encaminhou ao Senado uma proposta aloprada de reforma do Código Penal sugeriu que o país tenha, finalmente, uma lei que puna terroristas. Mas abriu uma exceção: atos praticados por “movimentos sociais” estariam isentos de culpa e de pena. Ah, bom…Segue nota da senadora Kátia Abreu:

Repudio, com indignação, a invasão perpetrada pela Via Campesina, uma das milícias do MST, em uma propriedade da minha família, localizada em Aliança, Tocantins.
Trata-se de uma propriedade produtiva, moderna, que emprega 48 trabalhadores, hoje violentamente transformados em reféns, enquanto o grupo de vândalos destruía viveiros de mudas cultivadas com alta tecnologia, destinadas ao plantio de eucaliptos, que é a atividade principal do empreendimento.
Esta invasão é um ato de retaliação contra minha atuação democrática como senadora e líder do setor produtivo rural, em defesa do Estado de Direito e dos direitos fundamentais, neste caso traduzido no direito de propriedade.
 Não vão me fazer recuar. Não vão me amedrontar. Não vão impedir que continue mostrando ao Brasil as mentiras e as atrocidades cometidas por este movimento dos sem lei.
Neste momento, minha família está se dirigindo ao local para tomar as medidas judiciais cabíveis e prestar atendimento aos verdadeiros trabalhadores que lá foram feitos reféns.
Brasília, 7 de março de 2013
Senadora Kátia Abreu

Por Reinaldo Azevedo

 

Ex-ditador, atual cadáver e futura múmia. Mas procria!

Vejam esta foto (AFP).

É a Frente Unida do Atraso. Ali se veem Cristina Kirchner, presidente da Argentina; José Mujica, presidente do Uruguai, e Evo Morales, o índio de araque, presidente da Bolívia, com uma jaqueta que traz a imagem de Che Guevara — aos 54 anos, com os cabelos mais negros do que as asas da graúna, nem a cor da cabeleira desse farsante é verdadeira. Indígena que usa Hené Maru! O menos dolosos no que concerne à democracia é o pançudo do meio, cuja iniciativa mais vistosa foi tentar estatizar a maconha… Coitada da América Latina! Alinham-se diante do corpo de Hugo Chávez, ex-ditador, atual cadáver e futura múmia, que procria. Na Venezuela, com o “comandante” vivo ou morto, uma ilegalidade vai gerando outra; uma violação à Constituição dá à luz a seguinte. O Tribunal Superior de Justiça, um dos cartórios do bolivarianismo — não existe Poder Judiciário independente no país —,  decidiu que Nicolás Maduro poderá se candidatar na próxima eleição.

É um esculacho. Maduro ficou no comando do país porque o tribunal entendeu que, sendo vice (ele não era!!!), substituía interinamente o presidente. Fraude: Chávez não chegou a tomar posse desse mandato. Se não tomou, como é que Maduro poderia ser vice? O tribunal fraudou a Constituição, inventando a tese da “continuidade administrativa”.

Muito bem! Só porque o tribunal entendeu que Maduro era o vice legal é que ele ficou no comando do país. Seguisse o que vai na Constituição, deveria ter assumido interinamente Deosdato Cabello, presidente da Assembleia Nacional. Também é um bolivariano xexelento (de um hospício diferente), mas é a lei. E daí? Os togados do chavismo (Deus meu!) declararam: “Maduro é o vice”. É? Então vamos ver o que diz agora o Artigo 229 da Constituição, feita pelos próprios aloprados:
“No podrá ser elegido Presidente o Presidenta de la República quien esté en ejercicio del cargo de Vicepresidente Ejecutivo o Vicepresidenta Ejecutiva, Ministro o Ministra, Gobernador o Gobernadora y Alcalde o Alcaldesa, en el día de su postulación o en cualquier momento entre esta fecha y la de la elección.”

Eis aí. É evidente que Maduro não poderia ser candidato exercendo o cargo porque esse mesmo tribunal decidiu que ele era “vice-presidente executivo” — e só por isso assumiu o comando. O que fazer? Ora, mudar o nome da sua função. Ele passa a ser “vice-presidente interino”. Como não existe no Artigo 229 óbice a que um “vice-presidente interino” se candidate, então é isso o que ele é. Se houvesse, inventariam outra designação qualquer.

Para não passar o poder ao presidente da Assembleia, como determinada a Constituição, inventaram que Maduro era o vice; para que possa concorrer à Presidência, dizem agora que não é mais vice. Na Venezuela, a legalidade é aquilo que os bolivarianos dizem ser a legalidade. Não seguem nem mesmo as leis que eles próprios criam.  Vejam esta outra foto (Reuters). Volto em seguida.

 

As personagens principais são conhecidas, não é mesmo? Poderia ser só o ar compungido típico dos velórios. Existe, na nossa língua, a expressão “fazer cara de enterro”. Ocorre que vai nessa compunção algo mais do que a solidariedade humana com a dor alheia. Há ali o endosso a um regime que viola as regras mais elementares da convivência democrática. Não custa lembrar que Dilma Rousseff e Cristina Kirchner deram um verdadeiro golpe no Mercosul para abrigar a Venezuela ditatorial de Hugo Chávez e suspender os direitos do Paraguai, uma democracia.

O flagrante, no entanto, está a nos lembrar que “eles” passam, ainda que tentem se preservar como múmias.

Por Reinaldo Azevedo

 

Em rede nacional, Dilma anuncia desoneração da cesta básica mirando 2014

Por Laryssa Borges, na VEJA.com:
Em mais um capítulo da estratégia de antecipar a campanha eleitoral de 2014, a presidente Dilma Rousseff utilizou cadeia de rádio e televisão para anunciar, na noite desta sexta-feira, a desoneração de alguns produtos da cesta básica. O uso de viés eleitoral da cadeia pública de televisão (mesmo que num tom bem mais ameno do que na última vez em que a presidente fez uso desse expediente) é oportunista. Dito isso, o fato de que o governo tenha encontrado uma fórmula tributária é sempre louvável num país que está entre os que mais tributam seus cidadãos.

A presidente pegou carona no pronunciamento anual em comemoração ao Dia Internacional da Mulher para anunciar seu novo pacote de bondades. Ela usou de uma frase que poderia ter saído da boca de Lula, dizendo que cuida do governo como as mulheres cuidam de suas famílias. Diferente do que fez nos últimos dois anos, ela não se limitou a detalhar políticas de combate a desigualdades de gênero ou à violência doméstica. Ela também aproveitou os minutos em rede nacional para ressuscitar o tema do corte na conta de luz e, num exercício de autopromoção, elogiou a manutenção da taxa básica de juros (a Selic) em 7,25% ao ano.

Diante de um cenário de desconfiança sobre o real comprometimento do governo em relação ao controle da inflação, a presidente antecipou a desoneração da cesta básica, que estava prevista para ocorrer apenas na semana que vem. No pronunciamento, Dilma informou que o PIS/Cofins de 9,25% que incidia sobre os alimentos da cesta básica será zerado. Ela também anunciou o que classifica como “um novo formato” de cesta, composta por carne bovina, suína, peixe, arroz, feijão, ovo, leite integral, café, açúcar, farinhas, pão, óleo, manteiga, frutas, legumes, sabonete, papel higiênico e pasta de dente.

Embora alguns desses produtos já não tivessem mais incidência de IPI (Imposto sobre Produtos Industrializados), ainda havia uma alíquota de 9,25% de PIS/Cofins, tributo sobre o qual o governo já estimava desonerações de 18,3 bilhões de reais em 2013, conforme a proposta de orçamento encaminhada ao Congresso Nacional. “Espero que isso baixe os preços desses produtos e estimule a agricultura, a indústria e o comércio, trazendo mais empregos”, disse a presidente. A expectativa do governo é que os preços das carnes tenham redução mínima de 9,25%. Já para pastas de dente, a redução de preço esperada pelo Planalto é de 12,5%. Com a medida, a equipe econômica estima uma renúncia fiscal de 7,3 bilhões de reais em 2013.

Inflação
Depois de ter trocado acusações com o senador Aécio Neves (PSDB), provável candidato à presidência da República, sobre as heranças deixadas por Fernando Henrique Cardoso e Luiz Inácio Lula da Silva, a presidente Dilma Rousseff, que recentemente afirmou não ter herdado “nada” dos dois mandatos tucanos, voltou a afirmar nesta sexta que não pretende se descuidar do combate à inflação. O Índice de Preço ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador utilizado como meta para a inflação, porém, ficou em 0,86% em fevereiro – o maior número desde abril de 2005. “Não descuido um só momento do controle da inflação, pois a estabilidade da economia é fundamental para todos nós. Por isso também que não deixo de buscar sempre novas formas de baratear o custo de vida dos brasileiros”, afirmou Dilma, durante o pronunciamento.

A desoneração dos produtos da cesta básica ocorre justamente no segmento mais castigado pela alta dos preços: o de alimentos. Tal movimento evidencia mais um esforço do governo para tentar combater o avanço inflacionário e – de quebra – faturar alguns louros eleitorais com a propaganda positiva trazida pelo corte de tributos.

Consumidor e eleitor
O discurso da presidente tornou sinônimas as palavras consumidor e cidadão. Ela disse ainda que, em 15 de março, que é, coincidentemente, o Dia do Consumidor, o governo anunciará medidas destinadas a “transformar a defesa do consumidor, de fato, em uma política de Estado no Brasil”. O estímulo ao consumo foi o principal motor de captação de votos do governo Lula – e Dilma parece estar convicta de que essa estratégia não se esgotou.  

Mulheres
As políticas voltadas às mulheres ocuparam os últimos instantes do pronunciamento. Dilma informou que instalará em cada estado um centro de atendimento à mulher, com políticas de prevenção e atenção à violência doméstica, além de setores de apoio ao empreendedorismo, ao microcrédito e à capacitação profissional. Num momento peculiar de sua fala, ela mandou um recado direto aos homens que agridem mulheres por “falta de respeito” ou por acreditarem na impunidade: lembrou que uma mulher ocupa hoje o cargo de maior autoridade no país.

Por Reinaldo Azevedo

 

Onze anos depois, onde estão os ratos da propaganda do PT? A lógica elementar indica que estão no poder!

Um amigo enviou-me ontem um e-mail lembrando a propaganda política do PT em 2002, antes do início oficial da campanha eleitoral, que acabaria elegendo Lula presidente da República. Criada por Duda Mendonça, chamava-se “Xô Corrupção” e se dizia “Uma campanha do PT e do povo brasileiro”. Vale a pena rever.

Quase 11 anos depois, cumpre perguntar? O que foi feito daqueles ratos, hein? Estão mais viçosos do que nunca, não é mesmo? Há uma resposta ditada pela lógica elementar: a menos que todos os ratos do país estejam no PSDB, no DEM e no PPS, é forçoso admitir que a maioria está mesmo é no poder, certo? Afinal, é tudo “base aliada”… Rato, a gente sabe, é um bicho mau-caráter. Vai onde tem comida…

É… Duda Mendonça talvez tenha sido profético, a despeito das próprias intenções. A frase continua a valer: “Ou a gente acaba com eles, ou eles acabam com o Brasil”.

PS – Bem, preciso lembrar a ironia da história. Duda, o autor dessa peça publicitária impactante, foi o marqueteiro de Lula. Recebeu o pagamento ao longo de 2003, em dólares, numa conta no exterior. A origem do dinheiro é desconhecida.

