Índice de Liberdade Econômica: entre 46 países Brasil encontra-se na 39.a posição

Publicado em 05/06/2014 19:39 e atualizado em 05/06/2014 22:57 451 exibições
Causas são burocracia, corrupção, falta de direitos de propriedade, restrição a investimentos estrangeiro, por Por Caio Albuquerque, da Esalq em Piracicaba.

O investimento estrangeiro direto (IED) é reconhecidamente um fluxo muito importante, não só por ser uma maneira saudável de financiar o balanço de pagamentos de países emergentes mas também por ser um elemento favorável ao desenvolvimento econômico dos países receptores por meio de transferências de tecnologias. “No Brasil, a importância desse tipo de investimento tem recebido maior importância devido a conjuntura da economia mundial em que existe escassez de financiamento externo ao déficit em conta corrente”, comenta o economista Daniel Valladares Weeks, autor de um estudo intituladoDeterminantes do investimento estrangeiro direto bilateral: uma abordagem do ambiente de negócios.

Objetivo foi compreender os determinantes dos fluxos de IED entre os países

Desenvolvido no Programa de Pós-graduação em Economia Aplicada, da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq), o trabalho procurou aumentar a compreensão sobre os fatores determinantes dos fluxos de IED entre os países, trazendo à tona uma abordagem que foca no ambiente de negócios dos países receptores. A pesquisa, que teve orientação de Roberto Arruda de Souza Lima, professor do Departamento de Economia, Administração e Sociologia (LES) da Esalq, foi realizada a partir de métodos econométricos utilizando dados do fluxo de IED bilateral entre 30 países de origem e 46 países de destino.

Os resultados mostram que, além do tamanho das economias, a distância entre elas e a presença de fatores culturais comuns (mesmo idioma, relação de ex-colônia), os fatores relacionados ao ambiente de negócios são fundamentais para a determinação dos investimentos diretos entre os países. “Exemplos desses fatores seriam a presença de burocracia, corrupção, falta de direitos de propriedade, restrição a investimentos estrangeiros”, conta Weeks.

O estudo utilizou o Índice de Liberdade Econômica da Heritage Foundation como índice que mede a qualidade do ambiente de negócios e, entre os 46 países receptores de IED utilizados no trabalho, o Brasil encontrava-se na 39ª posição em 2012. “Entre os principais países da América Latina, o Brasil encontrava-se atrás de México, Peru, Chile e Colômbia, mas à frente de Argentina e Venezuela”, destaca o autor.

Melhora do ambiente
A pesquisa teve apoio do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e aponta que a melhora desses indicadores passa pela diminuição tanto da burocracia como dos custos na condução dos negócios, e pelo aumento das garantias à liberdade de investimento e de negócios no país. “Essas ações resultariam em efeito positivo na atração de investimentos estrangeiros direto, além de outros benefícios diretos à economia. A atração de IED é desejável pelos seus efeitos sobre o desenvolvimento econômico a partir da transferência de tecnologia e aumento dos investimentos, assim como um financiamento mais estável do balanço de pagamentos.”

Weeks reforça ainda que, na comparação mundial desses aspectos relacionados ao ambiente de negócios, a economia brasileira encontra-se em situação de menor desenvolvimento relativo. “Uma vez que o país mantém-se como o um grande alvo de IED, é dada pouca importância em relação aos fatores relativos ao ambiente de negócios como propulsores desse tipo de investimento. Em outras palavras, existe o incentivo à complacência com as condições ruins do ambiente de negócios.”

Para o pesquisador, esta discussão torna-se mais relevante nas circunstâncias atuais, onde a busca de novos propulsores de crescimento econômico e fontes de financiamento para o desenvolvimento da economia doméstica frente a um cenário internacional mais desafiador assumem posição de destaque no debate econômico. “Para o cenário brasileiro, as reformas microeconômicas deveriam focar em melhorar seus indicadores relacionados ao ambiente de negócios, tendo um enorme potencial de aumentar os fluxos desse tipo de investimento internacional”.

 Oito ou Oitenta - por Dora Kramer, no Estadão 

               A pesquisa do instituto americano Pew Research Center traduz em números e ajuda a organizar um pouco o raciocínio sobre os humores da sociedade brasileira que passou da euforia algo míope - para não dizer abobalhada - para um estado de mau humor à deriva.

