Evite prejuízos: O atraso nas pastagens de inverno custa caro

Publicado em 12/06/2014 08:56 262 exibições
Por Renato Bittencourt, analista de mercado da Lance Agronegócios.

Parte da integração lavoura-pecuária é a entrada dos animais na pastagem de inverno, entre os cultivos da soja, por exemplo.

Porém, a pecuária arca com sérios prejuízos, ou no mínimo acaba deixando de ganhar em casos em que as pastagens foram semeadas um tanto depois do preconizado, a lanço a partir de meados de maio.

Vamos exemplificar uma situação que não muito raramente acontece onde há arrendatários.

Um pecuarista arrendou uma área para um sojicultor (ano aberto), que, entre o término da colheita da lavoura e a semeadura a lanço do azevém, demorou cerca de 45 dias.

Claro que houve descuido do pecuarista e descaso do agricultor.

Além deste atraso de 45 dias na semeadura, também há certo atraso no crescimento da planta, devido à maior incidência de frio, mas contando que ainda ocorra boa luminosidade e umidade, adicionemos mais 15 dias de atraso, totalizando 60 dias.

A semeadura também poderia ter sido realizada por avião, o que adiantaria ainda mais o pastoreio da área, assim o total de dias perdidos poderia chegar a 90, mas deixemos por 60 dias.

Agora calculemos o quanto ele deixará de ganhar em 60 dias sem pastagem.

Considerando 100 hectares de azevém com capacidade de suporte (CS) de 600kg por hectare nos primeiros dois meses, colocaríamos vacas de invernar de 370kg de peso médio (PM):

Vacas por hectare = (CS)/PM = 600/370 = 1,62 vaca por hectare

Que multiplicadas pelo nº de hectares fica 1,62 x 100 = 162 animais, que seria o total de vacas na área (TV).

Agora consideremos um ganho médio diário (GMD) de 700 gramas por vaca chegaremos a um ganho total de 113,4kg por dia, multiplicando o número de dias obtemos ganho de peso total (GPT):

GPT = 113,4kg x 60 dias = 6.804kg

Ou seja, este produtor deixará de produzir 6.804kg de peso vivo em função do atraso da semeadura. Vejam como é impactante.

Agora considerando 46% de rendimento de carcaça na fêmea e um preço de 8,50kg de carcaça temos o seguinte resultado:

Kg de Carcaça = 6.804 x 46% de rendimento = 3.129,84kg

Resultado = 3.129,84kg x R$8,50 = R$26.603,64

Neste caso, o pecuarista deixou de ganhar R$26.603,64 mil reais em 100 hectares de pastagem com o atrasado considerado, ou R$266,04 por hectare.

Outra possibilidade é se o arrendador (pecuarista) utilizar o método de capitalização, ou seja, colocar os animais em parceria e dividir o ganho de peso na pastagem, que seria 60% para o proprietário do campo e 40% para o proprietário das vacas, então teremos o seguinte resultado:

R$26.603,64 x 60% = R$15.962,18

Nesta segunda hipótese, o pecuarista está deixando de ganhar R$15.962,18 na área, ou R$159,62 por hectare.

Vale ressaltar que os exemplos não se referem a prejuízos diretos (desembolsos), mas sim a perdas de ganho (ganho menor).

Estes cálculos também podem ser feitos com suplementação, terneiros, novilhos e boi mais velhos, mas não os farei para não alongar muito o artigo.

Evite prejuízos, o atraso das pastagens de inverno custa caro.

A integração lavoura-pecuária é uma das principais ferramentas para melhorar o resultado econômico do sistema, mas deve ser planejada para este fim, e não se transformar em LAVOURA X PECUÁRIA.

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Lance Agronegócios

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