Por Reinaldo Azevedo

 

Vergonha – Com a conivência do Brasil, bolivarianos, liderados pela Veneuela e Equador, querem dar um golpe na Comissão de Direitos Humanos da OEA. Ou: Cadáver de Chávez ainda procria

O que vocês lerão abaixo é asqueroso. Voltarei ao tema nesta sexta-feira. A política externa brasileira atua, mais uma vez, de modo pusilânime. Leiam:

Por Flávia Barbosa, no Globo:
Os países bolivarianos, capitaneados por Equador e Venezuela, estão ampliando a ofensiva pelo desmantelamento do Sistema Interamericano de Direitos Humanos da Organização dos Estados Americanos (OEA). Ocupando a presidência do Conselho Permanente da entidade, a Nicarágua, parte do grupo, enviou quarta-feira aos demais 33 países-membros um rascunho de projeto de resolução a ser votado na assembleia extraordinária da OEA dia 22, no qual propõe o início de discussões para alteração da Convenção Americana de Direitos Humanos até o segundo semestre de 2014, quando o documento máximo de defesa de direitos e liberdades dos cidadãos do continente completará 45 anos. Desde 1969, o chamado Pacto de San José nunca foi alterado.

O projeto é a última cartada do grupo (reforçado por Bolívia, países caribenhos e Argentina), em campanha por uma reforma severa da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH) há quase dois anos, incluindo a relatoria para liberdade de expressão. Os críticos veem uma tentativa de restringir o escopo de atuação (de proteção para promoção dos direitos humanos), asfixiar financeiramente, limitar publicações e enfraquecer o trabalho do órgão, que desagradou a governos nos últimos anos com publicação de relatórios críticos, investigações, suspensões e punições.

A assembleia geral extraordinária foi convocada na reunião oficial da OEA em Cochabamba, em junho de 2012, para decidir quais mudanças serão feitas nos procedimentos e, potencialmente, no estatuto de funcionamento da CIDH. O projeto de resolução representa um passo adiante: equivale a um país convocar uma assembleia constituinte para emendar a Constituição. Ou seja, além de minimizar a atuação da CIDH, os bolivarianos querem mudar os princípios históricos nos quais ela se embasa para tomar decisões.

O documento do Conselho Permanente (os representantes dos países) abre ainda a possibilidade de a reforma da CIDH ser adiada para integrar este pacote mais amplo. Isso porque a presidência afirma no texto que não deverá haver tempo hábil para que todas as discussões e negociações sejam concluídas até o dia 22.
(…)
Acusado de omissão na defesa da CIDH, o que teria fortalecido os bolivarianos, o Brasil tem suavizado sua posição. Ontem, o ministro Breno da Costa, representante brasileiro no Conselho Permanente, não endossou o projeto de resolução, mas tampouco o criticou. “A proposta de resolução é só o início do debate. Também recebemos a resolução da presidência em cima da hora”, disse Breno, em resposta a uma ONG presente ao plenário.

O projeto de resolução deverá ser discutido na próxima segunda-feira, em Guayaquil (Equador), quando haverá reunião dos 21 países-partes da Convenção Americana (os EUA não são signatários), com vistas à assembleia do dia 22. Observadores dizem que será a última grande tentativa de formar uma aliança para uma reforma ampla da CIDH. O chanceler do Equador, Ricardo Patiño, acaba de voltar de um giro pela América Latina para levantar apoio à causa bolivariana.

Por Reinaldo Azevedo

 

Royalties do petróleo – Calote de Cabral é reação descabida

Não tem jeito! O estilo do governador Sérgio Cabral, definitivamente, afronta as balizas elementares da minha lógica. Mesmo quando avalio que ele está com a razão, seu histrionismo me constrange. Vamos lá. Já escrevi alguns posts sobre a mudança da lei dos royalties do petróleo. Sou crítico do texto aprovado no Congresso. Acho justa a reclamação de Rio, Espírito Santo e São Paulo. E mostrei também as omissões de Lula e Dilma nessa história. Mas há um limite, não é?

Com grande alarde — e, desta feita, sem chorar —, Cabral anunciou a suspensão de todos os pagamentos feitos pelo estado do Rio, exceção feita ao salário dos servidores. Só ontem, o governo teria deixado de pagar R$ 82 milhões. O governador alega que se trata de medida preventiva, até que ele tenha noção da solvência do estado.

Huuummm… Cabral é bom de mídia, mas isso não torna a sua decisão razoável.

Comecemos pelo óbvio: e se, eventualmente contrariados, os estados não-produtores, em número muito maior, decidirem fazer o mesmo? Qual é o sentido subjacente à decisão de Cabral? Ou o Congresso e o Supremo fazem o que ele quer — ainda que possa ser justo —, ou dá calote em todo mundo?

O governador não deveria, nesse particular ao mesmo, receber o tratamento, digamos, simpático que está recebendo de alguns setores. E se a moda pega? O fato de que possamos achar que ele está do lado certo nessa pendenga não lhe dá o direito de agir de forma tão errada.

Esse troço começou todo torto. Lula e Dilma, insisto, decidiram não intervir por razões políticas. Cabral preferiu correr para os braços da galera, achando que uma passeata na orla conseguiria sensibilizar o Congresso — cuja maioria é oriunda de estados não produtores.

Dar calote não é, definitivamente, a boa resposta a uma decisão infeliz do Congresso.

Por Reinaldo Azevedo

 

Evita, a múmia que assombrou um país e que desafia a imaginação do realismo fantástico. Ou: A civilização preza a obra de seus heróis; a estupidez adora seus cadáveres

Vejam esta foto.

A América Latina já viveu o seu patético momento com uma múmia (com os vivos, então…) — no caso, a de Evita Perón. A história é misto de comédia com filme de terror — o que não chega a ser uma síntese ruim da história da América Latina, muito especialmente a da Argentina, que experimenta, no momento, o pastelão trágico de Cristina Kirchner, que vai ficar lá até a última besteira, até conduzir o país para um beco sem saída. Essa tem sido a rotina desde Perón, não é?, com alguns poucos espasmos de lucidez.

Evita, mulher de Perón, morreu de câncer no dia 26 de julho de 1952. Era a “mãe dos descamisados”.  A exemplo de Chávez, o general era autoritário, autocrata, mas um grande distribuidor de prebendas que minoravam o sofrimento dos mais pobres. Evita já era adorada em vida quase como uma santa. A Argentina assistiu, no dia de sua morte, a uma das maiores manifestações públicas de sua história.

Perón mandou embalsamar o corpo, que ficou abrigado na sede da central sindical peronista, a CGT. O chefe populista foi deposto por um golpe em 1955, liderado pelo general Eduardo Lonardi, logo deposto por outro, Pedro Eugênio Aramburu, que governou até 1958. Para evitar que o corpo se tornasse objeto de culto, Aramburu determinou que Carlos Eugênio de Moori Koenig, chefe do serviço de inteligência do Exército, sepultasse o corpo em local secreto. Não foi obedecido. Koenig mandou um subordinado seu esconder a múmia no porão de sua própria casa, o que deu margem, depois, a falatórios, segundo os quais ele teria se apaixonado por ela, exercitando, digamos, paixões necrófilas. Calma, que isso é só o começo da loucura.
NOTA UM – Koenig, um oficial graduado, iniciava ali o caminho do fim. Tornou-se um alcoólatra e passou a perambular pelas ruas.
NOTA DOIS – O pobre rapaz que guardava a múmia de Evita em casa também se desgraçou. Vivia aterrorizado. Um dia, ouviu barulho no porão e desceu armado. Atirou. Matou a mulher, grávida de seis meses, que descera para saber, afinal, que mistério se escondia lá. Não acabou, não!

Aramburu ficou furioso ao saber que o corpo ainda estava na Argentina. Mobiliza a cúpula da Igreja Católica para que fosse transferido para a Itália. Foi enterrado com nome falso: Maria Maggi de Magistris. Reza a lenda que uma série de acidentes incomuns ocorreram no trajeto até o aeroporto. Aramburu documentou toda a operação, deixando ordens expressas de que o material só fosse aberto depois de sua morte.

Em 1970, foi sequestrado por terroristas montoneros. Uma das exigências é que revelasse onde estava Evita. Não revelou. Foi assassinado. Em 1971, o governo argentino devolve o corpo para Perón, que estava exilado na Espanha. Uma nova onda de boatos tem, então, início. José López Rega, um misto de secretário e faz-tudo de Perón, dizia-se também um bruxo. Foi acusado de usar a múmia em rituais de magia para transferir a alma de Evita para Isabelita, a nova mulher do caudilho. Os montoneros não se deram por satisfeitos: sequestraram o corpo de Aramburu e prometeram entregá-lo apenas quando Evita voltasse à Argentina.

Em 1973, com a redemocratização argentina, Perón volta ao país e se elege presidente. Morre no ano seguinte, e Isabelita, que era sua vice (afinal, havia roubado a alma da outra, né?) assume a Presidência. Manda buscar o corpo de Evita na Espanha, em 1974, e o deposita ao lado do de Perón na Quinta de Olivos, residência oficial. É a fato que vocês veem lá no alto.

Ainda não era o descanso final. Em 1976, Isabelita é deposta por um golpe de estado. Os generais decidem, então, entregar o corpo de Evita às suas irmãs, que o enterram no Cemitério da Recoleta. Em 1977, o corpo de Perón é sepultado secretamente no cemitério La Chacarita. Ele não tinha sido exatamente embalsamado, mas substâncias conservantes tinham sido injetadas no corpo. Em 1987, seu túmulo foi profanado, e suas duas mãos foram decepadas e roubadas, como se vê na foto abaixo.

Pois é…

A América Latina desafia a imaginação do realismo mais fantástico. Uma nova múmia está chegando por aí. A ela, desconfio, outras se seguirão. A civilização costuma prezar a obra de seus heróis. A estupidez adora seus cadáveres.

Por Reinaldo Azevedo

 

Os comunas fazem questão de oprimir como um pesadelo o cérebro dos vivos

Os comunistas e esquerdistas de maneira geral são tão materialistas, mas tão materialistas!, que não se despedem deste mundo nem mortos. Nicolás Maduro, o presidente ilegal e ilegítimo da Venezuela, anunciou que o corpo de Chávez será embalsamado — “como o de Lênin”, ele foi claríssimo. As honras fúnebres durarão sete dias.

Que coisa! Alguns esquerdistas xexelentos de Banânia (os há não xexelentos?) dizem aqui e ali que a direita já foi muito melhor! Referem-se sempre, claro! a pessoas mortas — não sei se vocês entendem a sutileza de pensamento… Pode ser. Mas e a esquerda, hein? Tá bom! Nunca foi muito melhor, mas talvez já tenha sido menos pior, hehe.

Chávez embalsamado? O farsante cucaracha vem numa sequência de outras múmias homicidas, todas comunas: Lênin, Stálin, Kim Il Sung, Ho Chi Min, Mao Tse-Tung… Os vampiros morais ficam lá, expostos, com a sua face de cera. Curioso, não é?, quando nos lembramos que o comunismo é oficialmente ateu…

Como não recuperar as palavras quase iniciais de Marx em “O 18 Brumário”? Reproduzo:
“Os homens fazem a sua própria história, mas não a fazem segundo a sua livre vontade; não a fazem sob circunstâncias de sua escolha, e sim sob aquelas com que se defrontam diretamente, legadas e transmitidas pelo passado. A tradição de todas as gerações mortas oprime como um pesadelo o cérebro dos vivos. E, justamente quando parecem empenhados em revolucionar-se a si e às coisas, em criar algo que jamais existiu, precisamente nesses períodos de crise revolucionária, os homens conjuram ansiosamente em seu auxilio os espíritos do passado, tomando-lhes emprestado os nomes, os gritos de guerra e as roupagens (…)”

Notem: os líderes comunistas foram embalsamos no período ainda da Guerra Fria. Exceção feita à Coréia do Norte, onde Kim Il-Sung ainda é tomado como referência incontrastável e a quem se atribuem verdadeiros milagres, as outras múmias não são mais do que atração turística hoje em dia. Repetir, em pleno século 21, o embalsamamento de um líder para que sirva de objeto de culto dá conta da degradação intelectual e moral a que chegou a política na Venezuela.

