Banco Macquaire reduz estimativas para preços das principais commodities agrícolas, mas livra o algodão

Publicado em 17/05/2013 14:33 e atualizado em 17/05/2013 15:28 536 exibições

O banco de investimentos Macquarie cortou a sua previsão para os preços de todas as principais commodities agrícolas exceto o algodão. Porém, para milho e trigo, a previsão é de que os preços caiam a níveis raramente vistos desde 2010. 

Após o banco Goldman Sachs, na quarta-feira (15), prever uma queda de 13% nos valores para o próximo ano, o Macquarie, em uma segunda tendência de baixa para commodities agrícolas essa semana, disse que os preços mais elevados vistos nos últimos anos elevaram a produção e cumpriram a tarefa de racionar a demanda. 

Para os preços do trigo na Bolsa de Chicago a instituição reduziu sua estimativa em até US$ 2,25 por bushel, prevendo uma queda abaixo de US$ 6/bushel  até o final do ano. Os menores valores seriam justificados, segundo o banco, pela produção maior do grão em importantes regiões produtoras como a União Europeia e ex-União Soviética, que devem registrar um aumento de na safra de 37% para 92 milhões de toneladas.

Enquanto isso, a demanda pelo trigo será limitada devido a volta do milho para alimentação do gado, já que o grão esteve em falta em 2012/13 frente a seca na safra dos EUA que provocou uma quebra de mais de 100 milhões de toneladas na temporada. "Uma das principais regiões onde esta mudança irá ocorrer é na China, onde a alimentação de trigo em grande escala nas últimas temporadas manteve o país longe do mercado de importação de milho", afirmou Macquarie.

Foram reduzidas também as estimativas para os preços do milho em até US$ 2 por bushel frente a perspectiva de um grande aumento na produção dos EUA e em outros países, elevando a collheita mundial em 16%, para 457,9 milhões de toneladas.

Os EUA sofrem com o clima adverso atrasando severamente o plantio da nova safra, o que poderia reduzir o potencial produtivo das lavouras do país, porém, outros países podem registrar boas safras do cereal. No entanto, as perspectivas de rendimento mais alto são esperadas para o país, um dos fatores que contribuiu para o banco a reduzir suas estimativas para o preço do milho. Segundo o Macquarie, a principal razão da tendência de baixa  foi a forte concorrência nos mercados de exportação. "Nós vemos uma mínima recuperação apenas nas exportações americanas, após os níveis muito baixos vistos nessa última temporada em função da grande oferta de outros países produtores", afirmou a instituição.

Nova York - O banco reduziu ainda suas estimativas para o preço do café arábica negociado na Bolsa de Nova York. A previsão para as cotações recuo 4,3 centavos de dólar por libra-peso em relação às suas estimativas iniciais apresentadas em janeiro de 142 cents. Isso se deve a perspectiva de uma grande safra brasileira em um momento em que os produtores ainda têm estoques que sobraram da safra do ano passado.

O banco também cortou em até 1 centavo de dólar por libra-peso a previsão para os preços do açúcar. O motivo foi um excesso de produção de quase 10 milhões de toneladas na temporada 2013/14. "Esse preço vai nos levar ao ponto em que os produtores brasileiros irão parar de esmagar a sua cana-de-açúcar, o que, é claro, é o preço de paridade do etanol", afirmou a nota do Macquaire.Mesmo nesse nível, atualmente de 18,5 centavos de dólar/libra-peso,  os preços estavam sujeitos a recuar, já que mais cana é esmagada para a produção de etanol. O ponto mais baixo de preço deverá ser entre junho e agosto, quando o esmagamento de cana atinge seu pico.

No entanto, o banco acredita que, no longo przo, os preços possam voltar a subir já que os baixos preços devem desestimular a produção de açúcar. "A partir de 2014/15 devemos ver uma tendência de alta para o açúcar, por conta de um risco real do mercado global cair registrar um déficit devido a queda na produção e o aumento do consumo". 

Ao contrário das demais commodities agrícolas, para o algodão o banco Macquarie elevou suas estimativas para os preços a curto prazo. As cotações, segundo a instituição, podem aumentar em até 10 centavos de dólar por libra-peso, citando a enorme proporção, de mais de 60%, dos estoques mundiais nos armazéns chineses, graças a um programa de estocagem do governo, num momento em que a demanda mundial foi reativada."Os fornecedores de algodão fora da China estão ficando restritros", disse o banco, acrescentando que "a cobertura da indústria é bastante curta".

O banco prevê um mercado de dois níveis, com a situação na China sendo amplamente separada do resto do mundo."A única maneira de ambos poderem voltar a calibrar seria a China vender as suas reservas abaixo do custo, o que é improvável, ou então o preço mundial alcançar níveis mais elevados para incentivar as vendas chinesas.

Com informações do site Agrimoney. 

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Por:
Paula Rocha
Fonte:
Notícias Agrícolas

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