               É sempre salutar o despertar de consciências, mas, como aponta a responsável pela pesquisa, Juliana Horowitz, chama atenção a mudança tão radical. Segundo ela, nos 82 países pesquisados desde 2010, oscilações semelhantes só foram observadas naqueles abatidos por graves crises ou rupturas institucionais.

               "Antes" (dos protestos de junho de 2013 ou do quê?) não havia nada de errado, estava tudo na mais santa paz; agora o clima é de véspera de fim do mundo.

               Ainda que pipocassem escândalos de corrupção por todos os lados e que a cúpula do partido do governo estivesse denunciada e prestes a ser julgada por comprar maioria no Congresso, este mesmo governo foi reeleito e ainda ganhou o direito a mais um período dando ao então presidente o cheque em branco pedido por ele para a eleição da sucessora.

               Os números sobre o desempenho do governo são de impressionar: 86% desaprovam o combate à corrupção, 85% estão insatisfeitos com a situação de insegurança pública, 85% repudiam o serviço de saúde, 76% desaprovam o sistema de transportes, 71% não concordam com a política externa, 71% acham ruim a educação, 67% estão contra as preparações para a Copa do Mundo, 65% revoltam-se com a pobreza e 63% estão em desacordo com a situação da economia.

               Justamente a economia, o item apontado como o grande vilão da insatisfação, o fator ao qual se atribuiu o agrado ou desagrado em relação a um governo, é o que tem o índice menos alto. No entanto, é o setor que mais se deteriorou. Os outros já vinham devidamente degradados. Mesmo no tempo da euforia com o consumo desenfreado, do Brasil que dava lições aos Estados Unidos e à União Europeia, do ilusionismo dos sucessivos PACs cujas obras atrasadas ou não iniciadas não serviram de sinais de alerta para a incapacidade objetiva de fazer acontecer de maneira decente uma Copa e uma Olimpíada.

               Era evidente que a farra não duraria para sempre. A situação externa não explica tudo, porque países em desenvolvimento como o Brasil saíram-se muito melhor nesse período porque fizeram outras escolhas. As ações aqui foram todas referidas no imediatismo da conquista da unanimidade com fins da obtenção de hegemonia política, social e cultural.

               Para ganhar eleições, vende-se otimismo. Mas, para que o poder perdure é preciso entregar o prometido e, da maneira como as coisas foram conduzidas desde o início, era evidente que a conta chegaria.

               Não viu quem não quis ou quem achou que a bonança é eterna e não tem preço. Um palpite para o motivo da irritabilidade à deriva? A retirada do palco de Lula como exímio animador de plateias. Levou a maioria na conversa até quando era evidente o vazio, quando não a enganação, da conversa. Saiu de cena o ilusionismo e o País se viu no convívio diário com a realidade.

               E o produtor daquela euforia extrema, o homem das metáforas futebolísticas, o líder das massas, a alegria do povo, o presidente que trouxe a Copa para o Brasil onde estará nos jogos do Mundial, inclusive na abertura no estádio de seu Corinthians do coração? Segundo ele, em casa, vendo tudo pela televisão.

               A fim de não correr o risco de ser alvo do mau humor à deriva nos estádios aonde o brasileiro "vai a pé, descalço e de jumento".

                Emaranhado. Gente do mercado financeiro tem ouvido nos escalões da administração federal que se a oposição ganhar a eleição presidencial vai levar no mínimo seis meses para começar a compreender os números do governo, tal a sorte de atalhos e a exuberância da criatividade na condução da área econômica.

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Fonte:
Agência USP de Notícias/Estadão

1 comentário

  • HAROLDO FAGANELLO Dourados - MS

    Sempre votei contra o PT....mas em 2002, após a vitoria larga do Lula e a euforia da nação pelo feito até deixei escapar algumas frases tipo: "acho que o Brasil precisa passar por essa fase, experimentar o outro lado" ou outra, "vocês, votantes do PT, pagaram para ver, então vamos esperar o tempo passar". Sempre achei o discurso do Apedeuta um saco furado ou historinhas ao vento. Mas confesso que não imaginava que por mais incompetentes ou mal intencionados que fossem, nunca chegaria à constatações ou infelizes realidades como essas citadas na reportagem acima. O governo do PT é um LIXO bem pior do que eu imaginava há 12 anos atrás. O governo do PT é um LIXO para mais de 70% dos brasileiros hoje. Pagamos para ver e erramos feio no orçamento assim como fizeram com os estádios da nossa copa. FELIZ 05 DE OUTUBRO A TODOS OS BRASILEIROS!!!

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