Vejam estas três imagens.

 

Temos, acima, a múmia de Lênin (1870-1924) — que quase foi enterrada pela Rússia pós-comunista porque é caro demais mantê-la — e o mausoléu que a abriga. É relativamente modesto se comparado a outros (já chego lá). Na sequência, está o corpo embalsamado de Stálin (1879-1953). Ficou exposto ao lado do Lênin até fevereiro de 1956. Depois que Krushev denunciou seus crimes, durante o XX Congresso do Partido Comunista, a múmia foi retirada do Mausoléu e enterradao nos muros do Kremlin.

Vocês verão que, quanto mais mixuruca o líder comunista, mais suntuoso é o mausoléu. Abaixo, estão o corpo embalsamado do líder comunista vietnamita Ho Chi Minh (1890-1969) e o prédio que lhe serve de túmulo. Nesse caso, justiça se faça, a sua vontade foi contrariada. Manifestou expressamente o desejo de ser cremado. Mas os comunistas precisam de mortos para oprimir o cérebro dos vivos.

Embora o maoísmo propriamente tenha sido enterrado na China (mas não a tirania, que fique bem claro!), o corpo de Mao Tse-Tung (1893-1976) permanece exposto à visitação, igualmente abrigado num prédio gigantesco. Vejam abaixo.

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Nada, no entanto, se compara ao que se fez com com Kim Il-Sung, o ditador da Coréia do Norte (1912-1994), pai de Kim Jong-Il, que morreu em 2011. Sung se foi aos 82 anos. Os norte-coreanos o deixaram com cara de 30. O mausoléu que abriga o corpo é o mais suntuoso de todos. Ou por outra: quanto mais mixuruca, mais prédio! Ao ex-ditador se atribuem virtudes do outro mundo. Ele seria capaz de mexer até com os elementos da natureza! O filhote assassino está alguns andares abaixo do corpo do pai no mesmo monumento. Seguem as duas múmias e o mausoléu.

A América Latina já viveu seu patético momento por causa de uma múmia — a de Evita Peron. Falo a respeito em outro post. Podem escrever aí: Chávez, ou seu corpo, pode inaugurar uma tradição na América Latina. Os populistas fazem questão de tiranizar o cérebro dos vivos.

Por Reinaldo Azevedo

 

Marqueteiro de Lula e Dilma cria clipe para governo da Venezuela que anuncia a ressurreição de Chávez. Ou: A esquerda conseguiu piorar muito!

Pois é… Os idiotas e os canalhas que me desculpem, né?, mas o fato é que sei bem como são as coisas. Apontei aqui num post desta manhã a tentativa de associar Hugo Chávez à figura de Jesus Cristo. Aliás, há cartazes nas ruas fazendo essa comparação. Muitos disseram que exagerei, que forcei um pouco a mão e coisa e tal.

Pois é…

Leio no Radar, de Lauro Jardim, que João Santana, o marqueteiro de Lula e Dilma — e que fez a campanha de Chávez à reeleição —, já preparou um clipe sobre o ditador morto. Entrou no ar nesta quinta. É preciso ver para crer.

O título é “Chávez, corazón de mi patria”, que foi o mote empregado na última campanha eleitoral. Entremeando imagens da natureza com cenas de júbilo (pelas vitórias eleitorais) e tristeza (pela morte do ditador), uma música de apelo religioso, com sotaque gospel, anuncia: “Ele voltará de novo”.

Segue um trecho da letra. Volto em seguida:
(…)
Como um pássaro que volta a voar,
como uma estrela que volta a brilhar.
como um coração valente que volta a cantar,
ele nascerá de novo,
ele nascerá de novo
para avançar, avançar,
avançar com o seu povo!
(…)

A letra é de autoria do próprio Santana, que, como a gente vê, repete a profecia de Mahmoud Ahmadinejad (ver post). A esse estado miserável chegou a vida pública na Venezuela. A esse tipo de mistificação conduzem as políticas de populistas agressivos como Hugo Chávez.

Tudo tem história. Esse tipo de coisa também. Faz tempo que a esquerda é chegada à adoração de cadáveres. Já teve um pouco mais de gosto. O clássico dos clássicos nessa área é a música “Hasta siempre”, de Carlos Puebla, composta em 1965 (Che morreria só dois anos depois, na Bolívia), quando o facinoroso amoroso (para as esquerdas do miolo mole) deixa o governo cubano e Cuba para se meter numa revolucionária no Congo. Vejam um trechinho da letra:

Aprendimos a quererte
desde la histórica altura
donde el Sol de tu bravura
le puso cerco a la muerte.

Aquí se queda la clara,
la entrañable transparencia,
de tu querida presencia,
Comandante Che Guevara.

(…)

Quando Che morreu, em 1967, a música inspirou centenas de clipes, como este:

Até eu tenho aqui de me patrulhar para não me deixar capturar, ainda que um pouquinho, pela mentira. A música, convenham, é bacaninha. Se a gente não sabe que Che era um assassino asqueroso, um defensor fanático do ódio que deve “fazer do homem uma eficiente máquina de matar” (segundo ele mesmo); se a gente não sabe que ele executava um homem a sangue frio por ter pegado um pedaço de pão sem autorização; se a gente não sabe que foi ele o criador do primeiro campo de concentração na América Latina, se a gente não conhece, enfim, como viveu e o que escreveu o Porco Fedorento, quase se deixa levar…

De toda sorte, estamos diante de uma mesma intenção estética, porém expressa em dois tempos: um ainda é o tempo da revolução cubana, que tinha lá o seu charme, embora já fosse essencialmente criminosa sob qualquer critério que se queira. O outro já é o da farsa da farsa, que é Chávez.

Esse bandoleiro golpista aproximou-se tardiamente da esquerda, quando o comunismo já tinha entrado em falência. Daí que Che e Fidel, vá lá, ainda pudessem se parecer com personagens saídas dos sonhos eventualmente generosos dos incautos. Chávez foi só o pesadelo do bom senso. Mas a fraude da fraude ganhará dimensões inimagináveis para o século 21. Fica para o próximo post.

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma, Aécio, Bolsa Família e os fatos: quem criou o quê? Ou: Lula, sim, chamava o programa de esmola e dizia que pobre, com bolsa, ficava vagabundo

A presidente Dilma Rousseff e o senador Aécio Neves (PSDB-MG) voltaram a trocar farpas sobre a criação do Bolsa Família. A presidente insiste em que o criação do cadastro único de de beneficiados por programas sociais é iniciativa do governo do PT. É mentira! Não é não. Aécio diz que o Bolsa Família é a reunião de programas sociais que existiam no governo FHC. É verdade. Um decreto de Lula o demonstra.

O Apedeuta, sim, era contra o Bolsa Família. Ele o considerava mera esmola, como deixa claro o vídeo abaixo. Aí temos Lula em dois momentos, afirmando coisas opostas. Já presidente, defendia o programa. Na oposição, ele o atacava. Vejam. Volto em seguida.

Voltei
Mais do que isso. No dia 26 de agoto de 2010, publiquei um post demonstrando que Lula considerava que o Bolsa Família deixava os pobres vagabundos. E demonstrei ali, com todas as letras, que o decreto de Lula, que criou o Bolsa Família, incorporava os programas da gestão FHC. Leiam.
*
Como é mesmo? Segundo um novo Datafolha, a diferença entre Dilma e Serra oscilou para 20 pontos? Os petralhas não descansam nem de madrugada — creiam (devem ganhar bem!) — e anunciam que eu já perdi a eleição? Então eu vou lhes mostrar como me comporto em meio àqueles que já disputam o seu lugar à grama. E por que vou fazer o que segue? Por apreço à verdade. E porque, como escrevi naquele texto quanto estava em Dois Córregos, Corisco só se entrega na morte de parabelo na mão, hehe.

Ontem, na impressionante coleção de invencionices a que se entregou em cima do palanque, Lula afirmou que setores “elitistas” o criticaram por causa do Bolsa Família. Também é mentira. O único “elitista” contrário ao programa era… Lula!!! E dá para provar. Quando o Babalorixá chegou ao poder, inventou que o Brasil padecia de uma fome africana — que já havia sido superado havia duas décadas ao menos. E criou o natimorto programa Fome Zero, lembram-se? O que era mero golpe publicitário de Duda Mendonça virou estandarte do governo. Havia quatro programas de renda do governo FHC: Auxílio-Gás, Bolsa Alimentação, Bolsa Escola e Bolsa Renda. Lula os juntou depois e os chamou de Bolsa Família. Isso é história. Mas, antes de fazê-lo, falou muita bobagem. E depois também.

No dia 9 de abril de 2003, com o Fome Zero empacado, Lula fez um discurso no semi-árido nordestino, na presença de Ciro Gomes, em que disse com todas as letras que acreditava que os programas que geraram o Bolsa Família levavam os assistidos à vagabundagem. Querem ler? Pois não!

Eu, um dia desses, Ciro [Gomes, ministro da Integração Nacional], estava em Cabedelo, na Paraíba, e tinha um encontro com os trabalhadores rurais, Manoel Serra [presidente da Contag - Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura], e um deles falava assim para mim: “Lula, sabe o que está acontecendo aqui, na nossa região? O povo está acostumado a receber muita coisa de favor. Antigamente, quando chovia, o povo logo corria para plantar o seu feijão, o seu milho, a sua macaxeira, porque ele sabia que ia colher, alguns meses depois. E, agora, tem gente que já não quer mais isso porque fica esperando o ‘vale-isso’, o ‘vale-aquilo’, as coisas que o Governo criou para dar para as pessoas.” Acho que isso não contribui com as reformas estruturais que o Brasil precisa ter para que as pessoas possam viver condignamente, às custas do seu trabalho. Eu sempre disse que não há nada mais digno para um homem e para uma mulher do que levantar de manhã, trabalhar e, no final do mês ou no final da colheita, poder comer às custas do seu trabalho, às custas daquilo que produziu, às custas daquilo que plantou. Isso é o que dá dignidade. Isso é o que faz as pessoas andarem de cabeça erguida. Isso é o que faz as pessoas aprenderem a escolher melhor quem é seu candidato a vereador, a prefeito, a deputado, a senador, a governador, a presidente da República. Isso é o que motiva as pessoas a quererem aprender um pouco mais.

Notaram a verdade de suas palavras? A convicção profunda? Então…

No dia 27 de fevereiro de 2003, Lula já tinha mudando o nome do programa Bolsa Renda, que dava R$ 60 ao assistido, para “Cartão Alimentação”. Vocês devem se lembrar da confusão que o assunto gerou: o cartão serviria só para comprar alimentos?; seria permitido ou não comprar cachaça com ele?; o beneficiado teria de retirar tudo em espécie ou poderia pegar o dinheiro e fazer o que bem entendesse?

A questão se arrastou por meses. O tal programa Fome Zero, coitado!, não saía do papel. Capa de uma edição da revista Primeira Leitura da época: “O Fome Zero não existe”. A imprensa petista chiou pra chuchu.

No dia 20 de outubro, aquele mesmo Lula que acreditava que os programas de renda do governo FHC geravam vagabundos, que não queriam mais plantar macaxeira, fez o quê? Editou uma Medida Provisória e criou o Bolsa Família? E o que era o Bolsa Família? A reunião de todos os programas que ele atacara em um só. Assaltava o cofre dos programas alheios, afirmando ter descoberto a pólvora. O texto da MP não deixa a menor dúvida:

(…) programa de que trata o caput tem por finalidade a unificação dos procedimentos de gestão e execução das ações de transferência de renda do Governo Federal, especialmente as do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Educação - “Bolsa Escola”, instituído pela Lei n.° 10.219, de 11 de abril de 2001, do Programa Nacional de Acesso à Alimentação - PNAA, criado pela Lei n.° 10.689, de 13 de junho de 2003, do Programa Nacional de Renda Mínima vinculado à Saúde – “Bolsa Alimentação”, instituído pela medida provisória n.° 2.206-1, de 6 de setembro de 2001, do Programa Auxílio-Gás,instituído pelo Decreto n.° 4.102, de 24 de janeiro de 2002, e do Cadastramento Único do Governo Federal, instituído pelo Decreto n.° 3.877, de 24 de julho de 2001.

Compreenderam? Bastaram sete meses para que o programa que impedia o trabalhador de fazer a sua rocinha virasse a salvação da lavoura de Lula. E os assistidos passariam a receber dinheiro vivo. Contrapartidas: que as crianças freqüentassem a escola, como  já exigia o Bolsa Escola, e que fossem vacinadas, como já exigia o Bolsa Alimentação, que cobrava também que as gestantes fizessem o pré-natal! Esse programa era do Ministério da Saúde e foi implementado por Serra.

E qual passou a ser, então, o discurso de Lula?
Ora, Lula passou a atacar aqueles que diziam que programas de renda acomodavam os plantadores de macaxeira, tornando-os vagabundos, como se aquele não fosse rigorosamente o seu próprio discurso.

No dia 23 de março de 2005, em Cuiabá, atirava contra as pessoas supostamente contrárias ao Bolsa Família. Leiam e confrontem com o que ele próprio dizia em 2003:
Eu sei que tem gente que fala: “Não, mas esse presidente está com essa política do programa Fome Zero, do Bolsa Família, isso é proselitismo, isso é esmola.” Eu sei que tem gente que fala assim. Lógico, o cidadão que toma café de manhã, almoça e janta todo santo dia, para ele Bolsa Família não significa nada, ele não precisa. E ainda mais se ele puder fazer uma crítica a mim tomando uma Coca-Cola em um bar, um uísque ou uma cerveja. Agora, tem pessoas que, se a gente não der essa ajuda, não conseguem comer as calorias e as proteínas necessárias à vida humana. E se for uma criança de antes de seis anos de idade, nós sabemos que essa criança poderá ter o seu cérebro atrofiado e nunca mais se recuperar.

Quando eu vou parar de evidenciar as mistificações de Lula? Nunca! Quanto mais “popular” ele fica, mais considero este trabalho uma obrigação moral.

Por Reinaldo Azevedo

 

Não! Chávez não era metade gênio e metade idiota. Era cem por cento idiota, além de comandar um governo infiltrado pelo terrorismo e pelo narcotráfico

Foi-se o pistoleiro maluco! Que a Venezuela reencontre o caminho da democracia

A morte de Hugo Chávez revela que estamos vivendo dias um tanto sombrios. Os valores da democracia estão em crise. Basta ler o noticiário para constatá-lo. Chego à conclusão de que os idiotas e os simpatizantes de tiranias supostamente virtuosas estão no comando de alguns veículos da imprensa, ainda que eles próprios dependam vitalmente da liberdade. Por que escrevo isso? Vamos ver.

A antiga pauta de esquerda — a revolução socialista — foi definitivamente aposentada. Assumiu, ao longo do tempo, uma nova configuração, bem mais fragmentada. Vivemos sob o signo da reparação das chamadas “injustiças históricas”: com os pobres, com os negros, com os indígenas, com as mulheres, com os gays, com os quilombolas, com a natureza… Escolham aí. A cada pouco surge uma nova “minoria” — sociologicamente falando — disposta a impor a sua pauta como precondição para a justiça universal. É evidente que não tenho nada contra a justiça, ora bolas! Por que não seria eu também um homem tão bom quanto os ciclistas, por exemplo? É claro que sou! É alguém me falar do bem, do belo e do justo, e estou dentro, estou com os bacanas.

Se todo mundo quer um mundo perfeito, não serei eu a ficar fora dessa festa. A questão é saber como essas reparações todas serão realizadas no âmbito da democracia, de uma sociedade de direito, que respeite os direitos individuais. Governar com ditadura é fácil; com democracia é que é o “x” do problema.

Cansei de ler nestes dois dias alguns raciocínios perigosos. Eles consistem basicamente na aceitação tácita de que a melhoria de alguns indicadores sociais na Venezuela — e houve — estão atreladas ao “modelo” inventado por Hugo Chávez. O desemprego, com efeito, caiu de 14,5% em 1999, quando ele chegou ao poder, para 8% no ano passado. Mas também chegou a 18% em 2003, no seu quinto ano de governo. Já a inflação era de 29,9% em 1998, quando ele foi eleito pela primeira vez, e chegou a 33% no ano passado. O seu menor índice foi em 2001, com 12%. O IDH subiu de 0,656 para 0,735 em 2011 e passou, por exemplo, o do Brasil.

Não é segredo para ninguém que Chávez usou o dinheiro farto do petróleo para empreender um forte programa assistencialista. E é esse assistencialismo que garante a adesão entusiasmada dos mais pobres a seu governo. Também é claro as ditas elites tradicionais da Venezuela estavam entre as mais corruptas e socialmente insensíveis do mundo — o que acaba facilitando a emergência de líderes com o seu perfil. Vale para a Venezuela, a Bolívia, o Equador… Mas a rapacidade das ditas-cujas justifica o modelo bolivariano?

Chávez tomou, sim, iniciativas que minoraram o sofrimento dos mais pobres. Isso não está em debate. A questão é saber por que ele precisava da ditadura. A questão é saber por que ele precisava apelar a um regime de força. Essas perguntas não têm resposta porque simplesmente a pantomima bolivariana era desnecessária. Lula também tentou impor alguns instrumentos de exceção no Brasil. Não conseguiu — não ainda ao menos. E nada impediu o petismo de levar adiante a sua lenda.

O presente que corrói o futuro
Chávez transformou a Venezuela no, se me permitem, país da manocultura do petróleo. Estão lá 25% das reservas mundiais do óleo. Enquanto ele for uma matriz energética — e será ainda muito tempo —, é evidente que o país contará com dinheiro para manter as políticas assistencialistas, ainda que produza muito menos do que pode. Notem: essas políticas não são um mal em si. Mas para que futuro apontam quando se tornam um fim em si mesmas?

Apontam para o desastre. Chávez acabou com o que havia de agricultura de ponta na Venezuela, por exemplo. O país não produz mais comida. Expropriou empresas estrangeiras, espantou o capital privado e transformou milhões de venezuelanos em estado-dependentes. Sem a diversificação da economia — impossível no regime bolivariano —, assim continuarão. O petróleo responde por 50% das receitas do governo e constitui quase 100% da receita de exportação. Nas palavras do economista venezuelano Moisés Naim ao Wall Street Journal: “Nunca um líder latino-americano perdeu tanto dinheiro, gastou tão mal os recursos e usou de maneira tão incorreta o poder que lhe foi dado”. Na mosca!

Os tontos
Não, senhores! O autoritarismo de Chávez não era uma espécie de mal necessário a justificar, então, um bem — a saber: a redução da pobreza e a diminuição da desigualdade. Esse e um juízo delinquente e está na raiz, diga-se, das exegeses malandras sobre o 54 anos da ditadura cubana. Durante décadas, o suposto bem-estar social de Cuba serviu para ocultar os crimes dos irmãos Castro. Pelo menos cem mil pessoas morreram (17 mil fuziladas; as demais tentando fugir da ilha) sob o silêncio cúmplice do resto do mundo para que se construísse por lá aquele paraíso…

Mas os tempos — e então volto ao ponto central deste texto — andam simpáticos às ideias de reparação a qualquer preço. Se Chávez sucedeu as ditas “elites insensíveis” de antes, então tudo lhe seria permitido, inclusive a violação dos fundamentos mais comezinhos da democracia e, não custa notar, do direito internacional. Nem mesmo se pergunta o óbvio: como poderia estar hoje a Venezuela se ele não tivesse destroçado a economia do país? Os ditos programas sociais poderiam estar em vigência, certo? Por que não? Talvez houvesse menos venezuelanos trabalhando para órgãos estatais ou dependentes da ajuda oficial. Certamente o povo seria mais livre.

Chávez distribuiu, sim, parte da riqueza do petróleo por intermédio desses programas, com os quais cevou o eleitorado. Mas roubou, e por muitos anos, o futuro do país, que terá de ser reconstruído — a começar das instituições.

Exportador da “revolução” e importador do terror
Cumpre lembrar, ainda, do Chávez “exportador da revolução”. Meteu as patas no Equador, na Bolívia e até na Argentina. Enviou uma mala com US$ 800 mil para ajudar a financiar a primeira eleição de Cristina Kirchner. Inspirou a tentativa de golpe em Honduras e depois tentou articular, com a ajuda do Brasil, uma guerra civil naquele país. Armou, isto ficou comprovado, os narcoterroristas das Farc, da Colômbia, e se fez seu interlocutor privilegiado. Em Caracas, há uma praça com o nome do fundador do grupo: Manuel Marulanda. Atenção! Quando o coronel tentou dar um golpe na Venezuela, em 1992, os narcoterroristas lhe enviaram 100 mil pesos — mais ou menos US$ 50 mil à época. No poder, o ditador repassou para os bandidos estupendos US$ 300 milhões. As informações estavam no laptop do terrorista morto Raúl Reyes.

É pouco? Chávez celebrou acordos de cooperação militar E NUCLEAR com o Irã, e o Hezbollah, movimento terrorista baseado no Líbano e que é satélite do país dos aiatolás, estabeleceu uma base de operações na Venezuela.

As relações do estado venezuelano com o narcotráfico também já estão mais do que evidenciadas. Em abril do ano passado, o juiz Eladio Aponte Aponte, da Corte Suprema do país, fugiu para a Costa Rica. Pediu para entrar no sistema de proteção que a agência antidrogas dos EUA oferece aos delatores considerados importantes. Confessou que, a pedido do governo, atuou para proteger o narcotráfico. Nada menos de metade da cocaína que entra nos EUA tem origem na Venezuela. Leiam trecho de reportagem de O Globo de 7 de maio de 2012

[o juiz] deu como exemplo um caso no qual está envolvido um ex-adido militar venezuelano no Brasil, o tenente-coronel Pedro José Maggino Belicchi. Segundo o juiz-delator, Maggino Belicchi integra a rede militar que há anos utiliza quartéis da IVª Divisão Blindada do Exército da Venezuela como bases logísticas para transporte de pasta-base e de cocaína exportadas por facções da Farc, a narcoguerrilha colombiana. O tenente-coronel foi preso em flagrante no dia 16 de novembro de 2005, com outros militares, transportando 2,2 toneladas de cocaína em um caminhão do Exército (placa EJ-746).
Na presidência da Suprema Corte, Aponte Aponte diz ter recebido e atendido aos apelos da Presidência da República, do Ministério da Defesa e do organismo venezuelano de repressão a drogas para liberar Magino Belicchi e os demais militares envolvidos. Faz parte da rotina judicial venezuelana, ele contou na entrevista à televisão da Costa Rica.
O general Henry de Jesus Rangel Silva, citado pelo juiz-delator, comandou a Quarta Divisão Blindada, uma das unidades mais importantes do Exército venezuelano. Desde 2008, ele figura na lista oficial de narcotraficantes vinculados às Farc colombianas e cujos bens e contas bancárias estão interditados pelo governo dos Estados Unidos. Em janeiro, o presidente Hugo Chávez decidiu condecorá-lo em público e promovê-lo ao cargo de ministro da Defesa. “Rangel Silva é atacado”, justificou Chávez em discurso.

(…)

Encerrando
Alguns indicadores sociais da Venezuela melhoraram, sim. É obrigação dos governos. O mesmo se deu em países que se mantiveram no rumo democrático. A ditadura, pois, foi uma escolha de Chávez e de sua camarilha que independe dessa ou daquela medidas.

O cem por cento idiota deixa um país com as instituições em frangalhos, com a economia combalida, com uma inflação da ordem de 30%, infiltrado pelo terrorismo e pelo narcotráfico. O homem que morre, reitero, merece piedade, como qualquer um. O ditador, no entanto, nunca deveria ter existido. A América Latina está mais sã. Agora é preciso desalojar, pela via democrática e pela luta política, a camarilha criminosa que está no poder.

Por Reinaldo Azevedo

 

Chávez como um novo Cristo. Ou: Os ditadores se parecem também nos funerais

Vejam esta imagem.

O cartaz era exibido ontem pelas ruas de Caracas. Hugo Chávez aparece associado à imagem de Jesus Cristo. Mahmoud Ahmadinejad, o facinoroso que governa o Irã, estava afinado com esse espírito. Deu uma declaração sobre a morte do ditador: “A Venezuela perdeu um filho forte e corajoso, e o mundo perdeu um líder revolucionário e sábio. Não tenho dúvidas de que voltará, junto com o virtuoso Jesus e o Homem perfeito”. Uau!

O “homem perfeito”, no caso, é “Muhamad al-Mahdi”, o 12º imã, que desapareceu no século VII. Os xiitas acreditam que ele voltará, em companhia de Jesus, para livrar os homens das injustiças. Ahmadinejad, no seu entusiasmo com o “amigo” que abriu as portas da América Latina ao estado terrorista do Irã, resolveu mudar a mística do próprio xiismo. Até um aiatolá se viu obrigado a repreendê-lo publicamente, afirmado que era um exagero.

Idiotas políticos mundo afora, como o ator Sean Penn e os diretores Oliver Stone e Michael Moore, todos americanos, também se manifestaram no Twitter. Penn disse que o povo dos EUA “perdeu um amigo que nunca soube que tinha”. Stone se declarou de luto “por um grande herói para a maioria de seu povo e para aqueles que lutam por um lugar no mundo”. Moore, o mais intelectualmente delinquente deles todos, disse que Chávez utilizou o petróleo para eliminar 75% da pobreza extrema. Os cretinos, que vivem num país livre e podem, felizmente, falar a besteira que lhes der na telha, acham que os venezuelanos não têm direito a essas mesmas regalias. Para estes, serve a ditadura.

Coreografia macabra e cafona
Todos os homens, vivos ou mortos, por mais detestáveis que sejam, merecem nossa piedade — o que não implica deixar de repreendê-los, contestá-los e combatê-los quando isso se mostra necessário. Todos os ditadores, vivos ou mortos, merecem o nosso desprezo, o nosso repúdio, o nosso asco. E não é diferente com Hugo Chávez. Vi na televisão as cenas patéticas do cortejo de sete horas. A população presente ao evento chorava copiosamente. As aulas foram suspensas por três dias em todo o país. A coreografia dos tiranos não tem muita imaginação. Mesmo quando é só a carcaça inerme que desfila pelas ruas. Vejam este vídeo.

Lembrei-me das cenas do velório de aiatolá Khomeini, no Irã, em junho de 1989. Estima-se que quatro milhões de pessoas foram às ruas, numa manifestação de sofrimento, ódio e fanatismo. Oito morreram durante o funeral.

Nada, no entanto, vai se equiparar ao “choro oficial”, sob o comando do Partido Comunista, organizado pela Coreia do Norte em dezembro de 2011, quando morreu o ditador Kim Jong-Il. Nesse caso, o que deveria ser animado pelo espírito da tragédia acabou virando uma comédia. Assistam.

Notem que, nos três casos, a massa se mostra desamparada, perdida, histérica mesmo, com a morte do seu “condutor”. Governantes, nesse caso, não são parte da rotina de uma sociedade organizada, que recorre a este mal necessário para evitar que travemos a guerra de todos contra todos. Nada disso! O líder comandaria um processo de redenção que, no fim das contas, não é deste mundo. As democracias têm o bom gosto adicional de nos poupar também desses espetáculos grotescos.

Por Reinaldo Azevedo


Chávez, agora morto, foi vítima, isto sim, da própria farsa. E o que não teve tempo de aprender com Lula

Pobre Venezuela!

Dá para saber quando um destino cruel aguarda um povo. Destino? Trata-se, na verdade, de uma construção. Desgraçadamente, a resposta que o país encontrou para uma elite dirigente que entrou em falência foi o chavismo, um misto de banditismo político com delírio ideológico retrô. É evidente que sérias turbulências virão pela frente porque o modo de governo inventado por Hugo Chávez, que morreu nesta terça, só funcionava com o carisma do caudilho. Agora morto, os gângsteres que o cercavam iniciarão a luta intestina pelo poder — ainda que a imagem do mártir garanta ao menos mais uma eleição para a turma. A questão é que, em breve, mais de um poderá dar murro na mesa.

É patético! É melancólico! É triste!

Imaginem quão sem saída está um regime obrigado a inventar uma conspiração, que estaria na origem da doença que matou o líder. Nicolás Maduro sugere, em sua fala, que o câncer do comandante foi obra dos EUA. Ninguém sabe ao certo o mal que acometeu o ditador. Uma coisa é evidente: Cuba não era o melhor lugar para ele se tratar. É aí que se percebe que o bandido farsante obrigou-se a ser, ao menos, verossimilhante.

Entendam o que estou querendo dizer: neste particular ao menos, Chávez foi mais burro e mais fiel ao credo que proclamava do que Lula, por exemplo — que fez muito bem, claro!, em se tratar no Sírio-Libanês. O Apedeuta é infinitamente mais inteligente do que era o bandoleiro de Caracas e faz da incoerência uma arma política. Ele não foi se tratar via SUS — que, segundo chegou a dizer, estava “perto da perfeição”. Escolheu um hospital de ponta e proclamou: todos deveriam ter direito àquele tratamento especializado.

Pouco importa o tipo de câncer de Chávez, suas chances teriam sido evidentemente maiores no Brasil, nos EUA e em alguns países europeus. Mas isso, para a sua mística, seria entendido como uma espécie de rendição. Médicos brasileiros e um grande hospital chegaram a ser sondados. O ditador queria, no entanto, a garantia de que poderia ter aqui a cortina de silêncio que lhe foi assegurada em Cuba. Ao saber que não seria possível porque a democracia brasileira não permite, restava-lhe escolher, deixem-me ver, entre Cuba e a Coreia do Norte…

Boa parte de seu padecimento, que certamente não foi pequeno, se deve ao fato de que resolveu levar adiante a sua farsa. Não aprendeu as artes de Lula, que jamais é refém da própria palavra. Muito pelo contrário: a cada vez que ele joga no lixo o que disse antes para afirmar o contrário, proclama a própria inteligência, a própria esperteza.

Em lugar de Chávez, o Apedeuta se trataria, como se tratou, num hospital de ponta e ainda diria:
“Eles (*) acham que um metalúrgico não pode ter hospital de rico. Mas eu quer dizer que, nestepaiz, um dia, todo mundo vai se tratar no Sírio-Libanês. E vai ser tudo pelo SUS. Eu acho de que (!) as elites brasileiras precisam aprender que o trabalhador tem direito também a essas máquinas caras…. “

E todos aplaudiriam. A Marilena Chaui mesmo ficaria extasiada: “Olhem! Parece a deusa Métis falando; quando Lula fala, o mundo se ilumina!”. O nosso Apedeuta tem um lado macunaímico. Se lhe derem folga, “brinca” (este verbo terá sentido pleno para quem leu o livro) até durante o expediente. Mas não se deve toma-lo por tolo. Sabe ser calculista e autoritário se preciso, e o país, institucionalmente, regrediu muito sob o seu comando e/ou orientação.

Lula não traz consigo aquela mística da “sangre” da América espanhola, do “resistiremos até o último homem”. Enquanto permitirem que ele avance, ele vai — se ninguém reclamar, chega à ditadura. Se a coisa começar, no entanto, a se complicar demais, ele dá um jeito de chupar balas Juquinha… A fidelidade à própria farsa obrigou Chávez a experimentar o fel.

Texto modificado às 19h41 desta terça. Tinha sido escrito minutos antes do anúncio oficial da morte do ditador. Só atualizei os tempos verbais. O texto já dava o ditador como morto.

Por Reinaldo Azevedo

 

Hugo Chávez, a pior distância entre duas crises

Hugo Chávez assumiu o poder na Venezuela em 1999 para um mandato de cinco anos. Acabou ficando 14. Já havia anunciado a pretensão de ficar no poder até 2031 — modestos 32 anos…

Chávez venceu a eleição presidencial de 1998 à esteira de uma profunda crise econômica e política, o que abriu espaço para sua pregação virulentamente populista, nacionalista, socializante e anti-imperialista  — um coquetel de coisas ruins, de atrasos. Não houve solução fácil e errada para problema difícil a que não tenha aderido.

Recorreu aos instrumentos que a democracia fornece — eleições, por exemplo — para instaurar o que pode ser chamado, sem exagero, de ditadura, ainda que ela não obedeça ao molde conhecido na América Latina em décadas passadas ou em vigor em vários países do mundo. Existe uma ativa oposição no país, sim — e isso não é o corriqueiro nas ditaduras convencionais. Mas ela está, na prática — e vamos ver por quanto tempo —, impedida de chegar ao poder porque só o “governo bolivariano” tem acesso, por exemplo, às TVs e às rádios. Chávez estatizou a radiodifusão, e a imprensa escrita vive sob severa vigilância.

O coronel morre com as instituições em frangalhos. Foi a pior distância entre duas crises. A economia do país está destruída e depende hoje exclusivamente do petróleo. O estado venezuelano foi ocupado por uma súcia e existe com o propósito de atender aos interesses do chamado grupo bolivariano. O Poder Judiciário está corrompido e é parte desse movimento. Só isso explica o fato de Nicolás Maduro ter se mantido na Presidência. A solução foi escancaradamente inconstitucional — mesmo para os padrões de uma “Constituição Bolivariana”.

Ao longo de 14 anos de poder, em vez contribuir para emancipar boa parte da população dos rigores da pobreza e da miséria, Chávez fez o contrário: cevou os miseráveis com seu assistencialismo agressivo e manteve intocado o ciclo de reprodução da exclusão — só que agora sob o manto protetor do estado.

A pantomima, inclusive a legal, que cercou sua doença e morte denuncia o desastre. O ditador se vai, e o país terá de se ocupar de reconstruir os espaços da interlocução democrática, com as quais ele acabou. Não deixa como herança nem mesmo um partido organizado. Ao contrário: o chavismo é um “movimento”, a que não faltam, prestem atenção!, nem mesmo as milícias armadas.

Em menos de um mês, haverá eleições na Venezuela. É quase certo que Nicolás Maduro, tão carismático quanto uma caixa de isopor, seja eleito. A comoção com a morte do coronel se encarregará de lhe garantir os votos. Aí será a hora e começar a contagem regressiva para o esfacelamento do chavismo — na verdade, já começou.

Será a hora, então, de a oposição entrar em cena, aprendendo a fazer política sem ter mais o ditador como polo aglutinador às avessas. Os que se opõem ao governo terão de buscar o diálogo com as frações que forem se desgarrando do que restar do chavismo para reconstruir o espaço da política, que ele destruiu. A morte do ditador também serve de alerta à América Latina. Trato desse assunto em particular em outro post.

Por Reinaldo Azevedo

 

A primeira coisa que morreu no caso das supostas eutanásias de Curitiba foi o bom procedimento da polícia; a segunda, o bom jornalismo. Ou: O risco de uma nova Escola Base

Eu virei o católico de plantão da imprensa, não e? Eu virei o cobre de plantão para os que ainda se lembram da tabela periódica. Quando alguém quiser acusar os católicos de sempre, os cristãos de sempre, os reacionários de sempre, podem me acusar. Eu sou contra tudo aquilo que faz uma pessoa ser aceita nas festinhas como gente de bem. Eu sou contra o aborto. Eu sou contra a eutanásia. Eu sou contra experiências com embriões humanos na forma como vêm sendo feitas. Na verdade, eu me envergonho de viver num mundo de pessoas tão boas sendo uma pessoa tão má. Querem matar os fetos, e eu digo: “Não matem!”. Eu me desculpo por ser esse lixo execrável. Querem matar as pessoas já sem esperança, e eu digo: “Não matem”. Eu me desculpo por ser esse lixo execrável. Querem eliminar os embriões para, dizem, “salvar vidas”, e eu digo: “Não eliminem”. Eu continuo a me desculpar por ser esse lixo execrável.

Pois bem… Eu, que abomino eutanásia, obrigo-me a perguntar: estará mesmo bem contada a história da médica Virgínia Helena Soares de Souza, ex-chefe da UTI do Hospital Evangélico de Curitiba, acusada de comandar um verdadeiro pelotão de extermínio no hospital? 

O que acho mais curioso é que esse suposto procedimento de Virgínia contaria com o apoio de pelo menos quatro outros médicos, de uma enfermeira e de dezenas de outros funcionários. Ou por outra: pessoa má, verdadeiramente nefasta, ela nem procuraria esconder os seus crimes;  ao contrário, terceirizaria responsabilidades, tão certa estaria da impunidade. Virgínia pode até ser culpada, mas a história, como está contada, não faz sentido.

Taxa de mortalidade
Não vi até agora — e a imprensa brasileira não se ocupou disto — uma comparação entre as taxas de mortalidade da UTI do Hospital Evangélico de Curitiba e dos demais hospitais com o mesmo perfil. Atenção! Bastaria que estivesse na média para que a acusação fosse desmoralizada.

É claro que existe a possibilidade de ela ser culpada; é claro que estou aqui expondo a cara ao tapa, embora eu não esteja assegurando a sua inocência. Nada disso me importa. O que acho insuportável é que a médica e seus auxiliares sejam linchados sem ter nem mesmo assegurado o direito de defesa. Ex-funcionários, zelosos ou ressentidos, não são as melhores fontes para decidir o que se fazia no hospital.

A transcrição de uma das conversas da médica transformou a palavra “raciocinar” em “assassinar”. Virgínia comenta com um interlocutor: “Nós estamos com a cabeça bem tranquila pra raciocinar, pra tudo, né?”. E se transcreveu no inquérito, depois corrigido: “Nós estamos com a cabeça bem tranquila pra assassinar, pra tudo, né?”. Que tipo de gente comentaria, como quem diz “hoje é quarta-feira”, que está com a “consciência tranquila para assassinar”??? Eu respondo: uma assassina forjada pela imaginação, pela escalada dos boatos, pelo fuzilamento moral sumário. Ora, se era isso o que se achava de Virgínia desde o princípio, não haveria prova no mundo capaz de inocentá-la.

De novo: Virgínia até pode ser culpada — e, para que se chegue a tal conclusão, existe o devido processo legal. Mas a delegada Paula Brisola, do Núcleo de Repressão de Crimes Contra a Saúde (Nucrisa), foi muito além de suas sandálias. Assistimos, reitero, a um processo de linchamento. Podemos estar diante de uma nova “Escola Base”, lembram-se? Pessoas tiveram suas respectivas vidas destruídas, acusadas pela polícia de molestamento sexual de crianças, e tudo se provou, depois, uma equívoco gigantesco, alimentado por pais delirantes, policiais irresponsáveis e chegados a holofotes e boataria.

A menos que operasse no Hospital Evangélico de Curitiba uma verdadeira seita da morte, liderada por Virgínia, parece-me inverossímil que cinco médicos e uma enfermeira decidissem matar pessoas de forma industrial, sem o receio de que tal prática acabasse sendo denunciada.  Na VEJA.com, li, nesta terça, o que segue (em vermelho):
De acordo com o delegado-geral da Polícia Civil, Marcus Michelotto, em entrevista dada à imprensa nesta terça-feira, a polícia não deve mais comentar o assunto nos próximos dias. Segundo ele, as provas conseguidas pela polícia podem causar comoção e até revolta contra o Hospital Evangélico.
Quebra de sigilo — Segundo Michelotto, o pedido do afastamento da delegada do Núcleo de Repressão de Crimes Contra a Saúde (Nucrisa), Paula Brisola, feito pelo hospital, foi “lamentável”. “Em um momento de crise como esse, uma direção responsável teria procurado se unir à Polícia Civil e ao Ministério Público para sanear os problemas que existem dentro do hospital”, disse. De acordo com o delegado, o Hospital Evangélico terceiriza praticamente toda a estrutura do seu prédio e “não tem condições de controlar nem as suas dependências.“

Lamento! Mas também o senhor Michelotto perdeu o eixo. Que a delegada Brisola exorbitou, isso é uma evidência dos fatos, ainda que a médica Virgínia e os demais acusados sejam culpados. Se ela quer ser juíza,  seu lugar não é a polícia. Quanto ao pedido de afastamento, destaco: é parte do jogo. Não cabe a Michelotto ficar ofendido e atacar o hospital por isso. Ademais, o que a eventual terceirização dos serviços tem a ver com a acusação??? Michelotto pode não gostar de terceirizações, mas isso não torna assassinas pessoas e instituições.

Espero que Virgínia e os demais acusados sejam inocentes. Custo a acreditar na formação de uma quadrilha de médicos destinada obsessivamente a matar. De todo modo, ainda que se venha a provar que são culpados, uma coisa é certa nesse caso, e não há controvérsia possível a respeito: o bom procedimento da polícia e o bom jornalismo foram assassinados.

Por Reinaldo Azevedo

 

Conselho Superior do MP rejeita por unanimidade recurso de Chalita e mantém investigação

Por Flávio Ferreira, na Folha Online:
O Conselho Superior do Ministério Público de São Paulo negou por unanimidade os recursos do deputado federal e ex-secretário da Educação Gabriel Chalita (PMDB-SP) para que fossem arquivados dois inquéritos abertos contra ele pela Promotoria do Patrimônio Público e Social. Uma das investigações trata da suposta entrega de presentes a Chalita pelo COC (grupo do setor educacional). Segundo a acusação do analista de sistemas Roberto Grobman, que afirma ter sido assessor do ex-secretário de Estado, Chalita ganhou uma TV de plasma, sete computadores, dois smartphones e outros equipamentos eletrônicos da empresa.

A outra apuração analisada pelo conselho visa verificar se Chalita teve envolvimento em irregularidades no contrato para a compra de antenas parabólicas pela FDE (Fundação para o Desenvolvimento da Educação), órgão do governo estadual. Conforme a Folha revelou no dia 23, a Promotoria instaurou 11 inquéritos para investigar Chalita a partir de depoimentos de Grobman (outros nove estão suspensos aguardando decisão).

O advogado de Chalita, Alexandre de Moraes, argumentou que já houve prescrição em relação aos atos de improbidade administrativa pelos quais o ex-secretário é acusado. O prazo de prescrição nessas situações é de cinco anos. Chalita deixou a pasta em março de 2006. No entanto, a procuradora Dora Bussab, relatora dos recursos, disse que as apurações estão em fase inicial e que ainda não é possível esgotar a análise das acusações para definir como o prazo da prescrição deve ser contado. Além disso, mesmo que no futuro seja reconhecida a prescrição, ainda assim as investigações devem continuar porque os casos podem envolver prejuízo aos cofres públicos, segundo a relatora. Ela disse que a prescrição não atinge ações para ressarcimentos dos danos causados à administração pública.
(…)

Por Reinaldo Azevedo

 

Sou contra a lei dos royalties, mas Constituição não abriga pleito dos estados produtores

Vocês sabem o que penso sobre a lei dos royalties do petróleo aprovada pelo Congresso. Eu me opus a ela firmemente porque acho a) que é injusta com os estados produtores, que arcam com demandas específicas decorrentes da exploração; b) porque os estados e municípios contavam, sim, com a expectativa dessas receitas (MAS ATENÇÃO! A CONSTITUIÇÃO FEDERAL NÃO TRATA DE EXPECTATIVAS DE RECEITAS; ALIÁS, NEM DE EXPECTATIVA DE DIREITOS; ISSO É COM OS PSICANALISTAS…); c) que os estados não-produtores já seriam, como serão, beneficiados pelos novas áreas de exploração. ASSIM, VAI EM CAIXA ALTA PARA QUE OS ESPADACHINS DA REPUTAÇÃO ALHEIA PRESTEM UM POUQUINHO DE ATENÇÃO: EU ME OPUS DURAMENTE À NOVA LEI. Basta consultar o arquivo. Mas não dá para fazer de conta — e, se o Supremo decidir outra coisa, vou prestar atenção aos argumentos para aprender um pouco mais — que a Constituição abriga a reivindicação dos estados produtores, por mais que tenham sido sacaneados — perdoem-me o verbo — pelos não produtores.

Vamos lá. EU e mais alguns tantos nos opusemos com clareza à lei aprovada pelo Congresso. Mas e Lula quando presidente? Foi na sua sua gestão que se pariu essa estrovenga. E Dilma quando candidata, a chefona da infraestrutura? Nem ele nem ela quiseram comprar uma briga que tinha óbvios desdobramentos eleitorais. Ao contrário: foram empurrando com a barriga e permitiram que o sentimento supostamente igualitarista ganhasse o Congresso. Ora, deputados e senadores estão lá, também, para tentar garantir um quinhão maior a seus respectivos estados. Dependem do voto. Para que um Parlamento não seja uma luta fratricida de estados e regiões é que serve a POLÍTICA. O Planalto deveria ter construído um outro consenso. Eximiu-se.

Os estados produtores apostaram tudo em eventos que ganharam ampla cobertura da imprensa, nos dons histriônicos de Sérgio Cabral, governador do Rio (que chorou copiosamente quando a nova lei foi aprovada), e no veto da presidente Dilma Rousseff. Bem, ela, que não havia feito nada até então, vetou, sim, mas sabendo que a chance de o veto ser derrubado seria gigantesca. Notem: se o governo atuou pouco para impedir a aprovação da lei, pouco fez também desta feita. Dilma vetou artigos da nova lei não porque tivesse um lado, uma opinião, uma tese. Vetou por equilibrismo: ficava bem com os estados produtores, sabendo que os não-produtores acabariam por fazer valer a sua vontade.

A isso chamo “falência da política”. Em nenhum momento o Planalto entrou para valer e disse o que queria. Não me venham dizer que o governo não sabe ser convincente. Sabe, sim. Vou abrir um parêntese para tratar de um outro tema aparentemente estranho a este, mas vocês verão que não.

O Fundo de Participação dos Estados
O Congresso terá de votar uma nova configuração para o Fundo de Participação dos Estados. Já deveria tê-lo feito, diga-se. Na configuração atual, é inconstitucional. Seria uma boa hora para fazer um debate conjunto. Mais uma vez, lideranças políticas e governo deveriam apresentar uma proposta que pudesse, eventualmente, operar compensações. Mas nada. Nem o Congresso nem o governo de mexem. E, depois, todos vão bater às portas do Supremo, que acaba, então, por inércia dos outros dois Poderes, dirimindo embates que são de natureza política. Fim do parêntese.

Retomo
O veto deve cair mesmo. E os estados produtores vão bater às portas do Supremo. Eu não conheço, obviamente, os contratos em curso. O que me parece é que é descabida a alegação de direto adquirido quando se instaura um novo estatuto jurídico. O que diz a Constituição a respeito dos royalties? Isto:

Art. 20. São bens da União:
§ 1º – É assegurada, nos termos da lei, aos Estados, ao Distrito Federal e aos Municípios, bem como a órgãos da administração direta da União, participação no resultado da exploração de petróleo ou gás natural, de recursos hídricos para fins de geração de energia elétrica e de outros recursos minerais no respectivo território, plataforma continental, mar territorial ou zona econômica exclusiva, ou compensação financeira por essa exploração.

E só. Ali está que as coisas serão definidas na forma da lei. E trata de estados — não de “estados produtores”. E a lei foi mudada por quem pode mudá-la: o Congresso. “Ah, mas as cidades e os estados já contavam com esse dinheiro..” Pois é. Não me parece que isso seja matéria constitucional. Até gostaria de estar errado porque não concordo com a lei. Mas o fato de não concordar com ela não me faz ler na Constituição o que não está escrito lá.

Eis aí… O Supremo acabará arcando com um peso que caberia aos políticos. Se houver alguma coisa nos contratos que leve a um entendimento em favor do pleito dos estados produtores, os demais lastimarão a decisão dos ministros. Se não houver, e duvido que haja, eles terão de fazer valer a Constituição, e os estados produtores vão reclamar.

Enquanto isso, Dilma poderá fingir que fez a sua parte. Não fez. Nem ela nem Lula, quando lhe coube.

Por Reinaldo Azevedo

 

De um petista pensando alto… Ou será tudo ficção?

Os petistas não querem Eduardo Campos candidato porque apostam numa eventual vitória no primeiro turno. Há gente que considera difícil que Marina Silva consiga viabilizar a tempo a sua “rede”. Mesmo que isso seja possível, avalia-se que perdeu um pouco de gás.

Mas atenção para esta conversa de um petista com um curioso da política. Será pura ficção?
— Vocês, do PT, sabem que a economia vai mal, e começam a pipocar alguns descontentamentos. Pode dar tudo errado, não pode?
— É, Dilma é devagar! Mas, se der tudo errado, aí é que dará tudo certo.
— É torcida para Dilma quebrar a cara?
— Não, a gente torce para que ela se reeleja. Mas, se a coisa desandar, nós temos a conhecidíssima arma secreta.
— Lula?
— Lula!
— Quer dizer, então, que, se a economia patinar, se o descontentamento crescer, se Aécio, Campos e Marina se lançarem mesmo e se houver uma chance real de derrota de Dilma, Lula dá um chega pra lá nela?
— Não! No PT, é a Dilma que dá um chega pra cá em Lula.
— Essa seria a versão oficial; é claro que ela tomou gosto pela coisa.
— Tomou. Mas ela tem consciência de que há coisas maiores do que a vaidade de cada um. Não há vaidosos no PT.
— Com uma exceção!
— Com uma exceção.
— Confesse: há gente torcendo pra isso.
— Torcendo, não. Tanto é que estamos tentando evitar a candidatura do Eduardo. Mas é certo que não há desespero a respeito.

Por Reinaldo Azevedo

 

Campos, Suape, a MP dos Portos e o lado ruim da força. Assim não, governador!

Quero voltar à eventual candidatura de Eduardo Campos à Presidência da República. Dado o arco de alianças do petismo, é comum, nos estados, o governo federal ter dois palanques. Mas é, obviamente, impossível haver dois na disputa presidencial quando o candidato oficial — ou candidata, como é o caso — concorre à reeleição. Campos terá, caso dispute mesmo, de se opor, de algum modo, a Dilma Rousseff e ao PT. Com que pauta? Já volto a este ponto. Antes, um pouco mais de especulações.

Digamos que Dilma e o agora governador de Pernambuco passassem para um eventual segundo turno. Ninguém precisa ser muito bidu para supor que ao PSDB não restaria alternativa que não apoiar o nome do PSB. Mas e se a presidente disputasse com Aécio Neves? O peessebista se juntaria ao candidato de oposição, contribuindo para tirar o PT do poder?

Campos, muita gente diz, está de olho é em 2018, não em 2014. Por que apoiaria, nessa hipótese, um Aécio, que teria chances, se vitorioso, de disputar uma reeleição, em vez de Dilma, que não estaria no pleito seguinte? Romper para quê? Para depois voltar ao leito? Vamos ver.

Pauta ruim
Campos resolveu se opor ao governo, por exemplo, no caso da MP dos Portos. Pois é… A gestão Dilma tem coisa ruim de doer, que merece combate. Não é, definitivamente, o caso da MP que tenta reestruturar o setor.

O governador está descontente com o texto porque pretende manter sob a gestão do estado o Porto de Suape, que ele considera eficiente. Ainda que fosse o melhor do Brasil, estaria muito longe da excelência alcançada em alguns países. E aí o governador resolveu se juntar ao deputado Paulinho da Força, do PDT, para combater a MP. Ainda que ambos tenham interesses diversos, o procedimento não é bom.

No Ranking da Qualidade dos Portos, que inclui 142 países, o Brasil está em 130º. É escandaloso! Ainda voltarei a este tema. Paulinho está falando em nome dos interesses corporativos de sindicatos ligados à entidade que lidera, a Força Sindical. Empresários hoje concessionários também resolveram se organizar contra o texto. Trata-se, assim, da soma de vários atrasos e interesses privados. Lamento dizer, mas é uma pauta contra o país.

Já disse que torço muito para que Campos rache o condomínio que está no poder. Mas nem tudo o que não é PT é bom. No caso dos portos, por exemplo, o governador de Pernambuco, em razão de uma questão regional, resolveu se aliar ao lado ruim da força. Segundo sei, ele quer ser presidente do Brasil, não presidente de Pernambuco. Tem de levar seus horizontes além do Porto de Suape.

Por Reinaldo Azevedo

 

Presidente Dilma, chefe de governo e de estado não pode falar como líder de facção. E mais algumas advertências à soberana

Uma presidente da República não pode falar como líder de facção nem permitir que seus auxiliares falem. O discurso de ontem da presidente Dilma (ver post), segundo quem, durante a eleição, “podemos fazer o diabo”, é grave. Reproduzo, mais uma vez, o trecho de sua fala, segundo a Folha Online. Estão tentando tirar do que ela disse o conteúdo obviamente nefasto.

“Nós podemos disputar eleição, nós podemos brigar na eleição, nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição. Agora, quando a gente está no exercício do mandato, nós temos que nos respeitar, porque fomos eleitos pelo voto direto do povo brasileiro”.

Não, presidente Dilma! A senhora está errada! Estupidamente errada!

O processo eleitoral é parte da democracia. Portanto, não se pode “fazer o diabo” antes, durante ou depois. O pleito propriamente, dona Dilma (Gilberto Carvalho chama um senador de “seu”, e eu vou chamar a presidente de “dona”), é, a rigor, a parte mais nobre da democracia. Sabe por quê? Vou contar para a senhora. Governos instalados, Soberana, todos têm: as democracias e as ditaduras. Mas só as democracias os escolhem por meio de eleição, condição necessária, mas, obviamente, não suficiente do processo democrático.

Ele tem outras exigências além dessa: uma delas, outro pilar fundamental do regime, é o respeito à minoria — aquela que foi atacada ontem, de forma absurda, por um ministro seu: Gilberto Carvalho.

O ambiente do vale-tudo no processo eleitoral, presidente, macula o próprio resultado. Nunca se esqueça: OS MEIOS QUALIFICAM OS FINS.

Por Reinaldo Azevedo

 

Milícias fascistoides tentam bater em jornalista. Sentem-se incentivados pelas falas de Gilberto Carvalho e Rui Falcão e estimuladas pelo arremedo de jornalismo financiado por estatais. Dilma, posso lhe garantir que isso não é bom nem para o país nem para a sua (re)candidatura! Que vergonha, presidente!

O jornalista Merval Pereira, colunista no Globo e comentarista do GloboNews, denunciou na sua coluna de domingo, no jornal, algo muito grave. Na coluna, reproduzida em seu blog, ele conta que foi à inauguração, na sexta-feira à noite, do museu MAR, na praça Mauá, zona portuária do Rio. Havia lá, informa, vários grupos de protesto. Os mais ruidosos atacavam a revitalização da área e criticavam a MP dos Portos, que já classifiquei aqui de um dos acertos do governo Dilma. Muito bem!

Reproduzo, em azul, trecho de seu artigo, intitulado “Meu momento Yoani”. Leiam com atenção.
“O que esses jovens do PT, do PCdoB, da Juventude Socialista, do PDT, sei lá de onde, queriam dizer é que a revitalização do centro do Rio é uma modernidade que rejeitam. E o que dizer da nova legislação sobre os portos do país? O que está por trás dos protestos, no entanto, é uma nada estranhável, embora exótica, aliança entre órgãos sindicais e empresários que operam os portos sem competição, beneficiando-se de uma reserva de mercado tão ultrapassada quanto prejudicial à economia brasileira.”
(…)
As pessoas que saiam da festa de inauguração forçosamente tinham que passar pelos manifestantes para pegar seus carros, e houve momentos em que as agressões verbais chegaram às raias da agressão física. Uma senhora que ia à nossa frente foi chamada de “fascista” por um manifestante, que gritou tão perto do seu rosto que quase houve contato físico.
Passei pelo grupo com minha mulher sob os gritos dos manifestantes, e um deles me reconheceu. Gritou alto: “Aí Merval fdp”. Foi o que bastou para que outros cercassem o carro em que estávamos, impedindo que saísse. Chutaram-no, socaram os vidros, puseram-se na frente com faixas e cartazes impedindo a visão do motorista. Só desistiram da agressão quando um grupo de PMs chegou para abrir caminho e permitir que o carro andasse.
Foram instantes de tensão que permitiram sentir a violência que está no ar nesses dias em que, como previu o Ministro Gilberto Carvalho, “o bicho vai pegar”. É claro que o que aconteceu com a blogueira cubana Yoani Sanchez nem se compara, mas o ocorrido na noite de sexta-feira mostra bem o clima belicoso que os manifestantes extremistas estão impondo a seus atos supostamente de protesto.
(…)

Voltei
Muito bem, meus caros. Já volto à manifestação. Antes, algumas outas considerações. Nesta segunda, Rui Falcão, presidente do PT, participou da abertura do Congresso Nacional de Trabalhadores Rurais da Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura). Esse modelo em que o chefe do partido fala a uma categoria que está sob a tutela da legenda tem história: é de inspiração fascista. Não é assim porque eu quero. É assim porque é o que informa a história. Falcão aproveitou a oportunidade para, mais uma vez, pregar o que os petistas chamam “democratização da mídia”, demonizado, uma vez mais, a imprensa brasileira. “Democratização”?

A fala acontece três dias depois de o Diretório Nacional do PT ter divulgado uma resolução que trata do mesmo assunto. No documento, a referência para a tal “democratização” são as propostas contidas no Fórum Nacional de Democratização da Comunicação. No sábado de manhã, escrevi um post a respeito. Demonstrei que o tal fórum defende, sem meias-palavras, que  os “representantes da sociedade civil” — valer dizer: os petistas — controlem o conteúdo do que é veiculado pela imprensa. Assim, o que o PT chama democratização é, em verdade, ditadura partidária. É simples assim.

Pois bem… A violência retórica do petismo contra a imprensa tem crescido. Órgãos financiados pelo Banco do Brasil e pela Caixa Econômica Federal hostilizam abertamente os jornalistas considerados “de oposição” — ou incômodos ao governo — e abrem suas respectivas áreas de comentário às manifestações explícitas de ódio. Reitero: não se trata de exercício da divergência, por mais dura e azeda que fosse. Não! É satanização mesmo, com estímulo ao linchaento. Lá do Palácio do Planalto, no ano passado, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, avisou: “Em 2013, o bicho vai pegar”.

E está pegando. Como se vê, dados a fala de um ministro de estado, a permanente pregação dos petistas contra a imprensa e o incentivo do subjornalismo chapa-branca (que, reitero, publica comentários os mais desvairados, incentivando o pega-pra-capar), os ditos “militantes” decidiram partir para a ação direta. Antes, eles só protestavam, gritavam, xingavam. Agora não! Impunes, certos de que nada vai lhes acontecer, eles decidiram que é hora de começar a espancar aqueles de que discordam. É uma nova fase da sua “luta”.

Já não bastam mais as tentativas de linchamento moral; já não bastam mais as correntes organizadas de difamação na Internet. E olhem que eles se especializaram nisso! Como revelou reportagem da mais recente edição de VEJA, o rapaz que desenvolveu um programa, um método mesmo, para achincalhar os adversários do PT (ou os assim considerados pelo partido) é funcionário do deputado André Vargas (PT-PR), vice-presidente da Câmara. Seu nome é André Guimarães. Ele já vende seus serviços a quem estiver disposto a comprar. A depender do pacote, pode custar de R$ 2 mil a R$ 30 mil. Então ficamos assim: as estatais pagam a rede suja, e a Câmara paga um expert em difamação. Não é mais o suficiente.

Também isso tem história. Também isso obedece a uma gradação. Ao discursar para uma multidão no dia 10 de fevereiro de 1933, 11 dias depois de Hitler ter se tornado chanceler da Alemanha,  Goebbels anunciou uma guerra contra a imprensa dos “judeus insolentes”. Em sua fala, fica evidente que a máquina difamatória contra os inimigos era apenas a primeira etapa do processo. E ele anunciava ali: “Um dia nossa paciência vai acabar e calaremos esses judeus insolentes, bocas mentirosas!” Quando “a paciência” dos nazistas acabou, a gente sabe bem o que fizeram.

Então é isto:
– a paciência de Gilberto Carvalho conosco acabou;
– a paciência de Rui Falcão conosco acabou;
– paciência da subimprensa a soldo conosco acabou.

Agora é chegada a hora de calar, na porrada, a boca dos “judeus insolentes”, que somos nós.

É uma vergonha, presidente!
É claro que ninguém vai encontrar nas palavras de Carvalho ou de Falcão o incentivo explícito à pancadaria — até porque isso ensejaria processo judicial. O mesmo se diga daquela gente financiada por estatais. Mas é óbvio que eles todos, juntos, formam o caldo de cultura que conduz a essa intolerância — que começa a crescer também dentro das redações, é bom que saibam — nesse caso, ninguém bate em ninguém; não ainda. Mas as ideias já começaram a ser impiedosamente espancadas; a liberdade de expressão já está sob permanente assédio.

Em recente evento do PT, lá estava fazendo o seu trabalho uma jornalista de TV. Assim que um dos chefões petistas fez um ataque à “mídia” e à sua suposta parcialidade, uma idiota gritou: “Fulana de Tal está Aqui!!!” Deixassem a coisa por conta dela, a repórter poderia apanhar ali mesmo. Foi o que aconteceu com Merval. Essa é a democracia deles — aquela em que as pessoas de que discordam são linchadas. Jamais se viu um democrata propor algo parecido. Já os comunas e os fascistas — essencialmente iguais, é bom notar — não podem tolerar a divergência. Inimigo é para ser esmagado!

Não adianta Dilma fazer cara de paisagem e fingir que não tem nada com isso. Tem, sim, presidente! Todos têm o dever de zelar pelas leis e pela Constituição, mas ao presidente da República é reservado também o papel de liderança moral, não de chefe de facção. Essa história de que ela nada pode no partido é, lamento!, mera conversa mole de quem está na zona de conforto. Se não tem como impedir a pregação bucéfala dos petistas, tem ao menos como censurá-la. Ademais, enquanto dinheiro publico continuar a irrigar campanhas organizadas de difamação, que já começam a resultar em agressão física, Dilma tem, sim, “a ver com isso”.

Não é bom, presidente!
Não, presidente, isso não é bom! Não é bom para o país por razões que me dispenso de explicar. E não é bom também para a sua candidatura. A corrida nem começou, mas a violência retórica já alcança dimensões estúpidas. Aqui e ali, já começa a haver sinais de que setores importantes da sociedade estão se cansando do autoritarismo petista. O caso de Yoani Sánchez, evocado por Merval, foi exemplar, não é? A tramoia contra aquela moça contou com a participação de um assessor do governo (e com o apoio técnico de um funcionário de um figurão do PT), e nada aconteceu.

“Esse Reinaldo! Os caras que tentaram agredir Merval, que chutaram seu carro, estavam também contra a MP dos Portos, editada pela própria Dilma…” Eu sei. Esses grupos sempre são livres para divergir à esquerda… Isso é lá com eles, problema interno. Eu estou cuidando aqui é da tolerância com o “outro”.

Nos textos que escrevi sobre Yoani, afirmei, está em arquivo, que a blogueira cubana era apenas a primeira da fila e que os fascistoides estavam se preparando para espancar também os adversários nativos. Eis aí. Dilma não precisa nos cobrir de beijos, como faz com “Chalitinha”. Basta que faça cumprir a Constituição da República Federativa do Brasil.

Por Reinaldo Azevedo

 

Dilma confessa: “Nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição”. Entendi!

Dilma Rousseff, todo mundo se lembra, não tinha lá muito traquejo, não é? Refiro-me àqueles tempos em que ia a programas de televisão e se dizia devota de uma certa “Nossa Senhora de Forma Geral”. Chegou a chamar a santa de “deusa”. Não tendo, então, o que dizer, dizia o que lhe dava na telha, fundando, no limite do desespero, um cristianismo politeísta… Mas ela aprendeu. Somou àquele desassombro do vale-tudo discursivo o repertório lulista. E aí escapam falas encantadoras como a desta segunda, em João Pessoa, na Paraíba, segundo leio na Folha Online. Ela estava entregando um conjunto residencial no âmbito do programa “Minha Casa Minha Vida” quando atirou:

“Nós podemos disputar eleição, nós podemos brigar na eleição, nós podemos fazer o diabo quando é a hora da eleição. Agora, quando a gente está no exercício do mandato, nós temos que nos respeitar, porque fomos eleitos pelo voto direto do povo brasileiro”.
Em tempo: Ricardo Coutinho, governador do estado, presente à solenidade, é do PSB, partido de Eduardo Campos, governador de Pernambuco, que tenta viabilizar a sua candidatura à Presidência e que já enfrenta a máquina petista de destroçar reputações.

Como? O que será que quer dizer “fazer o diabo quando é hora de eleição”? Não sei exatamente, mas posso imaginar.
– Preparar dossiês recheados de falsidades contra adversários? É, isso pode ser incluído em “fazer o diabo”.
– Mobilizar arapongas para espionar a vida alheia? É, isso pode ser incluído em “fazer o diabo”.
– Pagar pistoleiros morais para manchar a reputação alheia? É, isso pode ser incluído em “fazer o diabo”.
– Mentir descaradamente sobre a  biografia dos adversários e sobre a sua própria? É, isso pode ser incluído em “fazer o diabo”.

O “diabo” aliás é pau para toda obra. O coisa-ruim — o rabudo, o cão-miúdo, o futrico, o pé  de gancho, o cramulhão, o zarapelho, o tinhoso e os outros 130 sinônimos que o dicionário reserva para o sarnento (incluindo este) — pode fazer qualquer coisa. A única ética do sapucaio é não ter ética nenhuma. Ou melhor: ele costuma cumprir a sua palavra com quem faz acordo com ele — desde, é claro, que se pague o preço. Nesse particular, convenham, o diabo é que precisa ter cuidado se quiser estabelecer um pacto com certos políticos, não é mesmo?

É evidente que se trata de uma frase escandalosa. Não que pudesse acontecer — porque não é de seu estilo —, mas imaginem se o governador Geraldo Alckmin (PSDB), por exemplo, numa inauguração qualquer, discursasse: “Podemos fazer o diabo para vencer eleições, mas, depois, governamos para todos”. Seria satanizado (ooops! O mofento contaminou minha linguagem!) para sempre. Não o deixariam mais em paz. Os cronistas isentos-a-serviço-do-PT se encarregariam de martelar a frase dia após dia.

Mas não será assim com Dilma. Seja por ideologia, seja em razão da metafísica influente, dá-se destaque à parte, digamos, virtuosa de sua fala. O lead da reportagem da Folha, por exemplo, é este: “Em meio a um clima de campanha eleitoral antecipada, a presidente da República, Dilma Rousseff, disse nesta segunda-feira (4) que seu governo respeita os políticos de partidos adversários, apesar das paixões eleitorais.”

Viram só? Dilma diz que “faz o diabo” para vencer uma eleição, e o que se destaca em sua fala é o fato de que ela assegura que não discrimina ninguém. Levada a fala a sério, e convém que se leve, a presidente está dizendo que, no processo eleitoral, vale tudo — a menos que ela diga quais são os limites do… maligno. “Ah, Reinaldo, era só força de expressão…”  Entendo! Não haveria, então, pergunto eu, outra “expressão”, outra metáfora, que designasse com mais propriedade o que faz o PT para vencer uma disputa?

Resposta: não! O PT faz o diabo. E acabou! E acha legítimo que se faça o diabo.  No poder, o mensalão já o demonstrou, também impera o espírito do grão-tinhoso. Ou será que a pessoa que faz “o diabo” para se eleger renuncia ao excomungado na hora de governar? Por que o faria? A menos que caia de joelhos no altar dedicado à Nossa Senhora de Forma Geral, a “deusa”… Eis a Dilma que cobriu o “Chalitinha” de beijinhos (ver post a respeito).

As casas do “Minha Casa Minha Vida” saem em nome da mulher, uma prática inaugurada por Mário Covas, mas que, no discurso de Dilma, virou obra de Lula — que foi quem deu a Deus a ideia de fazer cair maná do céu para pacificar o povo e lhe matar a fome. Ninguém sabe disso, e revelo aqui a autoria em primeira mão. Disse Dilma ao explicar por que tanto as casas como os benefícios do Bolsa Família saem em nome da mulher:

“O presidente Lula disse o seguinte: ‘se não for assim, vai aumentar o consumo de cerveja. [Já] a mulher vai dar [o dinheiro do benefício] para o filho”.

Ela disse isso e sorriu!

Lula é mesmo um fatalista. Também ele deve acreditar que os homens são incapazes de resistir às tentações do demônio e de um copo de cachaça.

Com um PSDB minimamente organizado, já haveria um batalhão atrás dessa fala de Dilma para lançar no YouTube: “Nós fazemos o diabo…”. Mas quê… No Brasil, satanás não precisa nem ser muito esperto nem ser muito velho para dar as cartas.

PS – Dilma discursava num estado governado pelo PSB. E disse que o PT faz, sim, “o diabo”. Eduardo Campos que se cuide caso decida levar a sério esse negócio de disputar a Presidência. Terá de enfrentar, Dilma, o pé-cascudo e Lula, na ordem das periculosidades.

Texto publicado originalmente às 19h38 desta segunda

Por Reinaldo Azevedo

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Blog Reinaldo Azevedo, de veja

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2 comentários

  • Fernando Cardoso Gonçalves Santiago - RS

    PIOR QUE O MST FORA DA LEI É A POLICIA FEDERAL E A FUNAI RESPALDADAS NA LEI EXPULSANDO PRODUTORES E PROPRIETÁRIOS LEGITIMOS DE SUAS TERRAS, COMO ACONTECE HOJE EM MATO CASTELHANO NO RIO GRANDE DO SUL. LEI ESSA QUE AMPARA ESSES ÓRGÃOS QUE FOI PROVAVELMENTE VOTADA SOB A TUTELA DO MENSALÃO QUE ESSES DEPUTADOS E SENADORES TIVERAM A CAPACIDADE DE ACEITAR!!!!

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  • Edison tarcisio holz Terra Roxa - PR

    esse chaves tem que puxar essa cambada de socialistas junta a si e ele ja vai tarde e essa cambada que se acha dona do poder que vão arder junto com ele no seu novo paraiso

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